Independente do que as últimas rodadas do Brasileirão estiverem reservando, Santos e Cruzeiro terão um final de campeonato bem mais melancólico do que suas torcidas esperavam. Campeão continental na temporada passada e contando com o melhor jogador brasileiro em atividade, o Santos sofreu com a perda de nomes importantes como Ganso e Elano e a constante ausência de Neymar por conta das diversas convocações para a Seleção Brasileira. Por sua vez, apesar do início auspicioso, o time mineiro deverá se contentar apenas por ter sido pouco ameaçado pelo rebaixamento.
Em comum entre as duas equipes, a presença de dois treinadores donos de estilos parecidos e uma maneira bem similar de enxergar futebol. Muricy Ramalho e Celso Roth possuem carreiras bem consolidadas no Brasil, títulos na bagagem – o primeiro bem mais do que o segundo – e a perspectiva de continuarem no mercado por mais alguns anos. No entanto, existem evidências de que ambos podem sofrer mais do que imaginam caso não percebem que o futebol mundial está mudando e que as soluções das duas últimas décadas podem não funcionar tão bem agora.
Após ver sua equipe ser massacrada pelo Barcelona no Mundial de Clubes, Muricy saiu com um discurso pouco conectado com a realidade na coletiva pós-jogo quando preferiu citar o sistema “3-7-0” dos catalães, onde não havia um atacante fixo na frente, para criticar os jornalistas brasileiros que consideram atuar com três zagueiros e sem centroavante um erro. A observação do treinador perde totalmente o sentido quando se constata que o time então comandado por Pep Guardiola não atuou dessa maneira para se fechar mais como fazem 99% de nossos técnicos, mas para atacar melhor e manter ainda mais a posse de bola.
Em 2012, ao ver seu time passar por uma profunda reformulação e sem demonstrar segurança para lançar jovens valores, Muricy apoiou totalmente sua equipe nas costas de Neymar. Com o craque em campo, o Santos é perigoso e tem um aproveitamento de quem briga pelo título nacional. Sem poder contar com o astro por conta dos compromissos com a Seleção, o que se viu em campo foi um emaranhado de jogadores que na maioria das vezes não poderia ser descrito como um time. Era uma presa fácil para a maioria dos adversários. Como era de se imaginar, ao invés de proteger seu grupo e assumir seus erros, o técnico tetracampeão brasileiro preferiu criticar sua diretoria e tratar publicamente da necessidade de reforços.
Caminho semelhante trilhou Celso Roth. Corresponsável pela contratação de diversos volantes de qualidade duvidosa para o Cruzeiro, Roth declarou que seu time não atacava porque não sabia como fazê-lo. E, ao perceber que sua saída do clube mineiro é iminente, fez críticas indiretas ao grupo atual dizendo que gostaria de treinar o Cruzeiro de três anos atrás, numa versão no melhor estilo do clássico “eu ganho, nós empatamos, eles perdem”. Essa última característica é bastante perceptível nos discursos de Ramalho e Roth. Quando as coisas vão mal a culpa é sempre dos outros. Reconhecer que o estilo “quem marca bem, joga bem” está ultrapassado, nenhum deles fez. Talvez ainda falte mais algumas lições como a recebida em Yokohama. Ou talvez porque ainda existam dirigentes que não perceberam que o melhor da dupla ficou no passado e que as exigências do futebol do futuro serão diferentes.
Imagem: UOL e Globo Esporte























