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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Os primeiros três pontos

Após dez vitórias seguidas em amistosos, a Seleção Brasileira entrou em campo na noite deste domingo para a primeira partida oficial após a Copa do Mundo. Como não poderia deixar de ser, tratava-se de um jogo cercado de expectativa, uma vez que uma sombra da desconfiança pairava – e ainda paira – sobre a equipe do técnico Dunga. Não havia dúvida que recolher os cacos do maior fracasso da história do futebol nacional e recomeçar não seria uma tarefa fácil. E isso ficou bastante evidente na estreia na Copa América diante do Peru.
Nesse cenário, sofrer um gol pouco depois do pontapé inicial em seguidas falhas da defesa está longe de ser o melhor dos mundos. Apesar da resposta de Neymar ter ocorrido rapidamente, ficou claro ali que o nervosismo deu a tônica da Seleção daquele momento em diante. A compactação e o sentido mais coletivo que marcaram as partidas anteriores não foram os mesmos e o time buscou a vitória pelo caminho mais complicado, ou seja, aos trancos e barrancos.
Com David Luiz repetindo os abandonos de sua linha para disputar bolas altas no meio e jogadores dando botes precipitados que basicamente serviam para abrir clareiras na defesa, a Seleção lembrou o amontoado de Felipão de tão dolorosa memória. Sem uma geração brilhante, Dunga precisa mais do que nunca transformar seu elenco em um time capaz de ser competitivo e taticamente equilibrado, feito que alcançou no Mundial da África do Sul, embora tenha se perdido em sua gratidão a alguns nomes úteis na conquista da Copa América de 2007, mas que não tinham mais como contribuir três anos depois.
Desta vez, sem Oscar desde a convocação e sem Philippe Coutinho para o cotejo de estreia a criatividade do meio de campo verde-amarelo ficou quase toda a cargo de Willian. Percorrendo todos os lados do campo, o atleta do Chelsea tentou acionar Neymar por diversas vezes e foi uma das poucas peças lúcidas no gramado. Só não foi o melhor do Brasil porque havia Neymar, aquele que continua sendo o fator de desequilíbrio do time. Neymardependência? Melhor depender dele do que não ter ninguém a quem recorrer. Todavia, para as ambições brasileiras, isso talvez não seja o suficiente.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Getty

terça-feira, 5 de maio de 2015

Uma chance para Coutinho

As surpresas relativas à convocação da Seleção Brasileira para a disputa da Copa América começaram com o anúncio de João Doria Júnior como chefe da delegação brasileira no Chile. Figura conhecida muito mais por sua faceta de apresentador de TV e pelo posicionamento político do que pela afinidade com o futebol, o empresário surge como um recado da cúpula da CBF dizendo ao esporte nacional de que lado a entidade está. Felizmente para a Seleção, o posto de chefe de delegação não guarda a mesma importância dos tempos de Paulo Machado de Carvalho, nome de indiscutível relevância organizacional e logística nas campanhas vitoriosas de 1958 e 1962.
Outra surpresa desagradável, esta dentro de campo, foi a não convocação de Oscar para a competição que se inicia em 11 de junho. Lesionado, o meia tem uma estimativa de lenta recuperação, o que comprometeria o nível de sua participação. Se é que existe a possibilidade de haver uma boa notícia neste caso, vale ressaltar que o atleta do Chelsea atua de forma praticamente ininterrupta desde 2011 e um merecido descanso não só não faz mal como pode garantir uma performance melhor quando as Eliminatórias para a Copa do Mundo tiverem início.

Por outro lado, a ausência de Oscar na lista abre espaço para Philippe Coutinho finalmente alcançar o esperado destaque no elenco do técnico Dunga. Vindo de temporadas brilhantes com a camisa do Liverpool, Coutinho pode ser peça criativa que falta ao meio-campo da Seleção. Além disso, seu bom entrosamento com Neymar nascido ainda nos tempos de sub-17 pode representar um diferencial para o selecionado verde-amarelo.
Em boa fase no Porto, Casemiro aparece como opção de volante com passe mais qualificado. Mesmo que o titular da posição seja Luiz Gustavo, não deixa de ser positivo perceber que Dunga enxerga o que o mundo do futebol pede que o jogador dessa posição desenvolva. Paralelamente, nomes como Everton Ribeiro e Diego Tardelli estão na berlinda por atuarem em ligas periféricas. Preenchendo a cota experiência da Seleção, Robinho também teve seu chamado questionado, apesar do bom momento que atravessa no Santos.
Confira abaixo os 23 jogadores convocados para os amistosos contra México (7 de junho) e Honduras (10 de junho) e para a disputa da Copa América:
Goleiros: Diego Alves (Valencia), Jefferson (Botafogo), e Marcelo Grohe (Grêmio);
Zagueiros: David Luiz (PSG), Marquinhos (PSG), Miranda (Atlético de Madrid) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Danilo (Porto), Fabinho (Monaco), Filipe Luís (Chelsea) e Marcelo (Real Madrid);
Volantes: Casemiro (Porto), Elias (Corinthians), Fernandinho (Manchester City), e Luiz Gustavo (Wolfsburg);
Meias: Douglas Costa (Shakhtar Donetsk), Everton Ribeiro (Al Ahli), Philippe Coutinho (Liverpool) e Willian (Chelsea);
Atacantes: Diego Tardelli (Shandong Luneng), Neymar (Barcelona), Roberto Firmino (Hoffenheim) e Robinho (Santos).
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Getty

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O emocional como maior adversário


Como esperado, a estreia brasileira na Copa do Mundo foi uma partida complicada. O choro de alguns jogadores da Seleção e a perceptível emoção estampada nos rostos de todos indicavam que o time começaria com os nervos à flor da pele. E foi o que aconteceu. Oscar, o melhor em campo dentro dos noventa minutos, começou disperso e perdeu duas bolas que originaram contra-ataques perigosos da Croácia. Num deles surgiu o gol contra de Marcelo. Ainda no lance que abriu o placar, Daniel Alves tentou, inexplicavelmente, pressionar o goleiro Pletikosa e acabou deixando um imenso vazio na lateral direita que o atacante Olic soube aproveitar bem.

E foi exatamente após o gol croata que surgiu o pior adversário do jogo: Dominar o próprio emocional e buscar a reação. Marcelo mostrou logo que não se intimidaria e exibiu uma raça incomum até mesmo para ele. Oscar, que estava desaparecido, ressurgiu para uma das maiores exibições de sua carreira, atuando com destaque nos desarmes, na armação de jogadas e também nas conclusões. Por sua vez, Neymar assumiu a responsabilidade de ser o protagonista da Seleção Brasileira e materializou isso no chute imprevisível que igualou o marcador e na cobrança do pênalti incorretamente assinalado.

No geral, é possível dizer que o time respondeu bem a uma situação adversa. Há um pouco de ingenuidade em esperar que esta Seleção Brasileira coloque ordem na casa trocando passes como faria a Espanha, por exemplo. Não é o DNA deste time. E nem do futebol brasileiro atual. Durante anos, formamos jogadores que combinam habilidade com velocidade e isso não deve mudar por enquanto. Mesmo com 61% de posse, a resposta foi dada em forma de pressão, velocidade e verticalidade. E dificilmente seria diferente disso.

Coletivamente, o grande dilema do Brasil no Mundial será controlar a volúpia que o faz pressionar os rivais no campo de ataque com a responsabilidade de não expor sua defesa. Uma marcação que gerou apenas cinco faltas, o que é positivo, mas que também cedeu espaços preocupantes. Como a estreia ficou para trás e os três pontos foram somados, espera-se uma Seleção mais segura e inteligente no segundo duelo diante do México e que as adversidades sejam apenas as impostas pelos comandados do técnico Miguel Herrera.   
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Marcos Ribolli/Globo Esporte

domingo, 7 de julho de 2013

Contagem Regressiva: Junho e Julho de 2013

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Três anos em 30 dias
Talvez nem o mais otimista dos torcedores poderia prever o que se passou com a Seleção Brasileira nos últimos 30 dias. Do empate por 2 a 2 em amistoso contra a Inglaterra, onde o Brasil não se comportou como desejado, até a categórica vitória sobre a Espanha por 3 a 0 na final da Copa das Confederações, houve uma evolução que poucos imaginavam ser possível em apenas quatro semanas. De equipe desentrosada e desacreditada, a Seleção agora figura na lista de favoritos ao título mundial de 2014. Mas o que houve nesse período que justificasse tamanha mudança?
Em primeiro lugar, trabalho. Considerar a passagem do técnico Luiz Felipe Scolari pelo Palmeiras como o parâmetro sempre foi um erro. São realidades totalmente distintas. No clube paulista, além do elenco deficitário, havia um ambiente de caos político praticamente impossível de ser administrado. Faz mais sentido considerar o trabalho na própria Seleção Brasileira e em Portugal. Para o ambiente de um selecionado, é possível definir os perfis com que se deseja atuar, escolher os melhores profissionais nascidos no país e não se preocupar com insatisfações de cunho salarial ou contratual. No caso brasileiro, o ambiente é normalmente o melhor possível. Deste modo, iniciar um planejamento se torna bem menos complicado.
As convicções táticas do treinador são o segundo ponto. Se Mano Menezes terminou sua passagem idealizando uma linha de meio-campo onde os dois volantes tinham funções defensivas e ofensivas similares e a figura do centroavante clássico foi substituída por um atacante de movimentação, Felipão optou por algo mais próximo da tradição brasileira com um volante mais fixo (Luiz Gustavo) dando suporte à defesa e um camisa 9 autêntico (Fred) entre os zagueiros rivais. Com as alterações, o jogo da Seleção passou a fluir como ainda não tinha sido visto desde 2010 e as vitórias foram surgindo naturalmente.    
O condicionamento físico aparece em terceiro. As duas semanas iniciais de treinamento serviram para, além dos ajustes táticos e técnicos, equilibrar a preparação física de 23 jogadores oriundos de todas as partes. Se Espanha e Itália claramente sentiram o peso do fim da temporada europeia e o clima local, o mesmo não pode ser dito do Brasil. Por mérito do preparador Paulo Paixão, não se fazia distinção entre o desempenho dos atletas que atuavam aqui e os que vieram da Europa. Todos tinham condições físicas para atuar em alto nível durante 90 minutos. A única exceção ficou por conta do meia Oscar, fadigado por ter cumprido um ano e meio de futebol sem interrupção.
O talento de Neymar não poderia ficar fora dessa equação. Contestado por conta de seu jejum de gols e má fase em 2013, o novo atacante do Barcelona mostrou por que é considerado um dos nomes mais promissores do planeta e de ser capaz de enfrentar defesas mais robustas com a mesma desenvoltura que tinha no Santos. Ao final do torneio, seus belos gols e lances o premiaram com o troféu de melhor jogador da Copa das Confederações. Se ainda havia dúvidas sobre seu protagonismo com a camisa brasileira, elas se dissiparam por completo.
Por fim, mas não menos importante, está o aspecto psicológico do grupo. Confiança não é algo que o jogador adquire por vontade própria. Após três anos sem vencer nenhum adversário de peso, era preciso trazê-la de volta. Enquanto no discurso do antecessor Mano Menezes havia a descrença no “desatualizado” futebol brasileiro que não é, necessariamente, praticado pelo grupo de convocados, Scolari optou por reforçar a confiança em seus comandados, como bem escreveu Juca Kfouri em sua coluna dominical na Folha. O técnico soube tocar a “tecla certa” de cada jogador. Como na carta deixada sob a porta de cada um deles no dia da decisão ou no aparte de Parreira na preleção fazendo qualquer vestígio de dúvida desaparecer diante da suposta “hierarquia da bola”.
No entanto, o que torna ainda mais auspiciosa a trajetória da Seleção no último mês foi a tranquilidade mostrada por todos os participantes da campanha, trocando qualquer tipo de euforia pela visão realista de que muita coisa pode acontecer até a Copa do Mundo. Em sua mais recente entrevista, Felipão fez questão de dizer que o grupo ainda não está fechado, citando Mario Fernandes e Maicon para a reserva da lateral direita, ora ocupada pelo improvisado Jean, e a observação de jovens como Sandro, Rômulo e Willian para o meio-campo. Como diz o jargão, o grupo ainda não está fechado. Ainda bem.   
Os rivais
A Confederação Brasileira de Futebol agendou dois amistosos para o Brasil nos próximos meses. Em agosto, a Seleção entra em campo na Basiléia para enfrentar a Suíça no dia 14. Portugal será o adversário no dia 10 de setembro no Gillette Stadium em Boston, Estados Unidos. Por outro lado, após pedidos dos técnicos Scolari e Sabella o Superclássico das Américas disputado entre as seleções locais de Brasil e Argentina não deve ser disputado neste ano. Nada mais coerente, uma vez que as equipes chamadas não serão nada parecidas com o que será visto no restante da preparação para o Mundial de 2014.
De olho na Copa
A Copa das Confederações recebeu nota 8 da FIFA no que diz respeito à preparação. Os estádios utilizados apresentaram algumas estruturas ainda inconclusas, os serviços internos se mostraram falhos em alguns pontos e as manifestações populares ocorridas no País motivaram a perda de pontos. Apesar disso, a boa presença de público e a vibração dos torcedores dentro das arenas foram observadas como aspectos positivos. No caso da Seleção Brasileira, a participação da torcida foi ainda mais destacada, com ênfase no hino nacional cantado a plenos pulmões e continuado mesmo quando a sonorização oficial se encerrava. Um belo cartão de visitas do que deveremos ter em 2014.     
Confira abaixo o andamento das obras:         
Obras concluídas: Belo Horizonte, Brasília, Ceará, Recife, Rio de Janeiro e Salvador;
Apresentando atrasos: Cuiabá, Curitiba, Manaus e São Paulo;
Situação preocupante: Natal e Porto Alegre.
Fotos: Estadão e UOL

domingo, 23 de junho de 2013

Brasil mostra a sua cara

Após dez partidas – apenas oito com o time titular – Luiz Felipe Scolari conseguiu dar à Seleção Brasileira o esboço do estilo que pretende adotar até a Copa do Mundo. No curto espaço de tempo compreendido entre a derrota para a Inglaterra em Wembley, no mês de fevereiro, até a vitória sobre a Itália na Fonte Nova, muita coisa mudou. A começar pela defesa, bem mais sólida do que na era Mano Menezes, concedendo menos oportunidades aos adversários, até chegar ao setor ofensivo, onde os gols estão surgindo de variadas formas.
Se Júlio César havia perdido espaço para Diego Alves sob a meta, os nomes da primeira linha são exatamente os mesmos com os quais Mano contava. O que mudou, basicamente, foi a presença de um primeiro volante capaz de oferecer mais proteção à defesa. O que, no caso de Luiz Gustavo, também significa a boa notícia de ter um passe rápido numa saída de bola que ainda não apresenta a eficiência necessária.
O maior dilema da equipe reside na função exercida pelo segundo volante, hoje Paulinho. Embora seja bom jogador, o corintiano não tem como característica armar o time por trás. Seu maior trunfo é a chegada à área adversária para concluir ou servir algum companheiro. Por sua vez, Hernanes é muito mais um meia do que um volante. Seu forte são os dribles e fintas seguidos de chutes de média distância. Tem um passe longo melhor do que o de Paulinho, mas não marca tão bem. Como escrito anteriormente neste espaço, a recuo de Oscar para ajudar na saída de bola pode ser a chave para o onze titular seguir o mesmo e se aperfeiçoar ainda mais.
No campo ofensivo, não é fácil entender as críticas feitas a Hulk. Bastante combativo, rápido e perigosíssimo nos chutes, o paraibano tem feito por merecer seu espaço entre os titulares, sem que Lucas – que não aproveitou bem as chances que teve – ofereça a sombra que justifique sua barração. No comando do ataque, Fred vem comprovando com gols por que Felipão tem optado por um centroavante clássico em vez de adotar a mesma formação de seu antecessor sem um homem fixo à frente.
Por fim, Neymar, craque do time e confirmando a cada partida a razão de ser a maior esperança brasileira tanto nesta Copa das Confederações quanto no Mundial. Criticado antes do torneio por suas atuações abaixo de seu potencial em 2013, o novo atacante do Barcelona vem conseguindo unir fantasia a uma veia goleadora que o fez ser eleito o melhor jogador das três partidas que disputou até o momento. Partidas que mostraram uma Seleção mais pronta e confiante em campo, com uma “cara” de time que, mesmo sem encantar, já se mostra competitivo.
Imagem: Vipcomm

quarta-feira, 19 de junho de 2013

No grupo da morte, Brasil e Itália sobrevivem

Fosse a Copa das Confederações a Copa de 2014, certamente o agrupamento formado por Brasil, Itália, México e Japão seria chamado de grupo da morte. Dois campeões mundiais, duas forças emergentes e temos um cenário perfeito para um épico do futebol. Fazendo valer o fator casa, a Seleção Brasileira garantiu a classificação para as semifinais após vencer Japão e México mesmo sem se apresentar de forma convincente. Por sua vez, a Azzurra, que havia controlado bem o jogo contra a seleção mexicana, sentiu o forte calor do Recife e só não perdeu para o Japão porque havia uma trave no meio do caminho.
Embora tenha conseguido realizar a saída de bola de maneira mais rápida em alguns momentos da partida contra o México, a Seleção continua se ressentindo da falta de alguém capaz de armar o jogo e fazer com que o time conserve a posse de bola. Posse que terminou sendo maior para o Brasil, embora tenha sido revertida no momento em que David Luiz saiu para ser atendido por conta de um sangramento resultante de uma fratura no nariz. Oscar era a esperança no intuito de dominar o meio-campo, mas, diante da marcação mexicana e de seu esgotamento físico, o jogador do Chelsea desapareceu na partida de hoje. A marcação do lado esquerdo, fundamentalmente com Marcelo, também se mostrou falha em alguns momentos e Fred continua muito isolado de seus companheiros. O ponto positivo foi a estupenda partida de Neymar, autor de um belo gol e uma manobra fantástica no lance que resultou na assistência para o gol de Jô. A se destacar ainda, a resiliência da defesa que mesmo pressionada não permitiu ser vazada no torneio.
No Recife, Itália e Japão fizeram o duelo mais movimentado da Copa das Confederações até aqui. Recuperados da derrota para o Brasil, os japoneses entraram em campo dispostos a apagar a péssima imagem deixada na estreia. Conseguiram mais do que isso ao protagonizarem um verdadeiro jogaço com direito a sete gols e uma virada italiana que parecia impossível. Contudo, a classificação ficou com os atuais vice-campeões europeus que, apesar de sofrerem demasiadamente com o calor da capital pernambucana, conseguiram reunir forças para buscar o 4 a 3. E se os italianos acharam a noite do Recife quente, mal sabem o que os espera na tarde de sábado em Salvador diante do Brasil. Ao que tudo indica, o calor pode ser um fator determinante para os selecionados europeus tanto nesta competição quanto no próximo Mundial, sobretudo por suceder a temporada no Velho Continente.
Imagem: Efe

sábado, 15 de junho de 2013

O melhor da estreia foi o placar

Brasil 3x0 Japão não foi um grande jogo. Normalmente, estreias costumam se configurar em partidas nervosas onde a vitória quase sempre é mais valiosa do que a performance. Desta vez não foi diferente. O gol de Neymar logo aos 3 minutos deu a tranquilidade que os comandados de Felipão precisavam para controlar o jogo e acalmou a torcida que poderia se alterar caso o placar demorasse muito a ser inaugurado.
Mesmo assim, a equipe continua mostrando a mesma lentidão na transição entre a defesa e o meio campo, muito pela ausência de um armador que possa distribuir a bola a partir da intermediária defensiva como fazem Pirlo na Itália e Xabi Alonso na Espanha, por exemplo. Embora sejam bons jogadores, Luiz Gustavo e Paulinho não têm esse perfil. Enquanto o volante do Bayern opta mais pelo passe simples, mesmo que vertical, o corintiano é, por natureza, um volante de infiltração. Sua maior qualidade é surgir nos arredores da área adversária para concluir a jogada. Uma possível solução poderia ser o recuo de Oscar para a função de volante, por vezes, invertendo com Paulinho. Mesmo atuando bem como winger, o meia do Chelsea não rende tudo o que pode nas faixas laterais.
Todavia, a situação mais preocupante se encontra a lateral direita. Daniel Alves tomou decisões equivocadas na maior parte do jogo, desperdiçando bolas e abusando de cruzamentos da intermediária que só encontravam os defensores japoneses. Como a única alternativa para a posição é o improvisado Jean, é bom que Scolari oriente melhor o barcelonista caso não queira complicações contra rivais superiores. Outra questão a se observar é a insistência em passes longos que não têm funcionado se planeja. Reflexos, talvez, da obrigação de dar um destino à bola quando a saída é deficitária.
De positivo, a quebra do jejum de nove jogos em que Neymar não marcava gols, algo que, apesar das negativas, claramente incomodava o camisa 10. A boa participação de Hulk que mesmo sistematicamente vaiado não se abala e continua auxiliando a equipe e, lógico, a vitória. Largar na frente dá tranquilidade para enfrentar o México na segunda rodada e deixa a classificação um pouco mais próxima. E isso, para num time em construção, com certeza é uma boa notícia.
Imagem: Reuters

domingo, 2 de junho de 2013

Seleção melhora, mas ainda repete defeitos

Em sua melhor apresentação sob o comando de Luiz Felipe Scolari nesta passagem, a Seleção Brasileira empatou em 2 a 2 com a Inglaterra no novo estádio Maracanã. Mais importante do que o placar foram as diversas chances criadas pelo Brasil, sobretudo no primeiro tempo, quando atuou numa formação que agradou bastante ao técnico. Nesse esquema, o zagueiro David Luiz teve alguma liberdade para sair para o jogo e arriscar lançamentos enquanto o volante Luiz Gustavo guardava posição na defesa e Paulinho se posicionava como centro-campista. Em certos momentos, algo próximo do 3-5-2 (ao lado) que marcou época no Mundial da Ásia.
Todavia, os problemas na proteção à defesa ressurgiram na segunda etapa quando a Seleção partiu em busca do ataque com Hernanes no lugar de Luiz Gustavo e Lucas no posto de Oscar. Se o time ficou mais ofensivo com as alterações, também ficou mais vulnerável. Ao que tudo indica, a julgar pela entrevista pós-jogo, Felipão deve manter a equipe que iniciou a partida com Filipe Luís na lateral esquerda, Luiz Gustavo no meio e Hulk no ataque. Indubitavelmente, uma escalação que deu mais solidez ao Brasil.
Na frente, registre-se o bom primeiro período de Neymar, caindo pelos lados do campo, se aproximando de Fred e finalizando sempre (até demonstrando egoísmo em certos momentos, diga-se). Quanto ao citado centroavante, mais uma vez ficou evidente por que o jogador do Fluminense merece estar entre os onze. Além de seu notável senso de colocação dentro da área, Fred ainda contribui com a defesa em lances de bola parada graças a sua altura e impulsão. Se não é um atacante da estirpe de Romário e Ronaldo, Fred compensa isso com gols e mais gols. Titularíssimo!
Por outro lado, o estágio atual de Daniel Alves preocupa. Irregular no Barcelona, o lateral direito se mostrou confuso em diversos lances e errou passes em situações perigosas, mais ou menos como Marcelo no flanco oposto quando entrou no segundo tempo. Contudo, se Marcelo já possui a sombra de Filipe Luís na esquerda, o mesmo não pode ser dito do improvisado Jean na direita. Outra questão a se pensar é a irregularidade de Hulk que ainda não se encontrou com a camisa amarela. Lucas, autor do cruzamento que resultou no gol de empate de Paulinho, tem tudo para se encaixar naquela posição oferecendo um futebol mais fluído e coletivo do que o atacante do Zenit, definidor por natureza, pode ofertar. No próximo domingo, diante da França, saberemos se as conclusões de Felipão foram as mesmas.
Imagem: Reuters

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Contagem Regressiva: Fevereiro de 2013

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
O time ideal
Antes da demissão de Mano Menezes, havia a impressão de que o treinador estava se aproximando do time ideal para a Seleção Brasileira. Mesmo sem grandes resultados, Mano definiu grande parte dos titulares e esboçou, sem consolidar, o estilo de jogo que gostaria de implantar. Com a chegada de Luiz Felipe Scolari, é certo que algumas mudanças ocorrerão e algumas medidas adotadas pelo ex-técnico devem ser deixadas de lado.

A primeira mudança está no posicionamento. Mano Menezes queria a equipe sempre à frente, marcando a saída de bola e recuperando a posse o mais próximo possível do gol adversário. Na prática, essa postura resultou em boas vitórias sobre Dinamarca (3 a 1) e Estados Unidos (4 a 1), mas também acarretou derrotas para México (2 a 0) e Argentina (4 a 3), com os rivais aproveitando os fartos espaços às costas da defesa. Com Felipão, a ideia parece ser um time mais postado ou tradicional, com Ramires e Paulinho mais próximos da defesa e meias recuando para fechar os espaços visando recuperar a bola da intermediária para trás e assim ter mais campo para jogar, o que remonta uma característica bem típica da escola brasileira.
Outra alteração está na volta de um centroavante típico ao comando do ataque. Antes, Neymar chegou a ser testado como o homem mais adiantado da Seleção. Mesmo assim, o santista não guardava posição, pois continuava caindo pela esquerda ou recuava para buscar a bola e partir de frente para a defesa. Agora, Luis Fabiano e Fred estão disputando a camisa 9 com Neymar de volta à ponta esquerda. Nesta posição, o jogador voltou a mostrar problemas com a diminuição dos espaços e a distância para o gol. Se a intenção do atual técnico for mantê-lo como a principal arma do time, é conveniente rever esse posicionamento.
Todavia, o principal dilema está na presença de Ronaldinho no onze inicial. No último amistoso contra a Inglaterra, o gaúcho, pouco afeito à marcação, deixou os ótimos volantes britânicos livres para construírem as jogadas expondo demasiadamente a segunda linha verde-amarela. No segundo tempo, com Oscar centralizado na função de Ronaldinho, a Seleção ganhou corpo e se apresentou melhor. Apesar da juventude, Scolari poderia testar uma linha formada por Lucas, Oscar e Neymar atrás de um centroavante e ganhar em dinamismo e movimentação. Caso o corintiano Alexandre Pato recupere sua melhor forma, o Brasil poderia ter um sistema ofensivo rápido, habilidoso e insinuante. Mesmo que falte experiência – que pode ser vista no sistema defensivo – não faltará poder de fogo.

Os rivais


A CBF anunciou que a Seleção enfrentará o Chile duas vezes em 2013. Na primeira, no dia 24 de abril no Mineirão, o técnico Luiz Felipe Scolari não deve contar com atletas que atuam no exterior. Na segunda, 10 de setembro, o confronto voltará a se repetir, desta vez em São Paulo. Outros amistosos agendados são contra Itália (21/03), Rússia (25/03), Inglaterra (02/06), França (09/06) e Suíça (14/08), além da Copa das Confederações que será disputada entre 15 e 30 de junho.                                                                            
De olho na Copa
Neste mês, o Maracanã começou a ganhar sua nova cobertura e seus assentos, mas também sofreu com a paralisação das obras por conta de um início de greve dos operários que reivindicam reajuste de vencimentos e plano de saúde. Essa nova interrupção nas obras prejudica ainda mais o cumprimento do cronograma de entrega do estádio, uma das sedes da Copa das Confederações e da Copa do Mundo.    
Confira abaixo o andamento dessas obras:         
Obras concluídas: Belo Horizonte e Ceará;
Dentro do previsto: Brasília e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus, Natal, Recife e Rio de Janeiro.
Imagens: AFP, Reuters

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Contagem Regressiva: Outubro de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Seleção encontra um caminho
Apesar de ter sido apenas um amistoso, Brasil 4x0 Japão foi uma partida auspiciosa para a Seleção Brasileira. Diante de um bom adversário, não mais do que isso, a Seleção Canarinho se comportou bem, venceu com autoridade e deu a torcedores e imprensa um sinal de que o técnico Mano Menezes pode ter encontrado um caminho a ser seguido.
Escalada num sistema 4-2-3-1, a Seleção apresentou a manutenção da dupla Paulinho-Ramires, dois volantes capazes de marcar e sair para o jogo com qualidade, Kaká formando uma linha de três de muita mobilidade com Hulk e Oscar, deixando Neymar mais à frente. Aqui, vale ressaltar a movimentação do santista, saindo da área, abrindo espaços para quem vinha de trás e servindo seus companheiros. De certo modo, Mano montou um time novo, mais leve e que espelha melhor as referências técnicas e táticas do futebol atual.
Logicamente, é preciso ter calma antes de afirmar que esta Seleção já está pronta para desafios mais pesados. O sistema defensivo - com dois volantes que saem muito para o jogo, laterais que não marcam tão bem e meias pouco combativos - ainda não foi testado e o ataque ainda precisa se deparar com adversários mais fortes. No entanto, é difícil não ver a fluidez mostrada contra os japoneses com bons olhos.
Os rivais
Falando em oponentes mais fortes, a Colômbia, adversária do próximo dia 14, tem tudo para ser um desses. Contando com sua melhor geração desde Rincón/Valderrama/Asprilla, los Cafeteros ocupam a terceira colocação das Eliminatórias Sul-Americanas e têm tudo para ser um adversário perigoso para o Brasil. Os principais destaques são o volante Fredy Guarín, da Internazionale, o talentosíssimo meia-atacante James (pronuncia-se “Rames”) Rodríguez, do Porto, além do astro Radamel Falcao Garcia, um dos centroavantes mais perigosos da atualidade e que vem marcando gol atrás de gol com a camisa do Atlético de Madrid.
Para o duelo diante da equipe comandada por José Pékerman, o técnico Mano Meneses terá à disposição os seguintes jogadores:
Goleiros: Diego Alves (Valencia) e Jefferson (Botafogo);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Leandro Castán (Roma), Réver (Atlético Mineiro) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Adriano (Barcelona), Alex Sandro (Porto) e Daniel Alves (Barcelona);
Volantes: Arouca (Santos), Paulinho (Corinthians), Ramires (Chelsea) e Sandro (Tottenham);
Meias: Giuliano (Dnipro), Kaká (Real Madrid), Lucas Moura (São Paulo), Oscar (Chelsea) e Thiago Neves (Fluminense);
Atacantes: Hulk (Zenit), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Santos).       
De olho na Copa
Como era de se esperar, os gastos com a construção do Itaquerão, palco de abertura da Copa Mundo de 2014, devem alcançar a cifra de R$ 1 bilhão, segundo o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Inicialmente, o orçamento da obra previa que os gastos girassem em torno de R$ 780 milhões. Após a péssima repercussão do caso, o clube paulista emitiu nota oficial informando que a arena custará “apenas” R$ 820 milhões.   
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagens: CBF e Reuters

sábado, 13 de outubro de 2012

Noves fora

Ao que tudo indica, a iniciativa de Mano Menezes de testar a Seleção Brasileira sem um centroavante está deixando de ser apenas uma alternativa para alguns jogos para se tornar a primeira opção do técnico. Obviamente, essa possibilidade surgiu a partir do momento em que os jogadores da posição não renderam o esperado, embora isso não signifique que um homem de área não possa entrar em campo caso a partida assim necessite.
Do mesmo modo, essa concepção de jogo não parece ter sido fruto de intensa reflexão do treinador, mas resultado de diversos testes – entre jogadores e sistemas – realizados nesses dois anos de trabalho. Foi quase um achado, por assim dizer. Todavia, mesmo que tenha alguma dose de acidental, a verdade é que a Seleção está encontrando sua melhor movimentação ofensiva justamente ao alinhar jogadores capazes de se deslocar rapidamente e encontrar espaços nas defesas adversárias.
Na vitória por 6 a 0 sobre a frágil seleção do Iraque, Mano escalou Neymar à frente de uma linha de três composta por Hulk, Oscar e pelo reestreante Kaká que foi bem. Isso na teoria, pois na prática o time não guardou posição e muitas vezes a joia santista saiu da área para criar jogadas, enquanto Oscar e os outros vinham de trás para concluir os lances. Logicamente, essa nova formação carece de testes mais pesados, porém, as primeiras impressões são positivas.
O que também é inevitável é a imediata comparação com a Seleção Brasileira de 1970 que também não tinha um jogador mais fixo à frente, mas tinha no craque Tostão seu homem mais adiantado, enquanto Pelé partia do meio-campo e Jairzinho entrava em diagonal pela direita. Cabe esclarecer, porém, que não se trata de comparar um selecionado em formação com um dos maiores esquadrões de todos os tempos. Contudo, não deixa de ser um exemplo de que não é impossível atuar dessa forma.
Imagem: Yahoo

sábado, 8 de setembro de 2012

Três em um

Após o apito final do argentino Nestor Pitana, havia muito que dizer sobre a magra vitória da Seleção Brasileira sobre a África do Sul. A primeira, e mais importante, diz respeito ao futebol pobre que a equipe de Mano Menezes apresentou. Após a boa vitória sobre a Suécia em Estocolmo, o técnico parecia ter encontrado um rumo. Escalou o time num 4-4-2 em linha com dois volantes (Rômulo e Paulinho) que sabem jogar, com Ramires aberto na direita como em seus melhores dias no Chelsea, Oscar derivando da esquerda para o meio e Neymar com liberdade para se movimentar e se aproximar de Leandro Damião.
Dentro da lógica, o amistoso seguinte pedia a manutenção da equipe, até pela urgente necessidade de entrosamento. Eis que Mano resolve mudar. Escalou Lucas aberto pela direita – muito provavelmente porque a partida era no Morumbi – e Ramires em lugar indefinido. Sim, indefinido, pois na primeira metade do primeiro tempo o jogador pôde ser visto na esquerda, na direita e também no meio. Às vezes, à frente de Oscar, que foi visto como volante ao lado de Rômulo. Na prática, um time difícil de se entender tanto fora quanto dentro de campo.  
Outra questão que chamou a atenção foi o comportamento da torcida. Não é bairrismo dizer que a torcida paulista é, em média, mais exigente do que as de outros estados e mais propensa à vaia. A Seleção já foi vaiada noutros estados, mas em São Paulo parece ser algo atávico. Tanto é assim, que já se falava dos apupos muito antes de a bola rolar. Durante o jogo, a Seleção parecia enfrentar dois adversários, um no campo e outro nas arquibancadas. Os xingamentos ao final do amistoso foram plenamente justificados, uma vez que o Brasil atuou muito mal. Mas nada explica a vaia com dois minutos. Se for assim, é melhor ficar em casa e economizar um bom dinheiro.
Ainda houve tempo para a última polêmica do dia. Durante a coletiva, acuado por perguntas bastante espinhosas, Mano Menezes chegou a dizer que a imprensa brasileira deveria criar um ambiente positivo para a Seleção, pois é isso o que se vê noutros países. Nessa resposta o treinador errou três vezes. Primeiro, ao dar a entender que a mídia estrangeira trabalha a favor dos selecionados, o que não é verdade. Segundo, por se esquecer que já existe uma generosa parcela da imprensa brasileira que já faz esse trabalho. E, terceiro, por considerar a imprensa como uma entidade única. É preciso deixar claro que o papel da imprensa não é torcer. Nem a favor e nem contra. Assim como existe o chapabranquismo, também é perceptível a existência de uma ala que trabalha contra. No entanto, suas atitudes são mais veladas, mais nas entrelinhas. No fim, não passam de dois dispensáveis extremos.
Imagens: Reuters, Tom Dib/Lance

domingo, 29 de julho de 2012

Seleção precisa evoluir.

Após duas partidas e duas vitórias, a Seleção Brasileira confirmou sua condição de postulante a uma medalha olímpica em Londres. Ao mesmo tempo, vem provando que, individualmente, nenhuma equipe tem tantos talentos. No entanto, no que tange o aspecto coletivo ainda há muito que melhorar. Defensiva e ofensivamente, o Brasil ainda se mostra desencontrado em campo, sem conseguir trabalhar as jogadas – o que se refletiu nos inúmeros lançamentos na área – e oferecendo muitos espaços aos adversários.
Como era esperado, o maior destaque foi Neymar. Mesmo não atravessando grande fase, o santista é capaz de criar boas jogadas do nada, mas precisa aparecer mais para o time. Muitas vezes, a Jóia da Vila parece atuar mais para si mesmo do que na condução de sua equipe. Algo que o técnico do Egito, Ramy Hanzy, havia comentado para espanto de quem considera Neymar um craque pronto e acabado.
Enquanto isso, Hulk continua sem conseguir ratificar seu nome entre os três acima dos 23 anos. Não que o portista não esteja se esforçando, mas, atuando com mais responsabilidades defensivas do que tem no clube, o atacante tem poucas oportunidades para executar seus potentes chutes e, por estilo, não é o tipo de jogador que se apresenta para tabelas ou prime pela capacidade de oferecer chances de conclusão aos companheiros.
Por sua vez, Oscar segue como um dos jogadores mais lúcidos em campo, porém, quase solitário na tarefa de armar jogadas, não vê nos volantes Sandro e Rômulo parceiros com quem possa dialogar. Na defesa, como era de se esperar, alguns sustos com Juan – que sempre passa a impressão de que pode entregar a qualquer momento – e com laterais que apóiam sem muitas preocupações com as jogadas às suas costas.
O momento é de reflexão e de ajustes. Apesar da classificação garantida, a Seleção tem muito a evoluir. Diante de adversários mais consistentes, as falhas apresentadas podem ser determinantes. Definir melhor a marcação e estabelecer uma armação que dependa menos dos lampejos individuais é tarefa para Mano Menezes. Logicamente, fazer esses ajustes em plena competição não é o ideal, mas é a única forma de obter o tão desejado ouro olímpico.
Imagem: Reuters      

domingo, 28 de agosto de 2011

Contagem Regressiva: Agosto de 2011

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Um ano de Mano.
O primeiro ano de Mano Menezes no comando da Seleção Brasileira foi marcado mais por interrogações do que por exclamações. Do auspicioso discurso inicial passando pela campanha decepcionante na Copa América até a derrota para a Alemanha, o Brasil mostrou pouca evolução e muitos pontos contestáveis.
Se no início Mano falava da busca pelo protagonismo perdido e pela iniciativa de jogo, a partida contra os germânicos apresentou uma Seleção mais preocupada em anular os pontos fortes do adversário do que jogar o seu futebol. A maior prova disso está na condição de reserva do meia Paulo Henrique Ganso que, em má fase, viu do banco seus companheiros serem dominados por um rival nitidamente mais forte.
Embora o técnico se mostre tranquilo em relação ao andamento de seu trabalho, a pouca evolução mostrada em doze meses de trabalho e a incoerência de várias atitudes tem causado preocupação àqueles que acompanham a preparação para o Mundial.   
Ronaldinho de volta.
O retorno do meia-atacante Ronaldinho Gaúcho marcou a convocação da Seleção Brasileira para o amistoso contra Gana no dia 5 de setembro em Londres. Apesar de atravessar grande fase no Flamengo e sem um histórico de lesões graves, os 31 anos do craque levantam suspeitas de que pode não ter fôlego para seguir no grupo até 2014.
Também chama a atenção na lista o retorno do lateral esquerdo Marcelo e do atacante Hulk. Pelo visto, o técnico aparou as arestas com o jogador do Real Madrid que agora terá a chance de mostrar na prática por que é considerado o nome ideal para a lateral canhota. Outra novidade é a presença do centroavante Leandro Damião considerado por muitos o melhor “9” que o País dispõe no momento e autor de 34 gols na temporada.     
Por outro lado, algumas ausências dão a entender que o técnico realmente costuma “fritar” atletas que cometem erros graves sob seu comando. Hernanes, expulso no amistoso contra a França e André Santos que entregou nos pés de Schweinsteiger a bola que resultou no terceiro gol alemão são ausências sentidas neste novo chamado. Ramires, titular de toda a preparação até aqui e ausente neste chamado e a presença de Elias, recém-dispensado pelo Atlético de Madrid, são outros exemplos de que Mano talvez não tenha o rumo da Seleção tão definido quanto diz ter.    
Confira a seguir os 24 convocados para o amistoso contra Gana:
Goleiros: Fabio (Cruzeiro), Jefferson (Botafogo) e Júlio César (Internazionale);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Dedé (Vasco), Lúcio (Internazionale) e Thiago Silva (Milan);
Laterais: Adriano (Barcelona), Daniel Alves (Barcelona), Danilo (Santos) e Marcelo (Real Madrid);
Volantes: Elias (Atlético de Madrid), Lucas Leiva (Liverpool), Luiz Gustavo (Bayern), e Ralf (Corinthians);  
Meias: Fernandinho (Shakhtar Donetsk) Lucas Moura (São Paulo), Paulo Henrique Ganso (Santos) e Ronaldinho Gaúcho (Flamengo);
Atacantes: Alexandre Pato (Milan), Hulk (Porto), Leandro Damião (Internacional), Neymar (Santos) e Robinho (Milan).
Mundial Sub-20.
Se o selecionado principal não vai bem, o mesmo não pode ser dito da Seleção Sub-20 campeã mundial sob o comando de Ney Franco. Mesmo sem contar com Lucas e Neymar, seus principais jogadores, o Brasil conseguiu conquistar o pentacampeonato da categoria ao derrotar Portugal por 3 a 2 na final. De quebra, a campanha deu indícios de que alguns desses jovens podem figurar em breve no grupo de cima. Além do lateral/volante Danilo, já presente na última convocação de Mano Menezes, o volante Casemiro e o meia Oscar deixaram ótima impressão em território colombiano e são nomes a serem anotados na agenda do treinador.     
De olho na Copa.  
O cerco está se fechando. Após desdenhar das denúncias de parte da imprensa brasileira, o presidente da CBF Ricardo Teixeira vê seu nome presente de maneira nada agradável no principal noticiário do Brasil. No último dia 13, o Jornal Nacional exibiu uma matéria de três minutos sobre as denúncias de irregularidades no contrato com a empresa que organizou o amistoso entre Brasil e Portugal em 2008.
Paralelamente, a Procuradoria Geral da República analisa possível representação criminal contra Teixeira buscando comprovar o recebimento de suborno da extinta empresa de marketing ISL. Na ocasião, o dirigente teria devolvido o dinheiro recebido num acordo com a justiça suíça para que o caso não fosse levado adiante.
Em meio a essas acusações, o ritmo lento das obras para o Mundial segue inalterado. Em linhas gerais, podemos classificar o andamento da seguinte forma:
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília e Salvador;
Apresentando atrasos: Cuiabá, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus, Natal e São Paulo.    
Imagens: Getty Images e AP.