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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Anjos brancos à beira de outro inferno

Atual campeão europeu e mundial, o Real Madrid vive uma crise insólita. O futebol que assombrou os gramados em 2014 não tem sido visto neste ano. O contra-ataque avassalador não vem sendo tão eficiente e a defesa antes segura vem apresentando falhas comprometedoras. Nas lesões de jogadores importantes como a do croata Modric está parte da explicação para a queda de produção, mas a atual fase dos merengues faz com que os observadores de futebol mais antigos se lembrem do fracasso da primeira Era Galáctica.
Tudo começou em 2000. Florentino Pérez, em sua primeira passagem pela presidência do Real Madrid, implantou uma filosofia que unia a visão mercadológica do novo século com o romantismo do passado glorioso do clube. O primeiro a chegar foi Luís Figo, com direito ao choque causado pelo pagamento da multa contratual ao Barcelona. Em seguida, foi a vez do gênio francês Zinedine Zidane. Depois do Mundial de 2002, Ronaldo desembarcou para inaugurar definitivamente o período galáctico. Três estrelas que somadas ao prata da casa Raúl e a Roberto Carlos faziam a diferença em campo com o suporte de atletas voluntariosos como Michel Salgado, Claude Makelele e Flávio Conceição.
Como explica o jornalista britânico John Carlin em seu excepcional livro “Anjos Brancos”, a fórmula de Pérez era relativamente simples:
– Um time que reúne as maiores estrelas do futebol é imbatível;
– Este time não precisa de complicados esquemas táticos;
– Mesmo não ganhando sempre, porque o imponderável habita o futebol, a arte e o espetáculo ficam para a eternidade;
– Como o futebol é a maior religião do mundo, um time com estrelas globais tem uma torcida mundial;
– O torcedor é um ser absolutamente fiel;
– Qualquer grande corporação internacional pagará o que for preciso para ter seu nome associado a este super time;
– O time mais caro do mundo é também o mais barato.
As coisas caminharam bem até a chegada de David Beckham em 2003. Astro cuja imagem ultrapassava os limites do esporte, o inglês parecia ser a peça que faltava ao panteão madridista, uma vez que, além da qualidade técnica, trazia consigo uma legião de fãs, sobretudo na Ásia. Contudo, a engenharia financeira proposta por seu mandatário não era capaz de operar milagres. Para a inclusão de Beckham, alguns cortes precisaram ser feitos. Com isso, os alguns dos principais carregadores de piano deixaram o clube e deram lugar à política que ficou conhecida como Zidanes y Pavones, alusão direta aos craques que se juntavam aos jovens da base como o mediano zagueiro Francisco Pavón. No início funcionou. O time liderou boa parte da temporada 2003/4 e Florentino pôde saborear aquilo que julgou ser o crepúsculo dos catedráticos do futebol e seus esquemas mirabolantes. Porém, o fôlego do elenco curto, embora talentosíssimo, arrefeceu após a virada de ano e terminou numa impensável quarta colocação.

Qualquer semelhança com o momento atual não é mera coincidência. Embora alguns conceitos tenham mudado – como a necessidade de destruidores no meio-campo – mesmo um time estelar não pode prescindir de boas as condições físicas, táticas e, logicamente, psicológicas. A festa de aniversário promovida por Cristiano Ronaldo após a goleada por 4 x 0 imposta pelo Atlético de Madrid caiu como uma bomba junto à torcida. “Seu riso, nossa vergonha” eram as palavras que estampavam a faixa que alguns torcedores levaram ao centro de treinamento dos blancos. Conhecido por sua capacidade de gerir grupos compostos por jogadores renomados, Carlo Ancelotti terá a dura missão de recolocar sua equipe nos trilhos já neste sábado no estádio Santiago Bernabéu diante do Deportivo La Coruña com a esperança de que a história não se repita mais uma vez.
Imagens: Reproduções Youtube e Instagram

segunda-feira, 31 de março de 2014

Contagem Regressiva: Março de 2014

Para um fanático por futebol, a Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Clima de Seleção*
As torcidas italianas em diversos estádios se levantaram para aplaudir o gol que Ronaldo marcou na tarde de 9 de dezembro de 2001 diante do Brescia. Após mais de dois anos sem balançar as redes numa partida oficial por conta da grave lesão no joelho que quase pôs fim à sua carreira, o Fenômeno voltava a fazer o que mais sabia na vida. Daquele momento até o fim da temporada foram mais seis gols e muitas lesões musculares, algo que colocou em dúvida seu melhor aproveitamento na Copa do Mundo de 2002.
Contudo, se havia a desconfiança de muitos, Luiz Felipe Scolari acreditava no centroavante que escolhera, preterindo um veteraníssimo Romário. No fim, como todos sabemos, Felipão estava certo e Ronaldo foi o artilheiro da campanha brasileira no pentacampeonato mundial tendo Rivaldo, outro nome coberto de dúvidas, ao seu lado. Essa foi apenas uma das vertentes da chamada “Família Scolari”, onde um bom ambiente e um grupo focado foram suficientes para tornar uma conquista que parecia improvável algo real no instante em que o capitão Cafu ergueu a Copa do Mundo.
Esse mesmo clima pode ser visto na atual Seleção Brasileira. Da entrega mostrada na Copa das Confederações até um vídeo simplesonde os jogadores brincam com o baixo desempenho do atacante Hulk no videogame, o que se vê é um grupo de amigos. Atletas que atuam em diversas partes do mundo, enfrentam pressões e situações distintas por seus clubes, mas que servindo a Seleção sentem que, de certo modo, que estão em casa. Um ambiente em que os problemas das agremiações que defendem podem ficar de fora sem que isso represente falta de profissionalismo.
O melhor exemplo disso é Neymar. Ainda em fase de adaptação ao futebol coletivo do Barcelona, sem gozar de privilégios táticos e sendo pivô da queda do ex-presidente do clube catalão, o atacante brasileiro mostra que isso não o afeta em nada quando veste a camisa 10 amarela. É como se houvesse um sentimento de proteção onde Neymar pode mostrar seu melhor futebol sem se preocupar se a última tentativa de drible resultou em desarme. Uma liberdade que ainda precisa ser conquistada no Barça.
*Escrito originalmente para minha nova coluna no site Doentes por Futebol
De olho na Copa
Fábio Hamilton da Cruz foi a terceira vítima fatal nas obras da Arena Corinthians e a oitava em todas as sedes. A título de comparação, foram duas mortes registradas nas construções dos estádios sul-africanos no último Mundial. Logicamente, este é um problema muito mais ligado à construção civil no País do que ao futebol. No entanto, não deixa de chamar a atenção o fato de que grande parte desses acidentes ocorreu no período em que as obras foram aceleradas.
Os atrasos em diversas sedes, sobretudo na construção das estruturas temporárias, fizeram com que a FIFA anunciasse a intenção de rever seu planejamento para os próximos torneios, começando pela Rússia. “Esse foi um grande problema que enfrentamos no Brasil. Essas responsabilidades (estruturas temporárias) são conhecidas há muito tempo. Todas as cidades-sedes assinaram os documentos. Na Rússia esse problema deverá ser minimizado, uma vez que teremos apenas um estádio privado. Os demais são todos do governo. Estádios privados não querem pagar por estruturas temporárias. Temos que achar outro jeito daqui para frente”*, esclareceu o Secretário Geral, Jérôme Valcke, após reunião com membros do governo federal e do Comitê Organizador Local (COL), no Rio de Janeiro.
Com muita coisa a ser finalizada e equívocos na organização, a Arena da Baixada recebeu seu primeiro evento-teste no último sábado. Diante de 10 mil sócios, o Atlético Paranaense recebeu o J. Malucelli e não saíram do zero. A previsão de entrega do estádio é 15 de maio. Até lá, mais um evento deverá ser realizado.       
Depois de uma Copa na África do Sul em que diversas estruturas funcionaram de forma precária, a entidade máxima do futebol vê a possibilidade de tudo se repetir, talvez em maior escala, no Brasil. Quem sabe é a senha para a FIFA retomar a prática anterior onde os países-sedes tinham de apresentar condições para sediar um evento como a Copa para só depois pleiteá-lo. Mas, pelo visto, a ideia é que realmente se construa e se gaste muito.
Confira o andamento das obras para o Mundial de 2014:         
Obras concluídas: Belo Horizonte, Brasília, Ceará, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Salvador;
Situação preocupante: Cuiabá, Curitiba e Manaus;
Situação alarmante: São Paulo.
Imagens: Placar, site oficial do Atlético-PR.
*Fonte: Globoesporte.com

domingo, 1 de setembro de 2013

A fase do condor


Certamente o leitor já ouviu a piadinha infame sobre o momento em que a idade vai pesando sobre uma pessoa. É a chamada fase do condor... “Com dor aqui, com dor ali.” E quando os quarenta anos se aproximam, como é o caso deste blogueiro, essa piada vai adquirindo contornos mais realistas, por assim dizer. Entretanto, quando o assunto é atleta profissional, essa fase pode se iniciar bem mais cedo. Devido ao alto grau de exigência física e temporadas desgastantes, é muito comum observarmos jogadores de futebol sendo tragados por uma sequência de lesões que limitam seu desempenho, reduzem seu patamar ou até mesmo obrigam o encerramento da carreira.
Um dos maiores exemplos de trajetória interrompida por lesões atende pelo nome de Ronaldo. Apelidado de Fenômeno com toda justiça, Ronaldo foi um “Pelé” durante as temporadas 1996/97 e 1997/98. Nada parecia impossível para ele. Nenhuma defesa era suficientemente segura para contê-lo. Não por acaso, seus feitos deixaram uma legião de fãs que inclui nomes do quilate de Buffon, Ibrahimovic, Balotelli e Benzema. Até que surgiram as lesões. Primeiro, as musculares. Depois, as duas cirurgias no joelho direito. Os deuses do futebol ainda permitiram sua redenção na Copa do Mundo de 2002 e alguns momentos de brilho no Real Madrid, mas seu auge havia passado.
Outro personagem recorrente é o também brasileiro Kaká. Premiado com a Bola de Ouro no ano de 2007, o meio-campista foi a principal figura do Milan na conquista da última UEFA Champions League dos Rossoneri. Contratado a peso de ouro pelo Real Madrid em 2009, graças às lesões, nunca correspondeu à expectativa criada em torno de sua chegada e agora integra a lista de dispensáveis do clube espanhol. Infelizmente, não faltam histórias parecidas. Michael Owen, Francesco Totti, Alessandro Nesta e Marc Overmars são outros talentos que, de uma forma ou outra, sofreram por não conseguirem entrar em campo.
Embora ainda seja cedo para uma afirmação, o maior craque da atualidade dá sinais de que pode entrar nessa lista. Tido como inquebrável há algum tempo, Lionel Messi vem sofrendo sistematicamente com lesões que o afastam do Barcelona em situações importantes. Na temporada passada, desfalcou os blaugranas quando mais precisavam de sua genialidade, justamente quando se depararam nas semifinais com o futuro campeão Bayern de Munique. Neste certame, após uma inoportuna maratona de amistosos beneficentes durante o período de férias em que, teoricamente, deveria se resguardar, Messi reclamou que as excursões do Barça pelo mundo absorviam tempo precioso para treinamentos. Coincidência ou não, o argentino vem sendo dúvida nos últimos compromissos de sua equipe. Mas, por ser peça fundamental no esquema tático do técnico Tata Martino, muitas vezes entra em campo sem reunir condições ideais. Uma imposição que vem se mostrando um risco para o presente e possivelmente para o futuro. 



Imagem: insidespanishfootball.com

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Lembra desse?!

Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca esqueceu.
Quando o Barcelona tentou melar a ida de Ronaldo para o Real Madrid
Enquanto a novela envolvendo a transferência de Neymar do Santos para o Barcelona não encontra um fim, surgem rumores de que o Real Madrid poderia fazer uma proposta substancialmente maior para contratar a joia santista. Paralelamente, muitos apostam que se trata de um blefe do presidente madridista Florentino Pérez que tem como intuito fazer com que o rival gaste mais recursos do que inicialmente pretendia e, assim, limitar seu alcance na próxima janela de transferências.
Caso seja verdade, não seria a primeira vez em que os gigantes espanhóis se veem envolvidos nesse tipo de situação. No entanto, quando ocorreu, os papéis estiveram trocados. Em 2002, logo após o Mundial do Japão e da Coreia do Sul, o atacante Ronaldo estava na mira dos merengues para se juntar aos “Galácticos”. Como conta o jornalista inglês John Carlin em seu livro “Anjos Brancos”, tal possibilidade incomodou tanto a cúpula barcelonista que o então presidente Joan Gaspart engendrou um grande plano de sabotagem da operação rival.
Mesmo vendo Ronaldo ser um dos destaques da Copa, a Internazionale manteve sua intenção inicial de vender o craque em rota de colisão com o técnico argentino Héctor Cúper. Tanto que já tinha tudo acerto com o também atacante Hernán Crespo para substituir o brasileiro. Foi quando Gaspart entrou em ação e fez uma proposta pela compra do centroavante Fernando Morientes junto ao Real Madrid que precisava de um sopro extra no caixa após gastar mais de 100 milhões de dólares nas contratações de Luís Figo e Zinedine Zidane nos anos anteriores.
Todavia, as negociações se arrastaram até o dia do fechamento da janela de transferências. Crespo foi apresentado pela Inter posando com a camisa 9 que era de Ronaldo, mas os demais desfechos estavam longe de acontecer. Eis que, restando poucas horas para o encerramento, Gaspart simplesmente recuou alegando que a torcida catalã não aceitaria um jogador tão identificado com o madridismo. Para os outros vértices da negociação, porém, ficou evidente a intenção de atrapalhar a ida do Fenômeno para a capital espanhola. E como o presidente interista Massimo Moratti já havia gasto consideravelmente com a contratação de Crespo, precisava negociar Ronaldo o quanto antes.
Felizmente para os dois clubes, Florentino Pérez sempre foi um astuto homem de negócios. Em poucas horas o espanhol conseguiu levantar todo o dinheiro necessário para a transação mesmo sem vender Morientes. Ao fim do dia, Ronaldo se tornou jogador do Real Madrid e foi apresentado com o número 11 às costas. Mesmo assim, Florentino certamente não deve guardar boas lembranças daquele momento. Seria o momento do troco?           
Você conhece alguma história interessante sobre o mundo da bola?
Mande-a para meu e-mail: a4l@bol.com.br e coloque no assunto: 'Lembra desse?!' e ela poderá ser publicada aqui!
Crédito: Fifa.com

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Lembra desse?!

Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca esqueceu.
Pressão baixa
A UEFA Champions League recomeçou e, logo de cara, nos brindou com um jogaço entre Real Madrid e Manchester City. Coincidência ou não, muitas partidas que considero inesquecíveis tiveram os Merengues como protagonistas. Títulos, grandes vitórias, viradas espetaculares. E lá estava o time de branco fazendo história.
Todavia, um jogo pouco lembrado pelo público figura entre aqueles que nunca deixaram minha memória. O ano era 2003 e o adversário era o Borussia Dortmund no Westfalenstadion. Nessa época, eu já trabalhava até as 17 horas e só conseguia ver os jogos gravados ou reprisados pela ESPN após o encerramento da rodada. Logicamente, me reservava o direito sagrado de assistir sem saber os resultados.
A partida começou tensa. De um lado, o Real Madrid de Ronaldo, Figo e Zidane defendia o título europeu, enquanto os aurinegros de Lehmann, Rosicky e Amoroso ostentavam a Salva de Prata da temporada anterior. Aos 23 da primeira etapa, o gigante tcheco Jan Koller abriu o marcador para os donos da casa, placar que se arrastou até o fim da partida deixando a tensão no ar, mas indicando a provável vitória do Dortmund.
Foi quando o jovem, e ainda pouco conhecido, Javier Portillo igualou o placar após belíssima manobra de Zidane. Era o empate saindo nos descontos de maneira surpreendente. Sem pensar, soltei o grito da garganta. Ou melhor, urro. Tão alto que a vizinhança inteira deve ter ouvido sem entender nada. Só então me toquei que não estava sozinho em casa. Minha esposa assistia a uma novela qualquer em nosso quarto. Quando cheguei, encontrei a Senhora Costa com olhos de quem estava com sono às oito da noite. Ela havia se assustado tanto com a comemoração sem lógica que sua pressão despencou! Minutos depois, voltei ao quarto e ela já estava dormindo profundamente, acordando apenas no outro dia. Confesso que fiquei rindo sozinho depois. Felizmente, hoje ele já percebeu que seu marido é um fanático e está preparada para qualquer surto de loucura. Ainda bem.           
Você conhece alguma história interessante sobre o mundo da bola?
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domingo, 25 de março de 2012

Contagem Regressiva: Março de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Esboço olímpico.
O técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, divulgou no último dia 14 sua pré-lista de convocados para os Jogos Olímpicos de Londres. Entre os 52 atletas selecionados, 15 têm acima de 23 anos, porém, apenas três poderão figurar na lista de 18 jogadores que buscarão a inédita medalha de ouro.
Entre os ausentes estão nomes que em algum momento receberam o chamado do atual treinador como o goleiro Renan Reuter, o zagueiro Lúcio, os laterais Maicon, Mario Fernandes e André Santos, os meias Ramires e Kaká e os atacantes Robinho, Fred e Kléber. Seguindo a lógica vigente, não é difícil concluir que eles não fazem mais parte dos planos de Mano. O que, a julgar pelas boas fases de Ramires e Robinho e a recuperação de Kaká, pode representar um erro no futuro.
Enquanto isso, a presença de Ronaldinho continua um mistério insondável. Todas as explicações esbarram na forma física precária e na falta de interesse que o gaúcho vem demonstrando no Flamengo nos últimos tempos. Saber que o meia-atacante figura nos planos até mesmo para a Copa do Mundo, mostra o quão questionável vem sendo o trabalho de Mano Menezes.     
Abaixo, a lista completa* com os 52 jogadores (em negrito os acima de 23 anos):
Goleiros: Diego Alves (Valencia), Gabriel (Cruzeiro), Jefferson (Botafogo), Julio César (Inter de Milão), Neto (Fiorentina), Rafael Cabral (Santos) e Renan Ribeiro (Atlético-MG).
Laterais: Adriano (Barcelona), Alex Sandro (Porto), Daniel Alves (Barcelona), Danilo (Porto), Fágner (Vasco), Gabriel Silva (Novara), Galhardo (Flamengo), Marcelo (Real Madrid) e Rafael (Manchester United).
Zagueiros: Bruno Uvini (Tottenham), David Luiz (Chelsea), Dedé (Vasco), Juan (Inter de Milão), Lucas Mendes (Coritiba), Luisão (Benfica), Marquinhos (Corinthians), Romário (Internacional) e Thiago Silva (Milan).
Volantes: Allan (Vasco), Casemiro (São Paulo), Elias (Sporting), Fernandinho (Shakhtar Donetsk), Fernando (Grêmio), Rômulo (Vasco) e Sandro (Tottenham).
Meias: Bernard (Atlético-MG), Douglas Costa (Shakhtar Donetsk), Dudu (Dínamo de Kiev), Elkeson (Botafogo), Paulo Henrique Ganso (Santos), Giuliano (Dnipro), Hernanes (Lazio), Lucas (São Paulo), Oscar (Internacional) e Philippe Coutinho (Espanyol).
Atacantes: Alexandre Pato (Milan), André (Atlético-MG), Henrique (Granada), Hulk (Porto), Jonas (Valencia), Leandro Damião (Internacional), Neymar (Santos), Ronaldinho Gaúcho (Flamengo), Wellington Nem (Fluminense) e Willian José (São Paulo).
Diante desses nomes – que serão reduzidos a 35 um dia antes do amistoso com a Argentina – e dada as carências da atual geração sub-23, é possível tentar esboçar os 18 jogadores que estarão na Inglaterra.
No gol, a fase irregular de Júlio César deve fazer com que a camisa 1 seja herdada pelo santista Rafael. Para sua reserva, Neto é o que detém o maior número de convocações entre os sub-23. No centro da defesa, Thiago Silva só não estará presente caso se lesione ou o Milan vete sua participação. Como não houve teste de zagueiros mais jovens, o parceiro de Thiago deve ser mesmo o irregular David Luiz. E, por absoluta falta de opções, Bruno Uvini deverá ser o reserva imediato da dupla.
Nas laterais, acredito que Danilo seja o titular da direita. Com isso, a terceira e última vaga para jogadores acima de 23 anos ficaria com o madridista Marcelo. Somaria aos dois, Alex Sandro, que se saiu bem quando necessário.
O meio-campo inicial deve ser composto por Sandro, Casemiro e Ganso.  O volante Rômulo e o meia Oscar completariam o setor. Lucas, Neymar e Damião formariam o tridente ofensivo. Alexandre Pato, caso pare de se contundir, e André completariam o esboço da lista. 
Deste modo, o onze inicial (escalado num 4-3-3) seria formado por Rafael; Danilo, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Sandro, Casemiro e Ganso; Lucas, Damião e Neymar. Neto, Bruno Uvini, Alex Sandro, Rômulo, Oscar, Alexandre Pato e André seriam os suplentes.
Sem dúvida um bom time, mas que nunca atuou junto. Muitos culpam a CBF por esse problema, mas, desta vez, a entidade realmente não tinha muito o que fazer uma vez que simplesmente não há espaço para o selecionado no calendário e até mesmo o processo classificatório é feito no através do Sul-Americano Sub-20, competição que não espelha corretamente os escolhidos para os Jogos de Londres. Assim, resta ao discutido Mano Menezes a “simples” tarefa de tentar organizar sua equipe durante a preparação e conquistar o único título que o futebol brasileiro não tem e, de quebra, manter seu empreso. Fácil, não?    
De olho na Copa: O espólio de Teixeira.
Com a renúncia de Ricardo Teixeira à presidência da CBF, ao Comitê Organizador Local (COL) e ao Comitê Executivo da FIFA, surgiu um grande vácuo de poder no futebol nacional. Neste momento, a presidência da CBF é exercida por José Maria Marin, O COL provavelmente ficará sob a responsabilidade de Ronaldo até o Mundial e o presidente da federação paulista Marco Polo Del Nero é o novo representante da América do Sul na FIFA. Ou seja, o que antes era centralizado por uma única pessoa, agora está dividido entre três. No caso do ex-atacante, repercutiu bastante o comentário de que ele admite a possibilidade de presidir a Confederação Brasileira a partir de 2015. Sem nenhuma preparação técnica para o cargo, o Fenômeno contaria muito mais com seu carisma do que qualquer outra coisa. Todavia, diante dos problemas que o futebol enfrenta neste país, é bem provável que isso não seja o suficiente.   
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
* Fonte: globoesporte.com
Imagens: CBF News, Nike e Estadão

domingo, 22 de janeiro de 2012

Contagem Regressiva: Janeiro de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Maníaco-depressivos.
Esse é o termo usado pelo jornalista Tim Vickery para descrever o comportamento do torcedor brasileiro. “Somos um lixo/Projeto Tóquio” é outra expressão usada pelo inglês para explicar nossa atávica travessia entre os extremos. E eu iria mais longe, pois creio que esse comportamento também se estende ao nosso jornalismo esportivo, logicamente, com as devidas exceções.
A verdade é que todos temos, em maior ou menor grau, propensão a dramatizar situações que envolvam nossos times ou a Seleção. Neste momento, o Brasil vive, além da transição no comando técnico, uma entressafra de jogadores. Enquanto a geração composta por Ganso, Neymar e Lucas Moura não assume definitivamente o seu lugar, nomes como Adriano e Ronaldinho saem de cena de forma até melancólica, enquanto Júlio César, Maicon, Kaká e outros vivem o dilema de chegar em boas condições físicas à Copa do Mundo.
Apesar disso, não seria exagero dizer que o Brasil tem três jogadores numa hipotética seleção mundial. Neste momento, o planeta não vê laterais melhores do que Daniel Alves e Marcelo. Do mesmo modo, é difícil encontrar um zagueiro em melhor forma do que Thiago Silva. Aos três, podemos somar o recuperado Júlio César, o zagueiro David Luiz, Lucas Leiva – o melhor jogador do Liverpool na temporada passada e maior ladrão de bolas da liga inglesa – Ramires (não consigo levar Fernandinho e Elias realmente a sério), Ganso (ou Hernanes), o agora taticamente útil Robinho, Neymar e Leandro Damião. Sem contar os bons Dedé, Maicon, Sandro, Hulk e Alexandre Pato.    
No entanto, a imaturidade das principais peças do setor ofensivo causa bastante dúvida – para não dizer descrença – da imprensa. Dentro do extremo característico, ouvi um apresentador de um programa esportivo da TV fechada dizer que não há a mínima chance do Brasil ser campeão em 2014. Como assim? Nos tornamos a Bolívia sem a altitude e ninguém me contou? Compreendo que o momento, sobretudo o início do trabalho de Mano Menezes, não induz a um grande otimismo, mas não duvido que uma vitória convincente sobre uma rival como a Argentina transforme todo esse pessimismo numa precipitada euforia. Fazer o quê? Somos assim.    
Os rivais:
A CBF divulgou no último dia 12 o calendário da Seleção Brasileira para o primeiro semestre de 2012. Serão cinco amistosos de fevereiro e junho, onde os adversários parecem ter sido milimetricamente escolhidos para não provocar grandes danos até os Jogos de Londres.
Em 28 de fevereiro, o Brasil enfrentará a Bósnia em território suíço. Em maio, na Alemanha, a Seleção pega a Dinamarca no dia 26 e no dia 30 ou 31 viaja aos Estados Unidos para um compromisso diante dos donos da casa. No mês seguinte, o time de Mano encara o México em Dallas no dia 3 e, seis dias depois, a Argentina em Nova Jersey. Embora não se configure uma sequência demasiadamente complicada, fica claro que houve uma busca por rivais que possam proporcionar algum desconforto para a Seleção, mas, ao mesmo tempo, sem colocar a cabeça do técnico na guilhotina. Pode não ser a alternativa mais corajosa, porém, é a mais inteligente.
De olho na Copa:
Numa jogada de mestre, Ricardo Teixeira e Ronaldo conseguiram controlar um dos maiores críticos da Copa no Brasil: Romário. Através do Fenômeno, o Comitê Organizador Local anunciou a reserva de 32 mil ingressos do Mundial para portadores de necessidades especiais e convidou o Baixinho para participar da cerimônia. Como se sabe, o deputado federal tem como bandeira a luta pelos direitos dessa parcela da população e não esconde a emoção quando fala sobre o assunto. Não por acaso, suas críticas ao Mundial se tornaram bem menos ácidas após a aproximação do velho companheiro de ataque.
Na última semana, Jerome Valcke, secretário-geral da FIFA, mostrou-se preocupado com o andamento das obras da Arena das Dunas em Natal e embora tenha mantido todas as doze sedes, alertou que a Copa do Mundo pode ser realizada com apenas oito sedes. Por outro lado, o secretário elogiou a Fonte Nova que cumpre à risca seu calendário de obras.
Abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagens: Terra, O Globo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A terceira vez de Messi.

Será uma grande surpresa se Lionel Messi não abocanhar a Bola de Ouro FIFA nesta segunda-feira. Favoritíssimo ao prêmio, o argentino deve chegar ao seu terceiro troféu de melhor jogador do mundo, igualando Ronaldo e Zidane. Mas, ao contrário das duas lendas, o atacante do Barcelona receberia o prêmio pela terceira vez seguida, um feito inédito desde que a entidade decidiu condecorar o melhor jogador do planeta.
Essa conta se inicia em 1991 quando a entidade máxima do futebol decidiu eleger anualmente seu número um. Até então, o troféu individual mais cobiçado do mundo era a Bola de Ouro da revista France Football, porém, até 1995, esta só era entregue a jogadores europeus ou naturalizados. Deste modo, o mundo não viu craques como Pelé e Maradona sendo laureados. Confira a seguir todos os ganhadores do prêmio, seus clubes e nacionalidade:
1991: Lothar Matthäus (Internazionale/Alemanha)
1992: Marco van Basten (Milan/Holanda)
1993: Roberto Baggio (Juventus/Itália)
1994: Romário (Barcelona/Brasil)
1995: George Weah (Milan/Libéria)
1996: Ronaldo (Barcelona/Brasil)
1997: Ronaldo (Internazionale/Brasil)
1998: Zinedine Zidane (Juventus/França)
1999: Rivaldo (Barcelona/Brasil)
2000: Zinedine Zidane (Juventus/França)
2001: Luis Figo (Real Madrid/Portugal)
2002: Ronaldo (Real Madrid/Brasil)
2003: Zinedine Zidane (Real Madrid/França)
2004: Ronaldinho (Barcelona/Brasil)  
2005: Ronaldinho (Barcelona/Brasil)  
2006: Fabio Cannavaro (Real Madrid/Itália)
2007: Kaká (Milan/Brasil)
2008: Cristiano Ronaldo (Manchester United/Portugal)
2009: Lionel Messi (Barcelona/Argentina)
2010: Lionel Messi (Barcelona/Argentina)
2011: Lionel Messi (Barcelona/Argentina)*
Se a competição fosse por clubes, a classificação seria:
Barcelona: 8*
Real Madrid: 4
Juventus: 3
Milan: 3
Internazionale: 2
Manchester United: 1
Como se pode notar, apenas um seleto grupo de clubes tiveram seus atletas reconhecidos como melhores. Caso a conquista de Messi se confirme, o Barcelona abrirá ainda mais sua distância para a concorrência.
Todavia, se a competição fosse entre países, o Brasil estaria na frente:
Brasil: 8  
França: 3
Argentina: 3*
Itália: 2
Portugal: 2
Alemanha: 1
Holanda: 1
Libéria: 1  
Apesar de liderar com folga, o Brasil não tem um eleito desde 2007 quando Kaká conduziu o Milan aos títulos continental e mundial. Curiosamente, a Espanha, atual campeã do mundo, nunca teve um jogador premiado. Em grande parte, isso se deve ao fato de que normalmente as maiores estrelas de La Liga são estrangeiras. Por sua vez, a Argentina deve chegar ao seu terceiro prêmio e, como se trata de Messi, não é difícil imaginar mais troféus vindo por aí.
*A confirmar.
Imagem: Gastau Nacarino/LANCEPRESS