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terça-feira, 5 de maio de 2015

Uma chance para Coutinho

As surpresas relativas à convocação da Seleção Brasileira para a disputa da Copa América começaram com o anúncio de João Doria Júnior como chefe da delegação brasileira no Chile. Figura conhecida muito mais por sua faceta de apresentador de TV e pelo posicionamento político do que pela afinidade com o futebol, o empresário surge como um recado da cúpula da CBF dizendo ao esporte nacional de que lado a entidade está. Felizmente para a Seleção, o posto de chefe de delegação não guarda a mesma importância dos tempos de Paulo Machado de Carvalho, nome de indiscutível relevância organizacional e logística nas campanhas vitoriosas de 1958 e 1962.
Outra surpresa desagradável, esta dentro de campo, foi a não convocação de Oscar para a competição que se inicia em 11 de junho. Lesionado, o meia tem uma estimativa de lenta recuperação, o que comprometeria o nível de sua participação. Se é que existe a possibilidade de haver uma boa notícia neste caso, vale ressaltar que o atleta do Chelsea atua de forma praticamente ininterrupta desde 2011 e um merecido descanso não só não faz mal como pode garantir uma performance melhor quando as Eliminatórias para a Copa do Mundo tiverem início.

Por outro lado, a ausência de Oscar na lista abre espaço para Philippe Coutinho finalmente alcançar o esperado destaque no elenco do técnico Dunga. Vindo de temporadas brilhantes com a camisa do Liverpool, Coutinho pode ser peça criativa que falta ao meio-campo da Seleção. Além disso, seu bom entrosamento com Neymar nascido ainda nos tempos de sub-17 pode representar um diferencial para o selecionado verde-amarelo.
Em boa fase no Porto, Casemiro aparece como opção de volante com passe mais qualificado. Mesmo que o titular da posição seja Luiz Gustavo, não deixa de ser positivo perceber que Dunga enxerga o que o mundo do futebol pede que o jogador dessa posição desenvolva. Paralelamente, nomes como Everton Ribeiro e Diego Tardelli estão na berlinda por atuarem em ligas periféricas. Preenchendo a cota experiência da Seleção, Robinho também teve seu chamado questionado, apesar do bom momento que atravessa no Santos.
Confira abaixo os 23 jogadores convocados para os amistosos contra México (7 de junho) e Honduras (10 de junho) e para a disputa da Copa América:
Goleiros: Diego Alves (Valencia), Jefferson (Botafogo), e Marcelo Grohe (Grêmio);
Zagueiros: David Luiz (PSG), Marquinhos (PSG), Miranda (Atlético de Madrid) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Danilo (Porto), Fabinho (Monaco), Filipe Luís (Chelsea) e Marcelo (Real Madrid);
Volantes: Casemiro (Porto), Elias (Corinthians), Fernandinho (Manchester City), e Luiz Gustavo (Wolfsburg);
Meias: Douglas Costa (Shakhtar Donetsk), Everton Ribeiro (Al Ahli), Philippe Coutinho (Liverpool) e Willian (Chelsea);
Atacantes: Diego Tardelli (Shandong Luneng), Neymar (Barcelona), Roberto Firmino (Hoffenheim) e Robinho (Santos).
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Getty

domingo, 7 de abril de 2013

Lembra desse?!

Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca esqueceu.
O fim dos pontas
Vanderlei Luxemburgo estava em alta em 2005. Então treinador do Real Madrid, pediu a contratação de Robinho e a negociação de Luis Figo. Participando do programa “Bem, Amigos” do canal Sportv, o técnico deu uma curiosa explicação para a saída do português: “Os pontas estão acabando no futebol mundial. Os meias e atacantes devem se deslocar conforme a movimentação da bola.”
O veterano comentarista Alberto Helena Júnior discordou com veemência: “Grandes times e seleções da Europa atuam com pontas e usam o 4-3-3. No Manchester United, o Giggs...” Luxemburgo interrompe: “O Ferguson está louco para se livrar do Giggs!” O debate começou a ficar quente quando o apresentador Galvão Bueno, infelizmente, interferiu: “Não vamos ficar falando de tática aqui, né?” E encerrou a discussão.
Como se sabe, os pontas (com os devidos ajustes em suas funções) estão longe de se extinguir. Os sistemas 4-2-3-1 e 4-3-3 necessitam de jogadores capazes de atuar pelos flancos e se aproximar do centroavante, o que indica que tais módulos terão vida longa. Quando me recordei da auto-suficiência que Luxemburgo demonstrou naquela noite, percebi o quanto Paulo Autuori estava certo ao falar sobre a arrogância dos treinadores brasileiros. Mas, naquele momento, o atual comandante do Grêmio estava tão seguro que parecia um visionário prevendo o futuro.
Estava errado.
Em tempo: Ryan Giggs completou no mês de março seu 1000º jogo com a camisa do Manchester United. Agora não atua tanto como autêntico ponteiro, porém, Ferguson já manifestou o desejo de permanecer com o galês por mais uma temporada, pelo menos.
Você conhece alguma história interessante sobre o mundo da bola?
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sábado, 23 de março de 2013

Para que tanta pressa?

Ao contrário do pensamento de muitos, a atuação de Neymar no amistoso contra a Itália não ficou abaixo das minhas expectativas. A boa jogada que terminou no arremate que esbarrou em Buffon, a corrida de uma intermediária a outra antes da assistência para o gol de Oscar e o passe na medida que Hulk desperdiçou ao pisar na bola confirmam o que considero uma boa apresentação. Não foi pouco, pois não esperava que a Azzurra se comportasse como um São Caetano e oferecesse fartos espaços para o santista brilhar.
Existe uma gigantesca pressa das pessoas na tentativa de estabelecer ou alijar Neymar do topo do futebol mundial. Analisam cada partida como se fosse a última e nela tentam provar o nível em que o brasileiro se encontra. Não há necessidade disso. O atacante construirá sua história dentro de seu tempo e a inevitável transferência para a Europa o colocará diante de grandes desafios com uma frequência que não deixará dúvidas sobre seu real potencial.
Robinho provavelmente foi a maior vítima dessa afobação. Quando atuava no Brasil era considerado craque e muito entendiam que sua eleição para o posto de melhor jogador do mundo seria apenas questão de tempo. Em 2005, Tostão escreveu uma coluna que resume bem a visão que os analistas tinham do então jogador do Santos. Naquele momento, Robinho era visto como craque. Tempos depois, ficou evidente que seu patamar verdadeiro não era esse.
Ao que tudo indica, Neymar será melhor do que Robinho. A facilidade que Neymar tem para marcar gols é o principal diferencial entre eles. Perto dos 30 anos, o camisa 7 do Milan ainda não se aperfeiçoou nesse fundamento e não dá sinais de que vá melhorar. Por sua vez, Neymar sabe finalizar com as duas pernas, cobra com categoria faltas de curta e média distância e apresenta uma frieza incomum para sua idade quando se encontra de frente para o goleiro. Todavia, se a intenção é classificá-lo entre os melhores do mundo, isso só será possível após a transferência para o Velho Continente. Só então haverá a correta avaliação de que a atual percepção sobre ele se confirmou ou não.
Crédito da foto: Agência Getty Images

terça-feira, 17 de julho de 2012

Olhando o passado para enxergar o presente

Pense rápido: O que Denílson, Robinho, Rivaldo e Kaká têm em comum? A resposta é que os quatro deixaram o País sob diferentes expectativas e ao chegarem à Europa tiveram desempenhos que não eram imaginados pela maioria. Enquanto os dois primeiros foram bem abaixo do esperado, os últimos foram sucesso por muitas temporadas. Denílson, considerado quase um Garrincha da ponta-esquerda, foi durante muitos anos a contratação mais cara envolvendo um jogador brasileiro. Contratado junto ao modesto Bétis, nunca correspondeu às expectativas. Por sua vez, Robinho desembarcou em Madri para se tornar a resposta merengue a Ronaldinho, então astro do Barcelona. Embora não tenha sido um fiasco completo, também fracassou. Enquanto isso, Rivaldo e Kaká, vistos com desconfiança, tiveram carreiras brilhantes no Velho Continente e alcançaram, com justiça, o título de melhor do mundo em 1999 e 2007.
Neste momento, Neymar é o brasileiro atende pelo epíteto de futuro craque mundial. Rápido, driblador e artilheiro, parece questão de tempo para a jóia da Vila alcançar o topo. Por outro lado, a desconfiança atende pelo nome de Lucas Moura. Alvo de Internazionale e Manchester United, o meia do São Paulo está longe de ser unanimidade por aqui. Considerado imaturo quando comparado com Neymar e marcado pela irregularidade em seu time, Lucas é apontado por muitos como um embuste. Algo que, de certo modo, faz lembrar o que aconteceu com Rivaldo e Kaká.
Lucas, assim como os dois craques, é visto com desconfiança até por sua própria torcida. Nem mesmo sua velocidade, forte chute e lampejos de puro talento conseguem demover a imagem que fazem dele. Muito menos os 20 anos lhe servem como desculpa. Não por acaso, não falta quem considere exagerados os supostos 38 milhões de euros com os quais o United assinalou sua última proposta. Mas talvez não seja pelo ponto de vista do clube inglês. Acostumados a grandes contratações, os olheiros dos Red Devils provavelmente tabulam todos os dados do jogador em questão, seus pontos fortes e fracos e sua margem de crescimento. Tudo cientificamente, na medida em que o futebol permite ser. No entanto, muitos preferem a análise romântica que mede o número que grandes jogadas por partida, uma pedalada sem propósito no meio-campo ou, no máximo, o número de gols. Creio que já vimos esse filme antes. Se o final será o mesmo, só o tempo dirá.
Imagem: Fox Sports

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Contagem Regressiva: Fevereiro de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Ano novo, aposta velha.
No último dia 14, o técnico Mano Menezes convocou os 23 jogadores que integrarão a Seleção Brasileira no amistoso diante da Bósnia no próximo dia 28 em St. Gallen, Suiça. A maior surpresa da lista foi a manutenção de Ronaldinho Gaúcho seguida da declaração de Mano informando que o flamenguista faz parte de seu projeto, o que soa absurdo para quem acompanhou os últimos cinco anos da carreira do meia-atacante.
Em alto nível, Ronaldinho não atua desde a temporada 2005/6 quando conduziu o Barcelona ao título europeu daquele certame. Na Copa da Alemanha, porém, foi um fantasma em campo e, salvo por alguns momentos de brilho no Milan e no Flamengo, nunca mais foi o craque que encantou o mundo. Obviamente, ninguém esperava que aquele altíssimo nível fosse mantido até o final de sua carreira, mas o que Ronaldinho vem mostrando nos últimos anos não o credencia a estar na Seleção e muito menos fazer parte de um projeto que objetiva conquistar o Mundial no Brasil.
Seguindo a estranheza que permeia a convocação, destaca-se a ausência de Kaká e Robinho. O primeiro, convocado no fim do ano passado, porém cortado por lesão, não atravessa grande fase, embora seja dois anos mais jovem que Ronaldinho e muito mais dedicado à carreira. O segundo, peça-chave durante a gestão de Dunga, não é chamado há algum tempo, apesar de estar em seu melhor momento no futebol europeu. Curiosamente, a ausência do milanista coincide com seu rompimento com a Nike. Outros nomes que chamam a atenção são Elias e Fernandinho, jogadores discretos, mas figuras constantes nas listas do técnico.  
Entre as principais ausências, além de Kaká e Robinho, estão os interistas Maicon e Lúcio, o volante Ralf, o meia Oscar e o atacante Fred. Por outro lado, as presenças de oito atletas sub-23 indicam que, neste momento, os Jogos de Londres são prioridade no trabalho de Mano Menezes. Todavia, o fato de não haver nenhum jogador dessa faixa etária entre os centrais convocados, mostra um ponto fraco a ser solucionado antes da busca pelo inédito ouro olímpico.
Confira abaixo a lista completa: 
Goleiros: Diego Alves (Valencia), Júlio César (Internazionale) e Rafael (Santos);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Dedé (Vasco da Gama), Luisão (Benfica) e Thiago Silva (Milan);
Laterais: Alex Sandro (Porto), Adriano (Barcelona), Daniel Alves (Barcelona), Danilo* (Porto) e Marcelo (Real Madrid);
Volantes: Elias (Sporting), Fernandinho (Shakhtar Donetsk) e Sandro (Tottenham);
Meias: Hernanes (Lazio), Paulo Henrique Ganso (Santos), Lucas (São Paulo) e Ronaldinho (Flamengo);
Atacantes: Hulk (Porto), Jonas (Valencia), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Santos).
* Posteriormente cortado por lesão.
O rival:
Apesar do desdém de parte da imprensa brasileira, a seleção bósnia está longe de ser uma presa fácil. É verdade que diante de Portugal os Golden Lilies não conseguiram se classificar para a Copa de 2010 e a Euro 2012, mas nomes importantes no cenário europeu como Pjanic, Misimovic, Dzeko e Ibisevic estão aí para mostrar que os comandados do técnico Safet Susic podem surpreender muita gente.
De olho na Copa:
Fevereiro foi marcado pela possível renúncia de Ricardo Teixeira – que acabou não acontecendo – e por novas acusações ao presidente da CBF. Apesar da possibilidade de vermos o futebol brasileiro livre da figura de Teixeira, este blog considerou que, apesar disso, não há o que comemorar.    
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagens: Getty Images e Associated Express

domingo, 6 de novembro de 2011

Lembra desse?!

Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca esqueceu.
A pressa é sempre inimiga.
É normal entre os fãs de futebol a necessidade de cravar o futuro de um garoto bom de bola. Aliás, faz parte da pressa dos dias de hoje, onde as notícias da última semana parecem ser de um passado longínquo. Agora, a bola da vez é Neymar. Surgem a todo o momento novas comparações com craques consagrados, numa ânsia desenfreada de estabelecer logo em que patamar o jogador do Santos está na história do futebol.
Isso me fez lembrar o distante 1996. No primeiro semestre daquele ano, Zagallo, técnico da seleção, buscava sua dupla de ataque ideal após decidir que Romário não faria parte do grupo que tentaria a conquista do ouro nos Jogos de Atlanta. Um dos titulares era Bebeto, campeão do mundo dois anos antes e um dos três jogadores acima dos 23 anos (os outros eram Aldair e Rivaldo) que foram escolhidos pelo Velho Lobo. Ao lado do atacante baiano, o nome preferido era o de Sávio, estrela do Flamengo e uma das maiores promessas brasileiras para as Olimpíadas e o Mundial da França. Marques e Amoroso também brigavam pela vaga, enquanto Ronaldo do PSV, que ainda se recuperava de uma cirurgia no joelho, parecia uma opção distante e pouco interessante.
Todavia, por uma manobra do destino, Marques se lesionou a poucos dias da convocação e abriu espaço para o futuro fenômeno entre os 18 convocados. Nos EUA, Ronaldo não precisou de muito tempo para mostrar quem era o verdadeiro titular da posição, anotando seis gols na campanha. O Brasil ficou apenas com o bronze, mas o centroavante, que se apresentou ao Barcelona logo depois, deixou claro qual seria seu lugar na história. Por sua vez, Sávio não fracassou na carreira. Pelo contrário. Negociado com o Real Madrid, o ponta foi titular em diversas ocasiões e conquistou muitos títulos, mas nunca chegou a ser o que dele se esperava.   
Denílson foi um caso semelhante. Nasceu no São Paulo como uma espécie de Garrincha canhoto, encarnando o espírito dos velhos ponteiros. Era a primeira opção de banco na Copa de 1998, porém, não passou nem perto de corresponder às expectativas. Vendido ao Betis por 32 milhões de dólares, foi durante anos o jogador brasileiro mais caro da história. Descrever a passagem de Denílson pela Espanha como fracasso seria eufemismo. A contratação do brasileiro pelo clube andaluz seguramente figura entre as piores da história na relação custo-benefício. Ao todo, foram 33 gols em 186 partidas, nenhum título conquistado e um rebaixamento no currículo.
O ano de 2002 marcou o surgimento da dupla Diego e Robinho. À época era impossível falar de um sem mencionar o outro. Eles eram arco e flecha a serviço do Santos campeão brasileiro daquele ano. Diego era técnico, cerebral, um perfeito maestro. Robinho era o drible, a velocidade e a fantasia. Lembro-me até a hoje da coluna de Juca Kfouri no jornal Lance! do dia seguinte: “Feliz do Santos que um dia teve Pelé e hoje tem Pelé (Robinho) e Maradona (Diego).” Desnecessário explicar o absurdo da observação, mas a verdade é que Diego e Robinho realmente eram vistos como os futuros craques do Brasil. Não foi o que se viu. Robinho, que sem modéstia se anunciava como futuro melhor do mundo, pelo menos disputou duas Copas, foi muito importante na Era Dunga e tem mais prestígio atualmente. Por sua vez, Diego tenta reerguer sua carreira no Atlético de Madrid após frustrantes passagens por Juventus e Wolfsburg.  
Hoje, coincidentemente, Ganso e Neymar repetem a história no mesmo clube paulista. Muitos veem em Ganso a figura do clássico meia armador há muito perdida em nosso futebol. Infelizmente, as frequentes lesões o deixaram à margem da evolução do amigo, pois Neymar é a nova febre do Brasil. É adorado por crianças e adultos. Seus gols e dribles são mostrados a exaustão e muitos juram que o santista já atingiu o patamar de Messi e Cristiano Ronaldo, mesmo sabendo que sem uma transferência para a Europa é praticamente impossível a comparação.  Mas existe a pressa, a necessidade compulsiva de se classificar definitivamente um atleta de apenas 19 anos. Que tal deixar o garoto traçar seu caminho? Como vimos acima, não faltam exemplos de promessas que não se cumpriram.
Imagens: Lancenet, Reuters, IG e Gazeta Press          
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domingo, 18 de setembro de 2011

Não caia nessa, Neymar!

Os mais jovens podem não se lembrar, mas os atacantes Denílson e Robinho deixaram o Brasil para jogar na Europa sob expectativas maiores por parte de imprensa e torcida do que Ronaldinho Gaúcho e Kaká. A história tratou de mostrar quem era quem, mas a verdade é que tanto o ex-são-paulino quanto o ex-santista eram considerados craques quando foram negociados.
Denílson era tido como uma espécie de Garrincha da ponta esquerda. Um entortador de laterais que, vendido por absurdos U$ 32 milhões pelo São Paulo ao Bétis, nunca entregou o que dele se esperava. Por sua vez, Robinho era visto como provável melhor do mundo por nove entre dez fãs brasileiros. Suas pedaladas enchiam os olhos e o topo parecia apenas questão de tempo. Me lembro bem de uma coluna de Juca Kfouri publicada no jornal Lance! após o título brasileiro do Santos em 2002 que dizia: “Feliz do clube que um dia teve Pelé e que hoje tem Pelé (Robinho) e Maradona (Diego).” Desnecessário comentar o exagero de tal pensamento.
Temo, sinceramente, que Neymar possa seguir o mesmo caminho. Não que falte talento ao jovem santista. Nada disso. Ao contrário dos jogadores citados no parágrafo anterior, Neymar é muito mais completo: Dribla em velocidade, tem visão de jogo e finaliza muito bem. O problema, como disse o goleiro Rogério Ceni no programa “Bem Amigos”, é outro e atende pelo nome de cai-cai. Uma prática comum ao futebol brasileiro, mas que não é tolerada na Europa, seu destino certo. O próprio jogador já foi vaiado por conta disso no amistoso contra a Escócia. Neymar atuou muito bem naquela ocasião, mas os apupos dos estrangeiros presentes ao estádio a cada vez que o garoto pegava na bola são uma lembrança forte daquele dia. Uma revolta que teve início quando ele tentou simular da mesma maneira que faz aqui.
Conforme revelou o jornalista Arnaldo Ribeiro em seu blog, lamentavelmente, esse expediente é (ou pelo menos era) incentivado pelo pai do atleta que entendia os saltos como uma forma de proteção e ao mesmo tempo de exploração da fragilidade da arbitragem local. Hoje, é possível dizer que o atacante melhorou muito nesse quesito, procurando ficar mais em pé, mesmo assim está longe do ideal.
Se Neymar quer brilhar na Europa e pela Seleção, será mais do que necessário rever essa estratégia. Nesta semana mesmo, vimos outro brasileiro, o lateral Marcelo do Real Madrid, sendo expulso da partida em que seu time visitava o Dínamo Zagreb por simular um pênalti. Já pendurado por um cartão amarelo, Marcelo viu o árbitro sacar o segundo cartão após seu mergulho na área croata.
No entanto, o maior problema nem está na possibilidade de expulsões ou suspensões, mas numa possível incapacidade do jogador entender como o jogo funciona no Velho Continente. Caso seu comportamento não mude, o prodígio pode não constatar que lá o futebol se joga em pé. Se não perceber isso, periga passar mais tempo na horizontal suplicando por marcações que nunca virão do que buscando as redes adversárias. Neste momento, estará muito mais próximo de ser um Denílson ou um Robinho do que de Ronaldinho e Kaká. Uma pena, pois talento não lhe falta.                
Imagem: Gazeta Press

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Chega de desculpas.

Na última coluna “Contagem Regressiva”, este blogueiro destacou os riscos de se marcar amistosos contra adversários mais duros neste estágio de preparação da Seleção Brasileira. E o maior perigo era justamente enfrentar um time mais entrosado e em melhor fase e perder mais uma partida logo na sequência da amarga eliminação da Copa América.
Lembrando que o compromisso diante da Alemanha havia sido marcado antes do torneio sul-americano, então era a hora de Mano Menezes inventar o menos possível. Não convocar nomes pedidos por nove entre dez torcedores como Marcelo e Hernanes e relegar Paulo Henrique Ganso à reserva do mediano Fernandinho é pedir para ser cornetado. Agora, após a derrota para a Alemanha por 3 a 2 em Stuttgart, Mano pode ter certeza de que as trombetas irão soar como nunca.
O caso do meia santista é o que mais chama a atenção. Diante de um rival que se instalou no campo ofensivo e que controlava as ações no meio-campo, nada mais óbvio do que ter em Ganso um jogador não só para iniciar os contragolpes como tentar reter a bola nos pés brasileiros quando necessário. Usando o velho clichê, é como atacar com flechas (Robinho, Neymar e Pato), mas esquecer o arco.
Obviamente, não faço coro àqueles torcedores que pedem a saída de Mano como fazem com os treinadores de seus times. Porém, não restam dúvidas de que o tempo para desculpas acabou. Desde que assumiu, o ex-técnico do Corinthians não viu sua seleção vencer nenhum adversário de maior porte. Perdeu para França, Argentina e Alemanha e empatou com a Holanda jogando em território brasileiro. Se existe um momento para se rever alguns conceitos é exatamente este. Antes que seja tarde.   
Imagem: Reuters

terça-feira, 14 de junho de 2011

Para tudo há uma explicação.

Acompanhei com atenção a participação de Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, no programa Bem Amigos do canal Sportv. O objetivo era conhecer o posicionamento de Mano a respeito das ausências de Marcelo, Hernanes e Hulk das últimas convocações e, quem sabe, entender um pouco mais suas concepções técnicas e táticas do time titular.
E, apesar da natural reserva diante de assuntos internos, o treinador não fugiu de nenhuma questão. Sobre os ausentes, esclareceu que Hulk, por ser jogador de lado de campo, disputa posição com Robinho e Neymar. Não vê em Hernanes as características necessárias para a função de armador e ainda deu pistas de que Marcelo foi preterido da lista por ter deixado a Seleção em segundo plano ao simular que a lesão que sofreu antes do amistoso contra a Escócia em março era mais grave do que realmente era.
Do trio, o momento do lateral do Real Madrid parece ser o mais delicado. Sem a explicação definitiva de Mano Menezes, o apresentador Galvão Bueno trouxe à tona uma situação de bastidores onde um e-mail de Marcelo teria equivocadamente chegado às mãos do treinador. Nessa mensagem o jogador avisava ao Real Madrid de que “já estava livre da Seleção” e que poderia se reapresentar ao clube. “É mais ou menos isso”, respondeu Mano.
O técnico completou dizendo que além do aspecto sentimental também se apóia em fatos. A versão conhecida dá conta de que Marcelo disse ao médico da delegação brasileira Rodrigo Lasmar que não precisaria examiná-lo porque estava cortado. Dias depois, o próprio Mano testemunhou um treinamento dos Merengues onde o lateral esquerdo se mostrava apto para jogar.
Apesar de não ter decretado o fim da passagem de Marcelo em sua gestão, ficou claro que a relação de confiança foi quebrada. E quando lembramos que Dunga dava indícios de que no seu tempo o comportamento do atleta era o mesmo, não há razão agora para acreditar que a postura tenha mudado.
No que tange a montagem do time titular, Mano deu algumas pistas interessantes. Esclareceu que seus sistemas preferidos são o 4-2-3-1 e o 4-3-3 e que imagina o meio-campo e o ataque montados com um primeiro volante, um segundo volante saindo mais para o jogo, um meia armador, um meia atacante, um segundo atacante que atue mais pelos lados do campo e um centroavante. E que, a princípio, a função de meia atacante cabe a Robinho.
Deste modo, com os retornos de Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato ao onze inicial, podemos ilustrar o esquema tático canarinho conforme a figura ao lado. Nele, é bom levar em consideração que posição e função são coisas distintas.
Crédito da Imagem: Globo Esporte.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Top 10.

Infelizmente, restam na internet brasileira poucos espaços onde ainda é possível debater sobre futebol internacional sem sofrer agressões de toda ordem por pessoas que não são capazes de respeitar aqueles que pensam de maneira diferente.
Generalizando um pouco, é possível separar essas pessoas em dois grupos: Os brasileirinhos, ufanistas incapazes de enxergar qualidade em quem não é brasileiro, e os estrangeirinhos ou “pseudos”, corrente que surgiu para combater os pachecos, mas que acabou se transformando no outro extremo do pensamento.
Para identificá-los melhor, decidi dividir o Top 10 em dois e explicar em tópicos o comportamento de cada segmento...
Cinco dicas para se identificar um “brasileirinho”.
1 – Um brasileiro nunca pode fracassar na Europa por sua própria culpa. Será sempre por causa do técnico “que não gosta de brasileiros”, “saudade do feijão”, do frio, etc.;
2 – No melhor estilo Galvão Bueno, defende que, em Copas, o Brasil só perde para ele mesmo, independente se do outro lado estava uma grande seleção;
3 – Um brasileiro nunca deve se adaptar ao esquema de jogo do seu time, o time é que precisa se preparar para aproveitar melhor o talento brazuca;  
4 – O Brasileirão é o campeonato mais difícil do mundo, o mais disputado e equilibrado. Afinal, temos mais de uma dezena de times grandes e é daqui que saem os melhores jogadores do mundo;
5 – Europeus são, por natureza, pernas-de-pau e cintura-dura. Se em último caso o gringo for habilidoso, é porque parece brasileiro.  
Cinco dicas para se identificar um “estrangeirinho”.
1 – Se um brasileiro fracassar na Europa será sempre por sua própria incompetência. Se um europeu fracassar noutro país (como Bergkamp na Inter e Hagi no Real Madrid e Barcelona) a razão sempre será outra;
2 – Robinho é o alvo preferido. O fato de nunca ter se confirmado craque é festejado como um troféu;
3 – Apesar dos cinco títulos mundiais e do grande número de craques que produziu, a Seleção Brasileira será frequentemente redimensionada, sendo, no máximo, no mesmo nível das outras grandes;
4 – A torcida por outros selecionados é outro sintoma. Não precisa haver identificação por ser descendente ou algo assim. Porém, se essa seleção perde em alguma competição não há tristeza. O negócio é torcer contra o Brasil;
5 – O futebol brasileiro não pode ser melhor em nenhum aspecto. Vibração da torcida, medicina esportiva, prazer em jogar pela Seleção, nada disso é levado em conta. Até a arbitragem inglesa que permite entradas criminosas é celebrada. “Deixa o jogo correr”, dizem.
E então, leitor, conhece muitos torcedores que se encaixam nas descrições acima?
Crédito da imagem: UEFA

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A distância entre o discurso e a prática.

Quando assumiu a Seleção Brasileira após a Copa do Mundo de 2010, Mano Menezes disse exatamente o que as pessoas queriam ouvir. Além de falar em renovação, afirmou que o Brasil buscaria o protagonismo perdido. Na prática, isso significava romper com a filosofia de jogo mais pragmática implantada por Dunga e apostar num futebol mais ofensivo e fluído, baseando-se no talento.
O primeiro amistoso diante dos Estados Unidos foi dos mais auspiciosos. Vitória e futebol de encher os olhos com a presença de um trio ofensivo formado por Robinho, Neymar e Pato, munido pelo maestro Paulo Henrique Ganso. No dia seguinte, a conclusão era uma só: Para retomar o protagonismo, era assim que a Seleção deveria jogar.
Os meses passaram e não foi isso o que se viu. Contra a Argentina, um precavido Mano colocou em campo um time sem um homem de referência e com Robinho e Neymar flutuando no ataque apoiados por um anacrônico Ronaldinho, substituído depois por um inexplicável Douglas. A derrota por um a zero - com o gol saindo nos acréscimos após linda jogada de Messi - se não tirou a confiança, deixou uma pulguinha atrás da orelha de quem viu aquela opaca apresentação.
Agora foi a vez da sempre indigesta França fazer soar de vez o sinal de alerta. Tudo bem que a vitória dos Bleus, que atuavam em seus domínios, sobre um time que contava com apenas dez homens em campo (Hernanes foi expulso aos 38 minutos do 1º tempo) precisa ser relativizada. Mesmo assim, a excessiva preocupação defensiva do técnico brasileiro tanto na escalação inicial quanto nas alterações promovidas mostram que o discurso inicial talvez não seja o mais apropriado.
Embora Elias possa ser considerado um jogador mais ofensivo que Felipe Melo, o desenho tático deste Brasil lembra demais o criticado sistema utilizado por Dunga. Foi impossível não reconhecer no 4-2-3-1 de hoje as mesmas ideias do time que caiu nas quartas-de-final da África do Sul. Além de dois volantes, Renato Augusto emulava Elano na direita, Hernanes armava por dentro e Robinho se manteve na mesma função dos últimos anos abrindo mais pela esquerda. Na frente, um quase sempre solitário Alexandre Pato tentava repetir o antecessor Luís Fabiano.
Todavia, se o sistema é basicamente o mesmo, os resultados não são. No geral, o Brasil de Dunga parecia mais sólido em campo. Mesmo quando jogava mal (e isso não ocorreu poucas vezes) costumava sair com uma vitória magra ou um empate. O problema é que o tetracampeão já carregava consigo a aversão de torcedores e imprensa que viam nele a personificação do antifutebol, algo que, somado aos seus rompantes, provocavam antipatia quase geral.
Para sua sorte, Mano Menezes não sofre como essa aversão coletiva. Embora não tenha um currículo dos mais vastos, o ex-técnico do Corinthians sempre mostrou equilíbrio em suas palavras que sempre soam calculadas, quase frias. No entanto, sem resultados, não há proposta que se sustente. E, caso Mano não queira descobrir isso de uma maneira dolorosa, é bom passar a colocar suas próprias palavras em prática.  
Crédito da Imagem: AFP