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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Lesão de Neymar expõe falhas na convocação

Poucas vezes uma convocação de Seleção Brasileira gerou tão pouca discussão como a do grupo escolhido por Luiz Felipe Scolari para a disputa da Copa do Mundo de 2014. Entre as ausências, a mais lamentada foi a de Miranda, um dos destaques do Atlético de Madrid na temporada recém-encerrada. Mesmo assim, o fato de o zagueiro ser apenas um potencial reserva da dupla formada por Thiago Silva e David Luiz serviu para atenuar os ânimos. Entre os jogadores presentes na lista, o versátil Henrique foi o mais questionado, tendo seu chamado condicionado quase que exclusivamente à confiança que recebe do técnico.

No entanto, alguns episódios ocorridos no Mundial têm indicado que as escolhas de Felipão talvez não tenham sido tão certeiras quanto se pensou. Da reserva de Luiz Gustavo à inoperância de Jô, passando pela pouca confiança em Hernanes e Bernard, as partidas mostraram um grupo que não oferece opções seguras para o Brasil. Quando o volante do Wolfsburg foi suspenso por ter recebido dois cartões amarelos, muitos se preocuparam com a possibilidade de Henrique – atuando como lateral direito no Napoli – jogar. No fim, o substituto Fernandinho cumpriu bem suas funções defensivas, ainda que suas características não incluíssem ser um terceiro zagueiro como a Seleção muitas vezes necessita. Naquele momento, este colunista se lembrou do já recuperado Lucas Leiva, volante preterido pelo subutilizado Hernanes.

No recente encontro de Scolari com alguns jornalistas, o treinador revelou que, se pudesse, substituiria um de seus atletas. Não disse quem, não disse por que e isso provocou uma onda de especulações. Ao contrário do que as poucas contestações iniciais possam sugerir, não faltam opções. Além de Henrique e Hernanes, Bernard e Jô poderiam ser trocados para que isso representasse um ganho para a Seleção. Admirado por seu comandante por sua “alegria nas pernas”, o meia-atacante não se firmou entre os titulares do Shakhtar Donetsk desde que deixou o Atlético Mineiro. Nesse período, Lucas Moura resgatou seu melhor futebol do Paris Saint-Germain e chamou a atenção por boas jogadas em altíssima velocidade em gramados franceses. Sem dúvida, uma arma que Felipão poderia usar contra o improvisado lateral esquerdo Höwedes no duelo Brasil x Alemanha.

Por sua vez, Jô daria lugar a um atacante de mais mobilidade que pudesse alterar a forma da equipe jogar. Aqui, cabe recordar Jonas, atacante do Valencia, que pode atuar tanto como segundo atacante, quanto no comando do ataque. Possivelmente, Diego Costa seria o nome ideal para essa mudança, mas como se sabe, o aríete ex-Atlético de Madrid, ao não se sentir prestigiado pelo técnico brasileiro, preferiu aceitar a oferta de Vicente Del Bosque para integrar a Seleção Espanhola.    


Porém, nada se compara ao cenário que se instalou quando a equipe médica que acompanhou Neymar ao Hospital São Carlos em Fortaleza anunciou que o atacante estava fora da Copa. Um clima de velório se abateu sobre o País pela perda do camisa 10, mas também pelo vazio na resposta sobre quem jogaria nesse caso. Até este momento, Willian é o mais cotado para a vaga, todavia, o meia do Chelsea não tem o peso necessário para diminuir o impacto da fatídica notícia. Se, por exemplo, Kaká estivesse no elenco, provavelmente recairia sobre ele a tarefa de substituir Neymar no esquema 4-4-1-1 atual. Com o experiente jogador em campo, mesmo longe do seu auge, haveria tanto um respeito maior dos adversários quanto uma diminuição da preocupação pela saída da maior referência do time. Contudo, dizem que Felipão preferiu contar com reservas que não provocassem clamor da torcida em situações difíceis. Infelizmente, neste momento, os gritos vindos das arquibancadas se tornaram o menor problema do técnico.

Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Foto: Getty Images

domingo, 29 de setembro de 2013

Contagem Regressiva: Setembro de 2013

Para um fanático por futebol, a Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Na órbita da Seleção
As próximas convocações do técnico Luiz Felipe Scolari serão determinantes para a formação do grupo que estará na Copa. A partir delas será possível apontar, com bom grau de exatidão, quais atletas têm mais ou menos chances de defender a camisa amarela no segundo Mundial a ser disputado em nosso território. Alguns nomes não são difíceis de imaginar. Durante a Copa das Confederações, Felipão montou uma base e todos que a compõe só perderão espaço em caso de lesão ou acentuada queda de rendimento. Neste momento, o time titular do Brasil é composto por Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Fred e Neymar. Uma equipe que pode variar do 4-2-3-1 para 4-3-3 e também para o 4-1-4-1, mas sempre com a marcação por pressão herdada dos tempos de Mano Menezes.
Do onze inicial, Júlio César e Fred são os que mais preocupam. O goleiro, atualmente na reserva do Queens Park Rangers, time da segunda divisão da Inglaterra, recupera-se de uma cirurgia no dedo médio da mão esquerda e já recebeu do técnico Harry Redknapp a senha para deixar o clube londrino assim que a janela de transferências for reaberta. Nesse caso, um retorno ao futebol brasileiro não está descartado. No que diz respeito ao centroavante, o histórico de lesões desperta o estado de alerta na comissão técnica. Em forma, Fred é titular, não resta dúvida. Caso não tenha condições, Jô deve ser a esperança de um ocupante da camisa 9 que tenha como maior característica ser o definidor de um time que trabalha com mais desenvoltura pelos lados do campo. A outra opção, Alexandre Pato, embora tenha o status de grande contratação do futebol brasileiro em 2013, ainda não rendeu o esperado no Corinthians. Por sua vez, Diego Costa, sensação da liga espanhola, segue marcando gols pelo Atlético de Madrid e pode aparecer em breve entre os convocados do espanhol Vicente Del Bosque caso não tenha espaço na lista de Scolari. De certo modo, isso significaria uma derrota estratégica do quase sempre matreiro técnico da Seleção.
Entre os reservas imediatos, Maicon, Ramires e Bernard são aqueles que têm mais chances de se tornarem titulares. Sobretudo o último, admirado pelo técnico brasileiro por ter “alegria nas pernas”, numa alusão ao seu futebol dinâmico, incisivo e cheio de dribles. Entre os convocados da última lista, ressurgem o goleiro Victor, o zagueiro Dedé e o volante Lucas Leiva que pareciam fora dos planos. Enquanto isso, nomes como Miranda, esteio da defesa do Atlético de Madrid, o promissor zagueiro Marquinhos do PSG e os talentosos meias Willian e Philippe Coutinho, este lesionado, seguem aguardando oportunidades.  
Os rivais
Em outubro, a Seleção Brasileira voltará a campo para enfrentar a Coreia do Sul (12) em Seul e o selecionado de Zâmbia (15) no Ninho de Pássaro, estádio construído especialmente para os Jogos Olímpicos de Pequim. Veja a seguir a lista dos convocados:
De olho na Copa
No último dia 21, a Confederação Brasileira de Futebol anunciou o calendário para o futebol em 2014 tendo em vista a realização da Copa do Mundo. Para acomodar o excessivo número de datas, a entidade antecipou o início dos campeonatos estaduais para o dia 12 de janeiro, o que provocou revolta geral com tamanho descaso com os jogadores que praticamente não teriam pré-temporada. Mobilizados, 75 atletas profissionais das séries A e B lançaram uma nota oficial pedindo uma reunião com a CBF para que o assunto seja tratado coletivamente. Além de figuras conhecidas como o goleiro Rogério Ceni do São Paulo, o meia Alex do Coritiba e o zagueiro Paulo André do Corinthians, assinaram o manifesto os convocados Alexandre Pato, Dedé e Diego Cavalieri. Enfim, os principais prejudicados pelo massacrante calendário brasileiro marcaram posição contra os abusos dos dirigentes. A primeira vitória, ainda que pequena, foi o adiamento em uma semana do início dos Estaduais. Que seja apenas o começo.
Confira abaixo o andamento das obras para o Mundial de 2014:         
Obras concluídas: Belo Horizonte, Brasília, Ceará, Recife, Rio de Janeiro e Salvador;
Apresentando atrasos: Cuiabá, Curitiba, Manaus, Porto Alegre e São Paulo;
Situação preocupante: Natal.
Fotos: Bruno Spada/Vipcomm e Agência Estado
Arte: Editoria globoesporte.com

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Timaço, mas é apenas um esboço.

A menos de oito meses para os Jogos Olímpicos de Londres, Mano Menezes nunca conseguiu reunir a Seleção Brasileira sub-23. No máximo, convocou alguns atletas dessa faixa etária para integrar o time principal. Dentre eles, estão nomes como Neymar, Ganso e Leandro Damião que têm tudo para serem titulares do Brasil na Copa de 2014. Nenhum integrante da comissão técnica afirmou, mas, assim como em 2008 com o técnico Dunga, está claro que a equipe olímpica não é prioridade dentro do trabalho.
Mesmo assim, com base nos jovens convocados até o momento, é possível escalar um time forte que, reforçado em alguns pontos por jogadores acima dos 23 anos, mostra que além de ser uma boa geração é possível conquistar a medalha de ouro. Neste momento, acredito que os 18 convocados seriam:  
Goleiros: Neto (Fiorentina) e Rafael (Santos);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Bruno Uvini (São Paulo) e Thiago Silva (Milan);
Laterais: Alex Sandro (Porto) e Danilo (Santos), Fabio (Manchester United);
Volantes: Lucas Leiva (Liverpool), Rômulo (Vasco) e Sandro (Tottenham);
Meias: Lucas Moura (São Paulo), Oscar (Internacional), Paulo Henrique Ganso (Santos);
Atacantes: Alexandre Pato (Milan), Kleber (Porto), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Santos).  
Em itálico, David Luiz, Thiago Silva e Lucas Leiva são os jogadores acima dos 23 anos. Não há nada que os indique, mas a defesa central foi um dos setores menos experimentados por Mano Menezes, enquanto o volante do Liverpool sempre foi um dos nomes de confiança do treinador. Deste modo, Mano poderia escalar o seguinte onze inicial:
Não resta dúvida de que, no papel, trata-se de um timaço. Entretanto, sem a devida preparação, só saberemos do que essa equipe é capaz em Londres.