domingo, 25 de maio de 2014

Contagem Regressiva: Maio de 2014

Para um fanático por futebol, a Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Vai ter Copa, mas não como gostaríamos
A última edição da coluna “Contagem Regressiva” abre mão de analisar o apronto final das 32 seleções que disputarão o Mundial e viaja ao passado. Quando o Brasil foi anunciado em 2007 como o país-sede da Copa do Mundo de 2014 havia a promessa e a realidade. Promessas de um torneio custeado por recursos privados que se somariam a recursos oriundos de parcerias público-privadas e deixariam um imenso legado para as cidades-sede como melhorias nos aeroportos, no transporte urbano, na rede hoteleira e nas estruturas anexas aos novos estádios. Mesmo com um olhar desconfiado, era impossível que um fanático por futebol não se empolgasse com a ideia de um evento tão grandioso em seu território e ainda mais com os benefícios dos legados.
Infelizmente, a realidade não demorou a surgir no horizonte. Assim como o malfadado Pan-Americano do Rio de Janeiro, foi se tornando cada vez mais evidente que os verdadeiros legados seriam apenas as novas arenas construídas ou reformadas para a Copa. No entanto, a oportunidade inerente de se fomentar o futebol em estados como Amazonas, Mato Grosso e Distrito Federal não passou de um sonho. Com isso, salvo por esporádicas visitas de grandes equipes brasileiras, é muito provável que os estádios de Manaus, Cuiabá e Brasília se tornem pesados elefantes brancos.
Há, contudo, a necessidade de se distinguir o que de fato existe em relação aos gastos públicos envolvidos nesse processo e o que não passa de desinformação. Ao contrário do que se diz, os recursos financeiros investidos não vão “quebrar o País”. Há alguns dias, a Folha de São Paulo publicou uma matéria indicando que os investimentos naCopa (aproximadamente R$ 26 bilhões) equivalem a um mês de gastos com educação. Além disso, dentro desse montante encontram-se os valores referentes aos empréstimos do BNDES que deverão ressarcidos. Paralelamente, também haverá o retorno desses investimentos com a movimentação de inúmeros setores de nossa economia, onde estudos apontam cifras que giram entre 142 e 183 milhões de reais. Obviamente, apesar o otimismo nas projeções, é evidente que haverá retorno.
Mas a questão central não é essa. Ou melhor, não deveria ser essa. O Brasil teve em suas mãos a maior oportunidade de sua história para fazer algo extremamente relevante para sua infraestrutura e seu futebol. Em termos estruturais, começam a surgir informações mais concretas do que todos desconfiavam. Um relatóriopreliminar do Tribunal de Contas do Distrito Federal indicou um sobrepreço deR$ 431 milhões na reforma do Mané Garrincha, o estádio mais caro do Mundial. Porém, também por pressão política, tais investigações não foram para frente e ficaram apenas no âmbito do edital da obra.
No que tange o esporte, tivemos a chance de organizar um calendário mais racional, de traçar projetos que estimulassem o futebol nas regiões onde o esporte não é tão desenvolvido e ainda apresentar à população estádios adaptados aos novos tempos e demandas. De tudo isso, somente as arenas estão presentes. No entanto, sem a contrapartida de ações que reaproximassem o público dos campos, sobretudo da população menos favorecida, o objetivo final não foi alcançado. Numa declaração bastante infeliz, o coordenador técnico da Seleção, Carlos AlbertoParreira, definiu a CBF como o “Brasil que dá certo”. Depende do ponto de vista. No que diz respeito ao faturamento da entidade, sem dúvida é um sucesso. Para o futebol brasileiro ela continua dando errado. E há muito tempo.   
Imagem: Página do Partido dos Trabalhadores

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Contra um novo Maracanazo

Em recenteentrevista ao Globo Esporte sobre o livro “É Tetra!”, fui perguntado se considerava a pressão que a Seleção Brasileira sofrerá neste Mundial equivalente ao que passou em 1994 quando enfrentava o incômodo jejum de 24 anos sem um título mundial. Na ocasião, sem contar com muito tempo para processar o questionamento, respondi que eram pressões semelhantes em circunstâncias diferentes. Se há 20 anos o panorama econômico era caótico e o grande ídolo Ayrton Senna partia, agora temos uma população indignada com os gigantescos gastos nos estádios da Copa e o fantasma de perder uma competição dentro de casa.
Circunstâncias diferentes e, por que não dizer, pressões diferentes. Carlos Alberto Parreira e seus comandados embarcaram para os Estados Unidos com um fardo esportivo que não era inteiramente deles e, embora a vitória sobre o Uruguai em 1993 tenha mostrado um time consistente, não havia o favoritismo de outras ocasiões. Durante o início da caminhada rumo ao tetracampeonato, a imprensa internacional percebeu que ali havia um possível campeão bem antes da brasileira. Em caso de derrota, Parreira provavelmente seria execrado por uma suposta retranca, mas a vida seguiria sem maiores dramas.
Desta vez não. Uma derrota brasileira no torneio que se iniciará em breve pode ser o estopim de uma crise de grandes proporções. Seguindo a lógica cartesiana das massas, um fracasso potencializaria a sensação de que muito se gastou e nada se ganhou. E como teremos eleições poucos meses depois, quem está no poder irá se tornar o alvo mais provável. Para estes, bem mais importante do que ser a “Copa das Copas” é que não haja um novo Maracanazo. Caso aconteça, é provável que as urnas sejam o reflexo de uma conta que ninguém quer pagar.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Agência Estado

domingo, 11 de maio de 2014

Analisando a convocação

Antes de mais nada, este colunista se desculpa pelos três equívocos na tentativa de prever os 23 convocados para a Copa do Mundo. A briga entre os goleiros Diego Cavalieri e Victor era equilibrada e é bem provável que o bom momento do arqueiro atleticano tenha pesado na escolha. Contra Hernanes pesava o fato de a Seleção Brasileira contar com três jogadores (Paulinho, Fernandinho e Ramires) que podem cumprir funções parecidas. Quanto a Henrique, só a preferência pessoal do técnico Luiz Felipe Scolari pode explicar o chamado de um zagueiro que está bem abaixo de outros. Se não havia confiança em Miranda, que levasse Marquinhos com o intuito de fazê-lo adquirir experiência para competições futuras.
Ressalvas feitas, cabe analisar o grupo escolhido para tentar o hexacampeonato. Em princípio, o time titular para o início da Copa deve ser o mesmo da Copa das Confederações com Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Paulinho e Luiz Gustavo; Hulk, Oscar e Neymar; Fred. Se o Brasil não terá sua melhor seleção em 100 anos de história, pelo menos é possível constatar que o onze escalado acima tem condições de ser campeão se conseguir repetir a intensidade mostrada há um ano e se contar com o fator casa mais uma vez. E, claro, se Neymar estiver bem.
Se o onze inicial não deve ser modificado, o mesmo não pode ser dito dos reservas. Do grupo campeão em 2013 nada menos do que sete nomes ficaram pelo caminho. Em outras palavras, em caso de fracasso no Mundial, a tese do apego ao elenco vencedor não deveria ser usada. Victor, Maicon, Henrique, Maxwell, Ramires, Fernandinho e Willian são jogadores que ganharam espaço nos últimos meses e, num primeiro momento, é possível dizer que a Seleção se reforça com a presença deles. Willian, inclusive, terminou a temporada em grande forma no Chelsea e tem boas chances de ganhar espaço durante os treinamentos. Como pode atuar em várias posições, Oscar e Hulk deveriam se cuidar.
Taticamente, o time deve variar do 4-2-3-1 para o 4-3-3, com Hernanes entrando no meio, ou até 4-4-2 com Neymar se juntando a Fred no comando do ataque. Nesta formação, o problema da marcação pelo lado esquerdo pode ser solucionado com Oscar ou Willian dando suporte a Marcelo. Seja como for, Felipão leva consigo opções melhores do que Dunga teve em 2010. Se isso será suficiente, só saberemos quando a bola rolar.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Vanderlei Almeida/AFP

domingo, 4 de maio de 2014

Conheça os 23 convocados de Felipão (Ou quase)

Na próxima quarta-feira, Luiz Felipe Scolari vai convocar os 23 jogadores que defenderão a Seleção Brasileira no Mundial. Como o próprio técnico tem feito questão de salientar, quem acompanhou suas convocações tem condições de apontar quase todos os nomes. Para facilitar, Felipão antecipou alguns em pílulas nos últimos meses e confirmou outros tantos recentemente. Todos sabem que Júlio César deve ser o goleiro, independentemente de atuar na MLS, que Neymar e Fred estarão presentes e que Thiago Silva será o capitão. Agora também temos ciência de que David Luiz, Ramires, Oscar, Willian e Paulinho estarão dentro. Então, quais são os outros?
Daniel Alves e Marcelo são os titulares das laterais. Assim como Luiz Gustavo é o provável camisa 5, o tão contestado Hulk deve ser o responsável pela faixa direita do ataque brasileiro. Entre os reservas, o goleiro Jefferson, o zagueiro Dante, o lateral Maxwell, o volante Fernandinho e os atacantes Bernard e Jô dificilmente não serão chamados. Com isso, temos 19 atletas entre confirmados e prováveis. Os outros tentaremos desvendar mediante as últimas convocações e as pistas deixadas pelo caminho.
Para a reserva de Daniel, o mais certo é que Maicon seja o escolhido, com Rafinha correndo por fora. Para o centro da zaga, apesar dos apelos por Miranda, é improvável que Scolari chame um defensor que não foi convocado por ele até o momento e com o agravante de o jogador do Atlético de Madrid não contar com nenhum dia de folga por conta da final da UEFA Champions League. Há a possibilidade de Marquinhos do PSG ser lembrado, porém, a coluna aposta no experimentado Dedé. Falando em experiência, a participação de Diego Cavalieri na Copa das Confederações e noutras convocações são a indicação de que a vaga de terceiro goleiro é sua.
Desse modo, resta apenas uma vaga e três nomes despontam para preenchê-la. Curiosamente, os três atuam em posições diferentes. Lucas Leiva é primeiro volante e o substituto natural de Luiz Gustavo. Todavia, sofreu lesão séria recentemente e tem no versátil Fernandinho uma enorme sombra. Irregular nos últimos meses, Hernanes foi um dos campeões de 2013, mas acabou perdendo espaço para Ramires e para o próprio Fernandinho. Por fim, surge Robinho com a bagagem de duas Copas e o espírito, digamos, festivo. Pesa contra o atacante do Milan a má fase que o persegue há algum tempo. Sendo assim, sem mais delongas, vou arriscar tomando por base o lado conservador de Felipão... Lucas Leiva estará na Copa. A lista final é a seguinte:
Goleiros: Diego Cavalieri (Fluminense), Jefferson (Botafogo) e Júlio César (Toronto FC);
Zagueiros: Dante (Bayern), David Luiz (Chelsea), Dedé (Cruzeiro) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Maicon (Roma), Marcelo (Real Madrid) e Maxwell (PSG);
Meias: Fernandinho (Manchester City), Lucas Leiva (Liverpool), Luiz Gustavo (Wolfsburg), Oscar (Chelsea), Paulinho (Tottenham), Ramires (Chelsea) e Willian (Chelsea);
Atacantes: Bernard (Shakhtar Donetsk), Fred (Fluminense), Hulk (Zenit), Jô (Atlético Mineiro) e Neymar (Barcelona).
E para você, quais serão os convocados?
Coluna escrita originalmente para o site Doentespor Futebol.
Foto: Paulo Whitaker/Reuters

terça-feira, 22 de abril de 2014

Question – Premiação

Conforme informado, o vencedor do Question Especial tem o direito de receber um exemplar autografado de “É Tetra! A conquista que ajudou a mudar o Brasil”, livro escrito em parceria com o comentarista da ESPN, André Rocha.
Precisando de apenas duas dicas para acertar, Luciano Fitochi cravou o nome do ex-volante de atual treinador do Atlético de Madrid, Diego Simeone, como resposta do desafio. Para receber seu prêmio, Luciano precisa apenas enviar seu endereço para o e-mail: michelcarlosmagnocosta@gmail.com
Na oportunidade, agradeço a todos que participaram desta edição e quem se interessou por “É Tetra!” pode encontrá-lo nas livrarias e no site da Travessa.
Grande abraço!

domingo, 20 de abril de 2014

Há males que vêm para o bem?

Não restam dúvidas de que o Barcelona enfrenta sua maior crise desde os tempos de Frank Rijkaard. Mesmo com chances de conquistar o campeonato espanhol, a equipe catalã está mergulhada num mar de desconfiança do qual nem mesmo Lionel Messi conseguiu escapar. Logicamente, com o recém-chegado Neymar não seria diferente. Criticado por algumas atuações e, sobretudo, pela avalanche que sua contratação gerou no clube, Neymar se juntou ao companheiro de ataque no olho do furacão que assola aquele que um dia foi melhor time do mundo.
Nesse cenário, a lesão no pé esquerdo sofrida pelo camisa 11 do Barça no clássico diante do Real Madrid pela Copa do Rei não poderia ter acontecido em momento mais oportuno. Pelo menos no que diz respeito à Seleção Brasileira. As quatro semanas previstas para recuperação devem coincidir com o término de La Liga e o início da preparação para a Copa do Mundo. Isso significa que, além do descanso, Neymar não sofrerá riscos de uma lesão mais séria às portas da competição mais importante de sua carreira.
Luiz Felipe Scolari não disse, no entanto é provável que tenha gostado de saber que seu principal jogador será preservado até o Mundial. Não só no aspecto físico como também psicológico: “Mesmo jogando numa posição diferente, ele está muito acima de outros jogadores do Barcelona, mas a imprensa [espanhola] fecha os olhos para os outros”, disparou o técnico durante um evento organizado por patrocinadores. Um discurso claramente lançado com o objetivo de blindar ainda mais a joia da coroa. Numa só declaração há a opinião sobre o que julga ser um posicionamento equivocado do atacante e sobre uma suposta cobrança maior sobre o brasileiro.
Fora de combate, Neymar está mais distante das lentes e da crise que sufoca o Barcelona. Poderá se apresentar ao seu comandante com a cabeça mais leve e o corpo mais descansado. Não se imagina uma Seleção Brasileira campeã do mundo sem seu maior craque decidindo jogos onde a técnica e a consistência tática não são suficientes. Uma das razões para o hexacampeonato ser possível é o fato de Neymar vestir a camisa amarela. Essa é outra constatação que Felipão nunca transformou em palavras, mas não há dúvida de que está plenamente ciente dessa dependência.   
Coluna escrita originalmente para o site Doentespor Futebol.
Imagem: EFE

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Question – Especial

O Question retorna em edição especial para presentear um leitor do blog com um exemplar autografado de “É Tetra! A conquista que ajudou a mudar oBrasil”, livro escrito em parceria com André Rocha, comentarista e blogueiro da ESPN, e editado pela Via Escrita.
Desta vez, o vencedor precisará ser o primeiro acertador de um único desafio que será exibido na forma de quatro alternativas. Uma por dia. Cada uma revela determinada informação do personagem e revelam uma única resposta. O resultado será divulgado na próxima terça-feira (22/04).
Boa sorte a todos...
Descubra o nome do jogador descrito na(s) afirmativa(s) abaixo.
I – Participou do Mundial de 1994;
II – Em sua passagem pela Europa, defendeu times da Espanha e da Itália;
III – Era reconhecido pela garra e disposição em campo;
IV – Hoje treinador, vem obtendo grande destaque no cenário mundial.

domingo, 13 de abril de 2014

O quarto zagueiro

A excelente temporada realizada por Miranda no Atlético de Madrid fez reacender o clamor pelo zagueiro entre os 23 convocados para a Copa do Mundo. Compondo uma defesa central sólida com uruguaio Diego Godín, o ex-são-paulino tem recebido elogios por sua classe e poder de antecipação, porém, sem comover Luiz Felipe Scolari que segue com seu último escolhido indefinido. Até o momento, os únicos nomes certos são Thiago Silva, David Luiz e Dante, desde que uma lesão inoportuna não atrapalhe os planos do técnico.
Na Copa das Confederações, o escolhido foi Réver, mas as contusões e o péssimo segundo semestre de 2013 praticamente sepultaram as chances do atleticano. Também atuando em Minas Gerais, Dedé vem recuperando no Cruzeiro o melhor momento vivido no Vasco da Gama, quando gozou do status de melhor zagueiro do País. Henrique, outra figura constante nas convocações, agora tem mostrado sua versatilidade atuando como volante e lateral direito no Napoli, condição parecida com a que o titular David Luiz vem enfrentando no Chelsea, onde o treinador José Mourinho vem optando por utilizá-lo no meio-campo.
O jovem Marquinhos é outro nome frequentemente lembrado tornando-se uma escolha que visa o próprio futuro do selecionado, uma vez que o defensor do Paris Saint-Germain chegaria ao Mundial com apenas 20 anos. Outra hipótese é a não convocação para o quarto e último posto, contando com o volante Luiz Gustavo como eventual ocupante da defesa. Tal iniciativa serviria para abrir espaço no grupo para a convocação de mais um atacante ou meia-ofensivo. Contudo, conhecendo o pragmatismo do técnico que conta com tantas opções à disposição, é improvável que Scolari se arrisque quando o dia 7 de maio – data marcada para a lista final – chegar.
Coluna escrita originalmente para o site Doentes por Futebol.
Imagem: Reuters 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Paulinho, um titular ameaçado

Em sua passagem pelo Brasil após a saída do Chelsea, André Villas-Boas observou bem o jogador com o qual gostaria de contar em sua próxima equipe. Paulinho era (e ainda é) um meio-campista talhado para atuar de uma intermediária a outra, atacando e recompondo a defesa. Não era o típico armador capaz de fazer seu time jogar, mas uma arma ofensiva perigosa se bem utilizado. Quando o técnico português assumiu o Tottenham tratou logo de indicar Paulinho como reforço. Infelizmente para o brasileiro, a má campanha dos Spurs na Premier League fez com que o homem que o recomendou fosse demitido antes do fim do primeiro turno. E ao que tudo indica, seu substituto, Tim Sherwood, não vê o camisa 8 com os mesmos olhos.
Com pouco mais de um quarto dos minutos jogados por sua equipe nas últimas partidas, Paulinho reclamou via imprensa: "Sei que na Europa há essa prática de rodízio no elenco. Faz parte da cultura daqui. Mas eu, sinceramente, não gosto muito. Quero jogar toda semana. Entendo que quem decide é o treinador, mas não me sinto muito confortável”, disparou. Vendo sua autoridade contestada, Sherwood rebateu: "Escolho os jogadores com base no que eles fazem no treinamento, não em suas reputações ou em seus preços. Ele sabe que, se treinar e jogar bem, estará no time" declarou ao microfone da Sky Sports. “Vou provar meu valor” foi a resposta definitiva do ex-corintiano.
Discussões à parte é evidente que Paulinho se incomoda com a reserva estando num período tão próximo da Copa. Luiz Felipe Scolari já deixou bem claro que deseja ver seus titulares jogando. Não por acaso, o goleiro Júlio César trocou o banco de reservas do Queens Park Rangers pela meta do Toronto FC. O meia-atacante Bernard, que ainda não assumiu uma posição entre os titulares do Shakhtar Donetsk, é outro nome que preocupa, assim como o zagueiro David Luiz que tem sido mais aproveitado no meio-campo do que na posição em que foi um dos pilares da defesa brasileira na Copa das Confederações. A este último, o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira deu o animador recado de que a quantidade menor de jogos vai servir de descanso para o Mundial.  
Todavia, a situação de Paulinho é um pouco mais complicada, pois a concorrência em sua posição aumentou consideravelmente. Além de Hernanes, que não agradou tanto em suas aparições, Ramires e Fernandinho pedem passagem. De volta à lista de convocados após um mal-entendido com Felipão, o meia do Chelsea tem a versatilidade a seu favor. Graças a sua boa condução de bola e excepcional velocidade, Ramires pode atuar em quase todas as posições do meio-campo. Por sua vez, Fernandinho tem a seu favor o poder de armação que seus concorrentes não têm. Apesar de ter sido inicialmente testado como primeiro volante no amistoso contra a África do Sul, o camisa 25 do Manchester City só mostrou suas maiores qualidades quando Luiz Gustavo entrou na vaga de Paulinho liberando-o para o jogo.
A princípio, Scolari deve manter Paulinho entre os titulares pelo menos para o início da Copa. Caso repita as boas atuações dos tempos de Corinthians, quando seus gols surgiam nos momentos mais oportunos, Paulinho pode perfeitamente manter seu nome no onze inicial. Do contrário, corre o risco de entrar para a fatídica estatística que mostra que a foto de um time na primeira partida de uma campanha nunca é igual a da última.
Coluna escrita originalmente para o site Doentespor Futebol.
Foto: Offside/Rex

segunda-feira, 31 de março de 2014

Contagem Regressiva: Março de 2014

Para um fanático por futebol, a Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Clima de Seleção*
As torcidas italianas em diversos estádios se levantaram para aplaudir o gol que Ronaldo marcou na tarde de 9 de dezembro de 2001 diante do Brescia. Após mais de dois anos sem balançar as redes numa partida oficial por conta da grave lesão no joelho que quase pôs fim à sua carreira, o Fenômeno voltava a fazer o que mais sabia na vida. Daquele momento até o fim da temporada foram mais seis gols e muitas lesões musculares, algo que colocou em dúvida seu melhor aproveitamento na Copa do Mundo de 2002.
Contudo, se havia a desconfiança de muitos, Luiz Felipe Scolari acreditava no centroavante que escolhera, preterindo um veteraníssimo Romário. No fim, como todos sabemos, Felipão estava certo e Ronaldo foi o artilheiro da campanha brasileira no pentacampeonato mundial tendo Rivaldo, outro nome coberto de dúvidas, ao seu lado. Essa foi apenas uma das vertentes da chamada “Família Scolari”, onde um bom ambiente e um grupo focado foram suficientes para tornar uma conquista que parecia improvável algo real no instante em que o capitão Cafu ergueu a Copa do Mundo.
Esse mesmo clima pode ser visto na atual Seleção Brasileira. Da entrega mostrada na Copa das Confederações até um vídeo simplesonde os jogadores brincam com o baixo desempenho do atacante Hulk no videogame, o que se vê é um grupo de amigos. Atletas que atuam em diversas partes do mundo, enfrentam pressões e situações distintas por seus clubes, mas que servindo a Seleção sentem que, de certo modo, que estão em casa. Um ambiente em que os problemas das agremiações que defendem podem ficar de fora sem que isso represente falta de profissionalismo.
O melhor exemplo disso é Neymar. Ainda em fase de adaptação ao futebol coletivo do Barcelona, sem gozar de privilégios táticos e sendo pivô da queda do ex-presidente do clube catalão, o atacante brasileiro mostra que isso não o afeta em nada quando veste a camisa 10 amarela. É como se houvesse um sentimento de proteção onde Neymar pode mostrar seu melhor futebol sem se preocupar se a última tentativa de drible resultou em desarme. Uma liberdade que ainda precisa ser conquistada no Barça.
*Escrito originalmente para minha nova coluna no site Doentes por Futebol
De olho na Copa
Fábio Hamilton da Cruz foi a terceira vítima fatal nas obras da Arena Corinthians e a oitava em todas as sedes. A título de comparação, foram duas mortes registradas nas construções dos estádios sul-africanos no último Mundial. Logicamente, este é um problema muito mais ligado à construção civil no País do que ao futebol. No entanto, não deixa de chamar a atenção o fato de que grande parte desses acidentes ocorreu no período em que as obras foram aceleradas.
Os atrasos em diversas sedes, sobretudo na construção das estruturas temporárias, fizeram com que a FIFA anunciasse a intenção de rever seu planejamento para os próximos torneios, começando pela Rússia. “Esse foi um grande problema que enfrentamos no Brasil. Essas responsabilidades (estruturas temporárias) são conhecidas há muito tempo. Todas as cidades-sedes assinaram os documentos. Na Rússia esse problema deverá ser minimizado, uma vez que teremos apenas um estádio privado. Os demais são todos do governo. Estádios privados não querem pagar por estruturas temporárias. Temos que achar outro jeito daqui para frente”*, esclareceu o Secretário Geral, Jérôme Valcke, após reunião com membros do governo federal e do Comitê Organizador Local (COL), no Rio de Janeiro.
Com muita coisa a ser finalizada e equívocos na organização, a Arena da Baixada recebeu seu primeiro evento-teste no último sábado. Diante de 10 mil sócios, o Atlético Paranaense recebeu o J. Malucelli e não saíram do zero. A previsão de entrega do estádio é 15 de maio. Até lá, mais um evento deverá ser realizado.       
Depois de uma Copa na África do Sul em que diversas estruturas funcionaram de forma precária, a entidade máxima do futebol vê a possibilidade de tudo se repetir, talvez em maior escala, no Brasil. Quem sabe é a senha para a FIFA retomar a prática anterior onde os países-sedes tinham de apresentar condições para sediar um evento como a Copa para só depois pleiteá-lo. Mas, pelo visto, a ideia é que realmente se construa e se gaste muito.
Confira o andamento das obras para o Mundial de 2014:         
Obras concluídas: Belo Horizonte, Brasília, Ceará, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Salvador;
Situação preocupante: Cuiabá, Curitiba e Manaus;
Situação alarmante: São Paulo.
Imagens: Placar, site oficial do Atlético-PR.
*Fonte: Globoesporte.com

domingo, 23 de março de 2014

Na berlinda

Esqueça teorias conspiratórias para favorecer a Argentina na Copa. Além de não existir nada que sustente tal absurdo, Tata Martino, técnico do Barcelona, tem planos bem mais urgentes para Neymar. Contestado por seu início no clube catalão, Martino está ciente de que seus objetivos são reconstruir sua equipe e, se possível, conquistar algum título nesta temporada. Para tanto, o argentino sabe muito bem que Neymar pode ser uma peça fundamental e não esconde esse pensamento ao dizer que o brasileiro é um jogador especial.
Ao contrário de grandes nomes como Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho que defenderam clubes de menor porte antes de rumarem para o gigante europeu, Neymar não passou pelo mesmo vestibular. O Barcelona não pretendia perder de vista um alvo que estava na alça de mira há tantos anos e fez de tudo para contar com ele em suas fileiras, inclusive, consultar os caciques do elenco sobre sua chegada. Apesar desse esforço, é evidente que a situação de Neymar em seu novo clube não é das mais tranquilas. Como se não bastasse o desembarque em um novo país, em uma nova cultura e, sobretudo, num futebol diferente, o atacante se viu como o centro do imbróglio envolvendo sua contratação junto ao Santos. Um episódio que culminou com a renúncia de Sandro Rosell do cargo de presidente do Barcelona e colocou o camisa 11 no olho do furacão quando seus vencimentos – superiores aos de alguns medalhões – foram revelados. Quem leu “A bola não entra por acaso”, do ex-dirigente Ferran Soriano, sabe que essa informação não deve ter sido bem digerida num ambiente estelar como o do Barça.
Entrando no campo da especulação, o que se diz é que parte do elenco pediu a Martino que Pedro fosse o escolhido para começar jogando o clássico contra o Real Madrid. Exatamente o que parcela considerável da torcida vem fazendo nas enquetes promovidas pelos principais sites esportivos da Espanha. Pedro, prata da casa, é autor de gols importantes na história recente do Barcelona e um dos xodós da torcida. Pode não ter o talento de Neymar, porém, já foi testado e aprovado e está perfeitamente adaptado ao time. É a chamada escolha de segurança numa partida que vale a sobrevivência na busca pelo título nacional.
Se tal tentativa de ingerência realmente aconteceu, Martino não deu ouvidos. O nome de Neymar aparece em todas as prévias do jogo, mais uma vez escalado aberto pela direita, espaço que não lhe é tão familiar quanto a esquerda que deverá ser ocupada por Iniesta. Afora o deslocamento da faixa habitual, Neymar tem hoje a chance de começar a reescrever sua história na Catalunha. Atuar bem contra o maior rival é a chave para quebrar desconfianças.   
Imagem: Albert Gea/Reuters

domingo, 16 de março de 2014

A queda

Há alguns dias o site da BBC publicou um artigo de Bill Wilson no qual tentava explicar as razões para a estagnação do futebol italiano no cenário mundial. Entre todos os fatores, a diferença de arrecadação em relação aos grandes rivais europeus é o que mais se sobressai. Não é segredo para ninguém que não se faz futebol de alto nível sem grandes investimentos, exceções honrosas ao Borussia Dortmund da temporada passada e ao atual momento do Atlético de Madrid. Os resultados das equipes italianas na Europa despencaram na proporção em que cessaram os altos investimentos de seus mandatários. E, como essas agremiações nunca foram ensinadas a caminhar com as próprias pernas, o resultado disso tudo é mesmo desolador.
Contudo, a matéria da BBC não mencionou algo que não pode ser desprezado. A intensidade de jogo dos times italianos também caiu. Nem mesmo os sistemas defensivos funcionam com a mecânica de antes. O jogo está mais lento. No aspecto físico, a discrepância também é perceptível. Cesare Prandelli, técnico da Itália, classificou como “quase constrangedor” o desnível atlético de seus jogadores em relação aos espanhóis, adversários no último amistoso da Azzurra. Sem dúvida, uma observação impensável há alguns anos.
Curiosamente, uma partida citada no artigo de Wilson costuma ser exemplo frequentemente tomado por este blogueiro quando o assunto é a queda do futebol italiano. A final da UEFA Champions League 1993/94 entre o Milan de Fabio Capello e o Barcelona de Johan Cruyff é até hoje um símbolo da eficácia italiana na distante década de 1990. Antes de a bola rolar, muitos pensavam que o time de Romário e Stoichkov era favorito naquela decisão. No entanto, com muita aplicação e uma estratégia impecável, os rossoneri massacraram o time catalão por inapeláveis 4 a 0. Futura estrela da Copa dos Estados Unidos, Romário mal foi notado em campo. Se havia equilíbrio em termos de talento, certamente não havia em termos táticos.
A lógica nos diz que é mais fácil colocar em prática qualquer estratégia de jogo quando se tem grandes jogadores. Porém, marcação forte e organização defensiva eficiente dependem bem menos de investimentos pesados do que montar um ataque com Ibrahimovic, Cavani e Lavezzi. E até isso vem se tornando artigo raro na Velha Bota. Esqueça a velha máxima de que as defesas italianas são as mais robustas do mundo. Nem mesmo a virtual campeã Juventus consegue imprimir o ritmo necessário para sobreviver em uma Champions League. Talento não é a única coisa que falta. A preparação física se mostra deficitária, os grandes treinadores militam noutras praças e a última “inovação” tática foi a ressurreição do obsoleto 3-5-2. Infelizmente, a escalada do Calcio de volta ao topo não vai depender apenas de empresários dispostos a gastar os tubos no Belpaese.    
Foto: The Guardian

segunda-feira, 10 de março de 2014

É Tetra!

Prezados,
É com imenso prazer que informo o lançamento do livro “É Tetra! - A conquista que ajudou a mudar o Brasil” em parceria com o amigo André Rocha (blogueiro do Olho Tático e comentarista da ESPN Brasil) e generosa colaboração dos mestres Lédio Carmona, Mauro Beting e Paulo Vinícius Coelho. Uma obra destinada a contar a trajetória da Seleção Brasileira do fracasso em 1990 até a conquista do tetracampeonato mundial nos Estados Unidos.

Sinopse
1994. Para uma renomada seleção como a brasileira, 24 anos sem conquistar um título mundial é uma eternidade. Some-se a isso o período histórico e econômico instável do início da década de 1990, a perda de um ídolo nacional como Ayrton Senna e as poucas glórias no esporte se resumindo a uma medalha olímpica no vôlei - um esporte ainda não tão popular - e teremos um cenário particularmente hostil quando o técnico Carlos Alberto Parreira e seus comandados embarcaram para os Estados Unidos em busca de um troféu que parecia improvável.
A maior esperança brasileira em território norte-americano atendia pelo nome de Romário. Talentosíssimo goleador, o atacante vivia a melhor fase de sua carreira no Barcelona de Johan Cruyff. No imaginário popular estavam os dois gols que o Baixinho havia marcado diante do Uruguai no Maracanã na vitória por 2x0 que sacramentou a classificação para a Copa.  Ao lado de Bebeto, Romário formava uma dupla de ataque capaz de marcar contra qualquer defesa. Todas menos uma: A Itália de Arrigo Sacchi. Neste momento, o destino da Seleção Brasileira ficou nas mãos do goleiro Taffarel.
Editora: Via Escrita
Previsão de lançamento: Abril de 2014

sábado, 8 de março de 2014

A audácia de Fernando Diniz

Como jogador, Fernando Diniz teve uma trajetória relativamente discreta. Defendeu clubes importantes do futebol brasileiro, alternando muitas vezes a titularidade e o banco de reservas. Foi um meia de boa técnica, que agradava seus treinadores pela inteligência tática que demonstrava em campo. Fora dos gramados, fugia do estilo boleiro, chegando a ser objeto de matérias na imprensa esportiva que realçavam um perfil intelectual pouco comum no meio. À distância, Diniz se parecia mais com um estudante universitário do que com um jogador profissional.
Agora treinador, Fernando Diniz também se diferencia de seus novos pares. Comandando atualmente o Grêmio Osasco Audax, time que disputa a primeira divisão paulista, tem chamado a atenção do meio esportivo pelo estilo implantado em sua equipe. Com clara inspiração no Barcelona de Pep Guardiola, o Audax preserva o toque de bola acima de tudo e não apela para chutões nem em momentos de alta pressão dos adversários. Uma prática que não deve garantir a classificação para as oitavas de final do campeonato estadual e que talvez careça de mais qualidade dos atletas, mas que já deixou sua marca. Nem que seja pela distinção dos demais.
Ex-comandante de Fernando no Fluminense, Flamengo e Santos, Oswaldo de Oliveira tem uma opinião não muito esperançosa quando o assunto é a aplicação desse estilo nos grandes times do País: “Lá a chinelada não arde tanto quanto arde nos nossos jogadores. Mas realmente é uma forma inteligente e ousada de jogar”, diz o atual técnico do Santos, ciente da pressão por resultados imediatos tão típica de nosso futebol.
Logicamente, o técnico do Audax discorda. Para Fernando Diniz, os grandes times podem apostar nesse estilo desde tenham paciência e confiança no trabalho. No entanto, o jovem treinador tem consciência de que tudo está ligado à performance da equipe: "Não tem sustentação de jogo sem resultado, mas ele não caminha separado da produtividade, do jogar bem, jogar bonito. Se eu começo a ganhar com o time jogando muito mal, eu tenho muito mais preocupação do que empatar ou perder jogando bem. Não olho só resultado, mas acaba sendo essencial", afirma.
Não restam dúvidas de que a mentalidade expressa acima se difere do que pensa a maioria dos nossos treinadores. E isso só faz aumentar a expectativa de um dia vermos Diniz chefiando algum time tradicional do Brasil. Todavia, como o próprio técnico assegura, toda e qualquer estratégia do futebol tem compromisso com o resultado. Antes de tudo, um treinador monta sua equipe com o objetivo de vencer e isso não deve ficar em segundo plano. E não há maneira melhor de se obter as vitórias almejadas do que jogar bem.
Fonte: Terra
Foto: Eric Mantuan/GE   

segunda-feira, 3 de março de 2014

Pontos e Vírgulas

Coluna destinada a comentar as opiniões emitidas pelo órgão responsável pela chegada de informações ao público aficionado por futebol: a imprensa esportiva. Afinal, bem ou mal, é através dela que tomamos conhecimento de (quase) tudo o que cerca o mundo da bola.

Tudo por um furo

Até o momento em que assinou contrato com o Barcelona, o atacante Neymar deve ter sido negociado umas dez vezes. Além do clube catalão, o Real Madrid chegou a contratar o craque da Vila algumas vezes. Bayern e Manchester United também estiveram perto. Bem, pelo menos, foi o que as notas e manchetes estamparam nos últimos três anos. No fim, as denúncias de um torcedor do próprio Barça revelaram que Neymar Pai só abriu reais tratativas com o atual clube do brasileiro. O restante foi apenas especulação tratada como notícia.

Bem menos conhecido do que Neymar, Hernane, centroavante do Flamengo, esteve envolvido por duas vezes em situação semelhante apenas no ano de 2014. Primeiro foi a proposta do Al Gharafa. Segundo alguns veículos brasileiros, o Brocador estava certo como o novo reforço do clube catariano, onde, inclusive, receberia um bônus para cada gol que anotasse. No entanto, as negociações com o rubro-negro carioca não tiveram o desfecho desejado pela agremiação baseada em Doha.

Na última semana foi a vez do mercado chinês sondar Hernane. O Shanghai Shenhua, novo clube do zagueiro Paulo André, fez uma boa proposta e os dirigentes do Flamengo pediram garantias bancarias para fechar o negócio. As garantias não vieram e o artilheiro do Brasil em 2013 permaneceu na Gávea. A similaridade entre as duas propostas é que ambas não foram mais do que propostas. A negociação poderia ser concluída ou não. E no caso de Hernane não foram. Então por que motivo elas foram tratadas como se estivessem num estágio mais avançado do que realmente estavam?

A explicação é simples. Atualmente, dar a notícia antes dos concorrentes se tornou mais importante do que dar a notícia correta. Pelo visto, aguardar o desfecho das negociações é perder tempo e acessos preciosos que não podem ser desperdiçados. E se depois a negociação não se concretizar, é fácil: Basta lançar a informação definitiva que novos acessos serão mais do que bem-vindos. Afinal, ninguém vai se lembrar que aquela situação foi dada como certa há alguns dias. Pois este espaço se lembra. E lamenta profundamente que a credibilidade seja algo tão sem importância no jornalismo contemporâneo.

Imagens: Paramount, André Durão (GE)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Contagem Regressiva: Fevereiro de 2014

Para um fanático por futebol, a Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
Outros caminhos
Quando o assunto é Seleção Brasileira, nenhum tema é tão debatido quanto a posição de centroavante. Embora conte com a confiança de Luiz Felipe Scolari, Fred, atual titular da camisa 9, preocupa por causa de sua fragilidade física. Mesmo não sendo um atacante da estirpe de Romário e Ronaldo, o jogador do Fluminense, em forma, é o nome ideal para atuar entre os zagueiros adversários, função que o técnico não abre mão. Com o reserva Jô visto com desconfiança, alguns nomes estão sendo especulados como Hernane, Leandro Damião e Alan Kardec. No entanto, nenhum deles chega a empolgar.
É improvável que aconteça, mas talvez fosse o momento de Felipão testar uma formação (ao lado) que não dependa de um centroavante de ofício. Mano Menezes, seu antecessor na Seleção, percebeu essa carência e testou, com algum sucesso, Neymar como o jogador mais avançado do time. Excelente finalizador, o atacante do Barcelona se aproximou ainda mais do gol, mesmo sem jogar de costas para a defesa rival. Sem dúvida, uma hipótese que não deveria ser descartada.
Mais preocupante, embora menos discutida, é a questão da saída de bola. Titular da posição de primeiro volante, Luiz Gustavo tem um passe rápido e correto, mas pouco vertical. Bom marcador, o volante do Hamburgo ganhou a posição por saber se posicionar como um terceiro zagueiro e liberar Paulinho para atacar. Defensivamente, funcionou bem na Copa das Confederações, porém, deixou a desejar na transição ofensiva, muitas vezes delegando essa obrigação para o zagueiro David Luiz que muitas vezes arriscava lançamentos que apenas devolviam a posse ao adversário.

Neste espaço, durante o torneio intercontinental, foi sugerido o recuo momentâneo de Oscar para ajudar nessa saída, uma vez que Paulinho também não realiza bem esse trabalho, mas nada melhor do que testar alguém capaz de cumprir todas as funções que um primeiro volante moderno deve exercer sem que isso prejudique o equilíbrio tático da equipe. E esse jogador pode ser Fernandinho. Desempenhando funções parecidas no Manchester City, Fernandinho é o responsável por guardar a posição quando o ótimo Yaya Touré se lança ao ataque e, simultaneamente, distribuir o jogo de trás. Diferente de Luiz Gustavo, Fernandinho tem o passe vertical, busca os companheiros de frente e ainda é capaz de chegar à área. No amistoso diante da África do Sul, teremos a chance de ver isso na prática.           
Os rivais
Luiz Felipe Scolari convocou 16 jogadores que atuam no exterior para a partida contra a África do Sul no dia 5 de março em Joanesburgo. A princípio, a ideia é completar a lista com um goleiro e dois atacantes que militam no futebol brasileiro, algo esperado para esta semana.
Goleiro: Júlio César (Toronto);
Zagueiros: Dante (Bayern), David Luiz (Chelsea) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Marcelo (Real Madrid) e Rafinha (Bayern);
Volantes: Fernandinho (Manchester City), Luiz Gustavo (Wolfsburg), Paulinho (Tottenham) e Ramires (Chelsea);
Meias: Bernard (Shakhtar Donetsk) Oscar (Chelsea) e Willian (Chelsea);
Atacantes: Hulk (Zenit) e Neymar (Barcelona). 

Atualização: Sem surpresas, Scolari convocou nesta segunda-feira o goleiro Jefferson (Botafogo) e os centroavantes (Fred e Jô). Com isso, não haverá tempo hábil para que um novo avançado seja testado antes da convocação final. Em caso de desfalque, Leandro Damião deverá ser o suplente imediato.   
De olho na Copa
O mês de fevereiro foi marcado pela tensão. Devido aos atrasos nas obras em Curitiba, a sede paranaense esteve ameaçada de corte. A garantia da cúpula da FIFA de que o estádio do Atlético Paranaense estava confirmado veio somente na última terça-feira em congresso da entidade realizado em Florianópolis.
Outra sede que se encontrou em risco foi Porto Alegre. Apesar da presença da presidente Dilma Rousseff na inauguração do novo Beira-Rio, os custos das estruturas temporárias ao redor do estádio do Internacional ainda estão em discussão. Segundo Giovanni Luigi, presidente do Colorado, os R$ 30 milhões com os quais o Inter não pretende arcar podem representar um risco de corte para a capital gaúcha.
A nota triste de fevereiro veio de Manaus. Antônio José Pita Martins, de 55 anos, foi mais uma vítima fatal nas obras da Arena Amazônica. Atingido na cabeça por uma peça de metal que se soltou, o trabalhador português não resistiu. Com o falecimento de Antônio, já são três as mortes nessa sede e sete em todo o país.
Em São Paulo, no dia 22, a polícia militar precisou agir para conter dezenas de manifestantes num protesto contra a realização da Copa do Mundo. Ao todo, foram 230 detidos entre manifestantes e jornalistas. O mais estranho na manifestação é que o estádio que abrigará a abertura do Mundial pertence ao Corinthians que arcará com seus custos junto ao BNDES. Trata-se de um financiamento e não de doação de dinheiro público. Não será surpresa se, em breve, aspectos políticos dessa manifestação vierem à tona.  
Confira o andamento das obras para o Mundial de 2014:         
Obras concluídas: Belo Horizonte, Brasília, Ceará, Natal, Porto Alegre*, Recife, Rio de Janeiro e Salvador;
Situação preocupante: Manaus;
Situação alarmante: Cuiabá, Curitiba e São Paulo.
* As estruturas temporárias ao redor do Beira-Rio ainda não estão prontas.
Fotos: Mowa Press, AFP/Jefferson Bernardes

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Saudade, palavra triste


Nesta semana, o ex-jogador Roberto Rivellino voltou à cena paracriticar a atual geração brasileira. Para o campeão mundial em 1970, o momento do futebol brasileiro é péssimo em termos de qualidade e só Neymar se destaca. Indo além, Rivellino criticou a presença do atacante Hulk na equipe, atleta que, para ele, só atua na Seleção Brasileira por questões táticas. Completando seu raciocínio, menciona a ausência de grandes centroavantes e afirma que a qualidade do time comandado por Luiz Felipe Scolari está na defesa e não no ataque.
A exceção da dificuldade de se encontrar boas opções para a camisa 9 do Brasil, posição onde nem o titular Fred é unanimidade, não é possível concordar com a opinião do antigo meia. Não quando se acompanha com atenção o que se passa fora do Brasil. Citado nominalmente, Hulk é um bom exemplo. Desde os tempos de Porto, o paraibano se mostra um atacante moderno, capaz de marcar gols fantásticos e, ao mesmo tempo, auxiliar defensivamente. Para Hulk, a velha desculpa do “se eu marcar não tenho força para chegar à frente” nunca foi válida. A única explicação para a implicância sofrida pelo jogador do Zenit é quando ela parte de alguém que só o vê em esporádicas aparições pela Seleção. Provavelmente, caso de Rivellino.
Outra observação curiosa do ex-craque diz respeito à carência de centroavantes. A lendária Seleção de 1970 também sofria dessa carência e viu Zagallo solucioná-la adiantando o meia-atacante Tostão. Uma equipe que contava com outros improvisos como o do próprio Rivellino aberto pela ponta esquerda e o volante Piazza recuado para o centro da zaga. Não faltava talento no meio-campo liderado por Gérson e Pelé, porém, nem todas as posições estiveram bem servidas quando o Brasil se sagrou tricampeão no México.
Roberto Rivellino possivelmente não sabe, mas a “péssima geração” atualmente ocupa a liderança quantitativa de atletas tanto nas grandes ligas europeias quanto na UEFA Champions League. Segundo o Cies Football Observatory, 471 atletas brasileiros atuam nos principais campeonatos do Velho Continente seguidos à distância pelos franceses e seus 306 representantes. Na Champions League, topo do futebol mundial, são 86 brazucas contra 80 franceses e 65 espanhóis. Além de Neymar, jogadores como Oscar, Willian, Ramires, Daniel Alves, Marcelo e outros são titulares das principais agremiações do planeta. Se fossem péssimos, esses dados nunca seriam possíveis.
Embora tenha sido um jogador excepcional, Rivellino sempre fez coro ao discurso de que tudo no passado era melhor e o que vivemos hoje não presta. Diferente de Tostão, que não fecha os olhos para o presente, Riva prefere alimentar a visão saudosista de um perfeito futebol de sonhos que não se sustenta quando as antigas imagens em preto e branco revelam um esporte mais lento, menos intenso e nem por isso desprovido de erros. Talvez por saber que parte de sua idolatria se baseia nos melhores momentos de antigos VTs, privilégio que os jogadores do presente não podem contar.
Foto: Marcos Guerra/Globo.com  

domingo, 9 de fevereiro de 2014

As razões do meu desafeto

Pouco mais de 15 mil pessoas pagaram ingresso para ver o primeiro Fla-Flu de 2014. Um pequeno público para assistir à vitória por 3 a 0 do Tricolor sobre seu histórico rival. Além do placar elástico e da estreia do atacante Walter pelo Fluminense, chamou a atenção a enorme faixa levada por torcedores do Flamengo contra os abusivos preços dos ingressos. Para o clássico, 100 reais foram cobrados pela entrada mais barata, um preço que poderia chegar a 300. O resultado disso foi um Maracanã vazio, bem longe de sua capacidade máxima. Como justificativa, a diretoria rubro-negra alega que o uso de carteirinhas de estudante – muitas vezes falsas – que conferem o direito da meia-entrada inviabiliza valores mais compatíveis com a realidade brasileira.
No entanto, não é preciso ser especialista no ramo para enxergar o óbvio: Se o Maracanã comporta 73531 torcedores, então alguma coisa está errada. Apesar dos campeonatos estaduais estarem longe do prestígio de outrora, o público presente ao estádio Mário Filho esteve muito aquém do que deveria. Uma das razões ficou estampada nas arquibancadas por mais de 90 minutos. Chegar às outras também não é difícil. A obsolescência à qual os campeonatos regionais ficaram expostos nas últimas décadas é outra delas. De torneio mais importante para os clubes, hoje não passam de um estorvo num inchado calendário, amparado apenas por sua importância política e pelo saudosismo de quem acompanhou seus melhores dias.
A violência dentro e fora dos estádios é a terceira razão, embora talvez seja a mais importante. As imagens dos 200 torcedores corintianos invadindo o CT “Dr. Joaquim Grava” há uma semana são mais uma prova de que as torcidas organizadas ultrapassaram todos os limites possíveis. Como se não bastasse o prejuízo causado por essas gangues que nada contribuem com o futebol e vivem do dinheiro das agremiações, elas ainda se acham no direito de agredir física e verbalmente os atletas em seu ambiente de trabalho. Uma vergonha muitas vezes acobertada pelos próprios clubes, como ocorreu no alvinegro paulista. A desculpa de que “só as organizadas sabem torcer” é uma estupidez histórica que não merece maiores comentários.
Outros fatores como horários das partidas, o fácil acesso aos jogos pela TV e a baixa qualidade do espetáculo oferecido podem ser incluídos nessa equação que resultou no colapso da cultura de se frequentar estádios no Brasil. Assistir a uma partida em in loco se tornou uma aventura arriscada e dispendiosa. Minimizar tais fatores para dizer que brasileiro não gosta de futebol ou que tem preguiça de ir a um estádio é, sem sombras de dúvidas, um desserviço ao que deveria ser um movimento conjunto para se reverter essa situação. E um dos passos para que os times brasileiros sigam sem ver suas torcidas lotando as arquibancadas.      
Foto: Rosana Fraga / Lance!Press

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Touro ou toureiro

A Espanha e o mundo do futebol se despediram de Luis Aragonés na manhã deste sábado. Então com 75 anos, o ex-jogador com passagens por clubes como Real Madrid e Bétis é reconhecido pelas dez temporadas em que defendeu as cores do Atlético de Madrid, onde se tornou um ídolo eterno. Como treinador, Aragonés será lembrado como um homem dono de uma personalidade forte, capaz de encarar nos olhos um Romário consagrado por maior participação no Valencia ou se envolver em polêmicas como na ocasião em que cobrououtra postura do atacante Antonio Reyes diante do negro Thierry Henry, seu companheiro de Arsenal. Para muitos, um flagrante ato de racismo.
Contudo, sua maior contribuição para com o futebol foi a decisiva participação na mudança de mentalidade na Seleção Espanhola. Conhecida como Furia, apesar de poucas vezes ter feito jus ao apelido, a Espanha sempre esteve aquém dos principais selecionados do planeta e só encontrou o caminho das grandes conquistas quando decidiu que deixaria de lado a postura de “touro” para se tornar “toureiro”. Ou seja, ter a bola aos pés e fazer com que seus adversários corressem atrás dela, numa estratégia, ao mesmo tempo, ofensiva e defensiva. Um planejamento que só foi possível com a presença da semente barcelonista trazida por Xavi e Iniesta e que, após ser plantada por Aragonés, vem sendo cultivada pelo sucessor Vicente Del Bosque.
Os leitores deste espaço sabem que o “tiki-taka” espanhol nunca foi o estilo preferido deste blogueiro e que a simples menção de que todas as equipes deveriam seguir os passos de Barcelona e Espanha por aqui é vista como um equívoco histórico tremendo. Todavia, é inegável a eficiência dessa proposta e as duas Eurocopas somadas ao Mundial de 2010 estão aí para provar seu êxito. Uma trajetória de sucesso que no âmbito de seleções começou com Aragonés e que aos poucos faz seguidores. Sem dúvida, uma grande contribuição do agora saudoso treinador.