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sexta-feira, 13 de junho de 2014

O emocional como maior adversário


Como esperado, a estreia brasileira na Copa do Mundo foi uma partida complicada. O choro de alguns jogadores da Seleção e a perceptível emoção estampada nos rostos de todos indicavam que o time começaria com os nervos à flor da pele. E foi o que aconteceu. Oscar, o melhor em campo dentro dos noventa minutos, começou disperso e perdeu duas bolas que originaram contra-ataques perigosos da Croácia. Num deles surgiu o gol contra de Marcelo. Ainda no lance que abriu o placar, Daniel Alves tentou, inexplicavelmente, pressionar o goleiro Pletikosa e acabou deixando um imenso vazio na lateral direita que o atacante Olic soube aproveitar bem.

E foi exatamente após o gol croata que surgiu o pior adversário do jogo: Dominar o próprio emocional e buscar a reação. Marcelo mostrou logo que não se intimidaria e exibiu uma raça incomum até mesmo para ele. Oscar, que estava desaparecido, ressurgiu para uma das maiores exibições de sua carreira, atuando com destaque nos desarmes, na armação de jogadas e também nas conclusões. Por sua vez, Neymar assumiu a responsabilidade de ser o protagonista da Seleção Brasileira e materializou isso no chute imprevisível que igualou o marcador e na cobrança do pênalti incorretamente assinalado.

No geral, é possível dizer que o time respondeu bem a uma situação adversa. Há um pouco de ingenuidade em esperar que esta Seleção Brasileira coloque ordem na casa trocando passes como faria a Espanha, por exemplo. Não é o DNA deste time. E nem do futebol brasileiro atual. Durante anos, formamos jogadores que combinam habilidade com velocidade e isso não deve mudar por enquanto. Mesmo com 61% de posse, a resposta foi dada em forma de pressão, velocidade e verticalidade. E dificilmente seria diferente disso.

Coletivamente, o grande dilema do Brasil no Mundial será controlar a volúpia que o faz pressionar os rivais no campo de ataque com a responsabilidade de não expor sua defesa. Uma marcação que gerou apenas cinco faltas, o que é positivo, mas que também cedeu espaços preocupantes. Como a estreia ficou para trás e os três pontos foram somados, espera-se uma Seleção mais segura e inteligente no segundo duelo diante do México e que as adversidades sejam apenas as impostas pelos comandados do técnico Miguel Herrera.   
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Marcos Ribolli/Globo Esporte

quarta-feira, 19 de junho de 2013

No grupo da morte, Brasil e Itália sobrevivem

Fosse a Copa das Confederações a Copa de 2014, certamente o agrupamento formado por Brasil, Itália, México e Japão seria chamado de grupo da morte. Dois campeões mundiais, duas forças emergentes e temos um cenário perfeito para um épico do futebol. Fazendo valer o fator casa, a Seleção Brasileira garantiu a classificação para as semifinais após vencer Japão e México mesmo sem se apresentar de forma convincente. Por sua vez, a Azzurra, que havia controlado bem o jogo contra a seleção mexicana, sentiu o forte calor do Recife e só não perdeu para o Japão porque havia uma trave no meio do caminho.
Embora tenha conseguido realizar a saída de bola de maneira mais rápida em alguns momentos da partida contra o México, a Seleção continua se ressentindo da falta de alguém capaz de armar o jogo e fazer com que o time conserve a posse de bola. Posse que terminou sendo maior para o Brasil, embora tenha sido revertida no momento em que David Luiz saiu para ser atendido por conta de um sangramento resultante de uma fratura no nariz. Oscar era a esperança no intuito de dominar o meio-campo, mas, diante da marcação mexicana e de seu esgotamento físico, o jogador do Chelsea desapareceu na partida de hoje. A marcação do lado esquerdo, fundamentalmente com Marcelo, também se mostrou falha em alguns momentos e Fred continua muito isolado de seus companheiros. O ponto positivo foi a estupenda partida de Neymar, autor de um belo gol e uma manobra fantástica no lance que resultou na assistência para o gol de Jô. A se destacar ainda, a resiliência da defesa que mesmo pressionada não permitiu ser vazada no torneio.
No Recife, Itália e Japão fizeram o duelo mais movimentado da Copa das Confederações até aqui. Recuperados da derrota para o Brasil, os japoneses entraram em campo dispostos a apagar a péssima imagem deixada na estreia. Conseguiram mais do que isso ao protagonizarem um verdadeiro jogaço com direito a sete gols e uma virada italiana que parecia impossível. Contudo, a classificação ficou com os atuais vice-campeões europeus que, apesar de sofrerem demasiadamente com o calor da capital pernambucana, conseguiram reunir forças para buscar o 4 a 3. E se os italianos acharam a noite do Recife quente, mal sabem o que os espera na tarde de sábado em Salvador diante do Brasil. Ao que tudo indica, o calor pode ser um fator determinante para os selecionados europeus tanto nesta competição quanto no próximo Mundial, sobretudo por suceder a temporada no Velho Continente.
Imagem: Efe

domingo, 2 de junho de 2013

Seleção melhora, mas ainda repete defeitos

Em sua melhor apresentação sob o comando de Luiz Felipe Scolari nesta passagem, a Seleção Brasileira empatou em 2 a 2 com a Inglaterra no novo estádio Maracanã. Mais importante do que o placar foram as diversas chances criadas pelo Brasil, sobretudo no primeiro tempo, quando atuou numa formação que agradou bastante ao técnico. Nesse esquema, o zagueiro David Luiz teve alguma liberdade para sair para o jogo e arriscar lançamentos enquanto o volante Luiz Gustavo guardava posição na defesa e Paulinho se posicionava como centro-campista. Em certos momentos, algo próximo do 3-5-2 (ao lado) que marcou época no Mundial da Ásia.
Todavia, os problemas na proteção à defesa ressurgiram na segunda etapa quando a Seleção partiu em busca do ataque com Hernanes no lugar de Luiz Gustavo e Lucas no posto de Oscar. Se o time ficou mais ofensivo com as alterações, também ficou mais vulnerável. Ao que tudo indica, a julgar pela entrevista pós-jogo, Felipão deve manter a equipe que iniciou a partida com Filipe Luís na lateral esquerda, Luiz Gustavo no meio e Hulk no ataque. Indubitavelmente, uma escalação que deu mais solidez ao Brasil.
Na frente, registre-se o bom primeiro período de Neymar, caindo pelos lados do campo, se aproximando de Fred e finalizando sempre (até demonstrando egoísmo em certos momentos, diga-se). Quanto ao citado centroavante, mais uma vez ficou evidente por que o jogador do Fluminense merece estar entre os onze. Além de seu notável senso de colocação dentro da área, Fred ainda contribui com a defesa em lances de bola parada graças a sua altura e impulsão. Se não é um atacante da estirpe de Romário e Ronaldo, Fred compensa isso com gols e mais gols. Titularíssimo!
Por outro lado, o estágio atual de Daniel Alves preocupa. Irregular no Barcelona, o lateral direito se mostrou confuso em diversos lances e errou passes em situações perigosas, mais ou menos como Marcelo no flanco oposto quando entrou no segundo tempo. Contudo, se Marcelo já possui a sombra de Filipe Luís na esquerda, o mesmo não pode ser dito do improvisado Jean na direita. Outra questão a se pensar é a irregularidade de Hulk que ainda não se encontrou com a camisa amarela. Lucas, autor do cruzamento que resultou no gol de empate de Paulinho, tem tudo para se encaixar naquela posição oferecendo um futebol mais fluído e coletivo do que o atacante do Zenit, definidor por natureza, pode ofertar. No próximo domingo, diante da França, saberemos se as conclusões de Felipão foram as mesmas.
Imagem: Reuters

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Contagem Regressiva: Outubro de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Seleção encontra um caminho
Apesar de ter sido apenas um amistoso, Brasil 4x0 Japão foi uma partida auspiciosa para a Seleção Brasileira. Diante de um bom adversário, não mais do que isso, a Seleção Canarinho se comportou bem, venceu com autoridade e deu a torcedores e imprensa um sinal de que o técnico Mano Menezes pode ter encontrado um caminho a ser seguido.
Escalada num sistema 4-2-3-1, a Seleção apresentou a manutenção da dupla Paulinho-Ramires, dois volantes capazes de marcar e sair para o jogo com qualidade, Kaká formando uma linha de três de muita mobilidade com Hulk e Oscar, deixando Neymar mais à frente. Aqui, vale ressaltar a movimentação do santista, saindo da área, abrindo espaços para quem vinha de trás e servindo seus companheiros. De certo modo, Mano montou um time novo, mais leve e que espelha melhor as referências técnicas e táticas do futebol atual.
Logicamente, é preciso ter calma antes de afirmar que esta Seleção já está pronta para desafios mais pesados. O sistema defensivo - com dois volantes que saem muito para o jogo, laterais que não marcam tão bem e meias pouco combativos - ainda não foi testado e o ataque ainda precisa se deparar com adversários mais fortes. No entanto, é difícil não ver a fluidez mostrada contra os japoneses com bons olhos.
Os rivais
Falando em oponentes mais fortes, a Colômbia, adversária do próximo dia 14, tem tudo para ser um desses. Contando com sua melhor geração desde Rincón/Valderrama/Asprilla, los Cafeteros ocupam a terceira colocação das Eliminatórias Sul-Americanas e têm tudo para ser um adversário perigoso para o Brasil. Os principais destaques são o volante Fredy Guarín, da Internazionale, o talentosíssimo meia-atacante James (pronuncia-se “Rames”) Rodríguez, do Porto, além do astro Radamel Falcao Garcia, um dos centroavantes mais perigosos da atualidade e que vem marcando gol atrás de gol com a camisa do Atlético de Madrid.
Para o duelo diante da equipe comandada por José Pékerman, o técnico Mano Meneses terá à disposição os seguintes jogadores:
Goleiros: Diego Alves (Valencia) e Jefferson (Botafogo);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Leandro Castán (Roma), Réver (Atlético Mineiro) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Adriano (Barcelona), Alex Sandro (Porto) e Daniel Alves (Barcelona);
Volantes: Arouca (Santos), Paulinho (Corinthians), Ramires (Chelsea) e Sandro (Tottenham);
Meias: Giuliano (Dnipro), Kaká (Real Madrid), Lucas Moura (São Paulo), Oscar (Chelsea) e Thiago Neves (Fluminense);
Atacantes: Hulk (Zenit), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Santos).       
De olho na Copa
Como era de se esperar, os gastos com a construção do Itaquerão, palco de abertura da Copa Mundo de 2014, devem alcançar a cifra de R$ 1 bilhão, segundo o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Inicialmente, o orçamento da obra previa que os gastos girassem em torno de R$ 780 milhões. Após a péssima repercussão do caso, o clube paulista emitiu nota oficial informando que a arena custará “apenas” R$ 820 milhões.   
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagens: CBF e Reuters

domingo, 27 de maio de 2012

Contagem Regressiva: Maio de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Da teoria para a prática.
Uma das maiores críticas que Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, recebe diz respeito à enorme distância entre seu discurso e o futebol praticado em campo pelo Brasil. Nas entrevistas concedidas, Mano declarava que, historicamente, a Seleção sempre procurou praticar um futebol de imposição ofensiva e que, por sediar o próximo Mundial, terá a obrigação de sair para o jogo contra qualquer adversário. Todavia, na prática, o que se via era um time que não era tão consistente defensivamente quanto o Brasil de Dunga e, ao mesmo tempo, não era capaz de se impor diante dos melhores adversários.
Pois esse cenário pode estar mudando. Na vitória por 3 x1 sobre a Dinamarca em Hamburgo, o Brasil deu mostras de que as teorias de Mano Menezes podem estar entrando em sintonia com a realidade. Apresentando uma marcação forte no campo de ataque, muita movimentação e, sobretudo, talento, a Seleção anotou três gols ainda no primeiro tempo contra o selecionado de Morten Olsen.  O grande nome da partida foi Hulk, autor do primeiro e do terceiro gols e com participação decisiva no segundo, marcado contra por Zimling. Com essa atuação, o portista espera garantir sua vaga entre os jogadores acima dos 23 anos que estarão nos Jogos Olímpicos de Londres.
Assim como quase tudo no futebol, o cenário da Seleção está mudando rapidamente. Antes, devido às carências defensivas, Mano sinalizava que os três reforços acima da idade limite seriam escolhidos entre os defensores Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo. Agora, com as lesões de Daniel e David e as atuações de Juan Jesus e Hulk é provável que Mano Menezes esteja reavaliando suas opções. Outro que vem ganhando espaço é o meia Oscar. Após o imbróglio jurídico entre Internacional e São Paulo, o jovem colorado que via sua vaga nos Jogos mais distante agora aproveita a ausência do recém-operado Paulo Henrique Ganso para mostrar trabalho. Contra a Dinamarca, Oscar armou, marcou e atacou como gente grande e dificilmente estará fora da lista final para as Olimpíadas.
Os rivais.
Os próximos compromissos da Seleção acontecerão nos dias 30 de maio diante dos Estados Unidos em Washington, 3 de junho contra o México em Dallas e, por fim, enfrenta a Argentina no dia 9 em New Jersey. Dessas partidas, o técnico Mano Menezes definirá os dezoito atletas que representarão o futebol brasileiro em Londres. Dos três amistosos, sem dúvida, o que mais chama a atenção será o duelo contra nossos hermanos. Atuando completa, a Argentina terá antes do Brasil partida válida pelas Eliminatórias contra o Equador, em Buenos Aires, no dia 2 de junho.     
De olho na Copa:
A situação dos estádios brasileiros segue complicada. Segundo o Ministério do Esporte, somente quatro estados (Bahia, Ceará, Minas Gerais e o Distrito Federal) estão em dia com seus cronogramas de obras dos estádios para a Copa de 2014. Somente as citadas arenas cumpriram 50% ou mais de suas construções, todas financiadas por recursos do BNDES.
Quanto aos aeroportos, dos 13 considerados prioritários para o Mundial, apenas cinco já foram entregues: Cuiabá, Porto Alegre, Campinas e dois em São Paulo. Em relação às obras de mobilidade urbana, nove das 12 sedes estão com os trabalhos em andamento. Todavia, 81% dessas obras só serão concluídas no segundo semestre de 2013.     
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagem: Lancenet

domingo, 28 de agosto de 2011

Contagem Regressiva: Agosto de 2011

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Um ano de Mano.
O primeiro ano de Mano Menezes no comando da Seleção Brasileira foi marcado mais por interrogações do que por exclamações. Do auspicioso discurso inicial passando pela campanha decepcionante na Copa América até a derrota para a Alemanha, o Brasil mostrou pouca evolução e muitos pontos contestáveis.
Se no início Mano falava da busca pelo protagonismo perdido e pela iniciativa de jogo, a partida contra os germânicos apresentou uma Seleção mais preocupada em anular os pontos fortes do adversário do que jogar o seu futebol. A maior prova disso está na condição de reserva do meia Paulo Henrique Ganso que, em má fase, viu do banco seus companheiros serem dominados por um rival nitidamente mais forte.
Embora o técnico se mostre tranquilo em relação ao andamento de seu trabalho, a pouca evolução mostrada em doze meses de trabalho e a incoerência de várias atitudes tem causado preocupação àqueles que acompanham a preparação para o Mundial.   
Ronaldinho de volta.
O retorno do meia-atacante Ronaldinho Gaúcho marcou a convocação da Seleção Brasileira para o amistoso contra Gana no dia 5 de setembro em Londres. Apesar de atravessar grande fase no Flamengo e sem um histórico de lesões graves, os 31 anos do craque levantam suspeitas de que pode não ter fôlego para seguir no grupo até 2014.
Também chama a atenção na lista o retorno do lateral esquerdo Marcelo e do atacante Hulk. Pelo visto, o técnico aparou as arestas com o jogador do Real Madrid que agora terá a chance de mostrar na prática por que é considerado o nome ideal para a lateral canhota. Outra novidade é a presença do centroavante Leandro Damião considerado por muitos o melhor “9” que o País dispõe no momento e autor de 34 gols na temporada.     
Por outro lado, algumas ausências dão a entender que o técnico realmente costuma “fritar” atletas que cometem erros graves sob seu comando. Hernanes, expulso no amistoso contra a França e André Santos que entregou nos pés de Schweinsteiger a bola que resultou no terceiro gol alemão são ausências sentidas neste novo chamado. Ramires, titular de toda a preparação até aqui e ausente neste chamado e a presença de Elias, recém-dispensado pelo Atlético de Madrid, são outros exemplos de que Mano talvez não tenha o rumo da Seleção tão definido quanto diz ter.    
Confira a seguir os 24 convocados para o amistoso contra Gana:
Goleiros: Fabio (Cruzeiro), Jefferson (Botafogo) e Júlio César (Internazionale);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Dedé (Vasco), Lúcio (Internazionale) e Thiago Silva (Milan);
Laterais: Adriano (Barcelona), Daniel Alves (Barcelona), Danilo (Santos) e Marcelo (Real Madrid);
Volantes: Elias (Atlético de Madrid), Lucas Leiva (Liverpool), Luiz Gustavo (Bayern), e Ralf (Corinthians);  
Meias: Fernandinho (Shakhtar Donetsk) Lucas Moura (São Paulo), Paulo Henrique Ganso (Santos) e Ronaldinho Gaúcho (Flamengo);
Atacantes: Alexandre Pato (Milan), Hulk (Porto), Leandro Damião (Internacional), Neymar (Santos) e Robinho (Milan).
Mundial Sub-20.
Se o selecionado principal não vai bem, o mesmo não pode ser dito da Seleção Sub-20 campeã mundial sob o comando de Ney Franco. Mesmo sem contar com Lucas e Neymar, seus principais jogadores, o Brasil conseguiu conquistar o pentacampeonato da categoria ao derrotar Portugal por 3 a 2 na final. De quebra, a campanha deu indícios de que alguns desses jovens podem figurar em breve no grupo de cima. Além do lateral/volante Danilo, já presente na última convocação de Mano Menezes, o volante Casemiro e o meia Oscar deixaram ótima impressão em território colombiano e são nomes a serem anotados na agenda do treinador.     
De olho na Copa.  
O cerco está se fechando. Após desdenhar das denúncias de parte da imprensa brasileira, o presidente da CBF Ricardo Teixeira vê seu nome presente de maneira nada agradável no principal noticiário do Brasil. No último dia 13, o Jornal Nacional exibiu uma matéria de três minutos sobre as denúncias de irregularidades no contrato com a empresa que organizou o amistoso entre Brasil e Portugal em 2008.
Paralelamente, a Procuradoria Geral da República analisa possível representação criminal contra Teixeira buscando comprovar o recebimento de suborno da extinta empresa de marketing ISL. Na ocasião, o dirigente teria devolvido o dinheiro recebido num acordo com a justiça suíça para que o caso não fosse levado adiante.
Em meio a essas acusações, o ritmo lento das obras para o Mundial segue inalterado. Em linhas gerais, podemos classificar o andamento da seguinte forma:
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília e Salvador;
Apresentando atrasos: Cuiabá, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus, Natal e São Paulo.    
Imagens: Getty Images e AP.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Chega de desculpas.

Na última coluna “Contagem Regressiva”, este blogueiro destacou os riscos de se marcar amistosos contra adversários mais duros neste estágio de preparação da Seleção Brasileira. E o maior perigo era justamente enfrentar um time mais entrosado e em melhor fase e perder mais uma partida logo na sequência da amarga eliminação da Copa América.
Lembrando que o compromisso diante da Alemanha havia sido marcado antes do torneio sul-americano, então era a hora de Mano Menezes inventar o menos possível. Não convocar nomes pedidos por nove entre dez torcedores como Marcelo e Hernanes e relegar Paulo Henrique Ganso à reserva do mediano Fernandinho é pedir para ser cornetado. Agora, após a derrota para a Alemanha por 3 a 2 em Stuttgart, Mano pode ter certeza de que as trombetas irão soar como nunca.
O caso do meia santista é o que mais chama a atenção. Diante de um rival que se instalou no campo ofensivo e que controlava as ações no meio-campo, nada mais óbvio do que ter em Ganso um jogador não só para iniciar os contragolpes como tentar reter a bola nos pés brasileiros quando necessário. Usando o velho clichê, é como atacar com flechas (Robinho, Neymar e Pato), mas esquecer o arco.
Obviamente, não faço coro àqueles torcedores que pedem a saída de Mano como fazem com os treinadores de seus times. Porém, não restam dúvidas de que o tempo para desculpas acabou. Desde que assumiu, o ex-técnico do Corinthians não viu sua seleção vencer nenhum adversário de maior porte. Perdeu para França, Argentina e Alemanha e empatou com a Holanda jogando em território brasileiro. Se existe um momento para se rever alguns conceitos é exatamente este. Antes que seja tarde.   
Imagem: Reuters

terça-feira, 14 de junho de 2011

Para tudo há uma explicação.

Acompanhei com atenção a participação de Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, no programa Bem Amigos do canal Sportv. O objetivo era conhecer o posicionamento de Mano a respeito das ausências de Marcelo, Hernanes e Hulk das últimas convocações e, quem sabe, entender um pouco mais suas concepções técnicas e táticas do time titular.
E, apesar da natural reserva diante de assuntos internos, o treinador não fugiu de nenhuma questão. Sobre os ausentes, esclareceu que Hulk, por ser jogador de lado de campo, disputa posição com Robinho e Neymar. Não vê em Hernanes as características necessárias para a função de armador e ainda deu pistas de que Marcelo foi preterido da lista por ter deixado a Seleção em segundo plano ao simular que a lesão que sofreu antes do amistoso contra a Escócia em março era mais grave do que realmente era.
Do trio, o momento do lateral do Real Madrid parece ser o mais delicado. Sem a explicação definitiva de Mano Menezes, o apresentador Galvão Bueno trouxe à tona uma situação de bastidores onde um e-mail de Marcelo teria equivocadamente chegado às mãos do treinador. Nessa mensagem o jogador avisava ao Real Madrid de que “já estava livre da Seleção” e que poderia se reapresentar ao clube. “É mais ou menos isso”, respondeu Mano.
O técnico completou dizendo que além do aspecto sentimental também se apóia em fatos. A versão conhecida dá conta de que Marcelo disse ao médico da delegação brasileira Rodrigo Lasmar que não precisaria examiná-lo porque estava cortado. Dias depois, o próprio Mano testemunhou um treinamento dos Merengues onde o lateral esquerdo se mostrava apto para jogar.
Apesar de não ter decretado o fim da passagem de Marcelo em sua gestão, ficou claro que a relação de confiança foi quebrada. E quando lembramos que Dunga dava indícios de que no seu tempo o comportamento do atleta era o mesmo, não há razão agora para acreditar que a postura tenha mudado.
No que tange a montagem do time titular, Mano deu algumas pistas interessantes. Esclareceu que seus sistemas preferidos são o 4-2-3-1 e o 4-3-3 e que imagina o meio-campo e o ataque montados com um primeiro volante, um segundo volante saindo mais para o jogo, um meia armador, um meia atacante, um segundo atacante que atue mais pelos lados do campo e um centroavante. E que, a princípio, a função de meia atacante cabe a Robinho.
Deste modo, com os retornos de Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato ao onze inicial, podemos ilustrar o esquema tático canarinho conforme a figura ao lado. Nele, é bom levar em consideração que posição e função são coisas distintas.
Crédito da Imagem: Globo Esporte.

domingo, 12 de junho de 2011

Nossa seleção da temporada 2010/11.

Com a votação encerrada, conheça a seleção da temporada 2010/11 eleita pelos amigos do blog “Além das Quatro Linhas”. Ao todo, foram apontadas 37 seleções de onde foram extraídos o técnico e os 11 jogadores mais votados.
No gol, a disputa ficou entre Manuel Neuer e Edwin van der Sar. No fim, as soberbas atuações do arqueiro alemão falaram mais alto.
Na lateral direita, a primeira unanimidade da votação. Para todos os eleitores, Daniel Alves foi o melhor da posição. Do outro lado, Marcelo foi a opção de 23 dos 37 participantes.
No centro da defesa, a disputada foi acirrada entre Thiago Silva, Piqué e Vidic. Mas, com 27 e 22 votos, respectivamente, o brasileiro e o espanhol ficaram à frente da muralha sérvia.    
O meio campo reservou o primeiro empate. Enquanto Xavi e Sahin garantiram espaço com 34 e 26 votos, Busquets e Iniesta empataram com 10 apontamentos cada. Assim, com nossa seleção obedece aos princípios táticos, a vaga de primeiro volante fica com Busquets.
Mais duas unanimidades no ataque. Messi e Cristiano Ronaldo foram lembrados por todos os participantes. Cá entre nós, não poderia ser diferente. Ao lado deles, Samuel Eto’o, em sua melhor temporada no Velho Continente, garantiu seu espaço com 11 votos.
Talvez a maior surpresa tenha ficado por último. Campeão europeu e comandante de um dos maiores times da história, Pep Guardiola recebeu 14 votos e acabou preterido pela revelação André Villas-Boas que com 15 apontamentos confirmou-se como o técnico de nossa seleção.
Com isso, tivemos cinco jogadores do Barcelona, dois do Real Madrid, e um de Schalke 04, Milan, Borussia Dortmund e Inter, além do atual treinador do Porto. Confira abaixo a nossa seleção e seu esquema tático. Os números entre parênteses representam os votos que cada um recebeu:
Seleção 2010/2011: Neuer (21); Daniel Alves (37), Thiago Silva (27), Piqué (22) e Marcelo (23); Busquets (10), Xavi (34) e Sahin (26); Messi (37), Cristiano Ronaldo (37) e Eto’o (11). Técnico: André Villas-Boas (15).

No mais, gostaria de agradecer a todos que participaram da eleição e espero contar com vocês ao final da próxima temporada.
Até mais!

sábado, 21 de maio de 2011

Contagem Regressiva: Maio de 2011

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Os ausentes.
Na última quinta-feira, Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, convocou 28 jogadores que participarão dos amistosos diante de Holanda (4 de junho em Goiânia) e Romênia (7 de junho em São Paulo). Esta última partida também marcará a despedida do atacante Ronaldo da Seleção. Confira e lista:
Goleiros: Fábio (Cruzeiro), Jefferson (Botafogo) Júlio César (Internazionale) e Victor (Grêmio);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Lúcio (Internazionale), Luisão (Benfica) e Thiago Silva (Milan);
Laterais: Adriano (Barcelona), André Santos (Fenerbahçe), Daniel Alves (Barcelona) e Maicon (Internazionale);
Volantes: Elias (Atlético de Madrid), Henrique (Cruzeiro), Lucas Leiva (Liverpool), Ramires (Chelsea), Sandro (Tottenham);  
Meias: Anderson (Manchester United), Elano (Santos), Jadson (Shakhtar Donetsk) Lucas (São Paulo) e Thiago Neves (Flamengo);
Atacantes: Alexandre Pato (Milan), Fred (Fluminense), Leandro Damião (Internacional), Neymar (Santos), Nilmar (Villarreal) e Robinho (Milan);
Desta lista sairão os 23 convocados para a Copa América. No entanto, o meia santista Paulo Henrique Ganso também poderá fazer parte do grupo caso se recupere a tempo da lesão muscular que o afasta dos gramados por cerca de 40 dias.
Curiosamente, a lista foi mais comentada pelos ausentes do que pelos presentes. Marcelo, Hernanes, Kaká e Hulk foram os nomes mais lembrados. A começar pelo lateral do Real Madrid, que apesar da grande fase que atravessa, parece não fazer parte dos planos de Mano Menezes após o episódio em que rebateu os comentários do técnico brasileiro.
Expulso ainda no primeiro tempo do amistoso contra a França, o meia Hernanes da Lazio também não figurou na lista. Difícil afirmar, mas o nervosismo e a insônia declarados pelo jogador antes da partida contra os Bleus podem ter significado o aparecimento de uma pulga atrás da orelha de Mano. Afinal, se Hernanes sente tanto um simples amistoso o que sentiria numa competição de verdade?
Por sua vez, Kaká teve sua ausência explicada pelo treinador. Segundo Mano Menezes, o meia do Real Madrid disse que ainda necessita de alguns cuidados a mais para que possa retornar aos gramados em sua melhor forma. Deste modo, um possível retorno à camisa amarela só acontecerá na próxima temporada.
Por último, Hulk é outro que aguardará uma oportunidade após a Copa América. Campeão da Liga Europa e artilheiro da Liga Sagres pelo Porto, o atacante, que atua mais pelos lados do campo, perdeu espaço com o surgimento do jovem Lucas e da boa fase atravessada por nomes como Robinho, Nilmar e Neymar.     
Os rivais.    
A polêmica da vez na Argentina é a possível não convocação de Carlos Tévez pelo técnico Sergio Batista. Como justificativa para a ausência, Batista declarou que o atacante do Manchester City disputa posição com Lionel Messi e Gonzalo Higuaín. Porém, o que se diz na Argentina é que Tévez e Batista se desentenderam após a ausência do jogador do amistoso contra o Brasil. Na ocasião, El Apache ficou de fora por lesão, mas atuou pelos Citizens poucos dias depois.
Sempre polêmico, Maradona saiu em defesa do ex-comandado, dizendo que o atual treinador a seleção albiceleste só pode estar bêbado ou drogado ao ignorar  Tévez. Uma piada pronta vindo de El Pibe ainda mais quando lembramos que o próprio não convocou Javier Zanetti e Esteban Cambiasso, ambos em grande forma, para a Copa de 2010. De qualquer forma, qualquer um que acompanhou a temporada de Tévez sabe que há poucos argumentos para Batista não levá-lo.
De olho na Copa.  
A FIFA e o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 definiram as cinco sedes da Copa das Confederações que será disputada em 2013 no Brasil. São elas: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador.
Como era de se esperar devido ao atraso das obras do “Fielzão”, São Paulo não apresentará seu estádio a tempo para servir como sede do evento. Não por acaso, muitos temem que a nova arena do Corinthians não fique pronta até o Mundial.
Em linhas gerais, podemos classificar o andamento das obras nas sedes da seguinte forma:
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília;
Apresentando atrasos: Cuiabá, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Salvador;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus, Natal e São Paulo.    
Créditos das imagens: Marca e Olé.