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domingo, 6 de setembro de 2015

Uma questão de mentalidade

Nos últimos anos, o futebol brasileiro vem sendo marcado por uma ideia bastante clara: Com raras exceções, nossos técnicos vêm se notabilizando por armar equipes voltadas para o contra-ataque. Jogar no erro do adversário costuma ser o caminho mais prático e menos trabalhoso para alcançar as vitórias. E isso passa a fazer mais sentido quando constatamos que nossos treinadores precisam defender seu emprego a cada rodada. Nesse cenário, tornou-se comum vermos times defendendo a vantagem mínima a partir do momento em que ela se estabelece. O problema é quando tal mentalidade se estende também à Seleção.
No amistoso de sábado diante da Costa Rica, tal prática ficou bastante evidente. Após um início onde o pressing foi aplicado com relativo sucesso, o gol de Hulk fez o Brasil passar a se defender com todos os jogadores no campo de defesa especulando contragolpes em bolas longas. Deste modo, nem mesmo a grande fase vivida por Douglas Costa pôde ser aproveitada, uma vez que sua maior qualidade é o excepcional desempenho no um contra um. No Bayern, Guardiola organiza seu time de forma que a posse de bola é utilizada para atrair os oponentes para o lado oposto do campo até que alguém inverta a jogada para o ponteiro decidir contra, invariavelmente, um único adversário.
Douglas, mesmo se quisesse, não encontraria tal situação na Seleção Brasileira porque a equipe trabalha pouco a bola. A carta de intenções de Dunga é claramente voltada para a verticalização das jogadas e o problema crônico na saída de bola – algo observado desde os tempos de Felipão – não só é um empecilho na criação como uma das razões para os frequentes apuros defensivos. Sem dúvida, um aspecto que deveria ser trabalhado após a pífia participação na Copa América. Mas, ao que tudo indica, o principal diagnóstico realizado pela comissão técnica diz respeito ao lado psicológico de alguns atletas e isso explica a ausência de Thiago Silva na última lista de convocados.

Todavia, o real motivo para a Seleção atuar abaixo das expectativas está na mentalidade de Dunga, que é a mesma marca da esmagadora maioria dos treinadores brasileiros. O trabalho é voltado para o resultado imediato e nunca para o aperfeiçoamento do futebol praticado. Durante a partida contra os costa-riquenhos, houve um breve instante de alento quando o comandante mandou o meia Rafinha a campo no lugar do volante Luiz Gustavo. Acostumado ao toque de bola barcelonista, o filho do tetracampeão Mazinho fez o jogo fluir e a Seleção melhorou sensivelmente. Resta saber se o técnico fez a mesma leitura de um momento tão fugaz e, ao mesmo tempo, tão auspicioso. Ainda há tempo para mudar.  
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol
Crédito das imagens: Leo Correa/Mowa Press e Rafael Ribeiro/CBF

domingo, 23 de junho de 2013

Brasil mostra a sua cara

Após dez partidas – apenas oito com o time titular – Luiz Felipe Scolari conseguiu dar à Seleção Brasileira o esboço do estilo que pretende adotar até a Copa do Mundo. No curto espaço de tempo compreendido entre a derrota para a Inglaterra em Wembley, no mês de fevereiro, até a vitória sobre a Itália na Fonte Nova, muita coisa mudou. A começar pela defesa, bem mais sólida do que na era Mano Menezes, concedendo menos oportunidades aos adversários, até chegar ao setor ofensivo, onde os gols estão surgindo de variadas formas.
Se Júlio César havia perdido espaço para Diego Alves sob a meta, os nomes da primeira linha são exatamente os mesmos com os quais Mano contava. O que mudou, basicamente, foi a presença de um primeiro volante capaz de oferecer mais proteção à defesa. O que, no caso de Luiz Gustavo, também significa a boa notícia de ter um passe rápido numa saída de bola que ainda não apresenta a eficiência necessária.
O maior dilema da equipe reside na função exercida pelo segundo volante, hoje Paulinho. Embora seja bom jogador, o corintiano não tem como característica armar o time por trás. Seu maior trunfo é a chegada à área adversária para concluir ou servir algum companheiro. Por sua vez, Hernanes é muito mais um meia do que um volante. Seu forte são os dribles e fintas seguidos de chutes de média distância. Tem um passe longo melhor do que o de Paulinho, mas não marca tão bem. Como escrito anteriormente neste espaço, a recuo de Oscar para ajudar na saída de bola pode ser a chave para o onze titular seguir o mesmo e se aperfeiçoar ainda mais.
No campo ofensivo, não é fácil entender as críticas feitas a Hulk. Bastante combativo, rápido e perigosíssimo nos chutes, o paraibano tem feito por merecer seu espaço entre os titulares, sem que Lucas – que não aproveitou bem as chances que teve – ofereça a sombra que justifique sua barração. No comando do ataque, Fred vem comprovando com gols por que Felipão tem optado por um centroavante clássico em vez de adotar a mesma formação de seu antecessor sem um homem fixo à frente.
Por fim, Neymar, craque do time e confirmando a cada partida a razão de ser a maior esperança brasileira tanto nesta Copa das Confederações quanto no Mundial. Criticado antes do torneio por suas atuações abaixo de seu potencial em 2013, o novo atacante do Barcelona vem conseguindo unir fantasia a uma veia goleadora que o fez ser eleito o melhor jogador das três partidas que disputou até o momento. Partidas que mostraram uma Seleção mais pronta e confiante em campo, com uma “cara” de time que, mesmo sem encantar, já se mostra competitivo.
Imagem: Vipcomm

sábado, 15 de junho de 2013

O melhor da estreia foi o placar

Brasil 3x0 Japão não foi um grande jogo. Normalmente, estreias costumam se configurar em partidas nervosas onde a vitória quase sempre é mais valiosa do que a performance. Desta vez não foi diferente. O gol de Neymar logo aos 3 minutos deu a tranquilidade que os comandados de Felipão precisavam para controlar o jogo e acalmou a torcida que poderia se alterar caso o placar demorasse muito a ser inaugurado.
Mesmo assim, a equipe continua mostrando a mesma lentidão na transição entre a defesa e o meio campo, muito pela ausência de um armador que possa distribuir a bola a partir da intermediária defensiva como fazem Pirlo na Itália e Xabi Alonso na Espanha, por exemplo. Embora sejam bons jogadores, Luiz Gustavo e Paulinho não têm esse perfil. Enquanto o volante do Bayern opta mais pelo passe simples, mesmo que vertical, o corintiano é, por natureza, um volante de infiltração. Sua maior qualidade é surgir nos arredores da área adversária para concluir a jogada. Uma possível solução poderia ser o recuo de Oscar para a função de volante, por vezes, invertendo com Paulinho. Mesmo atuando bem como winger, o meia do Chelsea não rende tudo o que pode nas faixas laterais.
Todavia, a situação mais preocupante se encontra a lateral direita. Daniel Alves tomou decisões equivocadas na maior parte do jogo, desperdiçando bolas e abusando de cruzamentos da intermediária que só encontravam os defensores japoneses. Como a única alternativa para a posição é o improvisado Jean, é bom que Scolari oriente melhor o barcelonista caso não queira complicações contra rivais superiores. Outra questão a se observar é a insistência em passes longos que não têm funcionado se planeja. Reflexos, talvez, da obrigação de dar um destino à bola quando a saída é deficitária.
De positivo, a quebra do jejum de nove jogos em que Neymar não marcava gols, algo que, apesar das negativas, claramente incomodava o camisa 10. A boa participação de Hulk que mesmo sistematicamente vaiado não se abala e continua auxiliando a equipe e, lógico, a vitória. Largar na frente dá tranquilidade para enfrentar o México na segunda rodada e deixa a classificação um pouco mais próxima. E isso, para num time em construção, com certeza é uma boa notícia.
Imagem: Reuters

domingo, 2 de junho de 2013

Seleção melhora, mas ainda repete defeitos

Em sua melhor apresentação sob o comando de Luiz Felipe Scolari nesta passagem, a Seleção Brasileira empatou em 2 a 2 com a Inglaterra no novo estádio Maracanã. Mais importante do que o placar foram as diversas chances criadas pelo Brasil, sobretudo no primeiro tempo, quando atuou numa formação que agradou bastante ao técnico. Nesse esquema, o zagueiro David Luiz teve alguma liberdade para sair para o jogo e arriscar lançamentos enquanto o volante Luiz Gustavo guardava posição na defesa e Paulinho se posicionava como centro-campista. Em certos momentos, algo próximo do 3-5-2 (ao lado) que marcou época no Mundial da Ásia.
Todavia, os problemas na proteção à defesa ressurgiram na segunda etapa quando a Seleção partiu em busca do ataque com Hernanes no lugar de Luiz Gustavo e Lucas no posto de Oscar. Se o time ficou mais ofensivo com as alterações, também ficou mais vulnerável. Ao que tudo indica, a julgar pela entrevista pós-jogo, Felipão deve manter a equipe que iniciou a partida com Filipe Luís na lateral esquerda, Luiz Gustavo no meio e Hulk no ataque. Indubitavelmente, uma escalação que deu mais solidez ao Brasil.
Na frente, registre-se o bom primeiro período de Neymar, caindo pelos lados do campo, se aproximando de Fred e finalizando sempre (até demonstrando egoísmo em certos momentos, diga-se). Quanto ao citado centroavante, mais uma vez ficou evidente por que o jogador do Fluminense merece estar entre os onze. Além de seu notável senso de colocação dentro da área, Fred ainda contribui com a defesa em lances de bola parada graças a sua altura e impulsão. Se não é um atacante da estirpe de Romário e Ronaldo, Fred compensa isso com gols e mais gols. Titularíssimo!
Por outro lado, o estágio atual de Daniel Alves preocupa. Irregular no Barcelona, o lateral direito se mostrou confuso em diversos lances e errou passes em situações perigosas, mais ou menos como Marcelo no flanco oposto quando entrou no segundo tempo. Contudo, se Marcelo já possui a sombra de Filipe Luís na esquerda, o mesmo não pode ser dito do improvisado Jean na direita. Outra questão a se pensar é a irregularidade de Hulk que ainda não se encontrou com a camisa amarela. Lucas, autor do cruzamento que resultou no gol de empate de Paulinho, tem tudo para se encaixar naquela posição oferecendo um futebol mais fluído e coletivo do que o atacante do Zenit, definidor por natureza, pode ofertar. No próximo domingo, diante da França, saberemos se as conclusões de Felipão foram as mesmas.
Imagem: Reuters

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Contagem Regressiva: Outubro de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Seleção encontra um caminho
Apesar de ter sido apenas um amistoso, Brasil 4x0 Japão foi uma partida auspiciosa para a Seleção Brasileira. Diante de um bom adversário, não mais do que isso, a Seleção Canarinho se comportou bem, venceu com autoridade e deu a torcedores e imprensa um sinal de que o técnico Mano Menezes pode ter encontrado um caminho a ser seguido.
Escalada num sistema 4-2-3-1, a Seleção apresentou a manutenção da dupla Paulinho-Ramires, dois volantes capazes de marcar e sair para o jogo com qualidade, Kaká formando uma linha de três de muita mobilidade com Hulk e Oscar, deixando Neymar mais à frente. Aqui, vale ressaltar a movimentação do santista, saindo da área, abrindo espaços para quem vinha de trás e servindo seus companheiros. De certo modo, Mano montou um time novo, mais leve e que espelha melhor as referências técnicas e táticas do futebol atual.
Logicamente, é preciso ter calma antes de afirmar que esta Seleção já está pronta para desafios mais pesados. O sistema defensivo - com dois volantes que saem muito para o jogo, laterais que não marcam tão bem e meias pouco combativos - ainda não foi testado e o ataque ainda precisa se deparar com adversários mais fortes. No entanto, é difícil não ver a fluidez mostrada contra os japoneses com bons olhos.
Os rivais
Falando em oponentes mais fortes, a Colômbia, adversária do próximo dia 14, tem tudo para ser um desses. Contando com sua melhor geração desde Rincón/Valderrama/Asprilla, los Cafeteros ocupam a terceira colocação das Eliminatórias Sul-Americanas e têm tudo para ser um adversário perigoso para o Brasil. Os principais destaques são o volante Fredy Guarín, da Internazionale, o talentosíssimo meia-atacante James (pronuncia-se “Rames”) Rodríguez, do Porto, além do astro Radamel Falcao Garcia, um dos centroavantes mais perigosos da atualidade e que vem marcando gol atrás de gol com a camisa do Atlético de Madrid.
Para o duelo diante da equipe comandada por José Pékerman, o técnico Mano Meneses terá à disposição os seguintes jogadores:
Goleiros: Diego Alves (Valencia) e Jefferson (Botafogo);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Leandro Castán (Roma), Réver (Atlético Mineiro) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Adriano (Barcelona), Alex Sandro (Porto) e Daniel Alves (Barcelona);
Volantes: Arouca (Santos), Paulinho (Corinthians), Ramires (Chelsea) e Sandro (Tottenham);
Meias: Giuliano (Dnipro), Kaká (Real Madrid), Lucas Moura (São Paulo), Oscar (Chelsea) e Thiago Neves (Fluminense);
Atacantes: Hulk (Zenit), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Santos).       
De olho na Copa
Como era de se esperar, os gastos com a construção do Itaquerão, palco de abertura da Copa Mundo de 2014, devem alcançar a cifra de R$ 1 bilhão, segundo o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Inicialmente, o orçamento da obra previa que os gastos girassem em torno de R$ 780 milhões. Após a péssima repercussão do caso, o clube paulista emitiu nota oficial informando que a arena custará “apenas” R$ 820 milhões.   
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagens: CBF e Reuters

sábado, 13 de outubro de 2012

Noves fora

Ao que tudo indica, a iniciativa de Mano Menezes de testar a Seleção Brasileira sem um centroavante está deixando de ser apenas uma alternativa para alguns jogos para se tornar a primeira opção do técnico. Obviamente, essa possibilidade surgiu a partir do momento em que os jogadores da posição não renderam o esperado, embora isso não signifique que um homem de área não possa entrar em campo caso a partida assim necessite.
Do mesmo modo, essa concepção de jogo não parece ter sido fruto de intensa reflexão do treinador, mas resultado de diversos testes – entre jogadores e sistemas – realizados nesses dois anos de trabalho. Foi quase um achado, por assim dizer. Todavia, mesmo que tenha alguma dose de acidental, a verdade é que a Seleção está encontrando sua melhor movimentação ofensiva justamente ao alinhar jogadores capazes de se deslocar rapidamente e encontrar espaços nas defesas adversárias.
Na vitória por 6 a 0 sobre a frágil seleção do Iraque, Mano escalou Neymar à frente de uma linha de três composta por Hulk, Oscar e pelo reestreante Kaká que foi bem. Isso na teoria, pois na prática o time não guardou posição e muitas vezes a joia santista saiu da área para criar jogadas, enquanto Oscar e os outros vinham de trás para concluir os lances. Logicamente, essa nova formação carece de testes mais pesados, porém, as primeiras impressões são positivas.
O que também é inevitável é a imediata comparação com a Seleção Brasileira de 1970 que também não tinha um jogador mais fixo à frente, mas tinha no craque Tostão seu homem mais adiantado, enquanto Pelé partia do meio-campo e Jairzinho entrava em diagonal pela direita. Cabe esclarecer, porém, que não se trata de comparar um selecionado em formação com um dos maiores esquadrões de todos os tempos. Contudo, não deixa de ser um exemplo de que não é impossível atuar dessa forma.
Imagem: Yahoo

domingo, 29 de julho de 2012

Seleção precisa evoluir.

Após duas partidas e duas vitórias, a Seleção Brasileira confirmou sua condição de postulante a uma medalha olímpica em Londres. Ao mesmo tempo, vem provando que, individualmente, nenhuma equipe tem tantos talentos. No entanto, no que tange o aspecto coletivo ainda há muito que melhorar. Defensiva e ofensivamente, o Brasil ainda se mostra desencontrado em campo, sem conseguir trabalhar as jogadas – o que se refletiu nos inúmeros lançamentos na área – e oferecendo muitos espaços aos adversários.
Como era esperado, o maior destaque foi Neymar. Mesmo não atravessando grande fase, o santista é capaz de criar boas jogadas do nada, mas precisa aparecer mais para o time. Muitas vezes, a Jóia da Vila parece atuar mais para si mesmo do que na condução de sua equipe. Algo que o técnico do Egito, Ramy Hanzy, havia comentado para espanto de quem considera Neymar um craque pronto e acabado.
Enquanto isso, Hulk continua sem conseguir ratificar seu nome entre os três acima dos 23 anos. Não que o portista não esteja se esforçando, mas, atuando com mais responsabilidades defensivas do que tem no clube, o atacante tem poucas oportunidades para executar seus potentes chutes e, por estilo, não é o tipo de jogador que se apresenta para tabelas ou prime pela capacidade de oferecer chances de conclusão aos companheiros.
Por sua vez, Oscar segue como um dos jogadores mais lúcidos em campo, porém, quase solitário na tarefa de armar jogadas, não vê nos volantes Sandro e Rômulo parceiros com quem possa dialogar. Na defesa, como era de se esperar, alguns sustos com Juan – que sempre passa a impressão de que pode entregar a qualquer momento – e com laterais que apóiam sem muitas preocupações com as jogadas às suas costas.
O momento é de reflexão e de ajustes. Apesar da classificação garantida, a Seleção tem muito a evoluir. Diante de adversários mais consistentes, as falhas apresentadas podem ser determinantes. Definir melhor a marcação e estabelecer uma armação que dependa menos dos lampejos individuais é tarefa para Mano Menezes. Logicamente, fazer esses ajustes em plena competição não é o ideal, mas é a única forma de obter o tão desejado ouro olímpico.
Imagem: Reuters      

domingo, 27 de maio de 2012

Contagem Regressiva: Maio de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Da teoria para a prática.
Uma das maiores críticas que Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, recebe diz respeito à enorme distância entre seu discurso e o futebol praticado em campo pelo Brasil. Nas entrevistas concedidas, Mano declarava que, historicamente, a Seleção sempre procurou praticar um futebol de imposição ofensiva e que, por sediar o próximo Mundial, terá a obrigação de sair para o jogo contra qualquer adversário. Todavia, na prática, o que se via era um time que não era tão consistente defensivamente quanto o Brasil de Dunga e, ao mesmo tempo, não era capaz de se impor diante dos melhores adversários.
Pois esse cenário pode estar mudando. Na vitória por 3 x1 sobre a Dinamarca em Hamburgo, o Brasil deu mostras de que as teorias de Mano Menezes podem estar entrando em sintonia com a realidade. Apresentando uma marcação forte no campo de ataque, muita movimentação e, sobretudo, talento, a Seleção anotou três gols ainda no primeiro tempo contra o selecionado de Morten Olsen.  O grande nome da partida foi Hulk, autor do primeiro e do terceiro gols e com participação decisiva no segundo, marcado contra por Zimling. Com essa atuação, o portista espera garantir sua vaga entre os jogadores acima dos 23 anos que estarão nos Jogos Olímpicos de Londres.
Assim como quase tudo no futebol, o cenário da Seleção está mudando rapidamente. Antes, devido às carências defensivas, Mano sinalizava que os três reforços acima da idade limite seriam escolhidos entre os defensores Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo. Agora, com as lesões de Daniel e David e as atuações de Juan Jesus e Hulk é provável que Mano Menezes esteja reavaliando suas opções. Outro que vem ganhando espaço é o meia Oscar. Após o imbróglio jurídico entre Internacional e São Paulo, o jovem colorado que via sua vaga nos Jogos mais distante agora aproveita a ausência do recém-operado Paulo Henrique Ganso para mostrar trabalho. Contra a Dinamarca, Oscar armou, marcou e atacou como gente grande e dificilmente estará fora da lista final para as Olimpíadas.
Os rivais.
Os próximos compromissos da Seleção acontecerão nos dias 30 de maio diante dos Estados Unidos em Washington, 3 de junho contra o México em Dallas e, por fim, enfrenta a Argentina no dia 9 em New Jersey. Dessas partidas, o técnico Mano Menezes definirá os dezoito atletas que representarão o futebol brasileiro em Londres. Dos três amistosos, sem dúvida, o que mais chama a atenção será o duelo contra nossos hermanos. Atuando completa, a Argentina terá antes do Brasil partida válida pelas Eliminatórias contra o Equador, em Buenos Aires, no dia 2 de junho.     
De olho na Copa:
A situação dos estádios brasileiros segue complicada. Segundo o Ministério do Esporte, somente quatro estados (Bahia, Ceará, Minas Gerais e o Distrito Federal) estão em dia com seus cronogramas de obras dos estádios para a Copa de 2014. Somente as citadas arenas cumpriram 50% ou mais de suas construções, todas financiadas por recursos do BNDES.
Quanto aos aeroportos, dos 13 considerados prioritários para o Mundial, apenas cinco já foram entregues: Cuiabá, Porto Alegre, Campinas e dois em São Paulo. Em relação às obras de mobilidade urbana, nove das 12 sedes estão com os trabalhos em andamento. Todavia, 81% dessas obras só serão concluídas no segundo semestre de 2013.     
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagem: Lancenet

domingo, 30 de outubro de 2011

A queda de um campeão.

Parece que aconteceu há dez anos, mas 2010 foi o ano em que a Internazionale conquistou tudo. Num espaço de sete meses, o capitão Javier Zanetti teve a honra de erguer os troféus da Serie A, Coppa Italia, UEFA Champions League e Mundial de Clubes da FIFA. Difícil explicar como uma equipe conseguiu ir do céu ao inferno em pouco mais de um ano, mas este post busca responder a essa pergunta.
Em primeiro lugar, nenhum time consegue enfileirar técnicos como Rafa Benítez, Leonardo, Gian Piero Gasperini e Claudio Ranieri impunemente. Ok, o espanhol possui um histórico de bons resultados bem superior aos dos outros três, mas cometeu o pecado mortal de ignorar todo o ótimo trabalho que José Mourinho havia realizado em duas temporadas e decidiu, por convicção ou por vaidade, fazer tudo do seu jeito. Como resultado, viu o time que herdara cair de produção vertiginosamente e acabou pagando com seu cargo antes da virada do ano.
Leonardo assumiu em seguida com a missão de reorganizar os Nerazzurri. Vindo de um período conturbado no banco do Milan, o brasileiro conseguiu conquistar a confiança dos jogadores, porém, sua quase total inaptidão para montar defesas não deu a consistência necessária a um time que tentava manter os títulos que ostentava. Talvez por perceber que seu perfil estava muito mais ligado aos aspectos administrativos de uma agremiação do que ao trabalho de campo, Leonardo aceitou a proposta do PSG e se tornou diretor executivo do clube francês.
Depois de vasculhar o mercado em busca de um novo treinador e receber negativas de nomes como Fabio Capello e Marcelo Bielsa, a Inter finalmente acertou com Gian Piero Gasperini, que trabalhava como comentarista desde sua saída do Genoa. Gasperini iniciou o trabalho técnico nesta temporada, mas sua insistência com seu 3-4-3 anacrônico e incompatível com o elenco disponível abreviou sua passagem.
Depois de fracassar com Juventus e Roma, Claudio Ranieri assumiu a vaga muito mais por ser um nome disponível do que por ser o técnico dos sonhos de uma grande equipe. Ciente desse atual estágio de sua carreira, o romano chegou a Via Durini tentando fazer o óbvio e deixando que a qualidade do elenco fizesse sua parte. E é neste ponto que reside o maior problema interista. Embora seja prematuro falar em declínio, é evidente que o grupo vencedor de outrora não vem sendo capaz de responder aos desafios propostos.
Observando os pilares da equipe é possível diagnosticar que a maioria se encontra bem longe da melhor forma física e técnica. Começando pela meta, não é segredo que Júlio César não é nem sombra do melhor goleiro do mundo na temporada 2009/10. Não se sabe se a falha contra a Holanda na Copa do Mundo de 2010 destruiu sua confiança, mas a verdade é que Júlio nunca mais foi o mesmo após se chocar com Felipe Melo na fatídica eliminação brasileira na África do Sul.
Na lateral direita, após quase se transferir para o Real Madrid, Maicon também viu seus melhores dias ficarem para trás. Problemas físicos e alguma displicência fizeram o camisa 13 amargar seus piores momentos com a camisa da Inter. Com o perdão do trocadilho infame, o baile que levou de Bale na partida contra o Tottenham resume bem o que foi a temporada passada para Maicon. Neste certame, após se recuperar de uma cirurgia no joelho, o lateral ainda se esforça para reencontrar sua melhor forma. Na zaga central, Lúcio segue mostrando a vontade de sempre, todavia, a ausência que alguém como Mourinho no banco de reservas parece ter despertado o zagueiro afoito que estava adormecido. No lado esquerdo, as frequentes lesões de Samuel vêm deixando uma lacuna no setor. Até este momento, nem Ranocchia e muito menos Chivu conseguiram atingir o nível do experiente argentino.  
No meio-campo, embora Zanetti e Cambiasso continuem correndo como sempre, o maestro Sneijder vê o futebol que fez dele um dos melhores do mundo em 2010 ficar para trás. Além disso, o fracasso na transferência para o futebol inglês (United ou City) parece estar influenciando em seu desempenho nos gramados. Enquanto isso, as presenças opacas de jovens como Obi e Álvarez no setor ajudam pouco. Na frente, está cada vez mais evidente a falta que Eto’o faz. Sem o camaronês, não há ninguém do elenco capaz de resolver o jogo sozinho, embora Pazzini continue perigoso quando recebe a bola em condições de finalizar. Por sua vez, Diego Milito desapareceu no banco de reservas, enquanto os recém-contratados Diego Forlán e Mauro Zárate ainda buscam seu espaço no time.
Nesse cenário, não é absurdo pensar em reforços. A aquisição de um lateral-esquerdo confiável, um volante capaz de dar mais pegada ao meio-campo e um atacante de velocidade são as carências mais visíveis do plantel. O volante Sandro do Tottenham, o meia Kevin Strootman do PSV e os atacantes Hulk do Porto e Carlos Tévez do Manchester City são as especulações de momento. Resta saber se depois de anunciar que o clube já estava se ajustando ao Fair Play financeiro da UEFA, o presidente Massimo Moratti estará disposto a abrir os cofres em janeiro. Se bem que uma breve consulta à tabela de classificação da Serie A mostra que motivos para isso não faltam.         
Imagens: Reuters, Getty e Goal.com

terça-feira, 14 de junho de 2011

Para tudo há uma explicação.

Acompanhei com atenção a participação de Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, no programa Bem Amigos do canal Sportv. O objetivo era conhecer o posicionamento de Mano a respeito das ausências de Marcelo, Hernanes e Hulk das últimas convocações e, quem sabe, entender um pouco mais suas concepções técnicas e táticas do time titular.
E, apesar da natural reserva diante de assuntos internos, o treinador não fugiu de nenhuma questão. Sobre os ausentes, esclareceu que Hulk, por ser jogador de lado de campo, disputa posição com Robinho e Neymar. Não vê em Hernanes as características necessárias para a função de armador e ainda deu pistas de que Marcelo foi preterido da lista por ter deixado a Seleção em segundo plano ao simular que a lesão que sofreu antes do amistoso contra a Escócia em março era mais grave do que realmente era.
Do trio, o momento do lateral do Real Madrid parece ser o mais delicado. Sem a explicação definitiva de Mano Menezes, o apresentador Galvão Bueno trouxe à tona uma situação de bastidores onde um e-mail de Marcelo teria equivocadamente chegado às mãos do treinador. Nessa mensagem o jogador avisava ao Real Madrid de que “já estava livre da Seleção” e que poderia se reapresentar ao clube. “É mais ou menos isso”, respondeu Mano.
O técnico completou dizendo que além do aspecto sentimental também se apóia em fatos. A versão conhecida dá conta de que Marcelo disse ao médico da delegação brasileira Rodrigo Lasmar que não precisaria examiná-lo porque estava cortado. Dias depois, o próprio Mano testemunhou um treinamento dos Merengues onde o lateral esquerdo se mostrava apto para jogar.
Apesar de não ter decretado o fim da passagem de Marcelo em sua gestão, ficou claro que a relação de confiança foi quebrada. E quando lembramos que Dunga dava indícios de que no seu tempo o comportamento do atleta era o mesmo, não há razão agora para acreditar que a postura tenha mudado.
No que tange a montagem do time titular, Mano deu algumas pistas interessantes. Esclareceu que seus sistemas preferidos são o 4-2-3-1 e o 4-3-3 e que imagina o meio-campo e o ataque montados com um primeiro volante, um segundo volante saindo mais para o jogo, um meia armador, um meia atacante, um segundo atacante que atue mais pelos lados do campo e um centroavante. E que, a princípio, a função de meia atacante cabe a Robinho.
Deste modo, com os retornos de Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato ao onze inicial, podemos ilustrar o esquema tático canarinho conforme a figura ao lado. Nele, é bom levar em consideração que posição e função são coisas distintas.
Crédito da Imagem: Globo Esporte.

sábado, 21 de maio de 2011

Contagem Regressiva: Maio de 2011

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Os ausentes.
Na última quinta-feira, Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, convocou 28 jogadores que participarão dos amistosos diante de Holanda (4 de junho em Goiânia) e Romênia (7 de junho em São Paulo). Esta última partida também marcará a despedida do atacante Ronaldo da Seleção. Confira e lista:
Goleiros: Fábio (Cruzeiro), Jefferson (Botafogo) Júlio César (Internazionale) e Victor (Grêmio);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Lúcio (Internazionale), Luisão (Benfica) e Thiago Silva (Milan);
Laterais: Adriano (Barcelona), André Santos (Fenerbahçe), Daniel Alves (Barcelona) e Maicon (Internazionale);
Volantes: Elias (Atlético de Madrid), Henrique (Cruzeiro), Lucas Leiva (Liverpool), Ramires (Chelsea), Sandro (Tottenham);  
Meias: Anderson (Manchester United), Elano (Santos), Jadson (Shakhtar Donetsk) Lucas (São Paulo) e Thiago Neves (Flamengo);
Atacantes: Alexandre Pato (Milan), Fred (Fluminense), Leandro Damião (Internacional), Neymar (Santos), Nilmar (Villarreal) e Robinho (Milan);
Desta lista sairão os 23 convocados para a Copa América. No entanto, o meia santista Paulo Henrique Ganso também poderá fazer parte do grupo caso se recupere a tempo da lesão muscular que o afasta dos gramados por cerca de 40 dias.
Curiosamente, a lista foi mais comentada pelos ausentes do que pelos presentes. Marcelo, Hernanes, Kaká e Hulk foram os nomes mais lembrados. A começar pelo lateral do Real Madrid, que apesar da grande fase que atravessa, parece não fazer parte dos planos de Mano Menezes após o episódio em que rebateu os comentários do técnico brasileiro.
Expulso ainda no primeiro tempo do amistoso contra a França, o meia Hernanes da Lazio também não figurou na lista. Difícil afirmar, mas o nervosismo e a insônia declarados pelo jogador antes da partida contra os Bleus podem ter significado o aparecimento de uma pulga atrás da orelha de Mano. Afinal, se Hernanes sente tanto um simples amistoso o que sentiria numa competição de verdade?
Por sua vez, Kaká teve sua ausência explicada pelo treinador. Segundo Mano Menezes, o meia do Real Madrid disse que ainda necessita de alguns cuidados a mais para que possa retornar aos gramados em sua melhor forma. Deste modo, um possível retorno à camisa amarela só acontecerá na próxima temporada.
Por último, Hulk é outro que aguardará uma oportunidade após a Copa América. Campeão da Liga Europa e artilheiro da Liga Sagres pelo Porto, o atacante, que atua mais pelos lados do campo, perdeu espaço com o surgimento do jovem Lucas e da boa fase atravessada por nomes como Robinho, Nilmar e Neymar.     
Os rivais.    
A polêmica da vez na Argentina é a possível não convocação de Carlos Tévez pelo técnico Sergio Batista. Como justificativa para a ausência, Batista declarou que o atacante do Manchester City disputa posição com Lionel Messi e Gonzalo Higuaín. Porém, o que se diz na Argentina é que Tévez e Batista se desentenderam após a ausência do jogador do amistoso contra o Brasil. Na ocasião, El Apache ficou de fora por lesão, mas atuou pelos Citizens poucos dias depois.
Sempre polêmico, Maradona saiu em defesa do ex-comandado, dizendo que o atual treinador a seleção albiceleste só pode estar bêbado ou drogado ao ignorar  Tévez. Uma piada pronta vindo de El Pibe ainda mais quando lembramos que o próprio não convocou Javier Zanetti e Esteban Cambiasso, ambos em grande forma, para a Copa de 2010. De qualquer forma, qualquer um que acompanhou a temporada de Tévez sabe que há poucos argumentos para Batista não levá-lo.
De olho na Copa.  
A FIFA e o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 definiram as cinco sedes da Copa das Confederações que será disputada em 2013 no Brasil. São elas: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador.
Como era de se esperar devido ao atraso das obras do “Fielzão”, São Paulo não apresentará seu estádio a tempo para servir como sede do evento. Não por acaso, muitos temem que a nova arena do Corinthians não fique pronta até o Mundial.
Em linhas gerais, podemos classificar o andamento das obras nas sedes da seguinte forma:
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília;
Apresentando atrasos: Cuiabá, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Salvador;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus, Natal e São Paulo.    
Créditos das imagens: Marca e Olé.