sábado, 18 de maio de 2013

As definições de modernidade foram atualizadas

Participando do programa Bate-Bola 2 há alguns dias, o folclórico Valdir Bigode foi mais um a comentar sobre a polêmica da desatualização dos técnicos brasileiros quando disparou: “Se ganha está atualizado, se perde está desatualizado.” Na declaração simplória estava a constatação de que o ex-atacante não concordava com a ideia de atraso dos profissionais locais, o que fez este blogueiro ter uma rápida conversa via Twitter com um jornalista que estava no programa. Logicamente, ambos discordando de Valdir.
O curioso dessa história é que muitas vezes é possível notar que nem todas as pessoas que comentam sobre esse atraso têm condições de avaliar esse problema mais a fundo, embarcando apenas na onda de críticas que varre a classe em questão. Talvez o maior exemplo disso sejam as observações sobre o bom trabalho do técnico Cuca à frente do Atlético Mineiro. É muito comum ouvirmos frases do tipo “o Corinthians e o Atlético são os times que praticam o futebol mais moderno do Brasil”. Sobretudo no caso do Galo, não poderia haver equívoco maior.
Como explica (no 4º frame) o analista de desempenho das categorias de base do Grêmio, Eduardo Cecconi, o Atlético faz uso de um tipo de marcação muito conhecido do público brasileiro, o velho “cada um pega o seu e um fica na sobra”. Algo que, pelo menos em tese, não deveria ser mais usado neste país desde que Carlos Alberto Torres aproveitou os defeitos desse tipo de encaixe para marcar o quarto gol do Brasil sobre a Itália na final do Mundial de 1970. Outra característica do time mineiro que nos remete ao futebol do passado é a iniciativa de Cuca de ter um esquema que busca dar a Ronaldinho Gaúcho toda a liberdade para jogar e só marcar quando quiser. E um dos escalados para essa missão é Pierre, esforçado volante unidimensional que foi afastado do Palmeiras pelo “anacrônico” Luiz Felipe Scolari. Evidentemente, isso não significa que o Atlético não possa ser eficaz atuando dessa maneira. Sua campanha na Copa Libertadores mostra que competitividade é o que não falta. Agora, para chamar de moderno vai uma longa distância.
O caso do Corinthians é um pouco diferente. Ao contrário de praticamente todas as equipes brasileiras, os comandados de Tite se alinham de forma adiantada e compactada marcando por zona e com pressão. Em termos de filosofia de jogo lembra bastante a Juventus de Fabio Capello que o treinador gaúcho foi conferir in loco quando viajou à Itália em meados dos anos 2000. Ou seja, há quase uma década. Na prática, aquela Juve também era extremamente forte na marcação, mas, como quase todos os times de Capello, carecia de criatividade. Coincidência ou não, um problema semelhante ao que o time de Parque São Jorge enfrenta por marcar poucos gols justamente por não funcionar tão bem quando tem a posse. Se considerarmos que o futebol praticado pelos principais times do mundo busca defender e atacar com a máxima intensidade, notaremos que a segunda parte não faz parte do repertório alvinegro. Então, quando alguém vier falar em modernidade no Brasil, desconfie. Pelo menos por enquanto.
Crédito da imagem: Terceiro Tempo

domingo, 12 de maio de 2013

Quem Felipão deve levar para a Copa das Confederações?

Há alguns dias, o site do Globo Esporte colocou no ar um divertido aplicativo que dá ao torcedor a chance de “convocar” a Seleção Brasileira para a Copa das Confederações. A ferramenta é bem interessante, mas tem o problema de limitar as combinações, algo que praticamente impossibilita simular o grupo que o técnico Luiz Felipe Scolari provavelmente chamará. Apesar de serem 23 nomes, é bem provável que a polivalência de alguns jogadores possam representar mais opções para determinados setores.
O melhor exemplo é Jean, volante no Fluminense e lateral-direito na Seleção. Com sua convocação, Felipão terá à disposição um reserva para o lateral Daniel Alves e, simultaneamente, um suplente para o meio-campo. Algo parecido com o papel de Juliano Belletti no Mundial de 2002, quando era ao mesmo tempo reserva de Cafu e opção como volante. Tal medida abriria mais uma vaga no ataque, setor onde é sempre bom dispor de alternativas distintas para cada situação de jogo.
Em linhas gerais, a lista deve ser composta pelos três goleiros de praxe, quatro zagueiros, quatro laterais (Jean entre eles), sete jogadores para o meio e cinco atacantes. A grande ausência pode ser Ronaldinho Gaúcho, conforme apurou o repórter André Plihal durante os dias que antecederam o amistoso entre Brasil e Chile. No restante, os nomes serão os que estiveram presentes nas últimas convocações.
Veja abaixo os prováveis 23 convocados para a Copa das Confederações:
Goleiros: Diego Cavalieri (Fluminense), Jefferson (Botafogo) e Júlio César (QPR);
Zagueiros: Dante (Bayern de Munique), David Luiz (Chelsea), Réver (Atlético/MG) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Filipe Luís (Atlético de Madrid) Jean (Fluminense) e Marcelo* (Real Madrid);
Volantes: Fernando (Grêmio), Hernanes (Lazio), Paulinho (Corinthians) e Ramires (Chelsea)
Meias: Jádson (São Paulo), Lucas Moura (PSG) e Oscar (Chelsea);
Atacantes: Alexandre Pato (Corinthians), Fred* (Fluminense), Hulk (Zenit), Neymar (Santos) e Osvaldo* (São Paulo).
* Jogadores que dependem de alguma avaliação física.
E você, concorda com essa convocação?      
Crédito da Imagem: Mowa Press

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Manager, não técnico

O anúncio da saída de Sir Alex Ferguson do Manchester United ao final desta temporada pegou muita gente de surpresa. Aparentemente gozando de boa saúde, o escocês de 71 anos dava sinais de que poderia seguir à frente do que clube que comanda desde 1986 por mais alguns anos. Todavia, a realidade é que no próximo campeonato o manager dos Red Devils será seu compatriota David Moyes, atualmente no Everton. Moyes, uma unanimidade dentro da cúpula do United para ser o substituto de Ferguson, assinou por seis anos e terá pela frente a dura missão de gerenciar o futebol de uma das maiores agremiações do planeta. Isso mesmo, “gerenciar”, pois treinar é apenas uma das atribuições das quais um manager pode se ocupar na Inglaterra.
Durante os quase 27 anos em que chefiou as ações esportivas do Manchester United, Alex Ferguson possuiu diversos auxiliares, o chamado “coach”, que muitas vezes eram os responsáveis por comandar os treinamentos da equipe enquanto o manager se ocupava de outras questões, inclusive de âmbito administrativo. Profissionais como Archie Knox, Brian Kidd, Walter Smith, Steve McLaren, Carlos Queiroz e, por último, Mark Phelan ocuparam a cadeira ao lado escocês desenvolvendo tarefas que se assemelham em vários aspectos com as dos treinadores brasileiros. Logicamente, o fato de desempenhar funções diferentes daquelas que os técnicos de várias partes do mundo realizam não desmerece em nada os feitos de Ferguson. Contudo, é importante constatar que muito de sua longevidade em Manchester advém desse status distinto do que estamos acostumados a ver.
O que provavelmente provoca a confusão de tratar Ferguson como um simples técnico é a sua figura à beira do gramado, mascando seu indefectível chiclete e dando ordens diretamente aos seus jogadores. Porém, seu cargo poderia ser melhor definido como um diretor técnico. Alguém responsável pela negociação de atletas – o que envolve aquisições, empréstimos e vendas – definição da filosofia de jogo do clube e planejamento estratégico. Em linhas gerais, seria o responsável pelo futebol, o que explica por que não se rompe com um manager com mesma facilidade que se demite um técnico. E no caso de Ferguson não há dúvidas de que mantê-lo por todos esses anos foi um grande acerto.
Abaixo, um vídeo especialmente produzido em agradecimento ao lendário manager...

sábado, 4 de maio de 2013

O Barça está morto. Longa vida ao Barça!

Nos últimos dias discutiu-se bastante sobre o momento atual do Barcelona e se a eliminação da UEFA Champions League pelo poderoso Bayern de Munique representou o fim de um ciclo vitorioso do time catalão. Para muitos, o ciclo de Messi & Cia. só se encerrará quando a atual geração deixar o clube ou mesmo ser substituída por outra gradativamente. Discordo dessa visão. Para este blogueiro, um ciclo do Barcelona se encerrou ainda em 2012, quando o técnico Pep Guardiola anunciou que aquela seria sua última temporada. Naquele momento, o ex-jogador colocou um ponto final numa história que começou em 2008, redefinindo uma nova era após o exitoso período em que o holandês Frank Rijkaard esteve no comando, época em que Ronaldinho Gaúcho brilhou intensamente, muito bem assessorado por Deco, Eto’o e outros. Em outras palavras, a era Rijkaard e a era Guardiola, por suas singularidades, já representaram ciclos distintos.
Deste modo, é possível dizer que a chegada de Tito Vilanova no Barça representa o reinício dos trabalhos no reino blaugrana. Uma retomada onde algumas providências típicas de Guardiola como a constante variação de esquemas táticos e a solidez defensiva ficaram para trás e o time assumiu uma visão ligeiramente mais vertical na busca do gol. São essas particularidades somadas à troca de treinador que indicam um reinício. Como paralelo é possível citar o Milan que revolucionou o futebol com Arrigo Sacchi no fim dos anos 1980 quando contava com craques italianos como Baresi e Maldini aliados ao fabuloso trio holandês composto por Rijkaard, Gullit e Van Basten, sucedido pelo Milan de Fabio Capello, uma equipe mais dura, mas ainda assim vencedora.
É justamente esse processo que o Barcelona vive neste momento. Depois de vencer tudo, chegou o momento de re-oxigenar o plantel – nomes como Thiago Silva e Neymar vêm sendo fortemente especulados – e quem sabe avaliar se Vilanova é realmente o profissional capaz de conduzir essa transição. O certo é que uma nova era se inicia para o Barça e provavelmente começará com a conquista do título espanhol deste certame. Contudo, se ela terá tanto sucesso quanto suas versões anteriores só o tempo dirá.
Crédito da Imagem: Getty Images

domingo, 28 de abril de 2013

Contagem Regressiva: Abril de 2013

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Os amistosos e a polêmica vazia da vez
É um equívoco considerar a equipe que venceu a Bolívia e empatou com o Chile uma Seleção Brasileira. Ou melhor, era a camisa da Seleção, alguns jogadores que estiveram em campo serão convocados para a Copa das Confederações e, provavelmente, para a Copa do Mundo, mas aquele selecionado era muito mais um tubo de ensaio do que o verdadeiro Brasil. Desses amistosos, o técnico Luiz Felipe Scolari pôde observar o comportamento de determinados atletas no grupo e em ação, tirando conclusões importantes sobre aqueles que atuam no País.
Dos amistosos, a óbvia fragilidade boliviana impediu qualquer avaliação maior. Contudo, a superioridade chilena em grande parte da partida disputada na última quarta-feira assustou torcida e imprensa esportiva. O que pouco se comentou, porém, é que ao contrário do Brasil, o técnico Jorge Sampaoli utilizou uma base composta por quatro jogadores da Universidad de Chile mais dois ex-jogadores com recente passagem pelo clube, o zagueiro Marcos González e o atacante Eduardo Vargas. Ou seja, seis nomes com os quais o treinador argentino já havia trabalhado em sua equipe anterior. Felipão, por sua vez, fez uso de atletas espalhados por diversos clubes brasileiros que se apresentaram na segunda-feira, treinaram levemente na terça e jogaram na quarta. Algo assim, num esporte coletivo, certamente é um fator determinante.  
Pelo que se viu nas partidas, nomes como o zagueiro Réver, o lateral/volante Jean e o meia Jadson possivelmente ganharam pontos na corrida por vagas entre os 23 que serão convocados no próximo dia 14. Os volantes Fernando e Paulinho, além do atacante Neymar devem ser nomes certos na lista. Os goleiros Diego Cavalieri e Jefferson, os atacantes Osvaldo, Leandro Damião e Alexandre Pato lutarão por espaço, enquanto Ronaldinho, conforme apurou o repórter André Plihal da ESPN Brasil, pode ser a grande ausência, sobretudo, por suas apagadas atuações.
Outro assunto que dominou os noticiários foi a entrevista que Scolari deu à Folha de São Paulo onde, entre outras coisas, disse que volante goleador é muito bonito para a imprensa, mas não para o técnico do time. Como era de se esperar, o mundo veio abaixo. O comentário atingiu em cheio os jornalistas esportivos que criticaram duramente o que foi entendido como um retrocesso em relação ao que Mano Menezes vinha fazendo ao escalar Paulinho e Ramires como volantes que marcavam e saiam para o jogo. Mais uma vez, o que se perdeu foi a oportunidade de debate sobre a explicação dada pelo treinador.
A conclusão imediata foi a de que Felipão prefere volantes marcadores e que não primam pela técnica, embora ele não tenha dito isso em nenhum momento e nem escale a Seleção com dois cães de guarda à frente da defesa. Na verdade, o que foi dito é que com a presença no time de Daniel Alves e Marcelo, laterais cuja maior qualidade é o apoio, há a necessidade de se ter pelo menos um volante mais fixo sem que tal medida represente andar para trás. Até mesmo o super ofensivo Barcelona costuma manter o volante Busquets e seus dois zagueiros mais presos para que Daniel e Jordi Alba possam atacar simultaneamente – como aconteceu na derrota para o Bayern – embora isso não signifique que eles não participam do jogo ou que precisam ser, necessariamente, desprovidos de recursos técnicos.
Além disso, quem assistiu aos últimos amistosos da Seleção percebeu que tanto Hernanes quanto Paulinho continuam com liberdade para chegar à frente, enquanto Fernando se fixa mais próximo dos defensores. Inclusive, trata-se de uma função que o atualizadíssimo Tite faz com que Ralf cumpra no Corinthians e nunca se furtou de explicar a importância desse posicionamento no equilíbrio tático do alvinegro paulista. Talvez, no fundo, o que falte a Felipão seja um bom media training, pois agora o técnico tem em seu currículo uma frase como “o gol é apenas um detalhe” de Parreira. A semelhança está no fato de ambas terem sido descontextualizadas para representar algo que não se viu na prática.  
Os rivais
A CBF atualizou o calendário da Seleção Brasileira em 2013. Antes da Copa das Confederações, o Brasil enfrentará a Inglaterra no dia 2 de junho no Maracanã e, uma semana depois, a França na Arena do Grêmio. Após a citada competição, os comandados de Scolari terão pela frente a Suíça em 14 de agosto e Portugal no dia 9 de setembro na cidade de Boston, EUA. A seguir, será a vez do chamado Superclássico das Américas contra a Argentina em 18 de setembro e 2 de outubro. Os dias 11 e 22 de outubro, 15 e 19 de novembro também são datas pré-estabelecidas, porém, ainda sem adversários confirmados.                           
De olho na Copa
Jerome Valcke, não perde por ficar calado. Mais uma vez, o secretário-geral da FIFA provocou polêmica ao dizer que é mais fácil organizar um Mundial em países onde há menos democracia. O dirigente ainda lembrou que o Brasil tem três níveis (federal, estadual e municipal) executivos e que isso atrapalha o andamento das obras. Como se isso não bastasse, Valcke citou que a presença de um chefe de estado forte como Vladimir Putin deve fazer com que as coisas transcorram de maneira mais fácil na Rússia que sediará a Copa do Mundo em 2018. O secretário não disse, embora certamente saiba, que os atrasos no Brasil estão muito mais ligados à corrupção endêmica em nosso país do que às divisões governamentais.
Sobre os problemas com atrasos e gastos exorbitantes ligados à realização da Copa, recomendo o ótimo texto de Thiago Arantes sobre a “Copa que o Brasil já perdeu”.
O Maracanã foi reaberto no último sábado e o evento-teste programado foi o amistoso “Amigos de Ronaldo contra Amigos de Bebeto”. Chamou a atenção a ausência de Zico, maior artilheiro do estádio com 333 gols, além de outras figuras ligadas à história daquele local. Um fato nada surpreendente, em se tratando das pessoas ligadas ao projeto.  
Confira abaixo o andamento das obras:         
Obras concluídas: Belo Horizonte, Ceará, Rio de Janeiro e Salvador;
Dentro do previsto: Brasília;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus, Natal e Recife.
Crédito das Imagens: Folha de São Paulo e AFP

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Question – Premiação

Conforme informado anteriormente, o vencedor da sétima edição do Question teria o direito de escolher o livro sobre futebol que gostaria de receber do blog “Além das Quatro Linhas” a partir de uma lista pré-determinada ou indicar outra obra de sua preferência.
Deste modo, o campeão Arthur Barcelos escolheu “As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos” de Mauro Beting com a colaboração de André Rocha e Dassler Marques. Obra impecável em que o leitor encontra as histórias de grandes selecionados como a Hungria de Puskas, a Alemanha de Beckenbauer, a Argentina de Maradona e outros.
Na oportunidade, agradeço a todos que participaram desta série e reitero o convite para a oitava edição.
Grande abraço!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Com algum sofrimento, brasileiros confirmam favoritismo na Libertadores

Virou lugar comum analisar as chances de títulos dos clubes brasileiros a cada início de Copa Libertadores da América. Com receitas superiores em relação aos seus pares sul-americanos, as equipes locais precisam lidar também com a pressão de ter que confirmar em campo um favoritismo imposto por terceiros. Logicamente, as agremiações brasileiras projetam chegar à final da competição, mas, a princípio, a única obrigação evidente é avançar para as oitavas-de-final. E foi exatamente isso o que ocorreu nesta semana.
Atlético Mineiro, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Palmeiras e São Paulo estão entre os 16 melhores times da Libertadores. Os seis brasileiros que disputaram o torneio cumpriram seu objetivo mínimo e se classificaram. A eles se juntaram quatro (de cinco) argentinos, um colombiano, um equatoriano, um mexicano, um paraguaio, um peruano e um uruguaio, proporção que indica a melhor performance dos times nacionais. Em termos percentuais, tivemos os seguintes aproveitamentos por país:
Argentina: 52,20%
Brasil: 58,17%
Bolívia: 30,50%
Chile: 37,00%
Colômbia: 46,33%
Equador: 44,50%
México: 58,00%
Paraguai: 40,67%
Peru: 50,00%
Uruguai: 53%
Venezuela: 27,50%
Os números acima mostram que os brasileiros realmente tiveram a melhor performance da competição e que foram seguidos de perto pelos mexicanos do Tijuana e do Toluca. Curiosamente, só o primeiro se classificou para as oitavas. Outro país que apresentou desempenho interessante foi a Argentina, embora um dos seus representantes, o Arsenal de Sarandí, tenha ficado pelo caminho. Outra constatação que chama a atenção é o baixíssimo aproveitamento dos venezuelanos, cujo futebol melhorou consideravelmente nos últimos anos, inclusive em nível de seleção, mas que não se refletiu nas campanhas de Caracas e Deportivo Lara.
Como pode ser observado no chaveamento abaixo, existe a chance de até quatro times brasileiros chegarem às semifinais, o seria um feito inédito. De mesmo modo, todos eles podem ficar pelo caminho e não alcançar essa fase. Contudo, pelo menos por enquanto, todos cumpriram seu objetivo.
Arte: ESPN

sábado, 13 de abril de 2013

Ciclos

Após ver sua Juventus ser eliminada da UEFA Champions League pelo Bayern de Munique, o técnico Antonio Conte foi enfático ao dizer que os clubes italianos estão estagnados perante as grandes potências europeias. Citou ainda os investimentos e projetos dos rivais continentais, o atraso do Calcio e observou que só a união da sociedade italiana será capaz de resgatar o outrora melhor futebol do planeta. Quem se interessou pelo esporte nos anos 1990 sabe bem a qual período Conte se refere. Da década de 1980 até o início dos anos 2000, a Itália foi a Meca do futebol, abrigando todos os craques da época com raras exceções. No entanto, amarga agora seu terceiro ano seguido sem nenhum representante nas semifinais da Liga dos Campeões.
Não é difícil explicar o que aconteceu com os italianos. Atualmente, futebol de alto nível se faz com dinheiro. E, óbvio, é preciso haver um bom planejamento para saber utilizá-lo, mas os tempos em que um Ajax era capaz de montar uma equipe imbatível usando quase que exclusivamente suas categorias de base ficaram para trás. Mesmo o Barcelona com suas famosas canteras precisa de uma receita gigantesca para manter tantos astros em sua folha de pagamento. Todavia, a diferença entre o clube catalão e seus pares italianos está na origem dessas receitas. Enquanto o Barça se sustenta a partir de um excepcional planejamento estratégico traçado a partir de 2003, as agremiações da Velha Bota vivem, em grande parte, do dinheiro de seus mandatários. Quando a crise que assola a Europa chegou, as torneiras se fecharam e os clubes ainda não têm ideia de como lidar com isso.
A primeira e natural reação foi o corte nos gastos. Times como Milan e Internazionale que se notabilizavam por suas monstruosas contratações, repentinamente, se viram obrigados a realizar apenas negócios de ocasião. A Intenção, a princípio, parece ser a adequação ao Financial Fair Play buscando fazer uso apenas das receitas obtidas pela própria associação. Em outras palavras, os clubes teriam de andar com suas próprias pernas, configurando uma nova situação. O que ainda não perceberam é que para se equipararem novamente às principais forças do continente será preciso investir e colher os frutos mais adiante. Apenas recuar pode significar o redimensionamento do próprio clube, reduzindo suas metas e, consequentemente, ficando para trás na corrida internacional por títulos.
Semelhante, embora menos traumática, é a situação dos clubes britânicos. Há alguns anos o domínio inglês na Europa era mais do que evidente. Apesar de o atual campeão europeu ser o londrino Chelsea, as quartas-de-final desta edição da UCL não contaram com nenhum inglês e cenários como a classificação de três ingleses para as semifinais como ocorreu entre 2007 e 2009 parece coisa do passado. Ou de outro ciclo. Ciclo que agora é dominado pelos gigantes Real Madrid, Barcelona e Bayern, também presentes na mesma fase da edição passada. O “intruso”, desta vez, é o Borussia Dortmund respaldado pelo excelente trabalho do técnico Jürgen Klopp e apoiado por sua fanática torcida. Quanto tempo este ciclo vai durar não se sabe, mas é bom que os italianos ouçam os conselhos de Conte se quiserem participar dessa festa.
Crédito das imagens: EFE e AFP

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Question – Final

Anterior
No último desafio desta série, descubra o nome do ex-jogador descrito na(s) afirmativa(s) abaixo.
I – Atacante conhecido por sua precisão no jogo aéreo;
II – Além do seu país natal, atuou também na Itália e na Inglaterra;
III – Ostenta uma Copa da UEFA em sua galeria de troféus;
IV – É o autor do gol mais rápido da história dos Mundiais.
Resposta: Ele é o turco Hakan Sukur. Ex-atacante com passagens por Galatasaray, Torino, Internazionale, Parma e Blackburn e autor do gol mais rápido da história das Copas ao marcar contra a Coreia do Sul na decisão do terceiro lugar do Mundial de 2002.
Classificação: Máximas congratulações ao jovem Arthur Barcelos, grande vencedor desta edição do Question com incríveis cinco pontos de vantagem e com direito a acerto no último desafio. Assim, conforme prometido, em breve Arthur receberá em sua residência um livro sobre futebol à sua escolha.
Confira abaixo a classificação final após a última rodada:
1º - Arthur Barcelos – 16 pontos;
2º - Luciano – 11 pontos;
3º - Alexandre Rodrigues Alves e Yuri – 9 pontos;
4º - Prisma – 7 pontos;
5º - Luis Fernando e Rafael Andrade – 6 pontos;
6º - JP Caniço – 4 pontos;
7º - Andreas Weber, Guilherme Siqueira, Gustavo Carratte e Joe William – 3 pontos;
8º - Fabiano Dias e Fernando Clemente – 2 pontos;
9º - Danilo – 1 ponto.
Na oportunidade, agradeço a todos os participantes e antecipadamente os convido para a 8ª edição que terá início ainda no segundo semestre de 2013.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Pontos e Vírgulas.

Coluna destinada a comentar as opiniões emitidas pelo órgão responsável pela chegada de informações ao público aficionado por futebol: a imprensa esportiva. Afinal, bem ou mal, é através dela que tomamos conhecimento de (quase) tudo o que cerca o mundo da bola.
Os outros craques
Mais uma vez, veio à tona o velho debate entre ex-jogadores comentaristas e jornalistas comentaristas. A polêmica surgiu após o acalorado debate entre Mário Sérgio e Rodrigo Bueno no canal fechado Fox Sports no último domingo. Rodrigo havia dito que os treinadores europeus eram melhores do que os brasileiros e que estes estariam ultrapassados. Exaltado, Mário Sérgio, ex-jogador e também ex-técnico, disse que Bueno não tinha capacidade para avaliar o trabalho dos treinadores locais porque nunca trabalhou no meio. Mais uma demonstração do velho preconceito que os profissionais do jornalismo sofrem por parte de quem atuou no futebol.
Existe um grande equívoco nessa consideração. Muito provavelmente, um jornalista não saberia ministrar um treino ou motivar uma equipe, porém, isso não significa que ele também não sabe avaliar o desempenho de um time, sugerir alterações ou constatar eventuais carências de um elenco. Tudo isso é possível através de estudo, persistência e capacidade de observação. Fosse o contrário, uma pessoa que não sabe nada de construção civil não poderia dizer se uma casa é bonita, ou alguém que nunca foi um chef de cozinha não saberia apreciar uma boa refeição. Logicamente, as competências são diferentes entre si, mas creio que o leitor saberá estabelecer a relação.
No meu caso, comecei a gostar de futebol vendo os lançamentos de Júnior, os gols de Romário e a técnica de Roberto Baggio. Foram esses craques que inicialmente me fizeram amar esse esporte, paixão que, imagino, me acompanhará até o fim dos meus dias. No entanto, gostar não era suficiente. Queria aprender mais sobre o tema. Entendi que só compreendendo seu funcionamento seria possível apreciá-lo em sua totalidade. Nesse caminho, encontrei outro tipo de craque. Alguém capaz de trazer à luz os fatos esquecidos do passado, informações de bastidores, projetar situações futuras e, mais importante, transmitir tudo isso para quem está do outro lado da TV, do computador, do rádio ou do jornal.
Craques como Paulo Vinícius Coelho, Mauro Beting e Tim Vickery. E todos os profissionais capazes de trazer para o apreciador do esporte algo que completa a simples afirmação de uma bela jogada ou por que determinado atleta tomou a decisão A ou B. Isso não é mais suficiente. As pessoas querem ter maior embasamento para opinar, debater e até mesmo cornetar. Vivemos na era da informação e precisamos de quem seja capaz de trazê-la e, em muitos casos, interpretá-la. Infelizmente, são raros os ex-jogadores capazes de realizar tal missão.
Crédito da imagem: Uol