A informação
veio como um choque: Com uma fratura na terceira vértebra lombar, Neymar está
fora da Copa do Mundo. Naquele momento, as comemorações pela classificação para
a semifinal e a vitória sobre a Colômbia perderam parte do sentido. Justamente após
a melhor apresentação brasileira no Mundial, o principal jogador da Seleção não
estará presente no duelo contra a Alemanha e nem numa eventual final. Complicado
mensurar o tamanho da perda.
Aos poucos, olhando
para trás, surgem exemplos de como ausências de grandes jogadores foram
superadas ou se tornaram fatais para suas equipes. Nesta Copa, o Uruguai provou
desse desgosto ao perder o astro Luis Suárez suspenso. Com o atacante em campo,
vitórias sobre Inglaterra e Itália. Sem o artilheiro do Liverpool, derrotas
para a surpreendente Costa Rica e para a sensação Colômbia, o que resultou em
eliminação. Indo mais longe, é histórica a maneira como o jovem Amarildo substituiu
Pelé em 1962 ajudando o Brasil a conquistar seu segundo título.
Outra
ausência que o técnico Luiz Felipe Scolari vai precisar contornar é a do capitão
Thiago Silva. Com dois cartões amarelos, o zagueiro está fora da semifinal. No
entanto, Dante, seu provável substituto, pode cumprir difícil missão. Defensor
de bom nível, o atleta do Bayern de Munique está acostumado a enfrentar
jogadores alemães na Bundesliga, além de conviver com diversos nomes da Nationalmannschaft em seu próprio clube.
Vale lembrar que a Alemanha também lamenta a perda de Marco Reus, então seu
melhor atacante, com a crucial diferença de contar com diversos jogadores que
atuam pela mesma faixa do gramado. Talvez a melhor comparação com a perda de
Neymar seja a do meio-campista Michael Ballack, desfalque na final de 2002 diante
do mesmo Brasil, ainda que o goleiro Oliver Kahn fosse o mais badalado.
A princípio, Willian deve ser o escolhido para a
vaga do camisa 10 brasileiro. O meia do Chelsea tem treinado na função e aproveita
o entrosamento com o companheiro Oscar. Com a alteração, a Seleção Brasileira deve
perder em profundidade ofensiva, porém, pode ver seu meio-campo, setor mais
preocupante no Mundial, se encorpando mais. Com o retorno do volante Luiz
Gustavo, Felipão também dispõe da opção de tornar o time mais físico para combater
o forte trio formado por Khedira, Schweinsteiger e Kroos. Seja qual for o
escolhido, o certo é que a Seleção terá onze jogadores em campo na próxima
terça-feira, ainda que num primeiro instante a sensação seja a de que perdeu
meio time.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Eitan
Abramovich/AFP
