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sábado, 1 de agosto de 2015

A revolução silenciosa

Alguma coisa está mudando no futebol brasileiro. Lentamente, como tudo costuma ser, mas existem forças positivas em andamento dentro de uma estrutura historicamente arcaica. É verdade que o nível de endividamento dos clubes continua alarmante, que a política demissionária de técnicos segue imperando e que a cartolagem – sobretudo de federações estaduais e CBF – continua sendo um entrave. No entanto, em diversos aspectos podemos constatar avanços consideráveis que não podem ser ignorados. Pontos que, reunidos, formam uma pequena e silenciosa revolução que chama a atenção de quem sempre manteve um espírito crítico em relação ao futebol local.
Dentro de campo, já é visível a maior compactação e intensidade nas partidas. A imagem de um futebol brasileiro moroso e espaçado vem dando lugar a jogos mais rápidos e dinâmicos. Com isso, boas partidas vêm deixando de ser algo raro no Brasileirão. É certo que as longas viagens e o calendário inchado são um empecilho quando se pensa na aplicação de velocidade Premier League, porém, nota-se que a referência mudou. Os times nacionais ainda não são intensos como as principais equipes europeias, mas o Brasil não tem sido mais uma ilha isolada no planeta.
E tal mudança não passa apenas pelos jogadores e treinadores. Embora essa questão não tenha sido tratada de forma aberta pela Comissão de Arbitragem da CBF é nítida a existência de uma orientação para que os árbitros deixem o jogo “correr” mais. Os choques têm sido considerados normais e nem todo esbarrão é interpretado como falta. E isso tem contribuído de forma sensível para o aumento da dinâmica nas partidas. Mesmo a polêmica punição severa das reclamações pode se tornar algo positivo a médio/longo prazo. Existe uma cultura enraizada no Brasil que coloca o árbitro como outro adversário a ser derrotado. Quanto menos os atletas se preocuparem com os árbitros, maior a possibilidade de se concentrarem exclusivamente na partida que estão disputando. Logicamente, ainda veremos expulsões exageradas até que o novo sistema encontre seu equilíbrio, contudo, quando isso acontecer, a tendência é que todos saiam ganhando.
Outro movimento bastante positivo é a evolução da média de público dentro do campeonato. Apesar dos 16.392 pagantes desta temporada ainda não ter ultrapassado os 16.537 de média total registrada em 2014, a curva que determina o aumento de público é visível e auspiciosa. São mais de 20 mil em julho, sendo que a décima sexta rodada tem tudo para ser a de maior público até o momento com quebra de recorde do campeonato na partida entre Flamengo e Santos no Maracanã. Difícil especificar todos os fatores para o aumento do público, uma vez que o preço médio do ingresso continua alto. Mas é possível citar alguns como o novo horário das 11 da manhã, a presença de Atlético Mineiro e Corinthians nas primeiras colocações da tabela, o fantástico apoio da torcida do Palmeiras (dono da maior média) e a chegada do atacante Paolo Guerrero inflamando os torcedores do rubro-negro carioca.
Enquanto algumas coisas se transformam internamente, boas notícias surgem do meio externo ao esporte. Quase que simultaneamente às ações do FBI que desmantelaram um esquema de corrupção na FIFA e culminaram com a prisão do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, houve a aprovação no Senado Federal da Medida Provisória 671, também conhecida como MP do Futebol, na prática, trata-se do primeiro passo para o fim das gestões temerárias que tantos danos causaram ao nosso futebol. Evidentemente, a chamada Bancada da Bola trabalha para diminuir os impactos da MP, entretanto, dificilmente conseguirão barrar o cerne da matéria. Não há dúvidas de que o futebol brasileiro deveria ser mais autônomo, mas se não é capaz de se auto-regular, que a moralização venha de fora.
Paralelamente, não se nota grandes mudanças em nossa imprensa esportiva. A perigosa mistura entre esporte e entretenimento está mais presente do que nunca e isso se nota até em espaços onde a informação ainda sobrevive como o principal ativo. Está claro que a audiência norteia a mídia e isso não seria diferente no esporte, porém, a busca pela qualidade não pode ser deixada em segundo plano. Análises táticas mais profundas e debates mais elevados não deveriam ser exceções num grande universo de mesas redondas que levam do nada a lugar nenhum. Do mesmo modo, as entrevistas deveriam questionar muito mais sobre o jogo, em vez de alimentar intrigas e fomentar a eterna corda bamba em que vivem os treinadores. Não há dúvida que todos sairiam ganhando com isso. Sobretudo, o futebol tão massacrado no país que um dia o classificou como casa. 
Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

domingo, 9 de fevereiro de 2014

As razões do meu desafeto

Pouco mais de 15 mil pessoas pagaram ingresso para ver o primeiro Fla-Flu de 2014. Um pequeno público para assistir à vitória por 3 a 0 do Tricolor sobre seu histórico rival. Além do placar elástico e da estreia do atacante Walter pelo Fluminense, chamou a atenção a enorme faixa levada por torcedores do Flamengo contra os abusivos preços dos ingressos. Para o clássico, 100 reais foram cobrados pela entrada mais barata, um preço que poderia chegar a 300. O resultado disso foi um Maracanã vazio, bem longe de sua capacidade máxima. Como justificativa, a diretoria rubro-negra alega que o uso de carteirinhas de estudante – muitas vezes falsas – que conferem o direito da meia-entrada inviabiliza valores mais compatíveis com a realidade brasileira.
No entanto, não é preciso ser especialista no ramo para enxergar o óbvio: Se o Maracanã comporta 73531 torcedores, então alguma coisa está errada. Apesar dos campeonatos estaduais estarem longe do prestígio de outrora, o público presente ao estádio Mário Filho esteve muito aquém do que deveria. Uma das razões ficou estampada nas arquibancadas por mais de 90 minutos. Chegar às outras também não é difícil. A obsolescência à qual os campeonatos regionais ficaram expostos nas últimas décadas é outra delas. De torneio mais importante para os clubes, hoje não passam de um estorvo num inchado calendário, amparado apenas por sua importância política e pelo saudosismo de quem acompanhou seus melhores dias.
A violência dentro e fora dos estádios é a terceira razão, embora talvez seja a mais importante. As imagens dos 200 torcedores corintianos invadindo o CT “Dr. Joaquim Grava” há uma semana são mais uma prova de que as torcidas organizadas ultrapassaram todos os limites possíveis. Como se não bastasse o prejuízo causado por essas gangues que nada contribuem com o futebol e vivem do dinheiro das agremiações, elas ainda se acham no direito de agredir física e verbalmente os atletas em seu ambiente de trabalho. Uma vergonha muitas vezes acobertada pelos próprios clubes, como ocorreu no alvinegro paulista. A desculpa de que “só as organizadas sabem torcer” é uma estupidez histórica que não merece maiores comentários.
Outros fatores como horários das partidas, o fácil acesso aos jogos pela TV e a baixa qualidade do espetáculo oferecido podem ser incluídos nessa equação que resultou no colapso da cultura de se frequentar estádios no Brasil. Assistir a uma partida em in loco se tornou uma aventura arriscada e dispendiosa. Minimizar tais fatores para dizer que brasileiro não gosta de futebol ou que tem preguiça de ir a um estádio é, sem sombras de dúvidas, um desserviço ao que deveria ser um movimento conjunto para se reverter essa situação. E um dos passos para que os times brasileiros sigam sem ver suas torcidas lotando as arquibancadas.      
Foto: Rosana Fraga / Lance!Press

domingo, 6 de outubro de 2013

Toda arrogância será castigada

As últimas 20 edições de La Liga tiveram Real Madrid ou Barcelona como campeões e vice-campeões. Nessas duas décadas, o título só não ficou com um dos dois gigantes em 1996, último título do Atlético de Madrid, 2000, primeira e única conquista do Deportivo La Coruña, 2002 e 2004, quando a primazia coube ao Valencia. Nesse período, a pior colocação da dupla foi o sexto lugar do Barcelona em 2003. Indubitavelmente, seus torcedores não têm grandes motivos para se queixarem da vida. No outro lado do oceano atlântico, mais precisamente no Brasil, as coisas não funcionam assim.
Talvez por (ainda) não haver um abismo financeiro como ocorre na Espanha, talvez pela atávica falta de planejamento dos cartolas locais ou, simplesmente, pela distribuição geográfica de nossos centros do futebol, o fato é que nenhum clube brasileiro consegue estabelecer uma supremacia que dure muitos anos. Do fantástico São Paulo de Telê Santana do início dos anos 1990 ao atual Corinthians de Tite, não houve uma equipe capaz de dominar o País por mais de três, quatro anos. Isso é, ao mesmo tempo, nossa maior virtude e maior fraqueza.
Virtude por apresentar um campeonato com alta dose de imprevisibilidade e emoção. O campeão de hoje pode lutar pelo rebaixamento amanhã, enquanto o rebaixado de ontem pode chegar ao topo pouco tempo depois. E fraqueza pela quase que total ausência de projetos esportivos consistentes que sejam capazes de se sustentar em longo prazo. No Brasil, quem carrega seu próprio projeto esportivo na bagagem é o técnico. É ele quem traz a filosofia de jogo que muitas vezes está “contaminada” pelo medo de perder seu cargo após três derrotas seguidas. Não são raros os casos de clubes que demitem um técnico de determinado estilo e contratam outro com ideias totalmente diferentes na sequência.

Nesse cenário, é curioso observar torcedores que outrora despejavam gozações sobre os rivais agora fazendo as contas para ver se o seu time foge da degola. O futebol brasileiro é cíclico em seu DNA. Exatamente por isso, os sacanas deste momento podem ser os zoados de amanhã. A arrogância de um instante pode ser punida pouco tempo depois. Para isso, basta que seus amigos tenham boa memória. 
Foto: Agência Estado

sábado, 18 de maio de 2013

As definições de modernidade foram atualizadas

Participando do programa Bate-Bola 2 há alguns dias, o folclórico Valdir Bigode foi mais um a comentar sobre a polêmica da desatualização dos técnicos brasileiros quando disparou: “Se ganha está atualizado, se perde está desatualizado.” Na declaração simplória estava a constatação de que o ex-atacante não concordava com a ideia de atraso dos profissionais locais, o que fez este blogueiro ter uma rápida conversa via Twitter com um jornalista que estava no programa. Logicamente, ambos discordando de Valdir.
O curioso dessa história é que muitas vezes é possível notar que nem todas as pessoas que comentam sobre esse atraso têm condições de avaliar esse problema mais a fundo, embarcando apenas na onda de críticas que varre a classe em questão. Talvez o maior exemplo disso sejam as observações sobre o bom trabalho do técnico Cuca à frente do Atlético Mineiro. É muito comum ouvirmos frases do tipo “o Corinthians e o Atlético são os times que praticam o futebol mais moderno do Brasil”. Sobretudo no caso do Galo, não poderia haver equívoco maior.
Como explica (no 4º frame) o analista de desempenho das categorias de base do Grêmio, Eduardo Cecconi, o Atlético faz uso de um tipo de marcação muito conhecido do público brasileiro, o velho “cada um pega o seu e um fica na sobra”. Algo que, pelo menos em tese, não deveria ser mais usado neste país desde que Carlos Alberto Torres aproveitou os defeitos desse tipo de encaixe para marcar o quarto gol do Brasil sobre a Itália na final do Mundial de 1970. Outra característica do time mineiro que nos remete ao futebol do passado é a iniciativa de Cuca de ter um esquema que busca dar a Ronaldinho Gaúcho toda a liberdade para jogar e só marcar quando quiser. E um dos escalados para essa missão é Pierre, esforçado volante unidimensional que foi afastado do Palmeiras pelo “anacrônico” Luiz Felipe Scolari. Evidentemente, isso não significa que o Atlético não possa ser eficaz atuando dessa maneira. Sua campanha na Copa Libertadores mostra que competitividade é o que não falta. Agora, para chamar de moderno vai uma longa distância.
O caso do Corinthians é um pouco diferente. Ao contrário de praticamente todas as equipes brasileiras, os comandados de Tite se alinham de forma adiantada e compactada marcando por zona e com pressão. Em termos de filosofia de jogo lembra bastante a Juventus de Fabio Capello que o treinador gaúcho foi conferir in loco quando viajou à Itália em meados dos anos 2000. Ou seja, há quase uma década. Na prática, aquela Juve também era extremamente forte na marcação, mas, como quase todos os times de Capello, carecia de criatividade. Coincidência ou não, um problema semelhante ao que o time de Parque São Jorge enfrenta por marcar poucos gols justamente por não funcionar tão bem quando tem a posse. Se considerarmos que o futebol praticado pelos principais times do mundo busca defender e atacar com a máxima intensidade, notaremos que a segunda parte não faz parte do repertório alvinegro. Então, quando alguém vier falar em modernidade no Brasil, desconfie. Pelo menos por enquanto.
Crédito da imagem: Terceiro Tempo

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Com algum sofrimento, brasileiros confirmam favoritismo na Libertadores

Virou lugar comum analisar as chances de títulos dos clubes brasileiros a cada início de Copa Libertadores da América. Com receitas superiores em relação aos seus pares sul-americanos, as equipes locais precisam lidar também com a pressão de ter que confirmar em campo um favoritismo imposto por terceiros. Logicamente, as agremiações brasileiras projetam chegar à final da competição, mas, a princípio, a única obrigação evidente é avançar para as oitavas-de-final. E foi exatamente isso o que ocorreu nesta semana.
Atlético Mineiro, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Palmeiras e São Paulo estão entre os 16 melhores times da Libertadores. Os seis brasileiros que disputaram o torneio cumpriram seu objetivo mínimo e se classificaram. A eles se juntaram quatro (de cinco) argentinos, um colombiano, um equatoriano, um mexicano, um paraguaio, um peruano e um uruguaio, proporção que indica a melhor performance dos times nacionais. Em termos percentuais, tivemos os seguintes aproveitamentos por país:
Argentina: 52,20%
Brasil: 58,17%
Bolívia: 30,50%
Chile: 37,00%
Colômbia: 46,33%
Equador: 44,50%
México: 58,00%
Paraguai: 40,67%
Peru: 50,00%
Uruguai: 53%
Venezuela: 27,50%
Os números acima mostram que os brasileiros realmente tiveram a melhor performance da competição e que foram seguidos de perto pelos mexicanos do Tijuana e do Toluca. Curiosamente, só o primeiro se classificou para as oitavas. Outro país que apresentou desempenho interessante foi a Argentina, embora um dos seus representantes, o Arsenal de Sarandí, tenha ficado pelo caminho. Outra constatação que chama a atenção é o baixíssimo aproveitamento dos venezuelanos, cujo futebol melhorou consideravelmente nos últimos anos, inclusive em nível de seleção, mas que não se refletiu nas campanhas de Caracas e Deportivo Lara.
Como pode ser observado no chaveamento abaixo, existe a chance de até quatro times brasileiros chegarem às semifinais, o seria um feito inédito. De mesmo modo, todos eles podem ficar pelo caminho e não alcançar essa fase. Contudo, pelo menos por enquanto, todos cumpriram seu objetivo.
Arte: ESPN

segunda-feira, 11 de março de 2013

Pelo fim das torcidas organizadas

Mais uma vez, as chamadas torcidas organizadas voltaram a dominar o noticiário esportivo. Sem nenhuma novidade, todas as informações se referiam à violência promovida por esses agrupamentos. Primeiro, foi a morte do adolescente boliviano Kevin Espada, atingido por um sinalizador disparado por um torcedor corintiano durante a partida em que o campeão do mundo enfrentava o San José pela Copa Libertadores da América na cidade de Oruro. Na semana passada, foi a vez de uma organizada do Palmeiras, revoltada com a derrota de seu time para o Tigre, promover um episódio lamentável no aeroporto de Buenos Aires onde o goleiro Fernando Prass precisou levar pontos na orelha após ser ferido por uma xícara arremessada por um imbecil trajado de alviverde.
Esses foram apenas os episódios mais recentes envolvendo torcidas organizadas. Seria possível citar inúmeros casos, mesmo se restringindo a Corinthians e Palmeiras. Acontece que esse é um mal nacional. Uma chaga que o futebol brasileiro traz consigo há décadas e que contribui de forma inegável para a baixa frequência de público em nossos estádios e, mais importante, para as mortes ligadas a esse esporte. Um problema identificado, mas nunca enfrentado da maneira correta pelas autoridades brasileiras, omissas quando o assunto é punir os torcedores infratores.
Em seu blog, o comentarista Mauro Cezar Pereira defende que acabar com as torcidas organizadas não solucionaria o problema e que seria uma iniciativa ingênua, caso fosse tomada. Para o jornalista, isso faria com que os torcedores organizados passassem a atuar na clandestinidade, o que poderia ser ainda pior, uma vez que se tornariam incontroláveis. Todavia, ingenuidade talvez não seja a ideia de acabar com esses grupos, mas acreditar que isso será algo simples de ser realizado, como se bastasse algum magistrado bater o martelo e decidir pela extinção. Não será.
A violência promovida pelas torcidas organizadas precisa ser contida. E está bem claro que isso só acontecerá quando seu fim for decretado. Dizer que tal medida é impossível é o mesmo que decretar a falência de todo o sistema de segurança pública. Um sistema que conseguiu, entre outras coisas, conter situações bem mais complexas como a desarticulação de quadrilhas do crime organizado ou desocupação de favelas dominadas pelo tráfico.
Às vésperas de sediar uma Copa do Mundo, as torcidas organizadas são fantasmas a assombrar um esporte que evolui em diversas frentes, mas nunca no respeito e segurança para o público amante de futebol. Não existe hora melhor do que o momento em que os olhos do mundo estão voltados para o Brasil. Resta saber se haverá vontade política para tornar realidade essa urgente necessidade. Antes que outros Kevins surjam em nossos noticiários.

domingo, 16 de dezembro de 2012

O Corinthians ganhou quando jogou

A vitória do Corinthians por 1x0 sobre o Chelsea teve como principal marca a coesão tática sempre caracterizou a equipe comandada pelo técnico Tite. Durante quase toda a partida o Timão conseguiu neutralizar as principais armar dos Blues e, quando isso não aconteceu, os ingleses esbarraram numa apresentação majestosa de Cássio. Porém, pouco foi dito que a vitória alvinegra se materializou no gol de Paolo Guerrero justamente no momento em que o time brasileiro decidiu que com a bola era preciso jogar.
Após um início de primeiro tempo nervoso – explicável para quem mentalizou um confronto durante cinco meses – o Corinthians conseguiu colocar a bola no chão e criar algumas oportunidades. Mas apenas na segunda etapa, quando acreditou que era possível vencer, quando tratou o Chelsea como um igual e passou a tocar a bola de forma mais consciente é que encontrou espaços e construiu o gol que seria determinante para o resultado final.
Durante anos, o futebol brasileiro discutiu se os craques (leia-se meias e atacantes) também precisavam marcar. Que talento sem organização não era mais suficiente. Contudo, quando descobriu essa obviedade, se esqueceu de algo tão óbvio quanto: com posse da bola, era preciso jogar! Esse princípio básico do esporte está em segundo plano para a maior parte de nossos treinadores que não percebem que uma coisa não existe sem a outra.
É justamente esse entendimento que a Europa encontrou há alguns anos. Organizar-se em campo, diminuir os espaços e retomar a bola é obrigação de quem está sem ela. Porém, ter o jogo aos seus pés também é necessário. O Barcelona provavelmente é o exemplo mais bem acabado do que significa marcar e jogar com a máxima eficiência. O que não significa, claro, que todas as equipes precisam ter a mesma filosofia dos catalães, embora todas precisem entender que é preciso jogar. Durante muito tempo ouviremos que o Corinthians venceu o Chelsea porque marcou bem, mas um dia perceberemos que ele não teve sua meta vazada porque marcou bem e abriu placar porque decidiu que aquele que tem a bola precisa jogar.
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Corinthians, o time mais brasileiro

Como era imaginado, Corinthians e Chelsea farão a final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA no próximo domingo. Embora o time londrino seja ligeiramente favorito no confronto, o Timão entrará no gramado do Estádio Internacional de Yokohama trazendo um elemento que poderá ser a chave do confronto: Sua coesão tática. Ao contrário de um passado em que os times brasileiros tinham como marca registrada a técnica e a habilidade, o Corinthians se destaca pela maneira como consegue adiantar sua marcação, diminuir os espaços e jogar no erro do adversário. Com a bola, a equipe comandada pelo técnico Tite encontra-se mais ou menos na média dos principais times do País.
Gustavo Grabia, jornalista argentino e autor de “La Doce”, livro que conta a violenta história dessa organizada do Boca Juniors, dias depois da vitória do Corinthians sobre os Xeneizes foi sincero ao dizer que o Corinthians não era um grande time, mas um bom time. Uma equipe capaz de executar a risca todas as ações determinadas por seu treinador, mas sem tanto brilho individual. Ou como definiu o técnico do Santos, Muricy Ramalho, o Corinthians não é espetacular, embora tenha um “objetivo forte”. Em outras palavras, o Corinthians é competitivo, mesmo sem ser brilhante.
O mais curioso é que ver sua equipe atuando como o campeão sul-americano é o sonho de nove entre dez treinadores brasileiros. Basta ouvir as coletivas e a toda filosofia corintiana estará lá: intensidade, marcação, diminuição de espaços, erro do adversário, tudo como manda a cartilha dos nossos professores. O grande mérito está em saber executar essas diretrizes como faz o Corinthians. Não são muitos os que conseguem. O maior pecado é a pouca preocupação com o futebol bem jogado, com a bola trabalhada e com a colocação da técnica em primeiro plano, outra marca registrada, mas de um futebol brasileiro pouco avistado em nossos campos.
Não por acaso, a imprensa internacional, sobretudo a britânica, não se impressionou com a “novidade” chamada Corinthians. Para eles, ver equipes cumpridoras é algo corriqueiro na Europa. Basicamente, assim vivem os médios e pequenos times do Velho Continente. Muita aplicação e transpiração, pouca inspiração. Inspiração que um dia sobrou por nossas bandas, mas que, erroneamente, foi trocada e não somada às exigências táticas e físicas do futebol moderno. Enquanto essa reinterpretação histórica não ocorre, o Corinthians seguirá como espelho para as equipes nacionais. Um reflexo de algo bem feito, mas que não espelha o que gostaríamos de ser.
Imagem: AFP

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Apenas diferentes

A festa da torcida do Corinthians no embarque da delegação para a disputa do Mundial de Clubes da FIFA e a presença de 20 mil torcedores do clube no Japão mostra o quão importante é esse torneio para um time brasileiro. Por aqui, seguimos a lógica de que a competição é o ápice para uma agremiação, uma Copa do Mundo dos clubes, mesmo quando ainda não possuía a chancela oficial e reunia apenas os campeões de América do Sul e Europa.
Seguindo essa lógica, os maiores clubes brasileiros projetam vencer ou ficar bem classificados no Brasileiro, ou levantar a Copa do Brasil, para então conquistar a Copa Libertadores e alcançar a tão sonhada vaga no Mundial. Um raciocínio bastante lógico, mas que não é acompanhado pelos times europeus, em especial os ingleses, que não encaram o Mundial como o mesmo interesse. Ressalta-se a peculiaridade dos ingleses, uma vez que não são todos os países do Velho Continente a encarar o Mundial de Clubes com desdém. Para ficar em dois exemplos, o Milan desfilou em carro aberto após o título de 2007, enquanto Guardiola chorou copiosamente quando foi campeão em 2009 com o Barcelona. Italianos e espanhóis sempre deram relativa importância.
No entanto, como mostram as notícias que vêm de Londres, o interesse da imprensa britânica, dos torcedores do Chelsea e até da comissão técnica dos Blues é bem pequeno. Poucas referências nos jornais, pouca informação entre a torcida e para o novo técnico Rafael Benítez o foco está no apagar do “incêndio” provocado pela saída de Roberto Di Matteo e sua própria contratação. Até o embarque para o Oriente, todas as atenções estarão voltadas para temas mais urgentes. A maneira como o Chelsea se comportará na competição ainda é uma incógnita. Afinal, pode acreditar que um título faria bem aos ânimos e se entregar em campo. Por outro lado, pode confirmar o desinteresse e atuar de maneira apenas protocolar.
Sem dúvida, Corinthians e Chelsea vão encarar o Mundial de maneira diferente. Cada um dentro de sua própria realidade e vivendo as particularidades de seus atuais momentos. Não há maneira certa ou errada. Há apenas a constatação de visões diferentes sobre o mesmo torneio. Enfatizar a todo o momento o desinteresse dos ingleses como uma forma de desmerecer um eventual título corintiano é apenas uma forma intelectualmente desonesta de desvalorizar a conquista alheia. Bem mais nobre seria contextualizar a maneira como as principais ligas lidam com a disputa do torneio. Mas isso deve dar trabalho.           
Imagem: talkSPORT

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O melhor do futebol brasileiro está na Ucrânia.

Atual campeão europeu, o Chelsea encontrou no Shakhtar Donetsk um adversário a altura. Ou superior, alguém pode concluir. Nos dois últimos duelos pela 3ª e 4ª rodadas da UEFA Champions League, a equipe ucraniana foi melhor na maior parte do tempo, venceu em seus domínios e só não foi repetiu a dose em Londres porque esbarrou na insegurança do goleiro Pyatov.
Para quem conhecia pouco o time comandado por Mircea Lucescu foi uma ótima chance para vê-lo em ação. Movimentação constante, dribles, fintas, rápidas trocas de passes, criatividade. Não por acaso, a linha de frente do Shakhtar é composta por quatro brasileiros (incluindo o volante/meia Fernandinho), além do armênio Mkhitarian. Um estilo de jogo que se assemelha muito ao que é praticado no Brasil. Ou melhor, que poderia (ou deveria) ser praticado no País, mas não é.
Quando observamos as melhores equipes brasileiras em campo, são raros os momentos em que se nota a presença de um futebol que envolva o adversário. O Corinthians, possivelmente o melhor do Brasil, tem sua maior força na marcação pressão que exerce sobre os adversários. Com a bola nos pés – exceto nos de Paulinho – é um time comum. O Fluminense, virtual campeão nacional de 2012, usa e abusa de sua defesa bem montada e aposta em lances isolados dos talentosos Deco, Wellington Nem e Fred. O Atlético Mineiro, que chegou a mostrar bom futebol com Ronaldinho e Bernard, deixou suas boas ideias de lado e está apostando em incessantes chuveirinhos. Quanto ao Santos, que tanto encantou há dois anos, hoje se resume a entregar a bola para Neymar e seja o que Deus quiser.
Todavia, mesmo com esse raciocínio, se a primeira conclusão aponta para uma crise de talentos, ela esbarra em alguns fatos, sendo que o primeiro deles está no próprio futebol apresentado por nossos atletas no exterior. O que podemos chamar de DNA brasileiro continua presente como pode ser visto no campeão ucraniano. Para este blogueiro, a maior razão para a prática de um futebol tão anacrônico e descaracterizado como o que vem sendo praticado em nosso território está na filosofia de trabalho de nossos desatualizados treinadores. Profissionais quase sempre ocupados tentando manter seus empregos, sem tempo para pensar de maneira mais arejada, sem enxergar as necessidades inerentes ao futebol moderno, ainda que com os olhos voltados para as nossas próprias raízes. Mircea Lucescu se diz um fã do futebol brasileiro. O mesmo não pode ser dito da maioria de nossos técnicos.    
Imagem: AFP

terça-feira, 29 de maio de 2012

A4L recomenda: O jogo da minha vida

Nunca concordei com a visão de que jogador de futebol é um boa-vida por natureza. Muito menos chamo de mercenário um atleta que busca contratos mais vantajosos. Todavia, mesmo despido desses preconceitos, não deixei de me surpreender com o livro escrito pelo zagueiro Paulo André Benini. Sabia que a vida de um jogador que busca seu espaço era dura, porém, não imaginei que fosse tanto. A luta para ganhar espaço no time, a distância dos amigos e familiares, as condições precárias de nossas categorias de base, as lesões, as decepções com empresários oportunistas, tudo isso mostra o quão persistente precisa ser alguém que sonha vencer nesse esporte.
Confesso que também me surpreendeu saber que Paulo André tem uma carreira mais consistente do que eu pensava. Para este blogueiro, o zagueiro do Corinthians tinha uma trajetória mais modesta e só conseguiu espaço quando Tite barrou o capitão Chicão durante a campanha do título brasileiro de 2011. Não é nada disso. Nascido em Campinas, Paulo é um atleta na concepção da palavra. Quando criança, praticava diversos esportes e teve uma educação acima da média quando comparado aos outros boleiros. Em campo, começou como meia-direita e foi parar na defesa por um feliz acaso. Talvez por ter começado a carreira no meio, sempre demonstrou uma classe incomum para a função combinada com boa presença no jogo aéreo. Em 2005, atuando pelo Atlético Paranaense, disputou a Bola de Prata da revista Placar (que venceu em 2011) com Lugano e Gamarra, último passo antes de se transferir para o futebol francês.
No entanto, o que mais me chamou a atenção foi a maneira como essa obra foi escrita. Fazendo uso de uma escrita simples, sem nenhum tipo de pedantismo e permeada por um sentimento de amor ao esporte, Paulo André faz de “O jogo da minha vida” uma leitura divertida, instrutiva e também emocionante. De longe, trata-se da melhor publicação escrita por um brasileiro sobre futebol. Simplesmente imperdível.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O campeonato mais emocionante do mundo.

Quando o assunto é público nos estádios, ninguém se compara à Bundesliga. Na temporada passada, mais de 42 mil torcedores, em média, lotaram as arenas alemãs. Se a preferência é por tradição e poderio financeiro, então a melhor pedida é a Premier League e suas cifras estratosféricas. Para quem acredita que o melhor campeonato precisa ter, necessariamente, os melhores times, então Barcelona e Real Madrid são os representantes de La Liga. E ainda existem aqueles que preferem o charme da Serie A italiana.  
No entanto, se o que vale é emoção, assunto para as conversas de segunda-feira e alto grau de imprevisibilidade, então nada supera o Campeonato Brasileiro. Encerrada sua 33ª rodada, o Brasileirão ainda tem pelo menos cinco times lutando pelo título. Hoje, Corinthians (58 pontos), Vasco (58), Fluminense (56), Botafogo (55) e Flamengo (55) lutam desesperadamente contra a própria irregularidade numa liga que parece ser disputada por “pontos escorridos”, tal a dificuldade para alguém assumir de vez a ponta da tabela.
Lanterna bate líder. Cena comum em Campeonatos Brasileiros.
“Mas o nível técnico é baixo”, diriam os críticos. Nem tanto. Procure ouvir o que dizem técnicos e jogadores sobre esse assunto. Para Alex, do Corinthians, o nível é alto: “Vai ver como é lá fora” afirma o meia com passagem pelo futebol russo. Para os treinadores Abel Braga e Muricy Ramalho, o Brasileiro é “o campeonato mais difícil do mundo”. São viagens longas, gramados ruins, arbitragens abaixo da crítica e muito equilíbrio dentro de campo. Além disso, como desdenhar do nível técnico de uma competição que reúne nomes como Neymar, Ganso, Borges, Ronaldinho, Juninho Pernambucano, Felipe, Renato, Liédson, Alex, Lucas, Thiago Neves, Deco, Montillo, Leandro Damião, D’Alessandro e tantos outros?
Agora, imagine o que poderia ser este campeonato se a CBF o tratasse como merece. Se o torcedor fosse tratado como cliente e não como gado. Se o calendário fosse minimamente programado para não acontecerem jogos em datas FIFA. Aí, meu amigo, seria difícil competir com ele. Enquanto esse dia não chega, aproveitemos o que esta edição tem de melhor que é fornecer assuntos infinitos tanto para as mesas redondas da TV quanto para animadas mesas de bar.
Confira abaixo o caminho dos principais candidatos ao título (e não deixe de votar na enquete ao lado):
Corinthians (58 pontos): Atlético-PR (casa), Ceará (fora), Atlético-MG (casa), Figueirense (fora) e Palmeiras (casa);
Vasco (58 pontos): Botafogo (casa), Palmeiras (fora), Avaí (casa), Fluminense (fora) e Flamengo (casa);
Fluminense (56 pontos): América-MG (casa), Grêmio (casa), Figueirense (fora), Vasco (casa), Botafogo (fora);
Botafogo (55 pontos): Vasco (fora), América-MG (fora), Internacional (casa), Atlético-MG (fora) e Fluminense (casa);
Flamengo (55 pontos): Coritiba (fora), Figueirense (casa), Atlético-GO (fora), Internacional (casa) e Vasco (fora);
É importante ressaltar que nos clássicos cariocas o acordo prévio é que todas as partidas acontecerão no Engenhão e com divisão de público, algo que, em tese, descaracteriza o mando de campo.
Imagem: Lance! 

domingo, 4 de setembro de 2011

Algumas coisas nunca mudam.

Não me lembro da última vez em que a janela de transferências internacionais causou tão pouco dano ao futebol brasileiro. Em outros tempos, jogadores como Neymar, Ganso, Lucas e Leandro Damião teriam sido vendidos o mais rápido possível e por preços que se constatariam como ninharia no futuro. Hoje, esse panorama mudou devido à crise financeira vivida pela Europa e, sobretudo, pelo alto crescimento das receitas dos clubes brasileiros oriundas prioritariamente dos direitos de televisionamento. “O jogador brasileiro está muito caro”, afirma um empresário alemão que há pouco mais de vinte anos viu seus compatriotas contratando o ótimo Tita por uns trocados.
Se a manutenção dos grandes jogadores se tornou mais fácil no futebol brasileiro, infelizmente, o mesmo não pode ser dito do emprego dos técnicos que atuam no País. Ainda na 20ª rodada, o Campeonato Brasileiro viu 16 clubes trocarem de técnico. Entre demissões e pedidos de dispensa, temos uma média de quase um treinador caindo por rodada, um absurdo.
Obviamente, esse tipo de conduta faz parte de nossa cultura futebolística amadora, mas não deixa de causar espanto quando Tite, técnico do time líder do campeonato, se vê atormentado por uma possível demissão caso sua equipe perca uma partida. Pelo menos neste caso a pressão era muito mais externa do que interna, já que Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, não parece fazer coro a nossa política de demissões. Talvez por saber que não existe nenhum grande treinador disponível no mercado.
Quem não tem visão parecida é Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro que nesta semana demitiu Joel Santana (clique no vídeo abaixo) após ver a equipe celeste perder em casa para o modesto Figueirense. O fato dos mineiros terem entrado em campo com um time cheio de desfalques não serviu de desculpa para o treinador carioca, demitido com pouco mais de dois meses de trabalho. Lamentavelmente, a dispensa de Joel teve apoio da imprensa esportiva do estado. Em seu lugar assumiu Emerson Ávila, funcionário do Cruzeiro e treinador da Seleção Brasileira Sub-17, campeã sul-americana, mas sem experiência em equipes de ponta.
E essa é a faceta mais curiosa dessa conduta demissionária. Na grande maioria das vezes, o técnico é substituído por outro de nível mais ou menos parecido ou até inferior, tendo como objetivo maior a mudança por si mesma. Não existe planejamento. Não existe nem mesmo um fio condutor que defina pelo menos o perfil do profissional com o qual o clube pretende trabalhar. Ora é um técnico estilo “boleirão” e currículo extenso, ora é um jovem profissional que não é ex-jogador. Ora é um técnico famoso pelo jogo defensivo, ora é alguém conhecido pela ousadia tática. Em comum, apenas a constatação de que na maioria das vezes a troca não melhora o time como imaginado.
Já passou da hora de dirigentes, torcedores e imprensa esportiva enxergarem que, salvo exceções, demitir treinador não é a solução para time nenhum. Para uma equipe se formar é necessário planejamento, trabalho e, sobretudo, tempo. Enquanto isso não acontecer, continuaremos achando que a função do técnico se resume apenas à conversa de vestiário, mesmo sabendo que é muito mais do que isso.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Estranhas Seleções.

Sempre após as competições, surgem as famosas seleções do campeonato. Normalmente, esses selecionados geram discussões acaloradas, onde um ou mais jogadores invariavelmente são injustiçados.
Como bom louco por futebol, costumo escalar mentalmente as mais diversas e estranhas seleções. Da melhor à pior. Aliás, esse é um bom passa-tempo para esperar o sono chegar.
Algumas delas faço questão de divulgar. Talvez rendam um bom debate ou boas risadas...
Seleção “Me engana que eu gosto”.
E Seedorf não vem. Ao renovar com o Milan por mais uma temporada o holandês acabou frustrando os planos (ou seriam sonhos?) de Corinthians, Botafogo e Flamengo, clubes brasileiros que desejavam sua contratação.
Esse episódio provocou lembranças de outras negociações do futebol brasileiro que, por um motivo ou outro, não se concretizaram. São tantas que acabaram formando uma seleção...
Michel Preud'Homme (Fluminense): Chegou a procurar escola para suas filhas no Rio de Janeiro. No fim, o lendário arqueiro belga permaneceu no Benfica;
Carlos Secretário (Portuguesa): Ex-lateral de Porto e Real Madrid, foi anunciado na Portuguesa na década de 1990; 
Marius Trésor (São Paulo): Foi o sonho de consumo do São Paulo após o Mundial de 1982;
Nicola Berti (Fluminense): Militando na Terceira Divisão do futebol brasileiro, o Tricolor das Laranjeiras flertou com o finalista da Copa de 1994;
Paolo Monteiro (Internacional): O recordista de cartões vermelhos na Serie A italiana esteve na órbita do Colorado após deixar a Vecchia Signora;
Guti (Corinthians): Ex-companheiro de Ronaldo na Real Madrid, foi especulado no Timão em 2009;
Clarence Seedorf (Corinthians, Botafogo e Flamengo): O Timão anunciou que tinha um pré-contrato assinado pelo holandês. Poucas horas depois, o Milan anunciou um acordo com o meia por mais uma temporada;
Zinedine Zidane (Corinthians): Mais uma do time de Parque São Jorge. O mais incrível é que o francês havia se aposentado três anos antes do boato!
Diego Maradona (Santos): Até Pelé se envolveu na campanha santista para que El Pibe vestisse a mítica camisa 10 do alvinegro praiano;
Luís Figo (São Paulo): O que parecia apenas uma brincadeira do técnico Emerson Leão tomou ares de verdade quando… bem, não tomou, mas noticiaram assim mesmo;
Gabriel Batistuta (Flamengo): Muitos rubro-negros sonharam com o argentino balançando as redes adversárias com a camisa 9 às costas. Ficou só no sonho.
Técnico – Michel Hidalgo (São Paulo): Campeão da Euro 84 pela França, Hidalgo foi desejado pelo Tricolor na década de 1980. 
E você, lembra de outras negociações ou especulações que não vingaram?
Crédito da Imagem: AFP

domingo, 13 de março de 2011

Comparações.

A maior parte de nossas reflexões se baseia em comparações. Se hoje está quente ou frio, se alguém é mais alto, se uma distância é longa demais. Para isso, é comum o estabelecimento de parâmetros que se tornam elementos fundamentais no raciocínio comparativo.  
No futebol não é diferente. Sempre fazendo uso de comparações, estabelecemos nossos próprios conceitos acerca do velho esporte bretão. E a comparação entre jogadores e times são as mais comuns. Quando Ronaldo anunciou que estava pendurando as chuteiras, logo vieram as comparações com Romário e Zico na tentativa de estabelecer o Fenômeno como o melhor brasileiro desde Pelé. Se o assunto é o fantástico Barcelona, logo surgem as comparações com grandes times da história como o Real Madrid de Di Stéfano, o Milan de Sacchi ou o Santos de Pelé.
Porém, poucas comparações encontram tanta discordância quanto a avaliação do poderio do futebol brasileiro no cenário mundial. Obviamente, os extremos desse debate se encontram nos argumentos dos chamados “brasileirinhos” e “estrangeirinhos”, duas classes que foram tema de um post há alguns dias.
Para este blogueiro, a maior razão para opiniões tão distintas se encontra no pequeno campo de observações que dispomos neste momento. Graças, sobretudo ao nosso calendário, são raras as partidas envolvendo clubes brasileiros e europeus. Inclusive, uma das pouquíssimas chances de vermos esses embates é exatamente na final do Mundial Interclubes, algo que não ocorre com tanta frequência.
Nessas poucas ocasiões, não se viu o baile europeu que muitos costumam prever e muito menos um show de talento brasuca como crêem os ufanistas. No entanto, é possível dizer que a diferença de poderio econômico fica evidente quando as escalações das equipes se sobrepõem. Diferença ainda mais acentuada após a Lei Bosman, quando as estrelas do futebol mundial passaram a se concentrar cada vez mais em um número cada vez menor de equipes. 
Partindo desse cenário, é comum ouvirmos opiniões que, em sua maioria, se baseiam em atuações individuais dos mesmos jogadores nos dois continentes e no status internacional de cada um deles. Pouco, muito pouco para se tirar conclusões. E, curiosamente, nota-se que muitas vezes os argumentos levam em consideração apenas os fatos que reforçam as teses de cada lado.
Um exemplo disso se deu com o retorno de Ronaldo ao Brasil após o término de seu compromisso com o Milan. Mesmo muito acima do peso ideal de um futebolista, o Fenômeno conseguiu ser decisivo para o Corinthians em diversas oportunidades como nas finais do Paulistão 2009 e da Copa do Brasil do mesmo ano. Pronto. Esse era o argumento definitivo para medir o futebol nacional. O fato de Ronaldo ser um gênio contava pouco diante do “irrefutável” argumento de que um jogador muito acima do peso era importante aqui. Só não explicam como um Rivaldo magro e sem lesões não decidiu no Cruzeiro em 2004 e por que um disciplinado Ronaldinho não desequilibra no Flamengo como se esperava.
Do mesmo modo, o futebol razoável apresentado pelo Sporting Braga nas competições europeias também vem sendo usado como uma amostra de que até um time composto por jogadores brasileiros de terceira linha pode fazer algum barulho. No mesmo raciocínio, o Shakhtar Donetsk e sua trupe de jovens e talentosos brasileiros são usados como indicativo de que um bom time brasileiro pode fazer sucesso na UEFA Champions League.     
Na realidade não faltam exemplos de todos os tipos. Desde os atletas que atuavam em alto nível no Brasil e mantiveram a qualidade na Europa, assim como destaques nacionais que fracassaram no exterior. E o mesmo se aplica àqueles que regressam a sua terra natal. Muitos deles jogam bem e se tornam peças relevantes em seus times enquanto outros mostram que não tem muito a contribuir. Cada caso precisa ser analisado individualmente e não são suficientes para se basear uma conclusão. Embora, para muitas pessoas, esses exemplos funcionam como a ciência mais exata, desde que, claro, confirmem o que elas julgam ser a verdade.        
Crédito da Imagem: Globoesporte.com

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Top 10.

Dez perguntas para o futebol brasileiro em 2011.
Mais uma temporada de nosso futebol se inicia e com ela as infindáveis interrogações de sempre. Já que não é possível colocar todas neste espaço, separei as dez que julgo mais relevantes. Confira abaixo e sinta-se convidado a respondê-las...
10ª – Como será o último ano de Ronaldo no futebol? O Fenômeno já garantiu que encerra a carreira neste ano. Haverá fôlego para um último ato digno de sua história?
[Atualização: Fontes ligadas ao jogador dão conta de que ele pode encerrar a carreira nesta segunda-feira.]
9ª – Que Vasco veremos neste ano? Após um início preocupante, o Vasco já apresentou melhoras. Mas será o suficiente para impedir um trágico segundo rebaixamento?
8ª – Após a maior decepção de sua história, o Internacional conseguirá reagir? Depois da amarga derrota para o Mazembe, o Colorado precisa exorcizar seus fantasmas e buscar o tricampeonato continental e mais um título brasileiro.
7ª – O que esperar dos grandes nomes repatriados? Ronaldinho, Rivaldo, Liédson, Elano e outros voltaram ao Brasil para mostrar que ainda têm lenha para queimar. Em quem você aposta?
6ª – Depois de seguidos fracassos, o Corinthians vai se reerguer em 2011? Em seu turbulento centenário, o Timão foi eliminado da Libertadores por um desarrumado Flamengo e ainda deixou o título brasileiro escapar. Para piorar, só neste início de ano, foi eliminado na fase preliminar da competição continental, entrou em guerra com sua torcida e ainda viu o lateral Roberto Carlos deixar o clube pela porta dos fundos.  
5ª – O Santos encantará novamente? Com Elano, Ganso e Neymar, o alvinegro praiano pode reeditar o timaço que encantou o Brasil em 2010. No entanto, será difícil resistir ao assédio europeu na próxima janela de transferências.
4ª – A Copa Libertadores terá novamente um campeão brasileiro? Com Internacional, Cruzeiro, Santos, Fluminense e Grêmio, o futebol brasileiro estará bem representado nos gramados sul-americanos. Vem mais um título por aí?   
3ª – Os atrasos nas obras para a Copa 2014 vão continuar? Até o momento, quase tudo o que se lê sobre a Copa se refere a aumento de gastos e atrasos nas obras. Alguns estádios mal saíram do papel. Em 2011 a tônica também será essa?
2ª – O Rio de Janeiro conseguirá estabelecer uma hegemonia? Flamengo em 2009 e Fluminense em 2010 interromperam uma sequência de cinco títulos consecutivos do futebol paulista. Estará surgindo uma nova hegemonia no futebol brasileiro?
1ª – Mano Menezes se mostrará um técnico à altura da Seleção Brasileira? Após um início promissor, a Seleção Brasileira sofreu duas derrotas seguidas para Argentina e França. E no meio do ano tem Copa América justamente na casa dos hermanos. Mano Menezes será capaz de ultrapassar essa barreira?
Crédito da Imagem: Luiz Fernando/FolhaPress