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sábado, 15 de agosto de 2015

Entendendo a convocação

Entrevistas coletivas com treinadores não costumam ser fáceis de interpretar. Sempre existirá a intenção do profissional de não trazer à tona todos os aspectos que cercam sua equipe e, por parte da mídia, informações que se convertam em manchetes se tornaram mais requisitadas do que as notícias sobre o esporte em si. Trata-se então de outro jogo, este travado fora das quatro linhas, algo que no caso de Dunga se torna mais ainda disputado devido ao histórico de rusgas do técnico com a imprensa esportiva desde os tempos de jogador.
Portanto, entender todas as decisões que culminaram na convocação dos 24 nomes para os amistosos da Seleção Brasileira diante da Costa Rica (5 de Setembro em Boston) e Estados Unidos (8 de setembro em Nova Jersey) não é uma tarefa simples, uma vez que ficou evidente que, ao contrário do que disse Dunga, as decisões não seguiram uma linha exclusivamente técnica. Para facilitar o trabalho, vamos dividir as observações pelas posições da lista divulgada na última quinta-feira:
Goleiros: Alisson (Internacional), Jefferson (Botafogo) e Marcelo Grohe (Grêmio);
Na meta, Jefferson e Marcelo Grohe mantêm a confiança do treinador enquanto Diego Alves se recupera de séria lesão nos ligamentos do joelho direito. Contudo, Dunga revelou a alguns jornalistas após a coletiva que deve conceder a titularidade a Grohe visando testes para as Eliminatórias. Falando no gremista, chamou a atenção o chamado dos goleiros da dupla Gre-Nal, fato inédito em toda história da Seleção. Aos 22 anos e muito seguro, Alisson possivelmente será uma das apostas do técnico para os Jogos Olímpicos de 2016.  
Zagueiros: David Luiz (PSG), Gabriel Paulista (Arsenal), Marquinhos (PSG) e Miranda (Internazionale de Milão);
Os zagueiros são um caso à parte. As convocações anteriores mostraram que David Luiz, Marquinhos e Miranda estão entre os preferidos do treinador, mas a ausência de Thiago Silva diz muito sobre a nova lista. No entanto, ao contrário do que escreve o ex-jogador Juninho Pernambucano em seu perfil no Twitter, acredito que a exclusão está muito mais ligada ao conjunto da obra do que ao pênalti cometido na eliminação para o Paraguai na Copa América. Defensor experiente, Thiago vem demonstrando sistematicamente uma instabilidade emocional, no mínimo, preocupante desde o Mundial. Por enquanto, ao contrário de Maicon, não é possível afirmar que chegou o fim da linha para ele, porém, ficou bastante claro que a confiança foi momentaneamente perdida.
Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Danilo (Real Madrid), Douglas Santos (Atlético) e Filipe Luis (Atlético de Madrid);
Assim como ocorre com os centrais, as laterais também abrem um bom espaço para debate. Mesmo com as críticas à capacidade dos treinadores brasileiros, Daniel Alves permaneceu entre os chamados, assim como Filipe Luis, consolidado como titular da lateral esquerda. Recuperado da lesão que o tirou da Copa América, Danilo volta ao grupo. Destaque no Atlético Mineiro e com idade olímpica, Douglas Santos completa o setor. O que chama a atenção, entretanto, são as ausências. Uma eterna incógnita em termos de Seleção, Marcelo, aparentemente, continua fora dos planos. É possível que o estilo mais ousado seja um problema num time que tenta se estabelecer defensivamente, mas a relação do vice-capitão do Real Madrid com os técnicos recentes do Brasil nunca foi das melhores. Outra ausência notável é a de Geferson do Internacional. Convocado para a Copa América, o lateral surpreendeu a todos que esperavam nomes mais consolidados. Sem nenhuma aparição no torneio, também não figura entre os alas chamados na última sexta-feira para a Seleção Sub-23. Realmente, o caso mais estranho neste retorno de Dunga.         
Volantes: Elias (Corinthians), Fernandinho (Manchester City), Luiz Gustavo (Wolfsburg) e Ramires (Chelsea);
Ao que tudo indica, Dunga não viu na Copa América os mesmos problemas constatados por este colunista. Afinal, embora a transição defensiva seja um processo coletivo, os volantes escolhidos deixaram muito a desejar nessa tarefa. Esperava-se agora a opção por centro-campistas capazes de distribuir o jogo com mais fluidez. Todavia, as escolhas recaíram sobre Elias e Ramires que são muito mais condutores/infiltradores do que passadores. Por outro lado, o retorno de Luiz Gustavo deve ser celebrado por sua maior presença física em campo e bom passe. Pelo que depender de Dunga, o volante do Wolfsburg será titular até o Mundial da Rússia.    
Meias: Kaká (Orlando City), Lucas Lima (Santos), Oscar (Chelsea) e Willian (Chelsea);
Dentre os diversos equívocos de Felipão antes e durante a Copa do Mundo estava a ausência de alguém capaz de dividir a responsabilidade com Neymar. Desnecessário explicar por que isso foi um complicador diante da Alemanha. No entanto, chamar o meia do Orlando City, neste momento, é discutível. Está certo que os jovens da Seleção precisam de uma referência, mas se isto estiver custando a vaga de Philippe Coutinho – um dos poucos capazes de suprir Neymar em termos de talento – alguma coisa está errada. Sem falar que a presença de Kaká em amistosos nos EUA num momento em que se contesta a interferência de patrocinadores na Seleção não pega nada bem. De positivo, o retorno de Oscar e o primeiro teste de Lucas Lima, um dos melhores meias do futebol brasileiro na atualidade.   
Atacantes: Douglas Costa (Bayern de Munique), Hulk (Zenit), Lucas (PSG), Neymar (Barcelona) e Roberto Firmino (Liverpool).
Não ocorreu desta vez a volta de Alexandre Pato à Seleção. Mesmo com as exclusões de atletas que militam na China e no Oriente Médio, Dunga preferiu incluir Hulk e Lucas Moura e a manutenção de Roberto Firmino e Douglas Costa, este em ótima fase no Bayern de Munique. Inclusive, assim como houve na Copa América, não há nenhum centroavante típico entre os convocados. Recuperando-se de caxumba e suspenso nas duas primeiras partidas das Eliminatórias, Neymar é o 24º jogador da lista e, assim como Kaká, uma presença que levanta dúvidas sobre ingerências na convocação. Não que este colunista duvide da honestidade de Dunga, mas técnico de Seleção é como mulher de César: Não basta ser honesto é preciso parecer honesto.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol
Crédito da imagem: Getty

domingo, 5 de outubro de 2014

Transição e renovação

Não existe fórmula exata para se promover a renovação de uma seleção. Cada treinador adota as medidas que julga necessárias de acordo com as circunstâncias e suas convicções. Além disso, antes mesmo de se pensar em renovação, é preciso promover a transição entre gerações para que não haja uma lacuna entre jogadores jovens e experientes. Em 2002, Parreira teve a paciência necessária para incorporar novos talentos ao grupo pentacampeão, mas errou ao não identificar focos de desinteresse nas grandes estrelas antes do Mundial de 2006. Em seguida, Dunga respondeu forte ao pedir comprometimento, porém, falhou ao se apegar demasiadamente aos atletas que lhe deram suporte durante a trajetória até a África do Sul. Por sua vez, Mano Menezes cometeu o pecado de romper com tudo o que seu antecessor havia feito, apostou na juventude e caiu sem encontrar seu time ideal.
Quanto a Felipão, sua chegada sempre foi mais uma medida política e uma tentativa de recolocar a Seleção Brasileira nos trilhos do que uma decisão estratégica. Embora não possa ser responsabilizado por tudo o que ocorreu na última Copa, ficou evidente logo no início do torneio que a fórmula da vontade acima da organização dificilmente vingaria no futebol atual. Por seu estilo aguerrido dentro e fora de campo, muitos acreditam que Dunga reza a mesma cartilha, todavia, sua primeira passagem foi marcada muito mais pelo pragmatismo do que por um estilo “vamo-que-vamo”. Sua Seleção poderia ser criticada pela falta de ideias, não pela falta de organização. De certo modo, seu estilo pode ser comparado ao do argentino Diego Simeone. O que não é, necessariamente, um elogio.
Dunga é um obcecado por vitórias. Em seu dicionário, jogar bem é vencer e marcar época significa conquistar títulos. Talvez por isso não entenda por que a Seleção de 1982 é adorada mesmo sem ter vencido nada. Deste modo, não surpreende a iniciativa de trazer de volta à pauta jogadores que dificilmente chegarão com fôlego a 2018. A presença de nomes como Maicon, Elias, Robinho e agora Kaká nas duas primeiras convocações indica que a preocupação com o presente é grande. Embora não tenha deixado nada explícito, Dunga quer espantar logo o fantasma dos 7 x 1. Não por acaso, levará o que tem de melhor para pegar a Argentina e sinalizou positivamente para futuros amistosos contra a Alemanha.
Mesmo diante dessa constatação, a iniciativa chama a atenção. Aos 32 anos e com passagem marcada para defender o Orlando City, é pouco provável que Kaká siga como um atleta de nível de Seleção por muito tempo. Bem mais jovem e vivendo boa fase, Ganso seria uma opção que faria mais sentido tanto pela idade quanto por suas características. Neste momento, o Brasil não tem nenhum meia capaz de cadenciar o jogo. Mesmo que o time idealizado por Dunga não tenha como objetivo reter mais a bola, não deixa de ser interessante ter alguém como o são-paulino como alternativa.
Paralelamente, também existe a percepção de que o radar da comissão técnica segue atento a novos valores. Chamado preventivamente por causa da lesão de Jefferson, o goleiro Marcelo Grohe vem se apresentando em grande forma no Grêmio. Convocados depois dos cortes de Marquinhos, Ramires e Fernandinho, o zagueiro Juan Jesus e os volantes Souza e Rômulo fazem parte de um perfil de renovação. Apesar de Juan ser um defensor não mais que razoável, Souza e Rômulo são opções bastante auspiciosas do comandante brasileiro, uma vez que são exemplos típicos de volantes capazes de marcar e atacar com eficiência, seguindo a tendência mundial. O que indica que, além do momento, Dunga também olha para o futuro.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Getty Images

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Lesão de Neymar expõe falhas na convocação

Poucas vezes uma convocação de Seleção Brasileira gerou tão pouca discussão como a do grupo escolhido por Luiz Felipe Scolari para a disputa da Copa do Mundo de 2014. Entre as ausências, a mais lamentada foi a de Miranda, um dos destaques do Atlético de Madrid na temporada recém-encerrada. Mesmo assim, o fato de o zagueiro ser apenas um potencial reserva da dupla formada por Thiago Silva e David Luiz serviu para atenuar os ânimos. Entre os jogadores presentes na lista, o versátil Henrique foi o mais questionado, tendo seu chamado condicionado quase que exclusivamente à confiança que recebe do técnico.

No entanto, alguns episódios ocorridos no Mundial têm indicado que as escolhas de Felipão talvez não tenham sido tão certeiras quanto se pensou. Da reserva de Luiz Gustavo à inoperância de Jô, passando pela pouca confiança em Hernanes e Bernard, as partidas mostraram um grupo que não oferece opções seguras para o Brasil. Quando o volante do Wolfsburg foi suspenso por ter recebido dois cartões amarelos, muitos se preocuparam com a possibilidade de Henrique – atuando como lateral direito no Napoli – jogar. No fim, o substituto Fernandinho cumpriu bem suas funções defensivas, ainda que suas características não incluíssem ser um terceiro zagueiro como a Seleção muitas vezes necessita. Naquele momento, este colunista se lembrou do já recuperado Lucas Leiva, volante preterido pelo subutilizado Hernanes.

No recente encontro de Scolari com alguns jornalistas, o treinador revelou que, se pudesse, substituiria um de seus atletas. Não disse quem, não disse por que e isso provocou uma onda de especulações. Ao contrário do que as poucas contestações iniciais possam sugerir, não faltam opções. Além de Henrique e Hernanes, Bernard e Jô poderiam ser trocados para que isso representasse um ganho para a Seleção. Admirado por seu comandante por sua “alegria nas pernas”, o meia-atacante não se firmou entre os titulares do Shakhtar Donetsk desde que deixou o Atlético Mineiro. Nesse período, Lucas Moura resgatou seu melhor futebol do Paris Saint-Germain e chamou a atenção por boas jogadas em altíssima velocidade em gramados franceses. Sem dúvida, uma arma que Felipão poderia usar contra o improvisado lateral esquerdo Höwedes no duelo Brasil x Alemanha.

Por sua vez, Jô daria lugar a um atacante de mais mobilidade que pudesse alterar a forma da equipe jogar. Aqui, cabe recordar Jonas, atacante do Valencia, que pode atuar tanto como segundo atacante, quanto no comando do ataque. Possivelmente, Diego Costa seria o nome ideal para essa mudança, mas como se sabe, o aríete ex-Atlético de Madrid, ao não se sentir prestigiado pelo técnico brasileiro, preferiu aceitar a oferta de Vicente Del Bosque para integrar a Seleção Espanhola.    


Porém, nada se compara ao cenário que se instalou quando a equipe médica que acompanhou Neymar ao Hospital São Carlos em Fortaleza anunciou que o atacante estava fora da Copa. Um clima de velório se abateu sobre o País pela perda do camisa 10, mas também pelo vazio na resposta sobre quem jogaria nesse caso. Até este momento, Willian é o mais cotado para a vaga, todavia, o meia do Chelsea não tem o peso necessário para diminuir o impacto da fatídica notícia. Se, por exemplo, Kaká estivesse no elenco, provavelmente recairia sobre ele a tarefa de substituir Neymar no esquema 4-4-1-1 atual. Com o experiente jogador em campo, mesmo longe do seu auge, haveria tanto um respeito maior dos adversários quanto uma diminuição da preocupação pela saída da maior referência do time. Contudo, dizem que Felipão preferiu contar com reservas que não provocassem clamor da torcida em situações difíceis. Infelizmente, neste momento, os gritos vindos das arquibancadas se tornaram o menor problema do técnico.

Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Foto: Getty Images

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Manobra arriscada

A notícia da demissão do técnico Mano Menezes caiu como uma bomba nesta sexta-feira. Embora seus resultados à frente da Seleção Brasileira não fossem os melhores, a sensação geral era a de que, aos poucos, o time estava entrando nos trilhos. Após romper com toda a base construída pelo antecessor Dunga, Mano fez diversas escolhas questionáveis, mudou de rota algumas vezes, não conquistou bons resultados, mas, mesmo assim, dava sinais de que estava encontrando uma forma de jogar e uma espinha dorsal.
O ano de 2012 se encerra com a Seleção atuando de uma forma semelhante às de grandes equipes do futebol mundial, com volantes que sabem jogar, evitando quebrar a saída de bola e com um ataque técnico e habilidoso. Se o balanço geral desses quase dois anos e meio não é positivo, pelo menos, indicava que havia um caminho a ser seguido. Sendo assim, por que a mudança?
Como escreve Juca Kfouri, ao que tudo indica, a troca tem um viés muito mais político do que técnico. Dizem também que a demissão é uma maneira de enfraquecer o diretor Andrés Sanchez nos bastidores da CBF. Se assim for, a iniciativa é ainda mais perigosa do que parece. Restando menos de dois anos para o Mundial, romper com um trabalho que agora dá frutos é uma medida bastante temerária.
Queira ou não, a vinda de um novo treinador dificilmente garantirá a sequência do trabalho. Mesmo que a mentalidade do escolhido seja parecida com a de Mano Menezes, provavelmente haverá a troca de alguns ou de muitos jogadores. Exemplos: E se o novo técnico considerar preocupante o fato de Diego Alves não ser titular absoluto do Valencia? E se enxergar David Luiz como um zagueiro instável? E se tiver preferência por um volante de mais pegada no meio-campo? E se não contar com Kaká? E se não gostar de Neymar atuando como o homem mais adiantado do time?  
Perguntas não faltam, mas respostas sim. E a primeira é o nome do novo comandante. No momento, os especulados são Tite, Muricy Ramalho e Luiz Felipe Scolari. Destes, o primeiro seria a aposta mais sensata, o segundo seria um retrocesso em termos conceituais e o terceiro é a velha aposta no que já deu certo um dia. Uma quarta opção, que beira o improvável, seria a contratação de Pep Guardiola. Improvável, sobretudo, porque o ex-Barcelona não parece interessado em assumir trabalhos pela metade e já declarou que não vê como ideal um estrangeiro assumindo um selecionado. Para o futebol brasileiro, a vinda de Pep poderia significar um sopro de ar fresco numa estrutura fechada e empoeirada. No entanto, essa não parece ser uma preocupação da entidade que define os rumos desse esporte.
Crédito da imagem: Ivo Gonzalez / O Globo

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Contagem Regressiva: Outubro de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Seleção encontra um caminho
Apesar de ter sido apenas um amistoso, Brasil 4x0 Japão foi uma partida auspiciosa para a Seleção Brasileira. Diante de um bom adversário, não mais do que isso, a Seleção Canarinho se comportou bem, venceu com autoridade e deu a torcedores e imprensa um sinal de que o técnico Mano Menezes pode ter encontrado um caminho a ser seguido.
Escalada num sistema 4-2-3-1, a Seleção apresentou a manutenção da dupla Paulinho-Ramires, dois volantes capazes de marcar e sair para o jogo com qualidade, Kaká formando uma linha de três de muita mobilidade com Hulk e Oscar, deixando Neymar mais à frente. Aqui, vale ressaltar a movimentação do santista, saindo da área, abrindo espaços para quem vinha de trás e servindo seus companheiros. De certo modo, Mano montou um time novo, mais leve e que espelha melhor as referências técnicas e táticas do futebol atual.
Logicamente, é preciso ter calma antes de afirmar que esta Seleção já está pronta para desafios mais pesados. O sistema defensivo - com dois volantes que saem muito para o jogo, laterais que não marcam tão bem e meias pouco combativos - ainda não foi testado e o ataque ainda precisa se deparar com adversários mais fortes. No entanto, é difícil não ver a fluidez mostrada contra os japoneses com bons olhos.
Os rivais
Falando em oponentes mais fortes, a Colômbia, adversária do próximo dia 14, tem tudo para ser um desses. Contando com sua melhor geração desde Rincón/Valderrama/Asprilla, los Cafeteros ocupam a terceira colocação das Eliminatórias Sul-Americanas e têm tudo para ser um adversário perigoso para o Brasil. Os principais destaques são o volante Fredy Guarín, da Internazionale, o talentosíssimo meia-atacante James (pronuncia-se “Rames”) Rodríguez, do Porto, além do astro Radamel Falcao Garcia, um dos centroavantes mais perigosos da atualidade e que vem marcando gol atrás de gol com a camisa do Atlético de Madrid.
Para o duelo diante da equipe comandada por José Pékerman, o técnico Mano Meneses terá à disposição os seguintes jogadores:
Goleiros: Diego Alves (Valencia) e Jefferson (Botafogo);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Leandro Castán (Roma), Réver (Atlético Mineiro) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Adriano (Barcelona), Alex Sandro (Porto) e Daniel Alves (Barcelona);
Volantes: Arouca (Santos), Paulinho (Corinthians), Ramires (Chelsea) e Sandro (Tottenham);
Meias: Giuliano (Dnipro), Kaká (Real Madrid), Lucas Moura (São Paulo), Oscar (Chelsea) e Thiago Neves (Fluminense);
Atacantes: Hulk (Zenit), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Santos).       
De olho na Copa
Como era de se esperar, os gastos com a construção do Itaquerão, palco de abertura da Copa Mundo de 2014, devem alcançar a cifra de R$ 1 bilhão, segundo o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Inicialmente, o orçamento da obra previa que os gastos girassem em torno de R$ 780 milhões. Após a péssima repercussão do caso, o clube paulista emitiu nota oficial informando que a arena custará “apenas” R$ 820 milhões.   
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagens: CBF e Reuters

sábado, 13 de outubro de 2012

Noves fora

Ao que tudo indica, a iniciativa de Mano Menezes de testar a Seleção Brasileira sem um centroavante está deixando de ser apenas uma alternativa para alguns jogos para se tornar a primeira opção do técnico. Obviamente, essa possibilidade surgiu a partir do momento em que os jogadores da posição não renderam o esperado, embora isso não signifique que um homem de área não possa entrar em campo caso a partida assim necessite.
Do mesmo modo, essa concepção de jogo não parece ter sido fruto de intensa reflexão do treinador, mas resultado de diversos testes – entre jogadores e sistemas – realizados nesses dois anos de trabalho. Foi quase um achado, por assim dizer. Todavia, mesmo que tenha alguma dose de acidental, a verdade é que a Seleção está encontrando sua melhor movimentação ofensiva justamente ao alinhar jogadores capazes de se deslocar rapidamente e encontrar espaços nas defesas adversárias.
Na vitória por 6 a 0 sobre a frágil seleção do Iraque, Mano escalou Neymar à frente de uma linha de três composta por Hulk, Oscar e pelo reestreante Kaká que foi bem. Isso na teoria, pois na prática o time não guardou posição e muitas vezes a joia santista saiu da área para criar jogadas, enquanto Oscar e os outros vinham de trás para concluir os lances. Logicamente, essa nova formação carece de testes mais pesados, porém, as primeiras impressões são positivas.
O que também é inevitável é a imediata comparação com a Seleção Brasileira de 1970 que também não tinha um jogador mais fixo à frente, mas tinha no craque Tostão seu homem mais adiantado, enquanto Pelé partia do meio-campo e Jairzinho entrava em diagonal pela direita. Cabe esclarecer, porém, que não se trata de comparar um selecionado em formação com um dos maiores esquadrões de todos os tempos. Contudo, não deixa de ser um exemplo de que não é impossível atuar dessa forma.
Imagem: Yahoo

domingo, 30 de setembro de 2012

Contagem Regressiva: Setembro de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
O que aproveitar dos amistosos contra a Argentina
Pensando no inchado calendário do futebol brasileiro, o melhor era que o chamado “Superclássico das Américas” não existisse. Além de Brasil e Argentina não poderem contar com jogadores que atuam na Europa, os dois amistosos são um risco desnecessário para um técnico tão contestado quanto Mano Menezes. Se a Seleção vencer, terá feito a obrigação por derrotar um adversário tão fragilizado. Se perder, terá sido para um rival que não pôde contar com seus principais destaques.
Isso posto, ainda é possível tirar algo proveitoso das partidas. A primeira delas está na defesa. Dedé é considerado por muitos o companheiro de zaga ideal para Thiago Silva. No entanto, até o momento, o vascaíno havia tido poucas oportunidades com a camisa amarela e sua pouca experiência internacional ainda é vista com reservas. Obter mais horas de voo é fundamental para um zagueiro de Seleção. Mais a frente, os entrosados Ralf e Paulinho mostram que podem ser aproveitados também no time principal. No caso do segundo, a titularidade parece cada vez mais próxima.
Enquanto isso, a garantia dada por Mano de quatro jogos para Lucas pode ser o que faltava para o meia-atacante do São Paulo finalmente deslanchar. Por sua vez, a escalação de Luis Fabiano indica que o técnico ainda não está convicto de que a camisa 9 pertence a Leandro Damião. Infelizmente, graças a mais uma lesão, o Fabuloso não estará na Argentina para o jogo de volta nesta quarta-feira. Por fim, as partidas também servem para observar atletas com pouco espaço em convocações regulares como Wellington Nem e Bernard, duas opções que atuam pelos lados do campo.    
Não era o momento de Kaká
Este blogueiro sempre defendeu que a renovação da Seleção foi feita de maneira precipitada e que os maus resultados colhidos até o momento também eram fruto da baixa média de idade do grupo. E é justamente por essa falta de experiência - e também de uma referência - que Kaká voltou à lista de convocados. Carismático, o meia pode dividir os holofotes com Neymar e tirar do santista a obrigação de carregar o time. Porém, este não é o momento ideal. Sem atuar em nenhuma partida oficial nesta temporada, Kaká não tem ritmo de jogo para ser uma figura importante dentro de campo. E, ao que tudo indica, esse cenário não deve mudar enquanto ele permanecer no Real Madrid.
A convocação para os amistosos diante de Iraque (dia 11/10 em Malmö, Suécia) e Japão (dia 16/10 em Wroclaw, Polônia) também contou com outras polêmicas. O retorno de Giuliano levanta e velha desconfiança de que alguns chamados não obedecem apenas a critérios técnicos, parecendo mais uma versão da apelidada “quota Shakhtar”, onde jogadores em situação obscura são chamados visando futuras negociações. Logicamente, não há aqui a pretensão de se afirmar nada sem provas, mas é impossível não notar essa questão.
Outra situação desconfortável foi a convocação de diversos jogadores que atuam em times envolvidos na disputa da reta final do Brasileirão. Para evitar um impacto maior, Mano Menezes chamou apenas um jogador por clube. Aliás, no caso de Thiago Neves, a ideia pareceu muito mais incluir alguém do líder para evitar mais chiadeira do que propriamente acreditar na contribuição que um jogador assumidamente em má fase pode trazer para o selecionado.
Também chamou a atenção a capa do diário Lance! que sob um viés sensacionalista defendeu o descontentamento dos clubes diante da perda de nomes importantes durante uma fase tão decisiva do campeonato. Trata-se do típico caso de ignorar a causa e atacar o efeito. Obviamente, o problema não é da Seleção, mas do calendário. Enquanto a bola rolar no Brasil em datas FIFA, nada disso irá mudar. Porém, chama bem mais a atenção escrever “abaixo a Seleção” do que “abaixo o calendário”.
Confira a seguir a lista completa:  
Goleiros: Diego Alves (Valencia), Jefferson (Botafogo) e Victor (Atlético Mineiro);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Dedé (Vasco da Gama), Leandro Castán (Roma) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Adriano (Barcelona), Alex Sandro (Porto), Daniel Alves (Barcelona) e Marcelo (Real Madrid);
Volantes: Fernando (Grêmio), Paulinho (Corinthians), Ramires (Chelsea) e Sandro (Tottenham);
Meias: Giuliano (Dnipro), Kaká (Real Madrid), Lucas Moura (São Paulo), Oscar (Chelsea) e Thiago Neves (Fluminense;
Atacantes: Hulk (Zenit), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Santos).
De olho na Copa
Para quem achou de gosto duvidoso a escolha de “Brazuca” como nome da bola que será utilizada na Copa do Mundo, o mês de setembro reservou outras surpresas. O mascote do próximo mundial, representado por um tatu-bola, terá sua alcunha definida através de votação do público no site da FIFA. Todavia, os nomes Amijubi (Amizade + Júbilo), Fuleco (Futebol + Ecologia) e Zuzeco (Azul + Ecologia) não caíram no gosto das pessoas. E como tudo que está ruim ainda pode piorar, a caxirola, instrumento que produz um som semelhante a um chocalho criado pelo músico Carlinhos Brown, promete ser a substituta da odiosa vuvuzela nos estádios brasileiros.
No último dia 27, a FIFA anunciou os horários dos jogos da Copa. A abertura, que terá a Seleção Brasileira, acontecerá na Arena Corinthians e terá início às 17 horas. As partidas da fase de grupos começarão às 13h, 17h, 18h, 19h e 21h, enquanto as oitavas-de-final e quartas-de-final acontecerão às 13h e 17h. As semifinais serão às 17h e a final será às 16h do dia 13 de julho de 2014 no Maracanã. As escolhas das datas e dos horários levaram em conta diversos critérios com o descanso equitativo dos selecionados, as temperaturas médias das sedes e o público internacional.         
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagens: Yahoo Brasil, Reuters, Lance e FIFA.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Olhando o passado para enxergar o presente

Pense rápido: O que Denílson, Robinho, Rivaldo e Kaká têm em comum? A resposta é que os quatro deixaram o País sob diferentes expectativas e ao chegarem à Europa tiveram desempenhos que não eram imaginados pela maioria. Enquanto os dois primeiros foram bem abaixo do esperado, os últimos foram sucesso por muitas temporadas. Denílson, considerado quase um Garrincha da ponta-esquerda, foi durante muitos anos a contratação mais cara envolvendo um jogador brasileiro. Contratado junto ao modesto Bétis, nunca correspondeu às expectativas. Por sua vez, Robinho desembarcou em Madri para se tornar a resposta merengue a Ronaldinho, então astro do Barcelona. Embora não tenha sido um fiasco completo, também fracassou. Enquanto isso, Rivaldo e Kaká, vistos com desconfiança, tiveram carreiras brilhantes no Velho Continente e alcançaram, com justiça, o título de melhor do mundo em 1999 e 2007.
Neste momento, Neymar é o brasileiro atende pelo epíteto de futuro craque mundial. Rápido, driblador e artilheiro, parece questão de tempo para a jóia da Vila alcançar o topo. Por outro lado, a desconfiança atende pelo nome de Lucas Moura. Alvo de Internazionale e Manchester United, o meia do São Paulo está longe de ser unanimidade por aqui. Considerado imaturo quando comparado com Neymar e marcado pela irregularidade em seu time, Lucas é apontado por muitos como um embuste. Algo que, de certo modo, faz lembrar o que aconteceu com Rivaldo e Kaká.
Lucas, assim como os dois craques, é visto com desconfiança até por sua própria torcida. Nem mesmo sua velocidade, forte chute e lampejos de puro talento conseguem demover a imagem que fazem dele. Muito menos os 20 anos lhe servem como desculpa. Não por acaso, não falta quem considere exagerados os supostos 38 milhões de euros com os quais o United assinalou sua última proposta. Mas talvez não seja pelo ponto de vista do clube inglês. Acostumados a grandes contratações, os olheiros dos Red Devils provavelmente tabulam todos os dados do jogador em questão, seus pontos fortes e fracos e sua margem de crescimento. Tudo cientificamente, na medida em que o futebol permite ser. No entanto, muitos preferem a análise romântica que mede o número que grandes jogadas por partida, uma pedalada sem propósito no meio-campo ou, no máximo, o número de gols. Creio que já vimos esse filme antes. Se o final será o mesmo, só o tempo dirá.
Imagem: Fox Sports

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Contagem Regressiva: Abril de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
As falácias de Mano.
Não resta dúvida de que o técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, tem o dom da palavra. Seus discursos, sempre articulados, conseguem convencer a maioria das pessoas – incluindo a imprensa – a acreditar em seus argumentos sem grandes contestações. Nos últimos tempos, diante da desconfiança que cerca seu trabalho, Mano decidiu fazer uso de sua oratória para se fazer acreditar. Infelizmente, com observações que não estão próximas da verdade.
Para se defender da pouca ou nenhuma evolução de seu trabalho à frente do selecionado brasileiro, Mano citou que a preparação para o Mundial de 2002 aconteceu aos trancos e barrancos e mesmo assim o Brasil foi pentacampeão. Ora, em primeiro lugar, não é porque algo não foi conduzido de maneira correta, porém deu certo no final que as coisas devem caminhar sempre assim. A evolução do trabalho é necessária não só para convencer torcida e imprensa, mas para convencer os próprios jogadores de que as coisas estão funcionando bem.
Outro comentário frequente do ex-treinador do Corinthians é dizer que o futebol brasileiro não é o mesmo que se joga no resto do mundo. E está correto. Por aqui, conceitos como compactação e marcação por zona ainda não estão totalmente enraizados e os times locais dão mais espaço do que vemos nas principais ligas europeias. Todavia, não faz muito sentido usar esse problema como desculpa para a Seleção. Isto porque dos prováveis titulares do Brasil apenas três jogadores (Ganso, Neymar e Damião) atuam no país. E esse número ainda pode cair para dois, caso Mano opte por Hernanes na vaga de Ganso, para ficar num único exemplo.  
O que o técnico nunca admitiu é que herdou de Dunga um time competitivo – que podia desagradar aos críticos brasileiros, mas teve chances reais de ser campeão na África do Sul – e não conseguiu manter o mesmo nível. Seguindo a sugestão pouco abalizada de Ricardo Teixeira, Mano Menezes descartou tudo o que aquela seleção havia conquistado e começou um time a partir de (quase) zero. Sem jogadores experientes, Mano vê seu trabalho estagnado e já se especula que o fato da Seleção não estar enfrentando grandes adversários é um pedido seu. “Ele se acovardou”, teria dito Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF, a pessoas próximas. Em outras palavras, o técnico que em seu discurso inicial deu a entender que o time de Dunga não representava o futebol que os brasileiros queriam ver, em dois anos não só perdeu o trabalho anterior como não constituiu um novo projeto baseado em seus conceitos. E isso explica seu medo de desafios maiores. Não por acaso, a possível troca de comando técnico após os Jogos de Londres pode partir do próprio Andrés.
Kaká e Ramires.
As semifinais da UEFA Champions League ajudaram a mostrar algo sobre as ausências de Kaká e Ramires das convocações da Seleção Brasileira em 2012. Preterido dos titulares do Real Madrid em momentos decisivos, Kaká só entrou no final do segundo tempo do duelo contra o Bayern no Santiago Bernabéu. Aparentando estar longe de sua melhor forma e sem ritmo, Kaká foi muito mal. Para piorar sua situação no clube, ainda perdeu um dos pênaltis na disputa que alijou os Merengues de mais uma final europeia.
Por outro lado, nada explica a ausência de Ramires. Peça fundamental do Chelsea na classificação diante do fortíssimo Barcelona participando de dois dos três gols dos Blues no confronto, o “queniano azul” mostrou que, atualmente, é um dos melhores meio-campistas brasileiros em atividade. A desculpa de Mano Menezes na última semana dizendo que já sabe do que Ramires é capaz é exatamente isso, uma desculpa. Quando um técnico considera um jogador realmente bom, nada mais lógico do que convocá-lo e mantê-lo no grupo.                
Os rivais:
No dia 20 de julho em Middlesbrough, Brasil e Reino Unido realizarão um amistoso preparatório para os Jogos de Londres. A partida será a última das duas equipes antes das Olimpíadas e será de fundamental importância para o técnico Mano Menezes antes da competição, uma vez que esta versão da Seleção Olímpica do Brasil nunca entrou em campo.
Sobre essa questão, muitos jornalistas têm criticado a CBF pela ausência de jogos da seleção olímpica no período, mas é bom lembrar que simplesmente não existe um calendário sul-americano para a categoria sub-23 e que muitos dos atletas que irão compor o grupo que defenderá o Brasil em gramados britânicos fazem parte da equipe principal. Além disso, nem mesmo o argumento de que o vizinho Uruguai tem reunido seus jogadores locais para treinos deveria ser usado como crítica. Afinal, se por aqui já criticam as convocações para amistosos em datas FIFA, imagine a gritaria se a Seleção tirasse os jogadores de seus clubes imersos num calendário lotado apenas para treinar.    
De olho na Copa:
Uma matéria assinada por Roberto Pereira dos Santos, do UOL, confirmou que o ex-presidente da FIFA, João Havelange, e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, receberam propina da extinta ISL entre 1989 e 1998. O escândalo foi revelado através de um relatório (ainda parcial) emitido pelo Parlamento Europeu. Havelange, 95, está internado no Hospital Samaritano no Rio Janeiro vítima de uma infecção no tornozelo direito, mas seu estado de saúde é estável. Teixeira, 64, mora em Miami desde que renunciou à presidência da CBF.
O presidente do Botafogo, Maurício Assumpção revelou na última sexta-feira que o Engenhão, estádio do clube, pode ser usado como “plano B” para a Copa das Confederações. Obviamente, isso significa que o consorcio responsável pela reforma do Maracanã pode não cumprir o prazo de entrega do estádio para a competição que se realizará em 2013.    
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagens: EFE e AFP

sexta-feira, 30 de março de 2012

Enquete: Kaká x Ronaldinho

Participando do programa “Arena Sportv”, o técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, defendeu que a convocação de Ronaldinho se deve pelo que o gaúcho jogou pelo Brasil e não pelo que ele vem (ou não vem) jogando pelo Flamengo.
Ao mesmo tempo, Mano diz que o meia Kaká só mostrará que poderá defender a camisa amarela na Copa de 2014 a partir do apresentar no Real Madrid na próxima temporada, algo que, certamente, configura uma incoerência do treinador. Afinal, se o que importa são as atuações pela Seleção – e as atuações do flamenguista foram apenas razoáveis – por que Mano não convoca o madridista para vê-lo em ação?
Nesta disputa, já fiz a minha escolha. Para mim, o único convocado deve ser Kaká. Mesmo que não seja titular, o camisa 8 do Real Madrid é mais jovem, mais aplicado e tem mais perfil de liderança que Ronaldinho. Ou seja, tem tudo para chegar mais inteiro ao Mundial.  
Agora quero conhecer a opinião de vocês. Ao lado, uma enquete quer saber se os dois merecem ser convocados. Mas, não se restrinjam a um clique. Vamos debater o tema nos comentários abaixo.
Imagem: Placar

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Contagem Regressiva: Fevereiro de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Ano novo, aposta velha.
No último dia 14, o técnico Mano Menezes convocou os 23 jogadores que integrarão a Seleção Brasileira no amistoso diante da Bósnia no próximo dia 28 em St. Gallen, Suiça. A maior surpresa da lista foi a manutenção de Ronaldinho Gaúcho seguida da declaração de Mano informando que o flamenguista faz parte de seu projeto, o que soa absurdo para quem acompanhou os últimos cinco anos da carreira do meia-atacante.
Em alto nível, Ronaldinho não atua desde a temporada 2005/6 quando conduziu o Barcelona ao título europeu daquele certame. Na Copa da Alemanha, porém, foi um fantasma em campo e, salvo por alguns momentos de brilho no Milan e no Flamengo, nunca mais foi o craque que encantou o mundo. Obviamente, ninguém esperava que aquele altíssimo nível fosse mantido até o final de sua carreira, mas o que Ronaldinho vem mostrando nos últimos anos não o credencia a estar na Seleção e muito menos fazer parte de um projeto que objetiva conquistar o Mundial no Brasil.
Seguindo a estranheza que permeia a convocação, destaca-se a ausência de Kaká e Robinho. O primeiro, convocado no fim do ano passado, porém cortado por lesão, não atravessa grande fase, embora seja dois anos mais jovem que Ronaldinho e muito mais dedicado à carreira. O segundo, peça-chave durante a gestão de Dunga, não é chamado há algum tempo, apesar de estar em seu melhor momento no futebol europeu. Curiosamente, a ausência do milanista coincide com seu rompimento com a Nike. Outros nomes que chamam a atenção são Elias e Fernandinho, jogadores discretos, mas figuras constantes nas listas do técnico.  
Entre as principais ausências, além de Kaká e Robinho, estão os interistas Maicon e Lúcio, o volante Ralf, o meia Oscar e o atacante Fred. Por outro lado, as presenças de oito atletas sub-23 indicam que, neste momento, os Jogos de Londres são prioridade no trabalho de Mano Menezes. Todavia, o fato de não haver nenhum jogador dessa faixa etária entre os centrais convocados, mostra um ponto fraco a ser solucionado antes da busca pelo inédito ouro olímpico.
Confira abaixo a lista completa: 
Goleiros: Diego Alves (Valencia), Júlio César (Internazionale) e Rafael (Santos);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Dedé (Vasco da Gama), Luisão (Benfica) e Thiago Silva (Milan);
Laterais: Alex Sandro (Porto), Adriano (Barcelona), Daniel Alves (Barcelona), Danilo* (Porto) e Marcelo (Real Madrid);
Volantes: Elias (Sporting), Fernandinho (Shakhtar Donetsk) e Sandro (Tottenham);
Meias: Hernanes (Lazio), Paulo Henrique Ganso (Santos), Lucas (São Paulo) e Ronaldinho (Flamengo);
Atacantes: Hulk (Porto), Jonas (Valencia), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Santos).
* Posteriormente cortado por lesão.
O rival:
Apesar do desdém de parte da imprensa brasileira, a seleção bósnia está longe de ser uma presa fácil. É verdade que diante de Portugal os Golden Lilies não conseguiram se classificar para a Copa de 2010 e a Euro 2012, mas nomes importantes no cenário europeu como Pjanic, Misimovic, Dzeko e Ibisevic estão aí para mostrar que os comandados do técnico Safet Susic podem surpreender muita gente.
De olho na Copa:
Fevereiro foi marcado pela possível renúncia de Ricardo Teixeira – que acabou não acontecendo – e por novas acusações ao presidente da CBF. Apesar da possibilidade de vermos o futebol brasileiro livre da figura de Teixeira, este blog considerou que, apesar disso, não há o que comemorar.    
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagens: Getty Images e Associated Express

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A terceira vez de Messi.

Será uma grande surpresa se Lionel Messi não abocanhar a Bola de Ouro FIFA nesta segunda-feira. Favoritíssimo ao prêmio, o argentino deve chegar ao seu terceiro troféu de melhor jogador do mundo, igualando Ronaldo e Zidane. Mas, ao contrário das duas lendas, o atacante do Barcelona receberia o prêmio pela terceira vez seguida, um feito inédito desde que a entidade decidiu condecorar o melhor jogador do planeta.
Essa conta se inicia em 1991 quando a entidade máxima do futebol decidiu eleger anualmente seu número um. Até então, o troféu individual mais cobiçado do mundo era a Bola de Ouro da revista France Football, porém, até 1995, esta só era entregue a jogadores europeus ou naturalizados. Deste modo, o mundo não viu craques como Pelé e Maradona sendo laureados. Confira a seguir todos os ganhadores do prêmio, seus clubes e nacionalidade:
1991: Lothar Matthäus (Internazionale/Alemanha)
1992: Marco van Basten (Milan/Holanda)
1993: Roberto Baggio (Juventus/Itália)
1994: Romário (Barcelona/Brasil)
1995: George Weah (Milan/Libéria)
1996: Ronaldo (Barcelona/Brasil)
1997: Ronaldo (Internazionale/Brasil)
1998: Zinedine Zidane (Juventus/França)
1999: Rivaldo (Barcelona/Brasil)
2000: Zinedine Zidane (Juventus/França)
2001: Luis Figo (Real Madrid/Portugal)
2002: Ronaldo (Real Madrid/Brasil)
2003: Zinedine Zidane (Real Madrid/França)
2004: Ronaldinho (Barcelona/Brasil)  
2005: Ronaldinho (Barcelona/Brasil)  
2006: Fabio Cannavaro (Real Madrid/Itália)
2007: Kaká (Milan/Brasil)
2008: Cristiano Ronaldo (Manchester United/Portugal)
2009: Lionel Messi (Barcelona/Argentina)
2010: Lionel Messi (Barcelona/Argentina)
2011: Lionel Messi (Barcelona/Argentina)*
Se a competição fosse por clubes, a classificação seria:
Barcelona: 8*
Real Madrid: 4
Juventus: 3
Milan: 3
Internazionale: 2
Manchester United: 1
Como se pode notar, apenas um seleto grupo de clubes tiveram seus atletas reconhecidos como melhores. Caso a conquista de Messi se confirme, o Barcelona abrirá ainda mais sua distância para a concorrência.
Todavia, se a competição fosse entre países, o Brasil estaria na frente:
Brasil: 8  
França: 3
Argentina: 3*
Itália: 2
Portugal: 2
Alemanha: 1
Holanda: 1
Libéria: 1  
Apesar de liderar com folga, o Brasil não tem um eleito desde 2007 quando Kaká conduziu o Milan aos títulos continental e mundial. Curiosamente, a Espanha, atual campeã do mundo, nunca teve um jogador premiado. Em grande parte, isso se deve ao fato de que normalmente as maiores estrelas de La Liga são estrangeiras. Por sua vez, a Argentina deve chegar ao seu terceiro prêmio e, como se trata de Messi, não é difícil imaginar mais troféus vindo por aí.
*A confirmar.
Imagem: Gastau Nacarino/LANCEPRESS