Há 15 anos, após conquistar sua segunda Copa
América seguida, a Seleção Brasileira comandada por Vanderlei Luxemburgo abriu
mão de suas principais estrelas e rumou para o México visando a disputa da Copa
das Confederações. Na estreia, um baile de 4 a 0 sobre uma envelhecida
Alemanha. Naquele momento, olhando para nós mesmos, demos pouca importância ao
que acontecia do outro lado. Uma das maiores camisas do futebol se encontrava
em sérios apuros. Por incrível que pareça, ainda chegaram à final do Mundial de
2002 amparados pela grande fase do meia Michael Ballack, do então jovem
artilheiro Miroslav Klose e da muralha Oliver Kahn. Desta vez, perderam por um
placar menos elástico para o mesmo Brasil, porém estava claro que alguma coisa
precisava mudar.
E os alemães mudaram. O futebol de força que utilizava
líbero e atuava de forma mais espaçada deu lugar a um futebol técnico,
compacto, fluído e, sobretudo, coletivo. Os resultados voltaram a acontecer, os
títulos ainda não, mas não restam muitas dúvidas de que o caminho tomado estava
certo. Depois dos 7 a 1 sofridos pelo Brasil no Mineirão, a maior derrota de
nossa história, é inevitável que a reflexão mude de lado. O perigo está em não identificar
os problemas de forma correta, algo que um resultado tão massacrante pode
induzir.
A primeira reação é apontar o dedo para o futebol
praticado no País. Dirigentes corruptos, calendário absurdo, métodos de
treinamento ultrapassados, tudo isso realmente existe e precisa ser sanado. No
entanto, nem todas as respostas se encontram aí. Neste 8 de julho, nove
jogadores que iniciaram a partida atuam em clubes europeus e são comandados pelos
principais treinadores do planeta. Os outros dois, o goleiro Júlio César e o
atacante Fred também militaram no Velho Continente. Portanto, falar em
diferença entre o futebol praticado no Brasil e na Europa seria, pelo menos
diretamente, um equívoco.
Antes de tudo, é preciso entender o que foi esta
derrota. A maneira como ela aconteceu. Depois de um início onde a vontade era
maior do que a organização, a Seleção Brasileira deu mostras de que pretendia encarar
a Alemanha de frente. Marcelo chegou a finalizar com perigo e um duelo
equilibrado parecia surgir. Até que a Seleção sofreu o primeiro gol. Talvez
pela ausência de Neymar, sua principal referência, e quem sabe por não apresentar
uma estrutura tática capaz de reagir, o Brasil sofreu mais um gol. A partir
dali, os três gols subsequentes são resultado de uma equipe intensa e bem
postada contra outra emocionalmente destruída. Com os 5 a 0, ao fim da etapa
inicial estava claro que a eliminação estava sacramentada.
Não é por coincidência que as duas derrotas mais
dolorosas da Seleção nos últimos tempos esbarraram justamente no aspecto
psicológico que não encontrava respaldo na organização. Em 1998, na França, uma
equipe desnorteada pela convulsão de Ronaldo e mal organizada em campo por
Zagallo levou 3 a 0 dos donos da casa. Agora, um time que trazia consigo um
crônico problema de transição e se ancorava em Neymar viu tudo ruir quando seu
craque deixou a competição. Em ambos os casos, a falta de uma equipe coesa o
bastante para trabalhar nas adversidades. Como escreveu o analista de desempenho do Grêmio, Eduardo Cecconi, não é
possível prescindir de organização no futebol moderno. Isso vale para clubes e seleções.
Que o próximo técnico do Brasil seja escolhido por critérios técnicos e táticos,
mesmo que sabendo que o lado psicológico também é relevante. E que este último
aspecto não funciona sem os primeiros.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Foto: Ricardo
Matsukawa/Terra





















