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sábado, 31 de março de 2012

O buraco é mais em cima.

Após uma série de resultados ruins, Claudio Ranieri foi demitido da Internazionale seguindo o velho script do bode expiatório. Para seu lugar, foi alçado Andrea Stramaccioni, técnico da equipe sub-19 que acaba de conquistar a NextGen Series. Stramaccioni, 36, é quase uma antítese do treinador demitido. Jovem e de mentalidade ofensiva, chega com clara inspiração no efeito Guardiola sobre o futebol mundial.
Mais do que uma tentativa de mudar o atual panorama interista, a efetivação de Stramaccioni mostra o quão perdida está a direção nerazzurra. Desde a saída de José Mourinho, foram cinco treinadores de currículos e perfis distintos, o que indica a total ausência de um planejamento técnico no clube. Senão, vejamos:
Rafa Benítez (2010): Dono de um currículo vencedor comandando Valencia e Liverpool, o espanhol chegou à Itália cobrando em público reforços para um time que havia acabado de conquistar tudo. Na prática, Benítez tentou mudar radicalmente o estilo vitorioso de Mourinho e terminou demitido mesmo após celebrar o Mundial de Clubes;
Leonardo (2011): Muito mais um gestor de pessoas do que um técnico de campo, o brasileiro vinha de um trabalho irregular no Milan. Tentou implantar uma filosofia ofensiva, porém, o resultado mais visível foi a fragilidade defensiva da equipe. Moratti ainda tinha planos de manter Leonardo nesta temporada, mas o ex-jogador preferiu retornar à função de diretor e aceitou o convite do PSG;
Gian Piero Gasperini (2011): Contratado de última hora e sem grandes feitos no currículo, Gasperini tentou implantar seu pouco ortodoxo 3-4-3 numa equipe acostumada com o 4-2-3-1. Todavia, seu planejamento não caiu nas graças do veterano grupo e acabou demitido após uma série de maus resultados;
Claudio Ranieri (2011/2012): Experiente, com passagens por grandes clubes, mas com um histórico de poucas conquistas, Ranieri chegou com a proposta de fazer o simples. Alinhou o time num 4-4-2, recuperou jogadores como Diego Milito e conseguiu uma sequência de vitórias. Entretanto, quando sua fórmula básica se esgotou, não conseguiu extrair mais nada dos atletas. Também ficou marcado por não conseguir escalar o meia Wesley Sneijder dentro de seu sistema tático;    
Andrea Stramaccioni (2012): Conhecido por sua mentalidade ofensiva, o jovem técnico romano também tem a função de promover o rejuvenescimento do plantel. Resta saber se apenas a experiência em categorias de base será suficiente para lidar com um elenco recheado de senadores. Mais informações sobre Stramaccioni podem ser lidas nesse bom texto de Arthur Barcelos.      
Como é possível notar, não há uma linha de planejamento que una os últimos treinadores da Inter. Personalidades diferentes, perfis técnicos distintos, currículos desiguais. Tal descuido com seus últimos comandantes, também se reflete em contratações equivocadas de atletas. Nomes como Jonathan, Forlán (criticado publicamente por Moratti), Álvarez, Nagatomo, Palombo e Poli ainda não mostraram bom futebol e indicam que o recrutamento está longe do ideal. Essa conduta somada à evidente resistência de Moratti para abrir os cofres, mostra que o futuro interista está mais ligado à sorte no processo de renovação do que no planejamento. Infelizmente, esse não costuma ser o melhor caminho.  

domingo, 30 de outubro de 2011

A queda de um campeão.

Parece que aconteceu há dez anos, mas 2010 foi o ano em que a Internazionale conquistou tudo. Num espaço de sete meses, o capitão Javier Zanetti teve a honra de erguer os troféus da Serie A, Coppa Italia, UEFA Champions League e Mundial de Clubes da FIFA. Difícil explicar como uma equipe conseguiu ir do céu ao inferno em pouco mais de um ano, mas este post busca responder a essa pergunta.
Em primeiro lugar, nenhum time consegue enfileirar técnicos como Rafa Benítez, Leonardo, Gian Piero Gasperini e Claudio Ranieri impunemente. Ok, o espanhol possui um histórico de bons resultados bem superior aos dos outros três, mas cometeu o pecado mortal de ignorar todo o ótimo trabalho que José Mourinho havia realizado em duas temporadas e decidiu, por convicção ou por vaidade, fazer tudo do seu jeito. Como resultado, viu o time que herdara cair de produção vertiginosamente e acabou pagando com seu cargo antes da virada do ano.
Leonardo assumiu em seguida com a missão de reorganizar os Nerazzurri. Vindo de um período conturbado no banco do Milan, o brasileiro conseguiu conquistar a confiança dos jogadores, porém, sua quase total inaptidão para montar defesas não deu a consistência necessária a um time que tentava manter os títulos que ostentava. Talvez por perceber que seu perfil estava muito mais ligado aos aspectos administrativos de uma agremiação do que ao trabalho de campo, Leonardo aceitou a proposta do PSG e se tornou diretor executivo do clube francês.
Depois de vasculhar o mercado em busca de um novo treinador e receber negativas de nomes como Fabio Capello e Marcelo Bielsa, a Inter finalmente acertou com Gian Piero Gasperini, que trabalhava como comentarista desde sua saída do Genoa. Gasperini iniciou o trabalho técnico nesta temporada, mas sua insistência com seu 3-4-3 anacrônico e incompatível com o elenco disponível abreviou sua passagem.
Depois de fracassar com Juventus e Roma, Claudio Ranieri assumiu a vaga muito mais por ser um nome disponível do que por ser o técnico dos sonhos de uma grande equipe. Ciente desse atual estágio de sua carreira, o romano chegou a Via Durini tentando fazer o óbvio e deixando que a qualidade do elenco fizesse sua parte. E é neste ponto que reside o maior problema interista. Embora seja prematuro falar em declínio, é evidente que o grupo vencedor de outrora não vem sendo capaz de responder aos desafios propostos.
Observando os pilares da equipe é possível diagnosticar que a maioria se encontra bem longe da melhor forma física e técnica. Começando pela meta, não é segredo que Júlio César não é nem sombra do melhor goleiro do mundo na temporada 2009/10. Não se sabe se a falha contra a Holanda na Copa do Mundo de 2010 destruiu sua confiança, mas a verdade é que Júlio nunca mais foi o mesmo após se chocar com Felipe Melo na fatídica eliminação brasileira na África do Sul.
Na lateral direita, após quase se transferir para o Real Madrid, Maicon também viu seus melhores dias ficarem para trás. Problemas físicos e alguma displicência fizeram o camisa 13 amargar seus piores momentos com a camisa da Inter. Com o perdão do trocadilho infame, o baile que levou de Bale na partida contra o Tottenham resume bem o que foi a temporada passada para Maicon. Neste certame, após se recuperar de uma cirurgia no joelho, o lateral ainda se esforça para reencontrar sua melhor forma. Na zaga central, Lúcio segue mostrando a vontade de sempre, todavia, a ausência que alguém como Mourinho no banco de reservas parece ter despertado o zagueiro afoito que estava adormecido. No lado esquerdo, as frequentes lesões de Samuel vêm deixando uma lacuna no setor. Até este momento, nem Ranocchia e muito menos Chivu conseguiram atingir o nível do experiente argentino.  
No meio-campo, embora Zanetti e Cambiasso continuem correndo como sempre, o maestro Sneijder vê o futebol que fez dele um dos melhores do mundo em 2010 ficar para trás. Além disso, o fracasso na transferência para o futebol inglês (United ou City) parece estar influenciando em seu desempenho nos gramados. Enquanto isso, as presenças opacas de jovens como Obi e Álvarez no setor ajudam pouco. Na frente, está cada vez mais evidente a falta que Eto’o faz. Sem o camaronês, não há ninguém do elenco capaz de resolver o jogo sozinho, embora Pazzini continue perigoso quando recebe a bola em condições de finalizar. Por sua vez, Diego Milito desapareceu no banco de reservas, enquanto os recém-contratados Diego Forlán e Mauro Zárate ainda buscam seu espaço no time.
Nesse cenário, não é absurdo pensar em reforços. A aquisição de um lateral-esquerdo confiável, um volante capaz de dar mais pegada ao meio-campo e um atacante de velocidade são as carências mais visíveis do plantel. O volante Sandro do Tottenham, o meia Kevin Strootman do PSV e os atacantes Hulk do Porto e Carlos Tévez do Manchester City são as especulações de momento. Resta saber se depois de anunciar que o clube já estava se ajustando ao Fair Play financeiro da UEFA, o presidente Massimo Moratti estará disposto a abrir os cofres em janeiro. Se bem que uma breve consulta à tabela de classificação da Serie A mostra que motivos para isso não faltam.         
Imagens: Reuters, Getty e Goal.com

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Lembra desse?!

Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca esqueceu.
757.
A semana da Internazionale foi tão conturbada com a demissão do técnico Gian Piero Gasperini e com a contratação de Claudio Ranieri que uma marca histórica quase passou em branco. Na partida em que os Nerazzurri perderam para o caçula Novara por 3x1, o capitão Javier Zanetti completou 757 partidas pelo clube, superando assim, o lendário Giuseppe Bergomi e se tornando o jogador que mais vezes vestiu a camisa da Inter.
Mas o “Além das Quatro Linhas” não se esqueceu dessa importante data e presta aqui a sua homenagem ao eterno Capitano. Afinal, ele merece...
Você conhece alguma história interessante sobre o mundo da bola?
Mande-a para meu e-mail: a4l@bol.com.br e coloque no assunto: 'Lembra desse?!' e ela poderá ser publicada aqui!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Professor Pardal italiano.

Archimede Pitagorico é o nome em italiano do famoso personagem de Walt Disney que no Brasil conhecemos como Professor Pardal, mas bem que o simpático personagem também poderia se chamar Gian Piero Gasperini. O termo, usado no Brasil para designar treinadores de futebol que preferem inventar a apostar no óbvio e no lógico, cai como uma luva no atual técnico da Internazionale.
Apegado a um anacrônico 3-4-3 adotado no Genoa, sua última agremiação, Gasperini insiste em utilizá-lo também na Inter, mesmo em se tratando de um elenco cujas características deixam implícito que esse sistema tático não é o ideal. Na derrota por 4x3 para o Palermo na Sicília, a ausência de zagueiros rápidos o suficiente para cobrir os espaços de uma defesa a três fez com que o veterano Zanetti fosse deslocado para o setor. No meio, sem combatividade para a função de volante/meia, Wesley Sneijder, o melhor do time, começou o jogo no banco de reservas. Todavia, diante da partida apagada do argentino Mauro Zárate, o meia holandês foi lançado no ataque, aberto pela esquerda (figura 1).

Talvez por sua própria natureza de meio-campista ou por uma decisão particular, Sneijder logo derivou para a posição central atrás da dupla de ataque formada por Milito e Forlán, onde criou boas situações de gol. Sem a bola, o camisa 10 abria para preencher o flanco canhoto, mesmo sem a profundidade necessária para atacar por aquele espaço em seguida.


Até quem observa o plantel Nerazzurro à distância percebe que o esquema adotado por Gasperini não acomoda seus melhores jogadores de maneira satisfatória. Pelo que se viu nas temporadas anteriores e nas últimas contratações, talvez o melhor sistema fosse o 4-3-1-2 (figura 2) que José Mourinho usava em situações onde era fundamental ganhar o meio de campo. Outra possibilidade, esta mais ofensiva, seria a montagem de um 4-3-3 (figura 3) que, sem bola, marcaria como o usual 4-2-3-1. Nessas duas hipóteses, Sneijder ficaria centralizado, local onde se sente mais confortável em campo.

Logicamente, não é impossível que o grupo interista se adapte às ideias de seu novo treinador. Porém, num campeonato de pontos corridos, o encaixe pode não acontecer a tempo de a equipe recuperar terreno, uma vez que Milan, Napoli e Juventus dão sinais de estarem mais entrosados. Nesse cenário, não será surpresa se Gian Piero Gasperini não comer o panetone.