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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Palpites para as Oitavas-de-final da UEFA Champions League 2012/13

A UEFA sorteou em Nyon, Suíça, os confrontos das oitavas-de-final da UEFA Champions League 2012/13. No direcionamento do sorteio, equipes que se enfrentaram na fase de grupos ou do mesmo país não podem ser alinhadas no chaveamento.
Como já se tornou tradição no blog “Além das Quatro Linhas” chegou o momento de uma breve análise dos embates e de apontar os favoritos (em negrito) em cada duelo onde os primeiros colocados de cada grupo aparecem na primeira posição:
Schalke 04 x Galatasaray – Talvez o confronto com maior grau de imprevisibilidade desta fase. Contudo, a demissão do técnico Huub Stevens mostra que o momento do Schalke não é dos melhores. Portanto, a aposta é que a equipe do brasileiro Felipe Melo pode repetir o feito do rival Fenerbahçe em 2008 e também alcançar as quartas;
Juventus x Celtic – Aqui o favoritismo é todo da Vecchia Signora. Consistente, o time comandado por Antonio Conte conheceu poucas derrotas na temporada e ainda está invicto na UEFA Champions League. Passa a Juve;
Bayern x Arsenal – Em comparação com a temporada passada, é possível dizer que o Bayern melhorou enquanto o Arsenal caiu de produção com a saída de jogadores como Song e, sobretudo, Van Persie. Amplo favoritismo alemão;
Borussia Dortmund x Shakhtar Donetsk – Duelo das equipes que mostraram o futebol mais atraente da fase de grupos. Como está a alguma distância da disputa pelo título da Bundesliga, é provável que os aurinegros foquem a disputa continental para quem sabe alcançar sua primeira final desde 1997;  
Barcelona x Milan – Duas das agremiações mais vencedores do planeta se reencontram em situação totalmente diversa. Enquanto o Barça lidera La Liga com folga, só agora os Rossoneri dão sinais de recuperação na Serie A. E, com a atual fase de Messi, não há muito que pensar na hora de apontar o provável classificado;
Manchester United x Real Madrid – Sem dúvida, o confronto mais “pesado” desta fase. Em termos de elenco, os Merengues levam. Por outro lado, o momento vivido pela equipe de José Mourinho é o mais turbulento desde a sua chegada. Mesmo assim, aposto na consistência, sobretudo do meio-campo, do time espanhol;
Paris Saint-Germain x Valencia – Campeão do grupo A, o PSG possui um dos elencos mais fortes da Europa e ainda receberá reforços na próxima janela de transferências. O primeiro deles já foi anunciado: Lucas, ex-São Paulo. Enquanto isso, na 11ª posição do campeonato espanhol e de técnico (Ernesto Valverde) recém-contratado, o Valencia ainda procura se organizar. Portanto, avança o time de Carlo Ancelotti;   
Málaga x Porto – Apesar da primeira colocação num grupo que continha Milan e Zenit, o Málaga deve sentir a experiência internacional do Porto. Favoritismo português neste último duelo.
Na ocasião, aproveitei para eleger minha equipe ideal do ano de 2012 que, depois de pronta, notei que havia bastante diversidade nas escolhas. A Espanha foi o único país a ter mais de um representante com os barcelonistas Jordi Alba e Andrés Iniesta. Confira abaixo meu “XI ideal” que teria o comando de Vicente Del Bosque:
E para você, quais são os favoritos em cada confronto?

Foto: AFP

domingo, 15 de julho de 2012

Bota pra vender!

Neste momento, a contratação de Thiago Silva pelo Paris Saint-Germain já é oficial e a de Zlatan Ibrahimovic parece apenas questão de tempo. Enquanto o jogador sueco acerta suas bases salariais com o clube francês, as principais dúvidas pairam sobre o que restou do Milan. Sem seus dois principais nomes e sem a perspectiva de reposição à altura, o Rossonero transmite a mensagem de que a partir de agora seu patamar é outro. Obviamente, tal declínio não aconteceu de uma hora para outra. Trata-se de um duradouro processo que também corrói o futebol italiano e que, no caso do Milan, pode ter seu início apontado quando da negociação de Kaká com o Real Madrid.
Ao que tudo indica, o proprietário Silvio Berlusconi não pretende mais despejar seus milhões na associação como fazia no passado. Seguindo a premissa do financial fair play de que o clube deve ser auto-sustentável, o ex-primeiro ministro tenta reequilibrar as contas sem abrir a carteira, algo que, logicamente, não funcionaria do dia para a noite, ainda mais numa liga em franca decadência como a Serie A. Outra questão é que as agremiações da Bota estão mal-acostumadas com mandatários generosos que torram seu dinheiro pelo simples prazer de possuir um time de futebol. Sem contar que a própria estrutura do Calcio ainda não está preparada (leia-se, modernizada) para andar com as próprias pernas.
Nesse cenário, seria conveniente analisar se não chegou o momento de Berlusconi negociar o clube de via Turati. Nos últimos anos, o magnata recebeu propostas para vender todo ou pelo menos uma parte do Milan e sempre se recusou a abrir conversas. Todavia, com uma torcida há tantos anos acostumada a ter um grande time e possuir atletas de renome, é evidente que a saída de dois jogadores fundamentais seria vista como enfraquecimento e que a reação não seria das melhores. O certo que o Campeonato Italiano perde força e prestígio a cada dia e o redimensionamento de um de seus maiores clubes é um nítido reflexo desse momento. Como se diz por aqui, o último que sair apague a luz.
EFE

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Ganso não é tudo isso.

É oficial: O Santos abriu mão da compra dos 10% dos direitos econômicos do meia Paulo Henrique Ganso que pertenciam ao atleta e permanece detentor de apenas 45% do total. Agora, a empresa DIS se tornou parte majoritária (55%) numa futura negociação do jogador do Santos, embora isso não signifique que uma possível transação acontecerá em breve, uma vez que os direitos federativos ainda são do campeão sul-americano.
De fato, não é surpresa a falta de interesse do clube da Baixada em adquirir um percentual maior de Ganso. Além de problemático, o jogador não tem propostas reais da Europa e passou boa parte dos últimos 18 meses no departamento médico. Mesmo assim, o presidente Luis Alvaro Ribeiro segue afirmando que não pretende negociá-lo e conta com seu futebol até fevereiro de 2015, mês que marca o término de seu contrato.
Tratado como “ave rara” no Brasil, Ganso é um dos últimos representantes dos quase extintos meias clássicos, tipo de jogador que ainda faz os olhos brilharem por aqui. O porte esguio, o passe refinado e a visão de jogo remetem aos antigos armadores que eram marca registrada das equipes do passado. Em forma, o camisa 10 seria o maestro da Seleção Brasileira na Copa de 2014. Para os saudosistas, não existe coisa melhor.
Particularmente, não o vejo assim. Até me surpreendo quando ouço alguém dizendo que ele é melhor do que Neymar. Lógico que Ganso é um bom jogador, extremamente técnico e inteligente com a bola nos pés, mas não é muito mais do que isso. Falta-lhe intensidade sem a bola e profundidade para chegar ao ataque com mais contundência. Atento a isso, o técnico Muricy Ramalho disse que vem orientando o meia a se aproximar mais da área, bater mais a gol, porém, ainda falta muito para que ele se torne o que muitos imaginam que ele já é.
Mal comparando, Ganso me lembra o argentino Riquelme que fracassou no Barcelona por necessitar de um esquema tático que lhe desse toda a liberdade para criar sem precisar marcar. Um tipo de luxo que nenhum grande clube pretende oferecer. Não por acaso, enquanto Real Madrid e Barcelona oferecem mundos e fundos ao habilidoso e goleador Neymar, as propostas de Milan, Inter e PSG por Ganso nunca se concretizaram.
O pouco interesse do mercado internacional se deve, sobretudo, a seu estilo anacrônico. Enquanto meias como Xavi e Iniesta são extremamente dinâmicos, o paraense é daqueles que acredita que um craque não precisa correr atrás de ninguém. Com essa convicção, não passou de um espectador na final do Mundial de Clubes contra o Barça. Ali, deve ter visto como os meio-campistas modernos devem atuar. Humilde, Neymar disse que aprendeu suas lições. Será que Ganso fez o mesmo?
Foto: Miguel Schincariol/Lancenet