Quando adolescente, ao tentar entender
o funcionamento da imprensa em geral, sempre ouvi dizer que imparcialidade era a palavra-chave. Que
o jornalismo imparcial era o melhor caminho para a informação. Mais velho,
percebi que embora isso seja o ideal, a imparcialidade era algo utópico uma vez
que todo profissional possui seus conceitos e que isso inevitavelmente o faria
tomar partido do que entendesse ser o mais correto. Ou, na pior das hipóteses,
tomaria partido do seu contratante. Deste modo, a imparcialidade deu lugar à isenção,
termo parecido, mas que no jornalismo seria o equivalente à liberdade para
informar sem estar atado a compromissos de terceiros.
Infelizmente, nesta altura da vida me
parece evidente que imparcialidade e isenção, em diferentes escalas, não
existem em sua plenitude nos meios de comunicação. E isso acontece porque
sempre haverá interesses econômicos, políticos ou ideológicos se sobrepondo à
informação. Ou melhor, a informação está lá, mas exposta da forma ou do tamanho
que for mais conveniente. Alguém poderia dizer que o diabo mora nas manchetes,
mas desconfio que ele sobrevive e se revigora na falta de espírito crítico do
público em geral. Com esse espírito seria mais simples buscar a informação mais
completa em meio a tanto achismo e indução ao erro.
O que estamos vivendo no Brasil
atualmente talvez seja a expressão máxima de como a imprensa pode manipular a
opinião pública sem necessariamente mentir. Basta omitir fatos – a alta do
dólar no mundo inteiro aqui travestida de desvalorização do real é um bom
exemplo – escolher os colunistas cujo posicionamento seja o mais conveniente,
além de mascarar dados e temos o cenário perfeito para quem já está predisposto
a clamar por impeachment, intervenção
militar e retorno da ditadura (alô, professores de História!).
No entanto, ao contrário de outras
épocas, o acesso à informação e a diversidade de meios de comunicação e interesses
são capazes de suplantar, pelo menos em parte, a venda que alguns tentam colocar
na população brasileira. Hoje não é tão fácil manipular num país inteiro como
se fez nas décadas de 1960 e 1990, ainda mais com tantos escândalos pipocando
por todas as partes. Contudo, restou provado que a regulamentação da mídia é
uma necessidade real. Não como forma de interferir na liberdade de expressão ou
mesmo censurar, mas para coibir a formação de oligopólios e monopólios e combater
à desinformação.
Não permita que alguém pense por você.
Imagem: Reprodução














