A apertada vitória por 3x2 sobre Honduras, assegurou a Seleção Brasileira entre as equipes que disputarão medalhas nos Jogos Olímpicos de Londres. No entanto, como este blog havia tratado, o Brasil ainda está longe de apresentar um bom jogo coletivo. Assim como na vitória sobre a Bielorússia, os comandados de Mano Menezes não conseguiram criar muitas tramas a abusaram dos levantamentos na área e das ações individuais.
Placares à parte, impressiona como o time não apresenta evolução tática mesmo depois de uma considerável sequência de partidas. Se somarmos os cinco amistosos às partidas no torneio olímpico, teremos nove jogos e um bom período de treinos em que pouco, além de uma ideia, foi mostrado. E a questão é: Essa ideia está correta?
Reza a lenda que a Seleção Brasileira quase sempre teve defesas ruins, mas compensadas por um ótimo ataque. Bobagem. Em Copas do Mundo, o Brasil divide com a Itália a condição de melhor defesa da história da competição e viu seu ataque marcar mais gols do que qualquer outro país. Olhar para a defesa, se não era uma obsessão, sempre foi uma preocupação brasileira. Inclusive, se fosse possível resumir nossos conceitos futebolísticos não escritos, diria que nossa defesa e marcação sempre foram vistas como a base para os talentos individuais fluírem com liberdade. E talvez esteja nesse ponto o maior equívoco do atual time olímpico.
Historicamente, marcar à frente nunca foi uma característica do futebol brasileiro. Por formação, nossos jogadores mais talentosos podem até contribuir com a marcação, mas não são especialistas nisso. Em consequência, a pouca aptidão para essa função faz com que se abram latifúndios na retaguarda que qualquer equipe mais qualificada transpõe sem muita dificuldade. Um perfil de rival que, ao contrário do que vem acontecendo nos Jogos, certamente não estará em falta na Copa.
Nesse raciocínio, até o argumento de que os adversários de 2014 se postarão atrás pode ser contraposto quando lembramos que o Brasil sempre rompeu defesas baseando-se na criatividade e no talento e não na marcação alta. Era justamente dessa qualidade que o competitivo time de Dunga se ressentia. Da maneira como vem atuando, vencendo sem convencer, o Brasil pode até ser campeão olímpico. Todavia, estará muito distante de apresentar um futebol capaz de ser hexacampeão mundial.
Imagem: Reuters




















