Mostrando postagens com marcador Fluminense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fluminense. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O otimismo para escanteio

Neste fim de semana, a bola voltou a rolar em partidas oficiais nos gramados brasileiros. É o retorno dos campeonatos estaduais, competições que ocupam um terço da temporada e que, ano após ano, perdem mais um pouco do prestígio que ainda resta. E, ao contrário do que recomendaria a lógica, seus dirigentes não se mostram interessados e transformá-los em algo muito diferente de um estorvo num calendário que precisa ser revisto com urgência.
O argumento da tradição dos Estaduais não se sustenta na prática. Com folhas de pagamento milionárias, os clubes precisam buscar receitas maiores a cada dia e enfrentar adversários fracos em estádios vazios tornou-se algo absurdamente contraproducente. Neste momento, apenas a cota de TV justifica em parte a existência desses torneios. No entanto, as televisões pagam para transmitir partidas das agremiações mais conhecidas. São as exibições de times como Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, Internacional e demais grandes que movem o interesse do público. Por consequência, é óbvio supor que esse pagamento seria potencialmente maior num cenário onde o Brasileirão começasse em fevereiro ou março.
Paralelamente, muitos temem que o fim dos Estaduais representaria também o fim dos pequenos clubes que tanto contribuem para a grandeza do futebol brasileiro. Entretanto, é justamente o contrário. Grande parte dos times menores não tem atividades após o encerramento de suas etapas regionais. Para muitos atletas, quase todos mal remunerados, o ano termina antes de sua metade. Não há nem ao menos a chance de atuar durante toda a temporada regular. Uma triste realidade que CBF e federações ignoram quando elaboram o calendário.
Bem mais significativo do que a proposta redução de datas dos Estaduais seria a saída dos grandes clubes e a transformação em campeonatos regionais extensos que preencham todo o calendário dos times de menor investimento. Uma iniciativa que iria ao encontro das reivindicações do movimento Bom Senso FC, como uma proposta de um futebol melhor para todos. Ou, pelo menos, melhor para quem realmente se preocupa com ele, algo que, em princípio, não parece ser o caso dos dirigentes da Federação do Rio de Janeiro e de Eurico Miranda, novo/velho presidente do Vasco da Gama.
Numa decisão claramente arbitrária, a Ferj estipulou entre R$ 5 e R$ 50 os preços dos ingressos para o Campeonato Carioca em 2015. Se a intenção fosse apenas defender os interesses do torcedor seria perfeito, mas há indícios de que não se trata disso. A começar pela falta de diálogo com seus filiados, aqueles que são a razão da existência de qualquer federação. Com a decisão unilateral, Flamengo e Fluminense terão prejuízo em jogos no Maracanã, estádio cujo custo médio de cada torcedor atinge R$ 12. Com as famigeradas meias-entradas, uma máfia em nosso país, grande parte da torcida adentra o estádio pagando metade do ingresso. Ou seja, na prática, é como se a Ferj estivesse estipulando parte da carga de ingressos em R$ 2,50 a R$ 25, ignorando os reflexos dessa decisão nas finanças dos clubes.
Outro indício é a influencia de Eurico Miranda junto à presidência da Ferj. Quem acredita que o cartola não tem calculado na ponta do lápis os danos provocados aos rivais pela precificação, sinceramente, acredita em tudo. Quando Eurico foi reeleito, estava claro que a situação do futebol carioca e brasileiro pioraria de forma significativa. Ao contrário de Roberto Dinamite, seu antecessor, Eurico não é danoso apenas ao Vasco. Sua influência se estende a outros dirigentes, federações e até a CBF. A volta do ex-deputado representa retrocesso num futebol que deveria olhar para frente, ainda mais após sediar uma Copa do Mundo e ver tantas arenas construídas e reformadas. Por essas e outras, não há razão para otimismo com o futebol brasileiro. Pelo menos, não neste momento.
Texto escrito originalmente para o site Barroso em Dia
Imagem: CNN

domingo, 9 de fevereiro de 2014

As razões do meu desafeto

Pouco mais de 15 mil pessoas pagaram ingresso para ver o primeiro Fla-Flu de 2014. Um pequeno público para assistir à vitória por 3 a 0 do Tricolor sobre seu histórico rival. Além do placar elástico e da estreia do atacante Walter pelo Fluminense, chamou a atenção a enorme faixa levada por torcedores do Flamengo contra os abusivos preços dos ingressos. Para o clássico, 100 reais foram cobrados pela entrada mais barata, um preço que poderia chegar a 300. O resultado disso foi um Maracanã vazio, bem longe de sua capacidade máxima. Como justificativa, a diretoria rubro-negra alega que o uso de carteirinhas de estudante – muitas vezes falsas – que conferem o direito da meia-entrada inviabiliza valores mais compatíveis com a realidade brasileira.
No entanto, não é preciso ser especialista no ramo para enxergar o óbvio: Se o Maracanã comporta 73531 torcedores, então alguma coisa está errada. Apesar dos campeonatos estaduais estarem longe do prestígio de outrora, o público presente ao estádio Mário Filho esteve muito aquém do que deveria. Uma das razões ficou estampada nas arquibancadas por mais de 90 minutos. Chegar às outras também não é difícil. A obsolescência à qual os campeonatos regionais ficaram expostos nas últimas décadas é outra delas. De torneio mais importante para os clubes, hoje não passam de um estorvo num inchado calendário, amparado apenas por sua importância política e pelo saudosismo de quem acompanhou seus melhores dias.
A violência dentro e fora dos estádios é a terceira razão, embora talvez seja a mais importante. As imagens dos 200 torcedores corintianos invadindo o CT “Dr. Joaquim Grava” há uma semana são mais uma prova de que as torcidas organizadas ultrapassaram todos os limites possíveis. Como se não bastasse o prejuízo causado por essas gangues que nada contribuem com o futebol e vivem do dinheiro das agremiações, elas ainda se acham no direito de agredir física e verbalmente os atletas em seu ambiente de trabalho. Uma vergonha muitas vezes acobertada pelos próprios clubes, como ocorreu no alvinegro paulista. A desculpa de que “só as organizadas sabem torcer” é uma estupidez histórica que não merece maiores comentários.
Outros fatores como horários das partidas, o fácil acesso aos jogos pela TV e a baixa qualidade do espetáculo oferecido podem ser incluídos nessa equação que resultou no colapso da cultura de se frequentar estádios no Brasil. Assistir a uma partida em in loco se tornou uma aventura arriscada e dispendiosa. Minimizar tais fatores para dizer que brasileiro não gosta de futebol ou que tem preguiça de ir a um estádio é, sem sombras de dúvidas, um desserviço ao que deveria ser um movimento conjunto para se reverter essa situação. E um dos passos para que os times brasileiros sigam sem ver suas torcidas lotando as arquibancadas.      
Foto: Rosana Fraga / Lance!Press

sábado, 11 de janeiro de 2014

Feliz 2014, futebol brasileiro

O ano de 2014 começou quente no futebol brasileiro. Oficialmente, a bola ainda não rolou nos campeonatos estaduais, porém, assunto é o que não falta. Começando pela disputa judicial envolvendo Fluminense, Portuguesa, Flamengo e CBF que ainda reserva muitos capítulos. Caso o tricolor carioca permaneça na primeira divisão, será uma derrota do futebol dentro de campo para o legalismo. Se Portuguesa e Flamengo recuperem os pontos perdidos, ficará a impressão que o regulamento foi descumprido, mas que a justiça prevaleceu. Todavia, se a CBF decidir “salomonicamente” por manter todos os times na Série A, criando algum monstrengo que reúna 24 clubes, teremos um retrocesso de dez anos de conquistas esportivas. Independente do resultado final, o futebol brasileiro já perdeu.
Auspiciosas estão sendo as movimentações dos clubes nesta janela de contratações. A maior preocupação vem sendo o enxugamento das folhas salariais e as contratações desmedidas que na maioria das vezes davam pouco resultado estão mais escassas. Outro ponto positivo é a ascensão de técnicos jovens como Enderson Moreira, agora no Grêmio, e Dado Cavalcanti que assumiu o Coritiba. Quem sabe, um sopro de renovação e modernidade num mercado de profissionais que, salvo raras exceções, há tempos dá sinais de estagnação.
Paralelamente, o Bom Senso FC surge como um alento. Ainda mais do que a Copa do Mundo. Todavia, que não se espere desse grupo um envolvimento com tudo. O movimento liderado por Paulo André & Cia. tem pautas bem definidas e, caso não se restrinja a elas, correrá o risco de mirar em tudo e não acertar em nada. Algo parecido com o que houve nas manifestações populares de 2013, onde havia muita revolta e pouco foco. A boa notícia é que o Bom Senso sabe o que deseja e parece firme diante das bravatas que vem recebendo como resposta.  
O ano de 2014 promete.

Foto: Rodrigo Gazzanel/Futura Press/Folhapress

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Com algum sofrimento, brasileiros confirmam favoritismo na Libertadores

Virou lugar comum analisar as chances de títulos dos clubes brasileiros a cada início de Copa Libertadores da América. Com receitas superiores em relação aos seus pares sul-americanos, as equipes locais precisam lidar também com a pressão de ter que confirmar em campo um favoritismo imposto por terceiros. Logicamente, as agremiações brasileiras projetam chegar à final da competição, mas, a princípio, a única obrigação evidente é avançar para as oitavas-de-final. E foi exatamente isso o que ocorreu nesta semana.
Atlético Mineiro, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Palmeiras e São Paulo estão entre os 16 melhores times da Libertadores. Os seis brasileiros que disputaram o torneio cumpriram seu objetivo mínimo e se classificaram. A eles se juntaram quatro (de cinco) argentinos, um colombiano, um equatoriano, um mexicano, um paraguaio, um peruano e um uruguaio, proporção que indica a melhor performance dos times nacionais. Em termos percentuais, tivemos os seguintes aproveitamentos por país:
Argentina: 52,20%
Brasil: 58,17%
Bolívia: 30,50%
Chile: 37,00%
Colômbia: 46,33%
Equador: 44,50%
México: 58,00%
Paraguai: 40,67%
Peru: 50,00%
Uruguai: 53%
Venezuela: 27,50%
Os números acima mostram que os brasileiros realmente tiveram a melhor performance da competição e que foram seguidos de perto pelos mexicanos do Tijuana e do Toluca. Curiosamente, só o primeiro se classificou para as oitavas. Outro país que apresentou desempenho interessante foi a Argentina, embora um dos seus representantes, o Arsenal de Sarandí, tenha ficado pelo caminho. Outra constatação que chama a atenção é o baixíssimo aproveitamento dos venezuelanos, cujo futebol melhorou consideravelmente nos últimos anos, inclusive em nível de seleção, mas que não se refletiu nas campanhas de Caracas e Deportivo Lara.
Como pode ser observado no chaveamento abaixo, existe a chance de até quatro times brasileiros chegarem às semifinais, o seria um feito inédito. De mesmo modo, todos eles podem ficar pelo caminho e não alcançar essa fase. Contudo, pelo menos por enquanto, todos cumpriram seu objetivo.
Arte: ESPN

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O melhor do futebol brasileiro está na Ucrânia.

Atual campeão europeu, o Chelsea encontrou no Shakhtar Donetsk um adversário a altura. Ou superior, alguém pode concluir. Nos dois últimos duelos pela 3ª e 4ª rodadas da UEFA Champions League, a equipe ucraniana foi melhor na maior parte do tempo, venceu em seus domínios e só não foi repetiu a dose em Londres porque esbarrou na insegurança do goleiro Pyatov.
Para quem conhecia pouco o time comandado por Mircea Lucescu foi uma ótima chance para vê-lo em ação. Movimentação constante, dribles, fintas, rápidas trocas de passes, criatividade. Não por acaso, a linha de frente do Shakhtar é composta por quatro brasileiros (incluindo o volante/meia Fernandinho), além do armênio Mkhitarian. Um estilo de jogo que se assemelha muito ao que é praticado no Brasil. Ou melhor, que poderia (ou deveria) ser praticado no País, mas não é.
Quando observamos as melhores equipes brasileiras em campo, são raros os momentos em que se nota a presença de um futebol que envolva o adversário. O Corinthians, possivelmente o melhor do Brasil, tem sua maior força na marcação pressão que exerce sobre os adversários. Com a bola nos pés – exceto nos de Paulinho – é um time comum. O Fluminense, virtual campeão nacional de 2012, usa e abusa de sua defesa bem montada e aposta em lances isolados dos talentosos Deco, Wellington Nem e Fred. O Atlético Mineiro, que chegou a mostrar bom futebol com Ronaldinho e Bernard, deixou suas boas ideias de lado e está apostando em incessantes chuveirinhos. Quanto ao Santos, que tanto encantou há dois anos, hoje se resume a entregar a bola para Neymar e seja o que Deus quiser.
Todavia, mesmo com esse raciocínio, se a primeira conclusão aponta para uma crise de talentos, ela esbarra em alguns fatos, sendo que o primeiro deles está no próprio futebol apresentado por nossos atletas no exterior. O que podemos chamar de DNA brasileiro continua presente como pode ser visto no campeão ucraniano. Para este blogueiro, a maior razão para a prática de um futebol tão anacrônico e descaracterizado como o que vem sendo praticado em nosso território está na filosofia de trabalho de nossos desatualizados treinadores. Profissionais quase sempre ocupados tentando manter seus empregos, sem tempo para pensar de maneira mais arejada, sem enxergar as necessidades inerentes ao futebol moderno, ainda que com os olhos voltados para as nossas próprias raízes. Mircea Lucescu se diz um fã do futebol brasileiro. O mesmo não pode ser dito da maioria de nossos técnicos.    
Imagem: AFP

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Lembra desse?!

Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca esqueceu.
Super Ézio.
O Fluminense e o futebol brasileiro estão de luto. Faleceu nessa quarta-feira o ex-atacante Ézio, vítima de câncer no pâncreas. Centroavante de faro goleador, é o nono maior artilheiro do clube tricolor com 118 gols em 238 jogos. Super Ézio, como ficou conhecido, tinha 45 anos e deixou esposa e dois filhos...
Você conhece alguma história interessante sobre o mundo da bola?
Mande-a para meu e-mail: a4l@bol.com.br e coloque no assunto: 'Lembra desse?!' e ela poderá ser publicada aqui!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O campeonato mais emocionante do mundo.

Quando o assunto é público nos estádios, ninguém se compara à Bundesliga. Na temporada passada, mais de 42 mil torcedores, em média, lotaram as arenas alemãs. Se a preferência é por tradição e poderio financeiro, então a melhor pedida é a Premier League e suas cifras estratosféricas. Para quem acredita que o melhor campeonato precisa ter, necessariamente, os melhores times, então Barcelona e Real Madrid são os representantes de La Liga. E ainda existem aqueles que preferem o charme da Serie A italiana.  
No entanto, se o que vale é emoção, assunto para as conversas de segunda-feira e alto grau de imprevisibilidade, então nada supera o Campeonato Brasileiro. Encerrada sua 33ª rodada, o Brasileirão ainda tem pelo menos cinco times lutando pelo título. Hoje, Corinthians (58 pontos), Vasco (58), Fluminense (56), Botafogo (55) e Flamengo (55) lutam desesperadamente contra a própria irregularidade numa liga que parece ser disputada por “pontos escorridos”, tal a dificuldade para alguém assumir de vez a ponta da tabela.
Lanterna bate líder. Cena comum em Campeonatos Brasileiros.
“Mas o nível técnico é baixo”, diriam os críticos. Nem tanto. Procure ouvir o que dizem técnicos e jogadores sobre esse assunto. Para Alex, do Corinthians, o nível é alto: “Vai ver como é lá fora” afirma o meia com passagem pelo futebol russo. Para os treinadores Abel Braga e Muricy Ramalho, o Brasileiro é “o campeonato mais difícil do mundo”. São viagens longas, gramados ruins, arbitragens abaixo da crítica e muito equilíbrio dentro de campo. Além disso, como desdenhar do nível técnico de uma competição que reúne nomes como Neymar, Ganso, Borges, Ronaldinho, Juninho Pernambucano, Felipe, Renato, Liédson, Alex, Lucas, Thiago Neves, Deco, Montillo, Leandro Damião, D’Alessandro e tantos outros?
Agora, imagine o que poderia ser este campeonato se a CBF o tratasse como merece. Se o torcedor fosse tratado como cliente e não como gado. Se o calendário fosse minimamente programado para não acontecerem jogos em datas FIFA. Aí, meu amigo, seria difícil competir com ele. Enquanto esse dia não chega, aproveitemos o que esta edição tem de melhor que é fornecer assuntos infinitos tanto para as mesas redondas da TV quanto para animadas mesas de bar.
Confira abaixo o caminho dos principais candidatos ao título (e não deixe de votar na enquete ao lado):
Corinthians (58 pontos): Atlético-PR (casa), Ceará (fora), Atlético-MG (casa), Figueirense (fora) e Palmeiras (casa);
Vasco (58 pontos): Botafogo (casa), Palmeiras (fora), Avaí (casa), Fluminense (fora) e Flamengo (casa);
Fluminense (56 pontos): América-MG (casa), Grêmio (casa), Figueirense (fora), Vasco (casa), Botafogo (fora);
Botafogo (55 pontos): Vasco (fora), América-MG (fora), Internacional (casa), Atlético-MG (fora) e Fluminense (casa);
Flamengo (55 pontos): Coritiba (fora), Figueirense (casa), Atlético-GO (fora), Internacional (casa) e Vasco (fora);
É importante ressaltar que nos clássicos cariocas o acordo prévio é que todas as partidas acontecerão no Engenhão e com divisão de público, algo que, em tese, descaracteriza o mando de campo.
Imagem: Lance! 

domingo, 7 de agosto de 2011

Pontos e Vírgulas.

Coluna destinada a comentar as opiniões emitidas pelo órgão responsável pela chegada de informações ao público aficionado pelo futebol: a imprensa esportiva. Afinal, bem ou mal, é através dela que tomamos conhecimento de (quase) tudo o que cerca o mundo da bola.
Ultrapassando limites.
Nunca concordei com a tese de que as celebridades têm uma vida pública. O fato de uma pessoa ser famosa não lhe tira o direito de ter sua privacidade, seus momentos de lazer. No entanto, faz parte da curiosidade humana querer saber o que se passa na vida de seus ídolos. Algo que produziu uma verdadeira indústria disposta a tudo por audiência, independente se isso vai invadir a privacidade alheia.
E não é diferente no futebol. No caso mais recente, envolvendo o atacante Fred do Fluminense, essa faceta do jornalismo esportivo que se confunde em todos os aspectos com a chamada imprensa marrom se mostrou mais uma vez. Não há nada que justifique a presença de um “jornalista” vigiando os passos do jogador na noite carioca. Fred estava de folga, portanto, poderia estar onde quisesse, com que quisesse e bebendo o que quisesse.
No caso dos torcedores envolvidos no episódio, nem há muito que dizer. São bandidos – alguns com passagem pela polícia – que deveriam ser indiciados por todos os crimes que cometeram nos últimos dias. Portanto, fiquemos apenas com a imprensa.
A explicação de que se a vida fora de campo está interferindo no rendimento do atleta é outra falácia. Quem garante que está? Os jornalistas têm acesso aos relatórios fisiológicos dos jogadores? Não creio. Será que já pararam para pensar que as seguidas lesões de Fred estão muito mais ligadas ao péssimo gramado das Laranjeiras do que qualquer outra coisa? Talvez sim. Só que esse tipo de notícia não vende.
Ronaldinho sofreu algo parecido. Até onde se sabe, ele nunca deixou de sair à noite, como também não falta aos treinos do Flamengo. Bastou que seu rendimento em campo melhorasse para que as histórias de suas saídas noturnas silenciassem. Ah, quer dizer que se resolver em campo pode fazer o que quiser? Pura hipocrisia. Vida particular só se torna notícia quando acontece algo que transcende a normalidade. O caso envolvendo o goleiro Bruno é um bom exemplo. Fora o circo que se armou em torno de sua prisão, o fato seria notícia de qualquer jeito.  
A verdade é que a partir do momento em que o jogador está rendendo, esses “jornalistas” não têm como justificar a invasão de privacidade que dizem ser notícia. Suas notas não encontram eco sem haver torcedores revoltados com resultados não alcançados. Em outras palavras, falta a desculpa para que se cometa algo que pode ser chamado de tudo, menos de jornalismo.  
Créditos da imagem: Globo Esporte

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Oportunismo, achismo e outros “ismos”.

Ao contrário do que muitos disseram nesta quarta-feira, o favoritismo dado aos clubes brasileiros na Copa Libertadores não veio por caso e não é, pelo menos no meu caso, fruto de achismo ou ufanismo. Uma análise do histórico dos times locais na competição mostra um percentual maior de aproveitamento tanto dentro quanto fora de casa e o retrospecto recente aponta para um desempenho médio maior do que o de qualquer outro país. Além disso, o poderio financeiro dos clubes brasileiros não só é maior como tende a sê-lo cada vez mais.
Então eu pergunto: Não é exatamente assim que se analisa o favoritismo na UEFA Champions League? Não é a partir do poderio financeiro que se evidencia a força dos clubes ingleses? Não é a receita absurdamente maior do que a da concorrência que transforma Barcelona e Real Madrid em alienígenas em La Liga? Ora, quem pode pagar mais tem maiores condições de contratar e manter os melhores elencos e treinadores.
A eliminação simultânea de quatro times brasileiros nesta quarta-feira foi, sem dúvida, um evento atípico. Como bem lembrou o jornalista Paulo Vinícius Coelho, desde 1991 sempre houve um brasileiro entre os semifinalistas e desde 1994 sempre tivemos mais de um time entre os quadrifinalistas da Libertadores. E, na temporada passada, quatro brasileiros estavam vivos nas quartas-de-final da competição.
Portanto, antes de se falar em arrogância é preciso falar de constatação. Negar o favoritismo seria, antes de tudo, não manifestar uma opinião por medo ou conservadorismo. O mesmo raciocínio me diz que colocar os quatro times eliminados num mesmo balaio é uma simplificação grosseira. Cada caso é um caso e precisa ser analisado individualmente.
No que tange o Internacional, além do resultado obtido no Uruguai, havia o entendimento de que o Peñarol era um adversário abordável, embora, logicamente, não estivesse eliminado de véspera. Dentro dessas circunstâncias, a derrota em pleno Beira Rio pode ser considerada, sim, um vexame. E quando se diz isso não significa menosprezo à história dos aurinegros, pentacampeões da Libertadores, mas uma constatação honesta diante do momento do time de Montevidéu e, por consequência, do futebol uruguaio. Mal comparando, é como o Ajax na Liga dos Campeões. Ninguém ignora o passado dos Godenzonen, porém, num confronto com o Chelsea, o favoritismo certamente penderia para o lado dos Blues que nunca conquistaram um título do torneio.
No caso do Fluminense ficou evidente que não houve arrogância. Talvez tenha sido o contrário. O Tricolor simplesmente abdicou de jogar no Paraguai, levando pressão o tempo todo. No entanto, a eliminação do Cruzeiro foi a que mais me chamou a atenção. Melhor campanha da Libertadores, futebol envolvente e entrosado, tudo indicava uma classificação tranquila após a vitória na Colômbia. Mas, em se tratando de uma equipe comandada por Cuca, tudo é possível.
Nesse contexto, nada mais lógico do que cada um retirar de sua eliminação a lição necessária para o futuro. Lamentavelmente, esse 4 de maio será lembrado por um bom tempo como o maior tombo coletivo do futebol brasileiro na história do torneio. Entretanto, apesar da queda em conjunto, as soluções são individuais. E enxergar essa data como uma crise do futebol brasileiro é o primeiro passo para não encontrá-las.
Crédito da Imagem: EFE

segunda-feira, 21 de março de 2011

Do passado para o futuro.

Rubens Minelli era um visionário. Na década de 1970, logo após o Brasil se tornar tricampeão mundial com um time baseado na técnica e na organização tática dos talentos, percebeu que o próximo passo evolutivo do futebol estava na marcação e na forte preparação física. Além disso, entre jogadores de nível técnico similar, costumava escolher o de maior estatura. O resultado dessa filosofia foi a conquista dos títulos brasileiros de 1975 e 1976 pelo Internacional, e do nacional de 1977 pelo São Paulo.
O tempo passou e hoje não são poucos os treinadores que se espelham em Minelli. Fã declarado, Muricy Ramalho frequentemente se refere ao treinador paulistano como o modelo que segue. Prático e trabalhador, Muricy sabe que para se dar bem no Brasil é preciso vencer sempre. Pouco importa a maneira, pois não há tempo para implantar qualquer filosofia que demande tempo. Mal comparando, é um Capello brasileiro. Ou seja, jogar bem é algo secundário.
Não por acaso, o agora ex-técnico do Fluminense disputou os últimos seis títulos nacionais, conquistando quatro deles. Por outro lado, o desempenho de seus times na Libertadores da América nunca é o mesmo, o que costumeiramente é interpretado como sendo resultado da dificuldade de Muricy em fazer seus comandados praticarem o desejado futebol organizado e de pegada no início de cada temporada. É só no decorrer do ano, com mais tempo para trabalhar, que seus times começam a engrenar.   
É exatamente pelos motivos acima citados que eu temia por sua ida à Seleção Brasileira. Se a maior parte das críticas a Dunga recaia sobre a maneira como o tetracampeão armava sua equipe e a outra parte sobre seu estilo rude, então havia pouco o que justificasse os pedidos por Muricy. Diferente dos clubes, é quase uma obrigação que o Brasil não só vença como jogue bem. Nesse aspecto, Mano Menezes era mesmo o nome mais indicado.
Curiosamente, essa circunstância é revivida agora no Santos. Em busca do futebol que encantou o País no primeiro semestre de 2010, a diretoria santista pensa em Muricy como o nome capaz de resgatar aquele jogo alegre e ofensivo. Ledo engano. Se a ideia fosse consertar a defesa instável do alvinegro, faria mais sentido. Muricy não se importaria em alterar o sistema tático para o anacrônico 3-5-2 se achasse que isso resolveria o problema da defesa. Mesmo que isso signifique sacrificar o criativo meio-campo do time. Agora, se o pensamento é resgatar o “DNA ofensivo” do Santos, trazer Muricy é perda de tempo. Não trará ofensividade, nem tentará favorecer o futebol espetáculo.
Mesmo sendo um vencedor como Rubens Minelli, Muricy não é um visionário como o seu mentor. Se o futebol da década de 1970 carecia de marcação e preparação física, o de hoje precisa de mais técnica, uma vez que em termos de preparação tudo se nivelou. A seleção da Espanha e o Barcelona mostram que é perfeitamente possível aliar marcação forte com técnica, posse de bola e fantasia. Itens desprezados por muitos treinadores brasileiros da atualidade, mas que pode muito bem ser a chave para o futuro do esporte.
Crédito da Imagem: Gazeta do Norte