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domingo, 2 de junho de 2013

Seleção melhora, mas ainda repete defeitos

Em sua melhor apresentação sob o comando de Luiz Felipe Scolari nesta passagem, a Seleção Brasileira empatou em 2 a 2 com a Inglaterra no novo estádio Maracanã. Mais importante do que o placar foram as diversas chances criadas pelo Brasil, sobretudo no primeiro tempo, quando atuou numa formação que agradou bastante ao técnico. Nesse esquema, o zagueiro David Luiz teve alguma liberdade para sair para o jogo e arriscar lançamentos enquanto o volante Luiz Gustavo guardava posição na defesa e Paulinho se posicionava como centro-campista. Em certos momentos, algo próximo do 3-5-2 (ao lado) que marcou época no Mundial da Ásia.
Todavia, os problemas na proteção à defesa ressurgiram na segunda etapa quando a Seleção partiu em busca do ataque com Hernanes no lugar de Luiz Gustavo e Lucas no posto de Oscar. Se o time ficou mais ofensivo com as alterações, também ficou mais vulnerável. Ao que tudo indica, a julgar pela entrevista pós-jogo, Felipão deve manter a equipe que iniciou a partida com Filipe Luís na lateral esquerda, Luiz Gustavo no meio e Hulk no ataque. Indubitavelmente, uma escalação que deu mais solidez ao Brasil.
Na frente, registre-se o bom primeiro período de Neymar, caindo pelos lados do campo, se aproximando de Fred e finalizando sempre (até demonstrando egoísmo em certos momentos, diga-se). Quanto ao citado centroavante, mais uma vez ficou evidente por que o jogador do Fluminense merece estar entre os onze. Além de seu notável senso de colocação dentro da área, Fred ainda contribui com a defesa em lances de bola parada graças a sua altura e impulsão. Se não é um atacante da estirpe de Romário e Ronaldo, Fred compensa isso com gols e mais gols. Titularíssimo!
Por outro lado, o estágio atual de Daniel Alves preocupa. Irregular no Barcelona, o lateral direito se mostrou confuso em diversos lances e errou passes em situações perigosas, mais ou menos como Marcelo no flanco oposto quando entrou no segundo tempo. Contudo, se Marcelo já possui a sombra de Filipe Luís na esquerda, o mesmo não pode ser dito do improvisado Jean na direita. Outra questão a se pensar é a irregularidade de Hulk que ainda não se encontrou com a camisa amarela. Lucas, autor do cruzamento que resultou no gol de empate de Paulinho, tem tudo para se encaixar naquela posição oferecendo um futebol mais fluído e coletivo do que o atacante do Zenit, definidor por natureza, pode ofertar. No próximo domingo, diante da França, saberemos se as conclusões de Felipão foram as mesmas.
Imagem: Reuters

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Contagem Regressiva: Maio de 2013

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
O Brasil na Copa das Confederações
Restam apenas duas semanas para a estreia da Seleção Brasileira na Copa das Confederações. Antes de a bola rolar diante do Japão no dia 15 de junho, os comandados de Luiz Felipe Scolari terão pela frente amistosos contra Inglaterra (02/06) no Maracanã e França (09/06) na nova Arena do Grêmio. O grupo completo só deverá se reunir nesta sexta-feira graças ao imbróglio que envolveu a CBF e o Bayern de Munique, clube de Dante e Luiz Gustavo, que pretendia contar com a dupla para a disputa da final da Copa da Alemanha contra o Stuttgart.
Com as chegadas do zagueiro e do volante, além dos jogadores do Atlético Mineiro que estavam liberados para o compromisso pela Copa Libertadores, Felipão contará com os seguintes atletas:
Goleiros: Diego Cavalieri (Fluminense), Jefferson (Botafogo) e Júlio César (QPR);
Zagueiros: Dante (Bayern de Munique), David Luiz (Chelsea), Réver (Atlético/MG) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Filipe Luís (Atlético de Madrid) Jean (Fluminense) e Marcelo (Real Madrid);
Volantes: Fernando (Grêmio), Hernanes (Lazio), Luiz Gustavo (Bayern de Munique) e Paulinho (Corinthians);
Meias: Bernard (Atlético/MG), Jádson (São Paulo), Lucas (PSG) e Oscar (Chelsea);
Atacantes: Fred (Fluminense), Hulk (Zenit), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Barcelona).
Ao que tudo indica, o time titular será formado por Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Paulinho e Fernando; Hulk, Oscar e Neymar; Fred. A princípio, a característica do 11 inicial sugere um 4-2-3-1 com variação para o 4-4-2. Em ambos os módulos, os laterais terão liberdade para apoiar o ataque, talvez simultaneamente, enquanto o volante Fernando fica encarregado de proteger os zagueiros. Enquanto isso, Paulinho deve ter liberdade para se juntar aos meias e chegar à área rival. A maior mudança tática fica reservada ao setor ofensivo onde Neymar se junta a Fred como um segundo atacante deixando o lado esquerdo do meio campo para Oscar. Por sua vez, Hulk será o responsável pela faixa direita do ataque de onde poderá partir em diagonal e desferir seus conhecidos disparos de canhota. Provável reserva, Lucas tem todas as condições de ocupar esse espaço caso aproveite os treinamentos e as chances que provavelmente receberá com a sequência de jogos. Principal goleador da era Felipão, Fred segue como titular absoluto do ataque, tanto pelos gols quanto pela ajuda que sempre oferece à defesa em lances de bola parada.
No planejamento para o Mundial, a Copa das Confederações tem papel crucial na montagem da equipe. Scolari terá cerca de um mês ao lado dos jogadores e as principais conclusões sobre o grupo que representará o Brasil em 2014 serão tiradas deste período de convivência e do desempenho na competição.   
Os rivais
Os demais participantes da Copa das Confederações já divulgaram suas pré-listas e deverão entregar as convocações definitivas no início da próxima semana. Clique sobre o nome de cada país para conhecer os atletas convocados e acompanhe abaixo uma breve análise de cada seleção:
Grupo A
Itália: Esqueça o velho clichê do catenaccio. A Azzurra de Cesare Prandelli é uma equipe de DNA ofensivo e tem na juventude e habilidade de seus atacantes um grande trunfo. Como não poderia deixar de ser, as atenções estarão voltadas para o milanista Mario Balotelli, excelente finalizador, mas dono de um temperamento instável.
Japão: Campeão asiático, o adversário brasileiro na estreia é, pelo menos em tese, o selecionado mais frágil do grupo A. Seu maior destaque é o meia Shinji Kagawa, atualmente na reserva do Manchester United.
México: Pedra no sapato brasileiro nos últimos anos, a seleção norte-americana tem boas condições para avançar às semifinais do torneio. Rápido e goleador, Javier “Chicharito” Hernández é o grande nome da equipe chefiada por José Manuel de la Torre. Ao todo, o atacante já anotou 30 gols com a camisa da Tricolor.
Grupo B
Uruguai: Quarta colocada no Mundial de 2010 e atual campeã sul-americana, a Celeste Olímpica sofre com o envelhecimento da melhor geração produzida nas últimas décadas e a classificação para as semifinais da Copa das Confederações, caso ocorra, não deve ser fácil. Os astros Luis Suárez e Edinson Cavani são a grande esperança do técnico Oscar Tabárez.
Espanha: Bicampeã europeia e campeã mundial, a Espanha chega como favorita ao título. Todavia, a alta média idade dos principais nomes da Roja pode começar a pesar e a próxima geração ainda não parece apta para assumir o posto. O choque pela eliminação na UEFA Champions League também pode interferir no desempenho das estrelas de Real Madrid e Barcelona.
Nigéria: Uma geração jovem, ainda sem grande promoção internacional e dirigida por um técnico local. Foi assim que as Super Águias conquistaram a Copa Africana de Nações e assim pretendem surpreender no grupo B. Obi Mikel e Victor Moses, ambos do Chelsea, são os protagonistas da equipe organizada pelo técnico Stephen Keshi.
Taiti: Grande surpresa da competição, o Taiti chamou a atenção do planeta bola quando venceu a Copa das Nações da Oceania em 2012. Composto por atletas semi-amadores em sua maioria, o Taiti conta com Marama Vahirua, experiente atacante do Panthrakikos da Grécia, como o único jogador que atua fora do país. Dentro de condições normais, não deverá superar nenhum adversário do grupo B.
De olho na Copa
Nem mesmo os estádios da Copa já inaugurados parecem livres de problemas. Primeiro foi a Arena Fonte que teve rompimento de parte de sua cobertura. O incidente foi provocado pelas fortes chuvas que caíram em Salvador no início desta semana. A falha estrutural que resultou na queda na cobertura foi atribuída a um “erro humano”.
Em seguida foi a vez de o Maracanã sofrer proibição de realização de eventos em suas dependências por não oferecer segurança para o público. A liminar foi assinada pela juíza Adriana Costa dos Santos e, até o momento, suspende o amistoso entre Brasil e Inglaterra. Por sua vez, a CBF garantiu ter todos os laudos necessários e o governo do estado do Rio de Janeiro afirmou ter recorrido da decisão.   
Confira abaixo o andamento das obras:         
Obras concluídas: Belo Horizonte, Brasília, Ceará, Rio de Janeiro e Salvador;
Apresentando atrasos: Cuiabá, Curitiba, Manaus, Recife;
Situação preocupante: Natal, Porto Alegre, e São Paulo.
Fotos: Estadão, Reuters e Gabriel Gonçalves.

domingo, 28 de abril de 2013

Contagem Regressiva: Abril de 2013

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Os amistosos e a polêmica vazia da vez
É um equívoco considerar a equipe que venceu a Bolívia e empatou com o Chile uma Seleção Brasileira. Ou melhor, era a camisa da Seleção, alguns jogadores que estiveram em campo serão convocados para a Copa das Confederações e, provavelmente, para a Copa do Mundo, mas aquele selecionado era muito mais um tubo de ensaio do que o verdadeiro Brasil. Desses amistosos, o técnico Luiz Felipe Scolari pôde observar o comportamento de determinados atletas no grupo e em ação, tirando conclusões importantes sobre aqueles que atuam no País.
Dos amistosos, a óbvia fragilidade boliviana impediu qualquer avaliação maior. Contudo, a superioridade chilena em grande parte da partida disputada na última quarta-feira assustou torcida e imprensa esportiva. O que pouco se comentou, porém, é que ao contrário do Brasil, o técnico Jorge Sampaoli utilizou uma base composta por quatro jogadores da Universidad de Chile mais dois ex-jogadores com recente passagem pelo clube, o zagueiro Marcos González e o atacante Eduardo Vargas. Ou seja, seis nomes com os quais o treinador argentino já havia trabalhado em sua equipe anterior. Felipão, por sua vez, fez uso de atletas espalhados por diversos clubes brasileiros que se apresentaram na segunda-feira, treinaram levemente na terça e jogaram na quarta. Algo assim, num esporte coletivo, certamente é um fator determinante.  
Pelo que se viu nas partidas, nomes como o zagueiro Réver, o lateral/volante Jean e o meia Jadson possivelmente ganharam pontos na corrida por vagas entre os 23 que serão convocados no próximo dia 14. Os volantes Fernando e Paulinho, além do atacante Neymar devem ser nomes certos na lista. Os goleiros Diego Cavalieri e Jefferson, os atacantes Osvaldo, Leandro Damião e Alexandre Pato lutarão por espaço, enquanto Ronaldinho, conforme apurou o repórter André Plihal da ESPN Brasil, pode ser a grande ausência, sobretudo, por suas apagadas atuações.
Outro assunto que dominou os noticiários foi a entrevista que Scolari deu à Folha de São Paulo onde, entre outras coisas, disse que volante goleador é muito bonito para a imprensa, mas não para o técnico do time. Como era de se esperar, o mundo veio abaixo. O comentário atingiu em cheio os jornalistas esportivos que criticaram duramente o que foi entendido como um retrocesso em relação ao que Mano Menezes vinha fazendo ao escalar Paulinho e Ramires como volantes que marcavam e saiam para o jogo. Mais uma vez, o que se perdeu foi a oportunidade de debate sobre a explicação dada pelo treinador.
A conclusão imediata foi a de que Felipão prefere volantes marcadores e que não primam pela técnica, embora ele não tenha dito isso em nenhum momento e nem escale a Seleção com dois cães de guarda à frente da defesa. Na verdade, o que foi dito é que com a presença no time de Daniel Alves e Marcelo, laterais cuja maior qualidade é o apoio, há a necessidade de se ter pelo menos um volante mais fixo sem que tal medida represente andar para trás. Até mesmo o super ofensivo Barcelona costuma manter o volante Busquets e seus dois zagueiros mais presos para que Daniel e Jordi Alba possam atacar simultaneamente – como aconteceu na derrota para o Bayern – embora isso não signifique que eles não participam do jogo ou que precisam ser, necessariamente, desprovidos de recursos técnicos.
Além disso, quem assistiu aos últimos amistosos da Seleção percebeu que tanto Hernanes quanto Paulinho continuam com liberdade para chegar à frente, enquanto Fernando se fixa mais próximo dos defensores. Inclusive, trata-se de uma função que o atualizadíssimo Tite faz com que Ralf cumpra no Corinthians e nunca se furtou de explicar a importância desse posicionamento no equilíbrio tático do alvinegro paulista. Talvez, no fundo, o que falte a Felipão seja um bom media training, pois agora o técnico tem em seu currículo uma frase como “o gol é apenas um detalhe” de Parreira. A semelhança está no fato de ambas terem sido descontextualizadas para representar algo que não se viu na prática.  
Os rivais
A CBF atualizou o calendário da Seleção Brasileira em 2013. Antes da Copa das Confederações, o Brasil enfrentará a Inglaterra no dia 2 de junho no Maracanã e, uma semana depois, a França na Arena do Grêmio. Após a citada competição, os comandados de Scolari terão pela frente a Suíça em 14 de agosto e Portugal no dia 9 de setembro na cidade de Boston, EUA. A seguir, será a vez do chamado Superclássico das Américas contra a Argentina em 18 de setembro e 2 de outubro. Os dias 11 e 22 de outubro, 15 e 19 de novembro também são datas pré-estabelecidas, porém, ainda sem adversários confirmados.                           
De olho na Copa
Jerome Valcke, não perde por ficar calado. Mais uma vez, o secretário-geral da FIFA provocou polêmica ao dizer que é mais fácil organizar um Mundial em países onde há menos democracia. O dirigente ainda lembrou que o Brasil tem três níveis (federal, estadual e municipal) executivos e que isso atrapalha o andamento das obras. Como se isso não bastasse, Valcke citou que a presença de um chefe de estado forte como Vladimir Putin deve fazer com que as coisas transcorram de maneira mais fácil na Rússia que sediará a Copa do Mundo em 2018. O secretário não disse, embora certamente saiba, que os atrasos no Brasil estão muito mais ligados à corrupção endêmica em nosso país do que às divisões governamentais.
Sobre os problemas com atrasos e gastos exorbitantes ligados à realização da Copa, recomendo o ótimo texto de Thiago Arantes sobre a “Copa que o Brasil já perdeu”.
O Maracanã foi reaberto no último sábado e o evento-teste programado foi o amistoso “Amigos de Ronaldo contra Amigos de Bebeto”. Chamou a atenção a ausência de Zico, maior artilheiro do estádio com 333 gols, além de outras figuras ligadas à história daquele local. Um fato nada surpreendente, em se tratando das pessoas ligadas ao projeto.  
Confira abaixo o andamento das obras:         
Obras concluídas: Belo Horizonte, Ceará, Rio de Janeiro e Salvador;
Dentro do previsto: Brasília;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus, Natal e Recife.
Crédito das Imagens: Folha de São Paulo e AFP

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Contagem Regressiva: Fevereiro de 2013

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
O time ideal
Antes da demissão de Mano Menezes, havia a impressão de que o treinador estava se aproximando do time ideal para a Seleção Brasileira. Mesmo sem grandes resultados, Mano definiu grande parte dos titulares e esboçou, sem consolidar, o estilo de jogo que gostaria de implantar. Com a chegada de Luiz Felipe Scolari, é certo que algumas mudanças ocorrerão e algumas medidas adotadas pelo ex-técnico devem ser deixadas de lado.

A primeira mudança está no posicionamento. Mano Menezes queria a equipe sempre à frente, marcando a saída de bola e recuperando a posse o mais próximo possível do gol adversário. Na prática, essa postura resultou em boas vitórias sobre Dinamarca (3 a 1) e Estados Unidos (4 a 1), mas também acarretou derrotas para México (2 a 0) e Argentina (4 a 3), com os rivais aproveitando os fartos espaços às costas da defesa. Com Felipão, a ideia parece ser um time mais postado ou tradicional, com Ramires e Paulinho mais próximos da defesa e meias recuando para fechar os espaços visando recuperar a bola da intermediária para trás e assim ter mais campo para jogar, o que remonta uma característica bem típica da escola brasileira.
Outra alteração está na volta de um centroavante típico ao comando do ataque. Antes, Neymar chegou a ser testado como o homem mais adiantado da Seleção. Mesmo assim, o santista não guardava posição, pois continuava caindo pela esquerda ou recuava para buscar a bola e partir de frente para a defesa. Agora, Luis Fabiano e Fred estão disputando a camisa 9 com Neymar de volta à ponta esquerda. Nesta posição, o jogador voltou a mostrar problemas com a diminuição dos espaços e a distância para o gol. Se a intenção do atual técnico for mantê-lo como a principal arma do time, é conveniente rever esse posicionamento.
Todavia, o principal dilema está na presença de Ronaldinho no onze inicial. No último amistoso contra a Inglaterra, o gaúcho, pouco afeito à marcação, deixou os ótimos volantes britânicos livres para construírem as jogadas expondo demasiadamente a segunda linha verde-amarela. No segundo tempo, com Oscar centralizado na função de Ronaldinho, a Seleção ganhou corpo e se apresentou melhor. Apesar da juventude, Scolari poderia testar uma linha formada por Lucas, Oscar e Neymar atrás de um centroavante e ganhar em dinamismo e movimentação. Caso o corintiano Alexandre Pato recupere sua melhor forma, o Brasil poderia ter um sistema ofensivo rápido, habilidoso e insinuante. Mesmo que falte experiência – que pode ser vista no sistema defensivo – não faltará poder de fogo.

Os rivais


A CBF anunciou que a Seleção enfrentará o Chile duas vezes em 2013. Na primeira, no dia 24 de abril no Mineirão, o técnico Luiz Felipe Scolari não deve contar com atletas que atuam no exterior. Na segunda, 10 de setembro, o confronto voltará a se repetir, desta vez em São Paulo. Outros amistosos agendados são contra Itália (21/03), Rússia (25/03), Inglaterra (02/06), França (09/06) e Suíça (14/08), além da Copa das Confederações que será disputada entre 15 e 30 de junho.                                                                            
De olho na Copa
Neste mês, o Maracanã começou a ganhar sua nova cobertura e seus assentos, mas também sofreu com a paralisação das obras por conta de um início de greve dos operários que reivindicam reajuste de vencimentos e plano de saúde. Essa nova interrupção nas obras prejudica ainda mais o cumprimento do cronograma de entrega do estádio, uma das sedes da Copa das Confederações e da Copa do Mundo.    
Confira abaixo o andamento dessas obras:         
Obras concluídas: Belo Horizonte e Ceará;
Dentro do previsto: Brasília e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus, Natal, Recife e Rio de Janeiro.
Imagens: AFP, Reuters

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Primeiras impressões

Em sua reestreia como técnico da Seleção Brasileira na derrota por 2 a 1 para a Inglaterra, Luiz Felipe Scolari mostrou que o trabalho que se inicia está mais próximo de uma reestruturação do que de manutenção do planejamento de Mano Menezes. Além do retorno de um centroavante nato ao comando de ataque, o time abriu mão do pressing na saída de bola adversária e voltou a ver seu goleiro, por vezes, esticando bolas ao invés de sair jogando com seus zagueiros. Outra mudança perceptível foi a maior aproximação dos volantes da linha de defesa, espaço que se mostrava um dos mais preocupantes na gestão anterior.
Individualmente, chamou a atenção a limitadíssima atuação de Ronaldinho Gaúcho em sua centésima aparição com a camisa amarela. Pênalti desperdiçado à parte, sua participação defensiva foi quase nula. E com a bola, o jogador do Atlético Mineiro errou mais passes do que o normal. Logicamente, o fato do meia-atacante ter cumprido apenas sua segunda partida no ano tem peso relevante nessa equação. Todavia, pelo que se viu nas oportunidades dadas por Mano, não há motivos para acreditar que esse cenário será alterado de forma considerável. Para atuar por um time brasileiro, Ronaldinho ainda tem o que oferecer. Mas quando se pensa em Seleção, a impressão é a de que esse tempo passou.
Na segunda etapa, com Oscar centralizado e Lucas entrando no lugar de Ronaldinho, o Brasil ganhou uma dinâmica ofensiva maior, embora a presença de dois volantes (Paulinho e Arouca) fora de suas melhores condições físicas tenha deixado o meio-campo mais frouxo do que o necessário. A entrada providencial de Fred na vaga de um apagado Luís Fabiano, a boa estreia do zagueiro Dante e as grandes intervenções do goleiro Júlio César foram os pontos altos do time de Felipão.
No mais, foi curioso notar a mudança no tom de algumas análises da Seleção. A paciência que parecia eterna com Mano Menezes deu lugar a uma cobrança mais forte, um reflexo claro da desaprovação da troca de comando técnico num momento considerado inoportuno pela maioria.
Imagens: Mowa Press e Reuters

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A conta não é só de Capello.

De 1990 para cá, os melhores resultados da Inglaterra em grandes competições foram o quarto lugar na Copa da Itália e a presença nas semifinais da Euro 96, torneio que sediou. Durante praticamente o mesmo período, Fabio Capello foi campeão italiano sete vezes por Milan, Roma e Juventus, campeão de La Liga em duas passagens pelo Real Madrid e da Liga dos Campeões pelo Milan.
Diante de um currículo como esse, não é de se estranhar que em 2008 a federação inglesa tenha apostado no técnico italiano para tornar o English Team um selecionado vencedor. Afinal, com um grupo composto por grandes estrelas da badalada Premier League, não seria difícil formar uma equipe vencedora, certo? Errado.
Embora possua jogadores indiscutíveis como Wayne Rooney e Steven Gerrard, nas últimas décadas a Inglaterra não conseguiu formar um time que não tivesse sérias lacunas. A maior delas, momentaneamente resolvida, está na meta. Mesmo assim, não foram raras as vezes em que os críticos depositaram todos os fracassos na conta do treinador do momento. E desta vez não foi diferente. Bastou o anúncio do pedido de demissão de Capello para que pipocassem críticas ao seu trabalho, passando desde a convocação até a montagem do time, completando com o julgamento mais do que precipitado de que o italiano aproveitou a retirada da capitania de John Terry para abandonar o barco.
Assim como os detratores, não estou dentro da cabeça do técnico, mas não é difícil chegar à conclusão de que, a esta altura da carreira, Capello não precisa aderir a nenhuma dieta baseada em sapos. Sabemos que o posto de capitão é mais importante na Inglaterra do que noutras culturas, mas sua escolha sempre foi uma prerrogativa do treinador. Ao passar por cima do profissional, a FA deu motivo suficiente para a demissão. Não por acaso, a entidade aceitou o pedido na primeira reunião, mesmo sabendo que a Euro se aproxima. Ou seja, num pensamento inverso, também seria possível acusar a federação de usar da decisão sobre Terry para forçar a dispensa de Capello. Todavia, assim como o outro raciocínio, não há elementos para isso.
O mais curioso é notar que muitos fãs do futebol inglês acreditam piamente que a seleção é forte e que os maus resultados dos últimos anos se originam de um trabalho equivocado dos treinadores. Confundem a força da Premier League com a qualidade dos jogadores ingleses. Não aceitam os resultados medíocres colhidos nos últimos anos e sempre culpam os treinadores, raramente contestando a qualificação do grupo de atletas. Agora, mais uma vez, tentam colocar tudo na conta de Capello, mas se esquecem que ele detém o melhor aproveitamento (66,7%) da história do selecionado, superando até mesmo o lendário Sir Alf Ramsey (61,1%), campeão do mundo em 1966. No entanto, creio que desta vez essa tese não vai colar.    
Imagem: AFP

terça-feira, 29 de março de 2011

Enquete: Qual é a melhor seleção de todos os tempos?

Depois de perguntar aos amigos qual é o melhor time de todos os tempos, decidi emendar logo com a seguinte pergunta obrigatória: Qual é a melhor seleção de todos os tempos?
Embora a Seleção Brasileira tricampeã mundial em 1970 largue como favorita, há quem diga que a campeã de 1958 com Pelé e Garrincha foi melhor. Isso sem contar o Brasil de 1982 que até hoje tem sua derrota no Sarriá tida como uma das maiores injustiças dos deuses da bola.
Logicamente, nem só de Brasil vive o futebol de seleções. Assim, a Alemanha de Beckenbauer, a Holanda de Cruyff e a França de Zidane também não poderiam ficar de fora. E como não considerar o carrasco verde-amarelo em 1982? Sim, a Itália de Paolo Rossi era muito mais que um catenaccio bem executado. Quatro anos depois, Maradona e sua amada argentina também deixariam sua marca no Olimpo do futebol.
Passado e futuro também se encontram nesta enquete, na forma da poderosa Hungria de 1954 e da atual campeã Espanha. Por sua vez, a Inglaterra de 1966 comandada em campo pelo craque Bobby Charlton também pede passagem.
Para tentar responder a essa pergunta, peço aos amigos que utilizem a enquete ao lado, mas sem deixar de fazer os comentários de sempre neste post.
Obrigado.
Crédito da Imagem: IG