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sábado, 7 de março de 2015

Dória, Bielsa e a imagem dos brasileiros no exterior

Um dos principais reforços do São Paulo em 2015, Matheus Dória foi o convidado da terceira edição do programa Bate-Bola, da ESPN Brasil, na última quinta-feira. Em dado momento, o zagueiro foi perguntado sobre sua passagem pelo Olympique de Marselha e as dificuldades que enfrentou sob o comando do argentino Marcelo Bielsa. Aproveitando a ocasião, Dória falou a respeito de seu não aproveitamento no time francês e do comportamento do técnico com auxiliares e com ele mesmo. Ali estava apenas a versão do jovem brasileiro, mas as reações que vieram a seguir surpreenderam este blogueiro. Com poucas ressalvas ou contextualização, a maior parte das pessoas que se manifestaram sobre o tema optou por criticar Dória. É como se o jogador brasileiro fosse o único culpado por seus infortúnios no Olympique independente do que lá aconteceu.
Antes de tudo, é preciso recordar como se deu a contratação de Dória pelo OM. Figura de destaque no Botafogo desde 2013, embora não fosse unanimidade entre os torcedores, o zagueiro tornou-se objeto de cobiça de importantes clubes europeus e acabou desembarcando na França por cerca de oito milhões de euros. No entanto, antes mesmo de se apresentar ao seu novo treinador, Dória se deparou com a entrevista coletiva de El Loco dizendo que sua diretoria não o consultou sobre a contratação, que não tinha avaliado o defensor e que era contra a sua chegada. Não é preciso ser um gênio para perceber que a vida do garoto, então com 19 anos, não seria fácil em Marselha. Como era de se esperar, Dória ficou encostado no clube até que o São Paulo o repatriasse.
Reunindo esses fatos, o depoimento de Dória e refletindo sobre o histórico de loucuras de Marcelo Bielsa é possível chegar à conclusão de que pode não se tratar do clássico caso do jogador que não conseguiu seu espaço e saiu atirando contra o seu ex-técnico. Bielsa nunca quis a chegada de Dória, não fez questão de esconder isso e nunca concedeu chances reais para o jogador se firmar. Analisando a questão, ela remete muito mais a uma típica queda de braço entre dirigente e técnico do que propriamente a reprovação de um atleta após um período de trabalho e convivência.
Contudo, é possível dizer que há, por parte de algumas pessoas, uma pré-disposição em considerar os brasileiros culpados por qualquer situação negativa no exterior independente dos fatores que esta envolver. Possivelmente baseada em episódios onde os brasileiros realmente erraram, criou-se por aqui uma regra geral onde o profissional brasileiro, seja ele técnico ou jogador, está sempre errado. Um provável resultado da soma de pouco pensamento crítico somado ao atávico complexo de vira-latas que Nelson Rodrigues definiu tão bem. Esta sim, uma típica conduta com ares de regra geral.

Imagem: Divulgação

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O 7 a 1 e os pandas

O ex-jogador Gérson costuma repetir uma lição que recebeu de seu mestre Valdir Pereira, o Didi. Certa vez, atuando juntos no meio-campo do Botafogo, o Canhotinha ouviu que não era necessário adiantar a marcação porque o adversário teria que passar por ali caso quisesse chegar ao gol. Sendo assim, se ficassem posicionados, poderiam recuperar a bola e iniciar o contra-ataque. Com a categoria de ambos, não é difícil imaginar quantas jogadas elaboraram nas 21 ocasiões em que estiveram lado a lado no meio-campo alvinegro.
O tempo passou e hoje sabemos que alguns conceitos do futebol mudaram. O terreno de jogo foi “encurtado” e pressionar no campo do rival faz parte da estratégia de se obter a posse o mais próximo possível da meta inimiga. Para que chegássemos a esse entendimento, vimos seleções como a Holanda de 1974, times como o Milan de Arrigo Sacchi e, mais recentemente, o Barcelona de Pep Guardiola. Mesmo assim, a proposta simplificada pelo chamado Príncipe Etíope continua viva em equipes como o Chelsea de José Mourinho e o Atlético de Madrid comandado por Diego Simeone.
Discutir conceitos faz bem ao futebol. Curiosamente, isso é o que menos se faz no Brasil. É como se o esporte fosse encerrado em si mesmo, sem grande necessidade de se debater sua filosofia. Após o fatídico 7 a 1, o mínimo que se poderia esperar da CBF era a organização de um grande simpósio para que os maiores nomes do nosso futebol pudessem se reunir com seus pares estrangeiros com o objetivo de entender tanto o que aconteceu no Mineirão como os rumos do futebol brasileiro a partir dali. Do mesmo modo, seria interessante ver algo semelhante na imprensa. É triste constatar que o primeiro SporTV Repórter sobre o tema teve Valesca Popozuda como convidada.
A ausência de debates mais sérios possivelmente é a razão para tantos pensamentos soltos e tantas analogias forçadas. Hoje, quando se mostra qualquer problema do futebol brasileiro ele invariavelmente é seguido de alguma referência ao revés de 8 de julho como se tudo estivesse num só pacote e não pudesse ser observado separadamente. Se a ligação entre a estrutura do país e a seleção nacional fosse tão intrínseca em países exportadores de talento, dificilmente a Argentina teria feito frente à Alemanha na decisão da última Copa.

Quanto mais o tempo passa, maior se torna a sensação de que uma oportunidade única está sendo perdida. Com as vitórias da Seleção de Dunga nos amistosos e provavelmente nas Eliminatórias, o 7 a 1 começará a se tornar apenas um grande ferimento mal cicatrizado. Lembraremos do que o causou, mas não do que fizemos para que aquilo não se repetisse. Enquanto nada acontece, a impressão é que toda vez que alguém usa o 7 a 1 em vão, um panda morre. E como eu gostaria que preservassem o simpático urso.  

Imagem: Wikipédia e Vipcomm

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Lembra desse?!

Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca esqueceu.
Por linhas tortas
Se o currículo do meia holandês Clarence Seedorf atuando por clubes é impecável, o mesmo não pode ser dito da contribuição ao seu selecionado. Apesar de todo o seu talento, o novo jogador do Botafogo nunca foi um titular incontestável da Oranje. Mesmo em 1998, quando foi campeão europeu e peça-chave do Real Madrid, Seedorf não conseguiu espaço entre os titulares do 4-4-2 montado por Guus Hiddink para o Mundial da França. Nas poucas oportunidades que teve, improvisado no flanco direito, foi definido pelo “atento” jornalista Fernando Calazans como “um Donizete piorado”.
Curiosamente, após a queda holandesa para a Seleção Brasileira numa emocionante disputa de pênaltis, Seedorf e outros negros do grupo foram dividir as banheiras com os jogadores tupiniquins. Como se sabe, mesmo apresentando um grande futebol coletivo, aquela Holanda era marcada pela evidente divisão entre brancos e negros, algo bem ilustrado pela foto ao lado, datada da Euro 96. Nos vestiários, o meia se encontrou com o técnico brasileiro Zagallo que, admirador de seu futebol, não teve medo de afirmar: “Se você fosse brasileiro, seria titular do meu time”. Difícil imaginar um elogio maior naquele momento. Quatorze anos depois, por esses estranhos caminhos que a vida percorre, Seedorf se transferiu justamente para o time no qual o Velho Lobo se consagrou.
Você conhece alguma história interessante sobre o mundo da bola?
Mande-a para meu e-mail: a4l@bol.com.br e coloque no assunto: 'Lembra desse?!' e ela poderá ser publicada aqui!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Contagem Regressiva: Abril de 2012

Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
As falácias de Mano.
Não resta dúvida de que o técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, tem o dom da palavra. Seus discursos, sempre articulados, conseguem convencer a maioria das pessoas – incluindo a imprensa – a acreditar em seus argumentos sem grandes contestações. Nos últimos tempos, diante da desconfiança que cerca seu trabalho, Mano decidiu fazer uso de sua oratória para se fazer acreditar. Infelizmente, com observações que não estão próximas da verdade.
Para se defender da pouca ou nenhuma evolução de seu trabalho à frente do selecionado brasileiro, Mano citou que a preparação para o Mundial de 2002 aconteceu aos trancos e barrancos e mesmo assim o Brasil foi pentacampeão. Ora, em primeiro lugar, não é porque algo não foi conduzido de maneira correta, porém deu certo no final que as coisas devem caminhar sempre assim. A evolução do trabalho é necessária não só para convencer torcida e imprensa, mas para convencer os próprios jogadores de que as coisas estão funcionando bem.
Outro comentário frequente do ex-treinador do Corinthians é dizer que o futebol brasileiro não é o mesmo que se joga no resto do mundo. E está correto. Por aqui, conceitos como compactação e marcação por zona ainda não estão totalmente enraizados e os times locais dão mais espaço do que vemos nas principais ligas europeias. Todavia, não faz muito sentido usar esse problema como desculpa para a Seleção. Isto porque dos prováveis titulares do Brasil apenas três jogadores (Ganso, Neymar e Damião) atuam no país. E esse número ainda pode cair para dois, caso Mano opte por Hernanes na vaga de Ganso, para ficar num único exemplo.  
O que o técnico nunca admitiu é que herdou de Dunga um time competitivo – que podia desagradar aos críticos brasileiros, mas teve chances reais de ser campeão na África do Sul – e não conseguiu manter o mesmo nível. Seguindo a sugestão pouco abalizada de Ricardo Teixeira, Mano Menezes descartou tudo o que aquela seleção havia conquistado e começou um time a partir de (quase) zero. Sem jogadores experientes, Mano vê seu trabalho estagnado e já se especula que o fato da Seleção não estar enfrentando grandes adversários é um pedido seu. “Ele se acovardou”, teria dito Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF, a pessoas próximas. Em outras palavras, o técnico que em seu discurso inicial deu a entender que o time de Dunga não representava o futebol que os brasileiros queriam ver, em dois anos não só perdeu o trabalho anterior como não constituiu um novo projeto baseado em seus conceitos. E isso explica seu medo de desafios maiores. Não por acaso, a possível troca de comando técnico após os Jogos de Londres pode partir do próprio Andrés.
Kaká e Ramires.
As semifinais da UEFA Champions League ajudaram a mostrar algo sobre as ausências de Kaká e Ramires das convocações da Seleção Brasileira em 2012. Preterido dos titulares do Real Madrid em momentos decisivos, Kaká só entrou no final do segundo tempo do duelo contra o Bayern no Santiago Bernabéu. Aparentando estar longe de sua melhor forma e sem ritmo, Kaká foi muito mal. Para piorar sua situação no clube, ainda perdeu um dos pênaltis na disputa que alijou os Merengues de mais uma final europeia.
Por outro lado, nada explica a ausência de Ramires. Peça fundamental do Chelsea na classificação diante do fortíssimo Barcelona participando de dois dos três gols dos Blues no confronto, o “queniano azul” mostrou que, atualmente, é um dos melhores meio-campistas brasileiros em atividade. A desculpa de Mano Menezes na última semana dizendo que já sabe do que Ramires é capaz é exatamente isso, uma desculpa. Quando um técnico considera um jogador realmente bom, nada mais lógico do que convocá-lo e mantê-lo no grupo.                
Os rivais:
No dia 20 de julho em Middlesbrough, Brasil e Reino Unido realizarão um amistoso preparatório para os Jogos de Londres. A partida será a última das duas equipes antes das Olimpíadas e será de fundamental importância para o técnico Mano Menezes antes da competição, uma vez que esta versão da Seleção Olímpica do Brasil nunca entrou em campo.
Sobre essa questão, muitos jornalistas têm criticado a CBF pela ausência de jogos da seleção olímpica no período, mas é bom lembrar que simplesmente não existe um calendário sul-americano para a categoria sub-23 e que muitos dos atletas que irão compor o grupo que defenderá o Brasil em gramados britânicos fazem parte da equipe principal. Além disso, nem mesmo o argumento de que o vizinho Uruguai tem reunido seus jogadores locais para treinos deveria ser usado como crítica. Afinal, se por aqui já criticam as convocações para amistosos em datas FIFA, imagine a gritaria se a Seleção tirasse os jogadores de seus clubes imersos num calendário lotado apenas para treinar.    
De olho na Copa:
Uma matéria assinada por Roberto Pereira dos Santos, do UOL, confirmou que o ex-presidente da FIFA, João Havelange, e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, receberam propina da extinta ISL entre 1989 e 1998. O escândalo foi revelado através de um relatório (ainda parcial) emitido pelo Parlamento Europeu. Havelange, 95, está internado no Hospital Samaritano no Rio Janeiro vítima de uma infecção no tornozelo direito, mas seu estado de saúde é estável. Teixeira, 64, mora em Miami desde que renunciou à presidência da CBF.
O presidente do Botafogo, Maurício Assumpção revelou na última sexta-feira que o Engenhão, estádio do clube, pode ser usado como “plano B” para a Copa das Confederações. Obviamente, isso significa que o consorcio responsável pela reforma do Maracanã pode não cumprir o prazo de entrega do estádio para a competição que se realizará em 2013.    
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:         
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Fortaleza e Salvador;  
Apresentando atrasos: Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagens: EFE e AFP

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Melhores do mundo?

Caio Júnior é um bom sujeito. Ex-jogador de algum talento e ex-comentarista esportivo acima da média, Caio decidiu ser treinador e, entre altos e baixos, vem construindo uma carreira interessante. No fim de 2011, entre a demissão do Botafogo e a contratação pelo Grêmio, voltou a ser notícia ao visitar o poderoso Barcelona. Rapidamente, tentaram colar em sua testa um rótulo de “novo Guardiola”, alguém que seria capaz de tirar o futebol brasileiro da mesmice.
Em entrevista ao jornalista Marcus Alves, Caio trata de esclarecer que não se trata disso: “Ah, as pessoas estão misturando um pouco pelo fato de eu ter ido lá e querer implementar no Grêmio. Não é bem isso.” Em seguida, o técnico gremista se mostra antenado com o que está acontecendo no mundo: “Não é só o Barcelona. O conceito de tudo que vem acontecendo por aí é o que eu procuro trazer para meu trabalho. A gente tem que estar atualizado. E, então, nesse momento, o Barcelona é a maior referência porque chama muito a atenção. O futebol hoje mudou e tem gente que não consegue enxergar.”
Caio está certo. E apesar do mau início no tricolor gaúcho, é muito bom saber que um treinador brasileiro abriu seus olhos para a evolução do esporte. O problema vem depois, quando o paranaense diz que os técnicos brasileiros são os melhores do mundo porque sabem lidar com jogadores que não estão bem preparados taticamente e por enfrentarem uma pressão maior. De certo modo, uma opinião semelhante àquela manifestada por Muricy Ramalho antes do Mundial Interclubes.
Impossível não observar o equívoco deste pensamento. Saber ou, pelo menos, tentar lidar com adversidades e trabalhar sob pressão de mídia e torcida não fazem de nossos treinadores os melhores do mundo. No máximo, isso atesta boa capacidade de atuar em ambientes que não são ideais e até hostis. Desde Carlos Alberto Parreira, que com apenas 24 anos se aventurou a treinar a seleção de Gana, não faltam exemplos de treinadores brasileiros que desbravaram o mundo sem medo do que encontrariam. No entanto, embora isso seja digno de nota, não transforma a classe em top.
Para serem os melhores, os técnicos brasileiros precisam confrontar e superar os melhores. Hoje, isso só é possível nos maiores campeonatos europeus. Ali, entre feras como José Mourinho, Guardiola e Alex Ferguson, é que alguém realmente se prova. Nos últimos anos, nomes como Parreira, Vanderlei Luxemburgo, Luiz Felipe Scolari e Leonardo tentaram e não foram bem. Em cada caso, faltou alguma coisa para que o êxito fosse alcançado.
Além disso, falta aos nossos profissionais a capacidade de inovar e implantar novas técnicas e conceitos. Até pouco tempo atrás, nossos treinadores ainda se agarravam ao velho 3-5-2 que a Europa – salvo raras exceções – abandonou faz tempo. Sem falar na pouca compactação, nos duelos individuais e dos meios-de-campo conscientemente esvaziados de talento. Por sua entrevista, Caio Júnior percebeu que essas práticas estão em desuso. Embora isso não seja suficiente para colocá-lo entre os melhores do mundo, pelo menos mostra que alguém por aqui já abriu os olhos. Mesmo que parcialmente.
Imagem: Zero Hora

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O campeonato mais emocionante do mundo.

Quando o assunto é público nos estádios, ninguém se compara à Bundesliga. Na temporada passada, mais de 42 mil torcedores, em média, lotaram as arenas alemãs. Se a preferência é por tradição e poderio financeiro, então a melhor pedida é a Premier League e suas cifras estratosféricas. Para quem acredita que o melhor campeonato precisa ter, necessariamente, os melhores times, então Barcelona e Real Madrid são os representantes de La Liga. E ainda existem aqueles que preferem o charme da Serie A italiana.  
No entanto, se o que vale é emoção, assunto para as conversas de segunda-feira e alto grau de imprevisibilidade, então nada supera o Campeonato Brasileiro. Encerrada sua 33ª rodada, o Brasileirão ainda tem pelo menos cinco times lutando pelo título. Hoje, Corinthians (58 pontos), Vasco (58), Fluminense (56), Botafogo (55) e Flamengo (55) lutam desesperadamente contra a própria irregularidade numa liga que parece ser disputada por “pontos escorridos”, tal a dificuldade para alguém assumir de vez a ponta da tabela.
Lanterna bate líder. Cena comum em Campeonatos Brasileiros.
“Mas o nível técnico é baixo”, diriam os críticos. Nem tanto. Procure ouvir o que dizem técnicos e jogadores sobre esse assunto. Para Alex, do Corinthians, o nível é alto: “Vai ver como é lá fora” afirma o meia com passagem pelo futebol russo. Para os treinadores Abel Braga e Muricy Ramalho, o Brasileiro é “o campeonato mais difícil do mundo”. São viagens longas, gramados ruins, arbitragens abaixo da crítica e muito equilíbrio dentro de campo. Além disso, como desdenhar do nível técnico de uma competição que reúne nomes como Neymar, Ganso, Borges, Ronaldinho, Juninho Pernambucano, Felipe, Renato, Liédson, Alex, Lucas, Thiago Neves, Deco, Montillo, Leandro Damião, D’Alessandro e tantos outros?
Agora, imagine o que poderia ser este campeonato se a CBF o tratasse como merece. Se o torcedor fosse tratado como cliente e não como gado. Se o calendário fosse minimamente programado para não acontecerem jogos em datas FIFA. Aí, meu amigo, seria difícil competir com ele. Enquanto esse dia não chega, aproveitemos o que esta edição tem de melhor que é fornecer assuntos infinitos tanto para as mesas redondas da TV quanto para animadas mesas de bar.
Confira abaixo o caminho dos principais candidatos ao título (e não deixe de votar na enquete ao lado):
Corinthians (58 pontos): Atlético-PR (casa), Ceará (fora), Atlético-MG (casa), Figueirense (fora) e Palmeiras (casa);
Vasco (58 pontos): Botafogo (casa), Palmeiras (fora), Avaí (casa), Fluminense (fora) e Flamengo (casa);
Fluminense (56 pontos): América-MG (casa), Grêmio (casa), Figueirense (fora), Vasco (casa), Botafogo (fora);
Botafogo (55 pontos): Vasco (fora), América-MG (fora), Internacional (casa), Atlético-MG (fora) e Fluminense (casa);
Flamengo (55 pontos): Coritiba (fora), Figueirense (casa), Atlético-GO (fora), Internacional (casa) e Vasco (fora);
É importante ressaltar que nos clássicos cariocas o acordo prévio é que todas as partidas acontecerão no Engenhão e com divisão de público, algo que, em tese, descaracteriza o mando de campo.
Imagem: Lance! 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O tiro que saiu pela culatra.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que a nota emitida pela ANAF (Associação Nacional dos Árbitros de Futebol) em defesa do árbitro Ricardo Marques é equivocada do início ao fim. Ao tentar atingir de forma covarde o Botafogo enquanto instituição e desviar o foco das reclamações do alvinegro carioca quando de sua eliminação da Copa do Brasil diante do Avaí, a associação deixou de marcar uma posição firme para se tornar a vidraça da vez.
No Brasil, não há figura mais desrespeitada que o árbitro. Baseados em imagens da TV, dirigentes, técnicos, jogadores, torcedores e jornalistas tratam os profissionais do apito que se eles fossem a escória da sociedade. Como se todos fossem vendidos e mal-intencionados e que por isso devem pagar para todo o sempre.
Não discuto aqui se a arbitragem brasileira é boa, regular ou péssima. Não discuto se os critérios adotados por nossos mediadores transformaram o futebol nacional em quase outro esporte. Discuto sim, a covardia dos outros profissionais que creditam todos os fracassos na conta dos árbitros.
Quantas vezes ouvimos alguém se referir a um árbitro de maneira muito mais dura do que a ANAF em sua nota? Quantas vezes ouvimos um juiz ser chamado de ladrão por marcações que dividem a opinião de todos? Inúmeras. Mas nunca ouvimos manifestações como a de hoje contra essas acusações quase sempre levianas.
Infelizmente, um dia que poderia ter ficado marcado como o início de um movimento contestador dos profissionais da arbitragem – que poderia até desembocar na profissionalização da classe – tornou-se apenas o dia em que uma nota equivocada deflagrou mais uma “polêmica da semana”. Lamentável.   
Crédito da Imagem: R7