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domingo, 6 de setembro de 2015

Uma questão de mentalidade

Nos últimos anos, o futebol brasileiro vem sendo marcado por uma ideia bastante clara: Com raras exceções, nossos técnicos vêm se notabilizando por armar equipes voltadas para o contra-ataque. Jogar no erro do adversário costuma ser o caminho mais prático e menos trabalhoso para alcançar as vitórias. E isso passa a fazer mais sentido quando constatamos que nossos treinadores precisam defender seu emprego a cada rodada. Nesse cenário, tornou-se comum vermos times defendendo a vantagem mínima a partir do momento em que ela se estabelece. O problema é quando tal mentalidade se estende também à Seleção.
No amistoso de sábado diante da Costa Rica, tal prática ficou bastante evidente. Após um início onde o pressing foi aplicado com relativo sucesso, o gol de Hulk fez o Brasil passar a se defender com todos os jogadores no campo de defesa especulando contragolpes em bolas longas. Deste modo, nem mesmo a grande fase vivida por Douglas Costa pôde ser aproveitada, uma vez que sua maior qualidade é o excepcional desempenho no um contra um. No Bayern, Guardiola organiza seu time de forma que a posse de bola é utilizada para atrair os oponentes para o lado oposto do campo até que alguém inverta a jogada para o ponteiro decidir contra, invariavelmente, um único adversário.
Douglas, mesmo se quisesse, não encontraria tal situação na Seleção Brasileira porque a equipe trabalha pouco a bola. A carta de intenções de Dunga é claramente voltada para a verticalização das jogadas e o problema crônico na saída de bola – algo observado desde os tempos de Felipão – não só é um empecilho na criação como uma das razões para os frequentes apuros defensivos. Sem dúvida, um aspecto que deveria ser trabalhado após a pífia participação na Copa América. Mas, ao que tudo indica, o principal diagnóstico realizado pela comissão técnica diz respeito ao lado psicológico de alguns atletas e isso explica a ausência de Thiago Silva na última lista de convocados.

Todavia, o real motivo para a Seleção atuar abaixo das expectativas está na mentalidade de Dunga, que é a mesma marca da esmagadora maioria dos treinadores brasileiros. O trabalho é voltado para o resultado imediato e nunca para o aperfeiçoamento do futebol praticado. Durante a partida contra os costa-riquenhos, houve um breve instante de alento quando o comandante mandou o meia Rafinha a campo no lugar do volante Luiz Gustavo. Acostumado ao toque de bola barcelonista, o filho do tetracampeão Mazinho fez o jogo fluir e a Seleção melhorou sensivelmente. Resta saber se o técnico fez a mesma leitura de um momento tão fugaz e, ao mesmo tempo, tão auspicioso. Ainda há tempo para mudar.  
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol
Crédito das imagens: Leo Correa/Mowa Press e Rafael Ribeiro/CBF

sábado, 15 de agosto de 2015

Entendendo a convocação

Entrevistas coletivas com treinadores não costumam ser fáceis de interpretar. Sempre existirá a intenção do profissional de não trazer à tona todos os aspectos que cercam sua equipe e, por parte da mídia, informações que se convertam em manchetes se tornaram mais requisitadas do que as notícias sobre o esporte em si. Trata-se então de outro jogo, este travado fora das quatro linhas, algo que no caso de Dunga se torna mais ainda disputado devido ao histórico de rusgas do técnico com a imprensa esportiva desde os tempos de jogador.
Portanto, entender todas as decisões que culminaram na convocação dos 24 nomes para os amistosos da Seleção Brasileira diante da Costa Rica (5 de Setembro em Boston) e Estados Unidos (8 de setembro em Nova Jersey) não é uma tarefa simples, uma vez que ficou evidente que, ao contrário do que disse Dunga, as decisões não seguiram uma linha exclusivamente técnica. Para facilitar o trabalho, vamos dividir as observações pelas posições da lista divulgada na última quinta-feira:
Goleiros: Alisson (Internacional), Jefferson (Botafogo) e Marcelo Grohe (Grêmio);
Na meta, Jefferson e Marcelo Grohe mantêm a confiança do treinador enquanto Diego Alves se recupera de séria lesão nos ligamentos do joelho direito. Contudo, Dunga revelou a alguns jornalistas após a coletiva que deve conceder a titularidade a Grohe visando testes para as Eliminatórias. Falando no gremista, chamou a atenção o chamado dos goleiros da dupla Gre-Nal, fato inédito em toda história da Seleção. Aos 22 anos e muito seguro, Alisson possivelmente será uma das apostas do técnico para os Jogos Olímpicos de 2016.  
Zagueiros: David Luiz (PSG), Gabriel Paulista (Arsenal), Marquinhos (PSG) e Miranda (Internazionale de Milão);
Os zagueiros são um caso à parte. As convocações anteriores mostraram que David Luiz, Marquinhos e Miranda estão entre os preferidos do treinador, mas a ausência de Thiago Silva diz muito sobre a nova lista. No entanto, ao contrário do que escreve o ex-jogador Juninho Pernambucano em seu perfil no Twitter, acredito que a exclusão está muito mais ligada ao conjunto da obra do que ao pênalti cometido na eliminação para o Paraguai na Copa América. Defensor experiente, Thiago vem demonstrando sistematicamente uma instabilidade emocional, no mínimo, preocupante desde o Mundial. Por enquanto, ao contrário de Maicon, não é possível afirmar que chegou o fim da linha para ele, porém, ficou bastante claro que a confiança foi momentaneamente perdida.
Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Danilo (Real Madrid), Douglas Santos (Atlético) e Filipe Luis (Atlético de Madrid);
Assim como ocorre com os centrais, as laterais também abrem um bom espaço para debate. Mesmo com as críticas à capacidade dos treinadores brasileiros, Daniel Alves permaneceu entre os chamados, assim como Filipe Luis, consolidado como titular da lateral esquerda. Recuperado da lesão que o tirou da Copa América, Danilo volta ao grupo. Destaque no Atlético Mineiro e com idade olímpica, Douglas Santos completa o setor. O que chama a atenção, entretanto, são as ausências. Uma eterna incógnita em termos de Seleção, Marcelo, aparentemente, continua fora dos planos. É possível que o estilo mais ousado seja um problema num time que tenta se estabelecer defensivamente, mas a relação do vice-capitão do Real Madrid com os técnicos recentes do Brasil nunca foi das melhores. Outra ausência notável é a de Geferson do Internacional. Convocado para a Copa América, o lateral surpreendeu a todos que esperavam nomes mais consolidados. Sem nenhuma aparição no torneio, também não figura entre os alas chamados na última sexta-feira para a Seleção Sub-23. Realmente, o caso mais estranho neste retorno de Dunga.         
Volantes: Elias (Corinthians), Fernandinho (Manchester City), Luiz Gustavo (Wolfsburg) e Ramires (Chelsea);
Ao que tudo indica, Dunga não viu na Copa América os mesmos problemas constatados por este colunista. Afinal, embora a transição defensiva seja um processo coletivo, os volantes escolhidos deixaram muito a desejar nessa tarefa. Esperava-se agora a opção por centro-campistas capazes de distribuir o jogo com mais fluidez. Todavia, as escolhas recaíram sobre Elias e Ramires que são muito mais condutores/infiltradores do que passadores. Por outro lado, o retorno de Luiz Gustavo deve ser celebrado por sua maior presença física em campo e bom passe. Pelo que depender de Dunga, o volante do Wolfsburg será titular até o Mundial da Rússia.    
Meias: Kaká (Orlando City), Lucas Lima (Santos), Oscar (Chelsea) e Willian (Chelsea);
Dentre os diversos equívocos de Felipão antes e durante a Copa do Mundo estava a ausência de alguém capaz de dividir a responsabilidade com Neymar. Desnecessário explicar por que isso foi um complicador diante da Alemanha. No entanto, chamar o meia do Orlando City, neste momento, é discutível. Está certo que os jovens da Seleção precisam de uma referência, mas se isto estiver custando a vaga de Philippe Coutinho – um dos poucos capazes de suprir Neymar em termos de talento – alguma coisa está errada. Sem falar que a presença de Kaká em amistosos nos EUA num momento em que se contesta a interferência de patrocinadores na Seleção não pega nada bem. De positivo, o retorno de Oscar e o primeiro teste de Lucas Lima, um dos melhores meias do futebol brasileiro na atualidade.   
Atacantes: Douglas Costa (Bayern de Munique), Hulk (Zenit), Lucas (PSG), Neymar (Barcelona) e Roberto Firmino (Liverpool).
Não ocorreu desta vez a volta de Alexandre Pato à Seleção. Mesmo com as exclusões de atletas que militam na China e no Oriente Médio, Dunga preferiu incluir Hulk e Lucas Moura e a manutenção de Roberto Firmino e Douglas Costa, este em ótima fase no Bayern de Munique. Inclusive, assim como houve na Copa América, não há nenhum centroavante típico entre os convocados. Recuperando-se de caxumba e suspenso nas duas primeiras partidas das Eliminatórias, Neymar é o 24º jogador da lista e, assim como Kaká, uma presença que levanta dúvidas sobre ingerências na convocação. Não que este colunista duvide da honestidade de Dunga, mas técnico de Seleção é como mulher de César: Não basta ser honesto é preciso parecer honesto.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol
Crédito da imagem: Getty

sábado, 27 de junho de 2015

A cultura do sofrimento

Como velha raposa do futebol que é, Ramón Díaz sabia o que fazer para anular a Seleção Brasileira. Observou o que o compatriota José Pékerman havia feito com a Colômbia e adiantou sua marcação para explorar o crônico problema brasileiro na transição entre defesa e meio-campo. Como ocorria com Luiz Felipe Scolari, a equipe de Dunga sofre tanto para sair jogando quanto para manter a bola em seus pés. Sem conseguir usufruir da posse, restava apenas a tentativa dos contragolpes que se tornaram a única alternativa após o gol nascido na primeira boa escapada.
Numa de suas entrevistas coletivas, Dunga declarou que o sofrimento daria a tônica do percurso de seu selecionado na Copa América. E assim foi. Sofreu diante de Peru, Colômbia, Venezuela a na eliminação diante do Paraguai. Desses quatro, apenas os colombianos eram rivais de destaque no atual cenário mundial. Nos outros casos o Brasil penou justamente por não conseguir transformar sua superioridade técnica em domínio e, sobretudo, em gols que dariam a tranquilidade necessária. Um episódio emblemático ocorreu diante da Venezuela, quando Dunga optou pela entrada de mais dois zagueiros e viu um adversário que estava praticamente batido ressuscitar e quase empatar.  
Sofrimento normalmente gera pressão. E pressão pode provocar nervosismo. E isso provavelmente explica o pênalti absolutamente desnecessário cometido por Thiago Silva e que acabou resultando no gol paraguaio. Uma instabilidade preocupante ainda mais por se tratar de um zagueiro experiente e que figura entre os mais valiosos do planeta. Não é absurdo dizer que o Paraguai não levava perigo suficiente para chegar ao empate sem uma mãozinha do defensor. E não há dúvida de que daqui em diante seu nome sempre será questionado por imprensa e torcida.
Quem também sofre é o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Acuado pelas investigações do FBI e da Polícia Federal, o dirigente pode tentar desviar o foco de si para a escolha de um novo treinador para substituir Dunga. Muitos dirão que não faltam motivos para a troca, o que até pode ser verdade. No entanto, em nome da continuidade do trabalho, recomenda-se que o técnico permaneça. Independente do nome escolhido para a sequência, os problemas indicam que o sofrimento deve dar a tônica até a Copa do Mundo de 2018. Talvez Dunga não esteja tão errado assim.    
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol
Crédito da imagem: Reuters

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Nuvens sobre os aplausos

A torcida turca sempre foi conhecida por seu fervor, indubitavelmente, um traço da cultura e da alma do povo otomano. Quando as seleções de Turquia e Brasil deram o pontapé inicial do amistoso disputado no Estádio Sukru Saracoglu, os torcedores estavam apoiando seu selecionado como sempre fizeram. Contudo, além da indefectível paixão pelo futebol, os turcos também são fãs do talento brasileiro. Algo que Neymar & Cia estavam dispostos a oferecer em Istambul naquela noite.
Não foram apenas quatro gols e nenhum sofrido. A Seleção Brasileira de Dunga tem realizado boas partidas dentro das possibilidades de um novo ciclo. A intensidade cobrada nos treinamentos é vista em campo e o comportamento tático tem sido o mesmo que marcou a primeira passagem do técnico. Obviamente, ainda se espera um volume maior de jogo no meio-campo, mas a transição afoita que se viu no Mundial deste ano está sendo solucionada com uma saída de bola mais tranquila, de pé em pé, e com a presença dos dois volantes. Os lançamentos longos para o centroavante escorar para quem vem de trás estão ficando cada vez mais no passado.
Todavia, o que realmente transformou o amistoso vencido pelo Brasil foram as atuações de Neymar e Willian. O primeiro somando mais dois gols às suas invejáveis marcas, além de uma série de jogadas que levaram seus marcadores à loucura. O segundo mostrando por que deveria ter tido mais oportunidades com Scolari. Seu “elástico” sensacional sobre dois marcadores e seu dinamismo com e sem a bola serviram para assegurar espaço entre os titulares nesse reinício. Atuações suficientes para trazer os adeptos locais para o lado verde-amarelo da força.
Por razões óbvias, não será tão simples para a Seleção Brasileira reconquistar sua própria torcida. As feridas da Copa do Mundo ainda estão abertas e não serão cinco vitórias em amistosos que transformarão toda a frustração em incentivo. Para essa missão, as Eliminatórias serão muito mais determinantes. Somente diante da torcida brasileira será possível dimensionar até que ponto o revés no Mundial pode ser superado. Para o primeiro momento, o que vimos até agora pode ser classificado como auspicioso.

Porém, como nem tudo são flores, os bastidores da Seleção continuam mais quentes do que o desejado. Após o corte do lateral Maicon por ter se apresentado muitas horas depois do combinado, foi a vez de Thiago Silva polemizar sobre a perda da tarja de capitão para Neymar. À imprensa, o zagueiro disse que se sentia chateado pelo acontecido e que o jovem atacante não o havia procurado para conversar sobre o assunto. Em seguida, diante da enorme repercussão, Thiago recuou, apareceu numa descontraída – e oportuna – foto com Neymar e culpou a imprensa pelo suposto superdimensionamento do episódio. Por sua vez, Dunga procurou sepultar a questão de forma apaziguadora, mas firme. Deixou claro que todos têm o direito de se manifestar, mas que a Seleção possui uma hierarquia.
Se a atitude do defensor terá mais desdobramentos, possivelmente só saberemos em futuras convocações. Ex-atleta do Milan, clube conhecido pelo apreço por seus líderes históricos, e atual dono da braçadeira no PSG, é compreensível que Thiago Silva tenha se apegado à condição de capitão da Seleção Brasileira. No entanto, a crise de choro nas oitavas de final perante o Chile, onde sua fraqueza poderia ter desestabilizado o grupo por completo, foi determinante para que todos percebessem que ele não tinha o perfil para a missão. Ainda entre os melhores zagueiros do planeta, Thiago pode ser muito útil para o Brasil. Nesse cenário, cabe ao próprio jogador entender que sua atual aflição pode ser, no fundo, uma boa notícia. Afinal, ficou bastante evidente que a tarja de capitão da Seleção se tornou um fardo pesado demais para ele.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Mowa Press

domingo, 7 de setembro de 2014

Primeiros passos

Como reza o manual dos treinadores precavidos, Dunga fez questão de dar o favoritismo do amistoso entre Brasil e Colômbia aos rivais. Sem dúvida, o técnico tinha conhecimento da força do elenco comandado há dois anos pelo argentino José Pékerman, mas também havia a percepção de que não se coloca pressão sobre um grupo recém-formado, ainda mais quando boa parte deste acaba de emergir do pior momento da história do selecionado nacional. Contudo, Dunga sabia que poderia vencer a partida e trabalhou para isso.
Durante a última semana, noticiou-se que os treinos da Seleção estavam mais longos e intensos do que se via com Luiz Felipe Scolari. As atividades duram agora mais de duas horas e foram sempre com bola. Perguntados sobre a diferença entre os dois técnicos, alguns jogadores, com os rodeios de praxe, disseram que o novo técnico é mais detalhista que seu antecessor. O espírito aguerrido e vencedor do capitão do Tetra também foi mencionado. Restava saber como o curto período de treinos se refletiria em campo.
Previamente, a lista de convocados indicava um time montado para o presente. Nomes como Maicon – cortado por indisciplina neste domingo – Filipe Luís, Ramires, Elias e Diego Tardelli dão a certeza de que as vitórias precisam voltar a fazer parte do dicionário canarinho. Ao contrário do que ocorreu na reformulação total promovida por Mano Menezes há quatro anos, com Dunga as alterações devem se dar de maneira gradual. Embora seja muito cedo para análises mais profundas, vimos uma Seleção Brasileira preocupada em fechar os espaços, marcar forte e contra-atacar rápido. A mesma fórmula que o técnico usou durante sua primeira passagem.
Taticamente, duas mudanças se fizeram notar. A primeira, bastante auspiciosa, mostra que o maior dilema da Era Felipão pode ser solucionado com treinamento e posicionamento. A transição defensiva, antes marcada pela inoperância dos volantes e por lançamentos longos que normalmente devolvia a posse ao adversário foi substituída, por orientação de Dunga, por uma saída de pé em pé com participação dos dois volantes e laterais bem abertos (abaixo).

A segunda, que pode se tornar usual neste ciclo, foi a ausência de um centroavante fixo. Como é sua característica, Diego Tardelli movimentou-se bastante, buscou jogo e aliviou Neymar da tarefa de recuar para marcar. Na prática, o leve quarteto ofensivo não deixou referência para os zagueiros rivais, porém, era constante a presença de alguém para concluir as jogadas. Uma solução interessante para a falta de um finalizador nato.
Autor do gol da vitória, seu 36º em 55 jogos, Neymar continua sendo a principal referência da equipe. Movimentando-se por todo o campo de ataque, o camisa 10 teve liberdade para carregar a bola e tentar jogadas individuais. Por exercer a chamada “liderança técnica”, recebeu a missão de ser o mais novo capitão da história da Seleção. Uma demonstração de perda confiança em Thiago Silva, devido ao descontrole emocional mostrado durante o Mundial, e em David Luiz, pelos rompantes ofensivos. Por outro lado, fica evidente que o protagonismo de Neymar continua em alta. Resta saber como será o time que lhe dará suporte.   
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagens: Bruno Domingos/Mowa Press e Sportv

domingo, 31 de agosto de 2014

As aventuras de David Luiz

A declaração de José Mourinho foi sintomática: “David Luiz fez coisas importantes aqui, foi sempre um bom profissional. Vamos sentir sua falta como um cara legal. Mas, do ponto de vista do futebol, acredito que nossa equipe é mais forte nesta temporada do que era.” E completou: “Na última temporada, ele não foi nossa primeira opção regularmente. Como zagueiro, definitivamente, foram John Terry e Gary Cahill na temporada inteira. No meio de campo, ele tem presença física e nos proporcionou coisas importantes, especialmente na Champions, quando Matic não pôde jogar. Mas agora Matic pode jogar a Champions, então, não perdemos tanto fisicamente”, concluiu.
Quem acompanhou a temporada passada do Chelsea, sabe que o técnico não está mentindo. Com Mourinho, o zagueiro brasileiro não era a primeira opção e sua saída estava delineada antes mesmo da Copa do Mundo. Conhecido pelo sólido padrão tático que oferece às equipes que comanda, o português dificilmente seria adepto de um defensor que se lança ao ataque sem muita preocupação com a retaguarda, mesmo que fosse tecnicamente superior aos seus titulares. Crítico feroz da nova contração do Paris Saint-Germain, o ex-lateral Gary Neville costumava defini-lo como “um jogador de Playstation controlado por um garoto de 10 anos.”
Jornalista radicado no Brasil, o inglês Tim Vickery, embora mais comedido do que Neville, também faz coro às críticas do compatriota ao reconhecer as qualidades de David Luiz, mas lembrar que ele está sempre “em busca da glória 30 metros à frente”. Tim foi um dos poucos a perceber que o zagueiro descumpriu suas obrigações defensivas durante a Copa do Mundo: “Ele não estava jogando para o time, estava jogando para a galera”, explicou. Embora o carisma e o estilo aguerrido tenham feito sucesso com a torcida, as atuações contra Alemanha e Holanda ultrapassaram com folga o limite da irresponsabilidade.
Contratado pelo PSG como o zagueiro mais caro da história (cerca de € 49,5 milhões), David Luiz tem um horizonte favorável pela frente. Vai atuar ao lado de Thiago Silva, seu parceiro na Seleção Brasileira, e será chefiado por Laurent Blanc, um dos maiores defensores que o futebol francês já produziu. Do amigo, poderá ouvir os sábios conselhos oferecidos por Alessandro Nesta nos tempos de Milan. Com o técnico, líbero dos bons, pode adquirir o timing certo para apoiar o ataque. Sem dúvida, um panorama bem mais interessante do que aquele que vivia em Londres.
Nome confirmado na primeira convocação de Dunga, David tem agora uma grande oportunidade de se redimir. Avesso a fanfarronices, o novo treinador da Seleção Brasileira certamente está atento ao que ocorreu no Mundial. Para muitos, os recados deixados nas entrelinhas durantes as coletivas estavam direcionados ao o zagueiro e não a Neymar, como se pensou. Sem a presença do lesionado Thiago nos amistosos diante de Colômbia e Equador, é provável que a faixa de capitão retorne ao braço de David. Caso isso se confirme, seria um voto de confiança do comandante. E, pelo que se conhece do exigente ex-volante, é bom ele não decepcionar.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Dean Mouhtaropoulos/Getty Images

sábado, 5 de julho de 2014

Como substituir o insubstituível


A informação veio como um choque: Com uma fratura na terceira vértebra lombar, Neymar está fora da Copa do Mundo. Naquele momento, as comemorações pela classificação para a semifinal e a vitória sobre a Colômbia perderam parte do sentido. Justamente após a melhor apresentação brasileira no Mundial, o principal jogador da Seleção não estará presente no duelo contra a Alemanha e nem numa eventual final. Complicado mensurar o tamanho da perda.

Aos poucos, olhando para trás, surgem exemplos de como ausências de grandes jogadores foram superadas ou se tornaram fatais para suas equipes. Nesta Copa, o Uruguai provou desse desgosto ao perder o astro Luis Suárez suspenso. Com o atacante em campo, vitórias sobre Inglaterra e Itália. Sem o artilheiro do Liverpool, derrotas para a surpreendente Costa Rica e para a sensação Colômbia, o que resultou em eliminação. Indo mais longe, é histórica a maneira como o jovem Amarildo substituiu Pelé em 1962 ajudando o Brasil a conquistar seu segundo título.

Outra ausência que o técnico Luiz Felipe Scolari vai precisar contornar é a do capitão Thiago Silva. Com dois cartões amarelos, o zagueiro está fora da semifinal. No entanto, Dante, seu provável substituto, pode cumprir difícil missão. Defensor de bom nível, o atleta do Bayern de Munique está acostumado a enfrentar jogadores alemães na Bundesliga, além de conviver com diversos nomes da Nationalmannschaft em seu próprio clube. Vale lembrar que a Alemanha também lamenta a perda de Marco Reus, então seu melhor atacante, com a crucial diferença de contar com diversos jogadores que atuam pela mesma faixa do gramado. Talvez a melhor comparação com a perda de Neymar seja a do meio-campista Michael Ballack, desfalque na final de 2002 diante do mesmo Brasil, ainda que o goleiro Oliver Kahn fosse o mais badalado.

A princípio, Willian deve ser o escolhido para a vaga do camisa 10 brasileiro. O meia do Chelsea tem treinado na função e aproveita o entrosamento com o companheiro Oscar. Com a alteração, a Seleção Brasileira deve perder em profundidade ofensiva, porém, pode ver seu meio-campo, setor mais preocupante no Mundial, se encorpando mais. Com o retorno do volante Luiz Gustavo, Felipão também dispõe da opção de tornar o time mais físico para combater o forte trio formado por Khedira, Schweinsteiger e Kroos. Seja qual for o escolhido, o certo é que a Seleção terá onze jogadores em campo na próxima terça-feira, ainda que num primeiro instante a sensação seja a de que perdeu meio time.

Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Eitan Abramovich/AFP

domingo, 13 de abril de 2014

O quarto zagueiro

A excelente temporada realizada por Miranda no Atlético de Madrid fez reacender o clamor pelo zagueiro entre os 23 convocados para a Copa do Mundo. Compondo uma defesa central sólida com uruguaio Diego Godín, o ex-são-paulino tem recebido elogios por sua classe e poder de antecipação, porém, sem comover Luiz Felipe Scolari que segue com seu último escolhido indefinido. Até o momento, os únicos nomes certos são Thiago Silva, David Luiz e Dante, desde que uma lesão inoportuna não atrapalhe os planos do técnico.
Na Copa das Confederações, o escolhido foi Réver, mas as contusões e o péssimo segundo semestre de 2013 praticamente sepultaram as chances do atleticano. Também atuando em Minas Gerais, Dedé vem recuperando no Cruzeiro o melhor momento vivido no Vasco da Gama, quando gozou do status de melhor zagueiro do País. Henrique, outra figura constante nas convocações, agora tem mostrado sua versatilidade atuando como volante e lateral direito no Napoli, condição parecida com a que o titular David Luiz vem enfrentando no Chelsea, onde o treinador José Mourinho vem optando por utilizá-lo no meio-campo.
O jovem Marquinhos é outro nome frequentemente lembrado tornando-se uma escolha que visa o próprio futuro do selecionado, uma vez que o defensor do Paris Saint-Germain chegaria ao Mundial com apenas 20 anos. Outra hipótese é a não convocação para o quarto e último posto, contando com o volante Luiz Gustavo como eventual ocupante da defesa. Tal iniciativa serviria para abrir espaço no grupo para a convocação de mais um atacante ou meia-ofensivo. Contudo, conhecendo o pragmatismo do técnico que conta com tantas opções à disposição, é improvável que Scolari se arrisque quando o dia 7 de maio – data marcada para a lista final – chegar.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Reuters 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Clássico é clássico

Particularmente, sou contra análises do tipo “evoluiu, involuiu” a cada partida da Seleção Brasileira nessa nova era Scolari. As coisas não funcionam dessa maneira. Cada jogo e cada adversário reservam níveis diferentes de dificuldades e, ao suplantá-los, parece evidente que o Brasil está se moldando como time. Contra o Japão, um rival que havia chegado ao País há pouco tempo, uma partida mais tranquila. Diante do México, o velho problema de ter um oponente que sabe enfrentar a Seleção. Na terceira rodada, uma Itália que, apesar de desfigurada, foi capaz de fazer frente e testar verdadeiramente o sistema defensivo verde-amarelo. Três partidas, três histórias.
Desta vez não foi diferente. Astuto como sempre, o técnico uruguaio Óscar Tabárez sabia que precisava conter o ímpeto ofensivo que o Brasil costuma mostrar, sobretudo na primeira metade do primeiro tempo, pois só assim poderia chegar à vitória. Para tanto, recuou sua defesa e seus volantes para reduzir os espaços que os brasileiros poderiam usar para tabelas ou jogadas em profundidade e deixou seu trio ofensivo formado por Forlán, Suárez e Cavani tentando marcar a saída de bola. Não por acaso, diante de apenas três marcadores e um meio-campo mais recuado, não foi um problema para o Brasil fazer com que a bola passasse para o campo de ataque. Todavia, diante de uma Celeste tão trancada, foi um problema acionar os atacantes em situação de marcar.
Se essa foi a breve análise tática, é preciso dizer que Brasil x Uruguai foi bem mais do que isso. Foi um autêntico clássico, dos mais disputados, como manda a tradição. Após um início complicado, diferente dos jogos anteriores, o Brasil só entrou definitivamente na partida após o pênalti defendido por Júlio César. Mesmo assim, só conseguiu abrir o placar após um milimétrico lançamento de Paulinho que encontrou Neymar na área no lance que acabou resultando no rebote que Fred, como sempre, estava presente para concluir em gol.
Em desvantagem, os uruguaios voltaram para o segundo tempo dispostos a empatar e adiantaram suas linhas. Num momento de pressão, a bola não foi rebatida por Thiago Silva que preferiu sair jogando com Marcelo e viu Cavani se antecipar ao lateral para deixar tudo igual. Ouvindo a voz do Mineirão, mas muito mais o que viu nos treinamentos, Felipão lançou o dinâmico Bernard no lugar de um apagado Hulk e viu o garoto mudar a cara do jogo a favor do Brasil. Hernanes, na vaga do oscilante Oscar, também foi uma bola dentro do técnico que viu sua equipe chegar ao gol da vitória num momento em que se encontrava melhor técnica, tática e, sobretudo, fisicamente em relação ao Uruguai.
Mais do que uma partida ruim da Seleção Brasileira, a semifinal desta Copa das Confederações foi uma partida dura. Somente passando por esse tipo de situação que um grande time se forma. Existem problemas e, baseado nas entrevistas de Felipão, está claro que o técnico percebe isso. Disputar a final deste torneio é prova de que existe evolução desde que o treinador assumiu. Mas o produto final desta Seleção só será visto na Copa do Mundo.
Imagem: Getty Images

sábado, 4 de maio de 2013

O Barça está morto. Longa vida ao Barça!

Nos últimos dias discutiu-se bastante sobre o momento atual do Barcelona e se a eliminação da UEFA Champions League pelo poderoso Bayern de Munique representou o fim de um ciclo vitorioso do time catalão. Para muitos, o ciclo de Messi & Cia. só se encerrará quando a atual geração deixar o clube ou mesmo ser substituída por outra gradativamente. Discordo dessa visão. Para este blogueiro, um ciclo do Barcelona se encerrou ainda em 2012, quando o técnico Pep Guardiola anunciou que aquela seria sua última temporada. Naquele momento, o ex-jogador colocou um ponto final numa história que começou em 2008, redefinindo uma nova era após o exitoso período em que o holandês Frank Rijkaard esteve no comando, época em que Ronaldinho Gaúcho brilhou intensamente, muito bem assessorado por Deco, Eto’o e outros. Em outras palavras, a era Rijkaard e a era Guardiola, por suas singularidades, já representaram ciclos distintos.
Deste modo, é possível dizer que a chegada de Tito Vilanova no Barça representa o reinício dos trabalhos no reino blaugrana. Uma retomada onde algumas providências típicas de Guardiola como a constante variação de esquemas táticos e a solidez defensiva ficaram para trás e o time assumiu uma visão ligeiramente mais vertical na busca do gol. São essas particularidades somadas à troca de treinador que indicam um reinício. Como paralelo é possível citar o Milan que revolucionou o futebol com Arrigo Sacchi no fim dos anos 1980 quando contava com craques italianos como Baresi e Maldini aliados ao fabuloso trio holandês composto por Rijkaard, Gullit e Van Basten, sucedido pelo Milan de Fabio Capello, uma equipe mais dura, mas ainda assim vencedora.
É justamente esse processo que o Barcelona vive neste momento. Depois de vencer tudo, chegou o momento de re-oxigenar o plantel – nomes como Thiago Silva e Neymar vêm sendo fortemente especulados – e quem sabe avaliar se Vilanova é realmente o profissional capaz de conduzir essa transição. O certo é que uma nova era se inicia para o Barça e provavelmente começará com a conquista do título espanhol deste certame. Contudo, se ela terá tanto sucesso quanto suas versões anteriores só o tempo dirá.
Crédito da Imagem: Getty Images

domingo, 15 de julho de 2012

Bota pra vender!

Neste momento, a contratação de Thiago Silva pelo Paris Saint-Germain já é oficial e a de Zlatan Ibrahimovic parece apenas questão de tempo. Enquanto o jogador sueco acerta suas bases salariais com o clube francês, as principais dúvidas pairam sobre o que restou do Milan. Sem seus dois principais nomes e sem a perspectiva de reposição à altura, o Rossonero transmite a mensagem de que a partir de agora seu patamar é outro. Obviamente, tal declínio não aconteceu de uma hora para outra. Trata-se de um duradouro processo que também corrói o futebol italiano e que, no caso do Milan, pode ter seu início apontado quando da negociação de Kaká com o Real Madrid.
Ao que tudo indica, o proprietário Silvio Berlusconi não pretende mais despejar seus milhões na associação como fazia no passado. Seguindo a premissa do financial fair play de que o clube deve ser auto-sustentável, o ex-primeiro ministro tenta reequilibrar as contas sem abrir a carteira, algo que, logicamente, não funcionaria do dia para a noite, ainda mais numa liga em franca decadência como a Serie A. Outra questão é que as agremiações da Bota estão mal-acostumadas com mandatários generosos que torram seu dinheiro pelo simples prazer de possuir um time de futebol. Sem contar que a própria estrutura do Calcio ainda não está preparada (leia-se, modernizada) para andar com as próprias pernas.
Nesse cenário, seria conveniente analisar se não chegou o momento de Berlusconi negociar o clube de via Turati. Nos últimos anos, o magnata recebeu propostas para vender todo ou pelo menos uma parte do Milan e sempre se recusou a abrir conversas. Todavia, com uma torcida há tantos anos acostumada a ter um grande time e possuir atletas de renome, é evidente que a saída de dois jogadores fundamentais seria vista como enfraquecimento e que a reação não seria das melhores. O certo que o Campeonato Italiano perde força e prestígio a cada dia e o redimensionamento de um de seus maiores clubes é um nítido reflexo desse momento. Como se diz por aqui, o último que sair apague a luz.
EFE

domingo, 10 de junho de 2012

O saldo dos amistosos

Após as partidas diante de Dinamarca, Estados Unidos, México e Argentina, o técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, tem muito no que pensar até o início dos Jogos Olímpicos de Londres. Se por um lado o estilo agressivo e ofensivo agradou, a vulnerabilidade defensiva causou apreensão. E como a equipe não havia treinado dessa forma anteriormente, o tempo para adaptação a essa nova concepção pode ser muito curto.
De qualquer modo, os amistosos também serviram para afirmar alguns nomes, enfraquecer outros e constatar a manutenção de alguns. Dividindo os atletas de acordo com o momento atual é possível separá-los em três categorias:
Subiram:
- Rafael Cabral. Goleiro abaixo dos 23 anos, Rafael se mostrou seguro quando exigido e não cometeu nenhuma falha grave. Praticamente dispensou a necessidade de convocar Jefferson.
- Rafael Silva. Chamado às pressas por causa da lesão de Daniel Alves, o lateral do Manchester United ganhou espaço após as fracas atuações de Danilo no lado direito.
- Sandro e Rômulo. Aprovados como volantes, só precisam acertar o posicionamento à frente da defesa. Questão de treino.
- Oscar. Certamente foi quem mais se beneficiou no período. Mais dinâmico do que Ganso, saiu da série de amistosos como provável titular em Londres. A seu favor, também conta o fato de poder atuar ao lado do meia santista, jogando mais pelos flancos.
Na mesma:
- Thiago Silva, David Luiz e Marcelo. Salvo algum problema físico, os três devem ser os jogadores acima dos 23 anos. Inclusive, o milanista foi confirmado por Mano como o capitão do time nos Jogos. Pouco testado, David Luiz ficaria com uma das vagas pelas más apresentações da dupla de zagueiros sub-23 formada por Bruno Uvini e Juan Jesus. Quanto a Marcelo, preocupa o comportamento intempestivo do lateral, mas nada que uma boa conversa não possa resolver.
- Hulk. Após a excelente partida contra a Dinamarca, o atacante do Porto não conseguiu manter o nível. Extremamente individualista, irritou os companheiros em alguns lances. Além disso, as carências defensivas devem pesar nas escolhas do técnico pelo uso de todos os reforços na defesa.
- Neymar. Continua sendo o principal nome da Seleção, mas não deu o salto de qualidade definitivo que se espera. Muito preso ao lado esquerdo num primeiro momento e mais solto contra a Argentina, ainda não descobriu seu melhor espaço na Seleção.
- Jefferson (acima de 23 anos), Neto, Alex Sandro, Casemiro, Giuliano, Wellington Nem e Alexandre Pato. Pouco utilizados, não ganharam e nem perderam pontos dentro de campo. Espera-se muito mais de Pato, mas como se recuperava de lesão a cobrança tende a ser menor.    
Desceram:
- Danilo. Sua deficiência na marcação foi escancarada nos amistosos e o apoio ao ataque também não foi dos melhores. Tem o atenuante de ter jogado pouco após a lesão que sofreu.
- Bruno Uvini e Juan Jesus. Preocupavam quando eram apenas os zagueiros da Seleção sub-20 e causam pavor no time olímpico. Suas atuações fizeram aumentar a necessidade por dois jogadores acima dos 23 anos na zaga.
- Lucas Moura. Uma das grandes promessas do futebol brasileiro, ainda não deslanchou. Teve poucas oportunidades nos amistosos e não as agarrou. Todavia, a necessidade defensiva deve abrir caminho para a sua titularidade.
- Leandro Damião. O que era certeza se transformou em dúvida. Desconectado do restante do time e sem conseguir mostrar seu faro goleador, seu melhor momento foi o pivô para o gol de Oscar contra a Argentina.
- Daniel Alves e Paulo Henrique Ganso. Infelizmente, suas lesões acabaram provocando perda de espaço no grupo. Por disputar uma das vagas acima da idade limite, o lateral não deve ir aos Jogos. Ganso provavelmente estará presente, mas terá que convencer Mano de que vale a pena acomodá-lo ao lado de Oscar.
E você, o que achou dos amistosos?      
Imagem: Agência Estado, IG e UOL.

domingo, 27 de maio de 2012

Contagem Regressiva: Maio de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Da teoria para a prática.
Uma das maiores críticas que Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, recebe diz respeito à enorme distância entre seu discurso e o futebol praticado em campo pelo Brasil. Nas entrevistas concedidas, Mano declarava que, historicamente, a Seleção sempre procurou praticar um futebol de imposição ofensiva e que, por sediar o próximo Mundial, terá a obrigação de sair para o jogo contra qualquer adversário. Todavia, na prática, o que se via era um time que não era tão consistente defensivamente quanto o Brasil de Dunga e, ao mesmo tempo, não era capaz de se impor diante dos melhores adversários.
Pois esse cenário pode estar mudando. Na vitória por 3 x1 sobre a Dinamarca em Hamburgo, o Brasil deu mostras de que as teorias de Mano Menezes podem estar entrando em sintonia com a realidade. Apresentando uma marcação forte no campo de ataque, muita movimentação e, sobretudo, talento, a Seleção anotou três gols ainda no primeiro tempo contra o selecionado de Morten Olsen.  O grande nome da partida foi Hulk, autor do primeiro e do terceiro gols e com participação decisiva no segundo, marcado contra por Zimling. Com essa atuação, o portista espera garantir sua vaga entre os jogadores acima dos 23 anos que estarão nos Jogos Olímpicos de Londres.
Assim como quase tudo no futebol, o cenário da Seleção está mudando rapidamente. Antes, devido às carências defensivas, Mano sinalizava que os três reforços acima da idade limite seriam escolhidos entre os defensores Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo. Agora, com as lesões de Daniel e David e as atuações de Juan Jesus e Hulk é provável que Mano Menezes esteja reavaliando suas opções. Outro que vem ganhando espaço é o meia Oscar. Após o imbróglio jurídico entre Internacional e São Paulo, o jovem colorado que via sua vaga nos Jogos mais distante agora aproveita a ausência do recém-operado Paulo Henrique Ganso para mostrar trabalho. Contra a Dinamarca, Oscar armou, marcou e atacou como gente grande e dificilmente estará fora da lista final para as Olimpíadas.
Os rivais.
Os próximos compromissos da Seleção acontecerão nos dias 30 de maio diante dos Estados Unidos em Washington, 3 de junho contra o México em Dallas e, por fim, enfrenta a Argentina no dia 9 em New Jersey. Dessas partidas, o técnico Mano Menezes definirá os dezoito atletas que representarão o futebol brasileiro em Londres. Dos três amistosos, sem dúvida, o que mais chama a atenção será o duelo contra nossos hermanos. Atuando completa, a Argentina terá antes do Brasil partida válida pelas Eliminatórias contra o Equador, em Buenos Aires, no dia 2 de junho.     
De olho na Copa:
A situação dos estádios brasileiros segue complicada. Segundo o Ministério do Esporte, somente quatro estados (Bahia, Ceará, Minas Gerais e o Distrito Federal) estão em dia com seus cronogramas de obras dos estádios para a Copa de 2014. Somente as citadas arenas cumpriram 50% ou mais de suas construções, todas financiadas por recursos do BNDES.
Quanto aos aeroportos, dos 13 considerados prioritários para o Mundial, apenas cinco já foram entregues: Cuiabá, Porto Alegre, Campinas e dois em São Paulo. Em relação às obras de mobilidade urbana, nove das 12 sedes estão com os trabalhos em andamento. Todavia, 81% dessas obras só serão concluídas no segundo semestre de 2013.     
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagem: Lancenet

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Timaço, mas é apenas um esboço.

A menos de oito meses para os Jogos Olímpicos de Londres, Mano Menezes nunca conseguiu reunir a Seleção Brasileira sub-23. No máximo, convocou alguns atletas dessa faixa etária para integrar o time principal. Dentre eles, estão nomes como Neymar, Ganso e Leandro Damião que têm tudo para serem titulares do Brasil na Copa de 2014. Nenhum integrante da comissão técnica afirmou, mas, assim como em 2008 com o técnico Dunga, está claro que a equipe olímpica não é prioridade dentro do trabalho.
Mesmo assim, com base nos jovens convocados até o momento, é possível escalar um time forte que, reforçado em alguns pontos por jogadores acima dos 23 anos, mostra que além de ser uma boa geração é possível conquistar a medalha de ouro. Neste momento, acredito que os 18 convocados seriam:  
Goleiros: Neto (Fiorentina) e Rafael (Santos);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Bruno Uvini (São Paulo) e Thiago Silva (Milan);
Laterais: Alex Sandro (Porto) e Danilo (Santos), Fabio (Manchester United);
Volantes: Lucas Leiva (Liverpool), Rômulo (Vasco) e Sandro (Tottenham);
Meias: Lucas Moura (São Paulo), Oscar (Internacional), Paulo Henrique Ganso (Santos);
Atacantes: Alexandre Pato (Milan), Kleber (Porto), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Santos).  
Em itálico, David Luiz, Thiago Silva e Lucas Leiva são os jogadores acima dos 23 anos. Não há nada que os indique, mas a defesa central foi um dos setores menos experimentados por Mano Menezes, enquanto o volante do Liverpool sempre foi um dos nomes de confiança do treinador. Deste modo, Mano poderia escalar o seguinte onze inicial:
Não resta dúvida de que, no papel, trata-se de um timaço. Entretanto, sem a devida preparação, só saberemos do que essa equipe é capaz em Londres.

domingo, 12 de junho de 2011

Nossa seleção da temporada 2010/11.

Com a votação encerrada, conheça a seleção da temporada 2010/11 eleita pelos amigos do blog “Além das Quatro Linhas”. Ao todo, foram apontadas 37 seleções de onde foram extraídos o técnico e os 11 jogadores mais votados.
No gol, a disputa ficou entre Manuel Neuer e Edwin van der Sar. No fim, as soberbas atuações do arqueiro alemão falaram mais alto.
Na lateral direita, a primeira unanimidade da votação. Para todos os eleitores, Daniel Alves foi o melhor da posição. Do outro lado, Marcelo foi a opção de 23 dos 37 participantes.
No centro da defesa, a disputada foi acirrada entre Thiago Silva, Piqué e Vidic. Mas, com 27 e 22 votos, respectivamente, o brasileiro e o espanhol ficaram à frente da muralha sérvia.    
O meio campo reservou o primeiro empate. Enquanto Xavi e Sahin garantiram espaço com 34 e 26 votos, Busquets e Iniesta empataram com 10 apontamentos cada. Assim, com nossa seleção obedece aos princípios táticos, a vaga de primeiro volante fica com Busquets.
Mais duas unanimidades no ataque. Messi e Cristiano Ronaldo foram lembrados por todos os participantes. Cá entre nós, não poderia ser diferente. Ao lado deles, Samuel Eto’o, em sua melhor temporada no Velho Continente, garantiu seu espaço com 11 votos.
Talvez a maior surpresa tenha ficado por último. Campeão europeu e comandante de um dos maiores times da história, Pep Guardiola recebeu 14 votos e acabou preterido pela revelação André Villas-Boas que com 15 apontamentos confirmou-se como o técnico de nossa seleção.
Com isso, tivemos cinco jogadores do Barcelona, dois do Real Madrid, e um de Schalke 04, Milan, Borussia Dortmund e Inter, além do atual treinador do Porto. Confira abaixo a nossa seleção e seu esquema tático. Os números entre parênteses representam os votos que cada um recebeu:
Seleção 2010/2011: Neuer (21); Daniel Alves (37), Thiago Silva (27), Piqué (22) e Marcelo (23); Busquets (10), Xavi (34) e Sahin (26); Messi (37), Cristiano Ronaldo (37) e Eto’o (11). Técnico: André Villas-Boas (15).

No mais, gostaria de agradecer a todos que participaram da eleição e espero contar com vocês ao final da próxima temporada.
Até mais!