Espaço destinado a comentar um assunto que é interessantíssimo para alguns, mas tido por muitos como aborrecedor ou difícil de ser assimilado. Todavia, sem o mínimo conhecimento desse aspecto, o futebol não pode ser compreendido em sua totalidade.
Febre 3-5-2 invade a Itália
Quando Pep Guardiola adotou temporariamente uma linha de três na defesa do Barcelona a ideia era aumentar ainda mais o domínio do time catalão sobre seus adversários. Deste modo, o meio-campo blaugrana ganhou mais um jogador e o toque de bola tornou-se ainda mais irrefreável. Enquanto isso, na Itália, os sistemas com três zagueiros vêm se tornando cada vez mais utilizados. A motivação, contudo, não parece ser a mesma.
Antes de a campeã Juventus adotar o sistema, Napoli e Udinese já faziam uso do 3-5-2 (com variações para 3-4-2-1 e 3-4-3). Tanto Walter Mazzarri quanto Francesco Guidolin, os respectivos treinadores, precisavam reequilibrar suas defesas por contarem com laterais/alas que tinham no apoio uma capacidade maior do que na recomposição. Cristian Maggio do lado partenopeu e Pablo Armero do lado friulano são os melhores exemplos de jogadores que são fortes no apoio, mas deixam a desejar na defesa.
É muito provável que parte da iniciativa do técnico bianconero Antonio Conte em adotar o 3-5-2 tenha nascido dos bons resultados que os rivais tiveram. A outra parte se encontrava na fragilidade defensiva de seus próprios laterais Stephan Lichtsteiner e Paolo De Ceglie e da não readaptação de Giorgio Chiellini à lateral esquerda. Convicto de que a nova formação era a ideal, Conte moldou a equipe que conquistaria seu 28º scudetto de forma invicta. Com três zagueiros e um consistente meio-campo formado por Andrea Pirlo, Claudio Marchisio e Arturo Vidal, as alas tiveram diversos donos nos últimos meses e são ocupadas pelos ex-Udinese Mauricio Isla e Kwadwo Asamoah (figura 1).
Como no futebol quem vence dita a tendência, não demoraram a surgir cópias do sistema juventino por toda Itália. Segundo o site da Gazzetta dello Sport, metade das 20 equipes da Seria A (Bologna, Fiorentina, Internazionale, Juventus, Napoli, Palermo, Parma, Pescara, Siena e Udinese) alinham-se com três defensores. Até mesmo o Milan, que por anos atuou no módulo 4-3-1-2, chegou a ser escalado, sem sucesso, no 3-5-2 por Massimiliano Allegri.
O que realmente não parece lógico é a adoção de um sistema em desuso como o 3-5-2 no momento em que o mundo adota o 4-2-3-1 (figura 2) como default system. Com três zagueiros, como efetuar o encaixe na marcação diante de equipes que atuam com um único atacante fixo, mas que pode receber o auxílio dos wingers pelos lados do campo, tornando-se um 4-3-3? Com três atacantes, há a indefinição da marcação, pois se os zagueiros saírem da área um rombo será aberto e se os alas recuarem para marcar dos pontas, o meio-campo ficará em três contra três. Ou seja, se o 3-5-2 surgiu como uma resposta inteligente ao 4-4-2, o mesmo não pode ser dito sobre o seu retorno. A não ser que os italianos convençam o restante da Europa a adotar seu novo sistema. Porém, como foi dito acima, se quem vence dita a tendência, o atual momento das equipes da Bota em gramados internacionais não parece inspirar ninguém.

















