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domingo, 17 de março de 2013

Futebol também é produto

O horário do café é, de longe, o mais prazeroso num ambiente de trabalho. No meu caso, encontro o pessoal de outras seções para colocar o assunto futebol em dia, o que significa, basicamente, zoar os times dos adversários. De uns tempos para cá, é impossível não notar como o futebol europeu vem tomando espaço nessas conversas. Há duas semanas, as discussões giraram em torno da expulsão de Nani na partida entre Manchester United e Real Madrid com direito a torcedor do time inglês se sentindo o maior injustiçado do mundo. Na última semana, o massacre barcelonista sobre o Milan tomou conta da mesa sem que isso soasse forçado ou blasé.    
Outro fenômeno que observo, desta vez nas ruas, é o constante aumento no número de camisas de agremiações europeias. Hoje, é tão normal ver um sujeito trajando as cores do Barcelona quanto ver alguém com o fardamento do Cruzeiro, maior torcida do estado. Simultaneamente, é comum ouvirmos os nomes dos jogadores europeus dividindo as atenções com as estrelas locais. As escalações dessas equipes, mais fáceis de serem assimiladas pela manutenção dos elencos, estão na ponta da língua da molecada tanto quanto a do time de coração.  
Existe um pensamento enraizado de que os times brasileiros por sua história e tradição nunca perderão seu espaço nos corações dos torcedores para associações estrangeiras. Como muitas vezes são passados de pai para filho, acreditam que eles estão acima de qualquer “modinha” e a distância do que ocorre lá fora impede que haja a interação que só a presença no estádio pode proporcionar. No entanto, pouco ou nunca se comenta que de toda população brasileira apenas uma pequena fração assiste seu time in loco. A maior parte, por falta dinheiro, distância ou insegurança, prefere assistir do sofá de casa ou no bar com os amigos.       
Estima-se que o Flamengo tem 35 milhões de aficionados, mas quantos vão aos jogos com frequência? 50, 100, 200 mil? Isso significa que mais de 95% dessas pessoas consome o rubro-negro de outras formas. Pela TV, pela internet, pelo rádio, de alguma forma elas estarão ligadas ao cotidiano da Gávea. E é justamente por essa parcela da população que o clube fatura R$ 200 milhões por ano e não por causa dos 20 mil que estão no estádio – alguns deles sem pagar – sem o merecido tratamento.
E se a maioria está em casa ou em qualquer outro lugar, o que impede de trocar de canal e ver o Barcelona trocando seus passes como se aquilo fosse uma ciência exata ou ver as arenas lotadas e o futebol vertiginoso da Premier League? Nada impede. E é isso o que não se percebe. Antes de tudo, futebol é algo que atrai as pessoas. O manejo da bola como nunca sonhamos ter, a emoção a cada minuto, a alegria das vitórias. E como a imensa maioria não está no estádio, no fundo, a distância dos times brasileiros para os europeus é a mesma, ou seja, do sofá para a TV.
Nessa disputa, vemos as agremiações locais perderem espaço a cada dia para algo que, queira ou não, é superior, mais bem tratado e atraente. Todavia, na medida em que esse processo se desenha, continuamos fingindo que ele não existe, fazendo piadas com a “geração Playstation” ao mesmo tempo em que nossos dirigentes parecem mais preocupados com outras coisas em vez de tentar tornar nosso futebol capaz de competir com as marcas que se internacionalizam cada vez mais. Preferimos passar quase metade do ano vendo nossos times enfrentando semiamadores nos Estaduais enquanto as principais ligas do planeta mostram, simultaneamente, o que têm de melhor. Nessa luta desigual, não será nenhuma surpresa que no momento em que nossos cartolas perceberem que existe guerra pelo torcedor (ou consumidor) sendo travada, ela já esteja irremediavelmente perdida.  
Imagem: Uol

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Jogador derruba técnico. Mas o técnico se derruba?

Para a história, as quartas-de-final da UEFA Champions League 2011/12 ficarão marcadas pelos erros de arbitragem envolvendo os confrontos entre Barcelona x Milan e Chelsea x Benfica. O que é lamentável, uma vez que esta edição também marcou o reencontro do Rossonero com seu nível internacional e a retomada por parte de Roberto Di Matteo do rumo perdido pelos Blues durante o período em que foram dirigidos por André Villas-Boas.
No caso do clube londrino, a sensível melhora tanto no futebol exibido quanto no ambiente levantam a velha questão sobre a relação jogador/técnico e se os atletas realmente derrubam os treinadores sem se preocuparem com o destino do clube que paga seus salários. Luiz Felipe Scolari, ex-técnico do Chelsea, nunca foi enfático, mas já deu a entender diversas vezes que sua demissão após curta passagem em 2008 está diretamente ligada ao comportamento dos senadores do elenco.
Quando pensamos no futebol brasileiro também não faltam exemplos e até declarações de boleiros dizendo que já trabalham contra o professor da vez. Neto, ex-jogador-problema e hoje apresentador, declarou que já derrubou técnico e até, de certo modo, vangloriou-se disso. O atual comandante do São Paulo, Emerson Leão, também disse que essa é uma prática comum no País.
No entanto, quando o assunto é o Chelsea, tenho minhas dúvidas se tal prática foi mesmo aplicada por Terry & Cia contra o jovem técnico português. Há uma semana, o ex-lateral Juliano Belletti com passagem recente pelo clube, comentou no programa Bate-Bola da ESPN Brasil que ao conversar com antigos companheiros ouviu que o problema Villas-Boas era a insistência num tipo de jogo não condizente com as características do elenco. Foi o que lhe disse Didier Drogba ainda acrescentando que a busca por um estilo mais plástico minou o que o time tinha de melhor, ou seja, a verticalidade e a praticidade.
É bem provável que a primeira reação quando se ouve essa explicação é dizer que os jogadores são empregados e que a obrigação deles é seguir as ordens de seu técnico. E isso é verdade. Porém, também é importante que os atletas entendam, assimilem e “comprem” a ideia de que o profissional que os comanda está fazendo a coisa certa. Caso contrário, mesmo que eles cumpram o que é imposto, não conseguirão produzir tudo o que se espera.
Isso é algo que não acontece apenas no futebol. Se um chefe de departamento não age corretamente com seus comandados, se ele cria ou alimenta um ambiente ruim, é bem provável que o resultado final não será o melhor possível. A relação entre o líder e seu grupo sempre será uma via de mão dupla. Se não houver confiança mútua, é provável que as ações não atinjam a meta proposta.    
Voltando ao Chelsea, não se trata de aliviar a barra de jogadores cheios de vontades, mas também de perceber os erros dos treinadores. Em sua passagem por Stamford Bridge, Felipão, que dependia de um tradutor por não falar inglês fluente, ainda enfrentou problemas por tentar impor algumas coisas que não faziam parte da cultura do futebol britânico. Não deu certo e ele pagou com seu cargo. Aparentemente, aconteceu o mesmo com André Villas-Boas. Colocar a culpa de tudo nas costas dos jogadores é simplificar bastante as coisas.  
Imagem: EFE

domingo, 21 de agosto de 2011

É possível torcer por um time estrangeiro?

A polêmica da última semana girou em torno dessa coluna de Adriano Pessini no caderno de esportes do Agora SP onde o jornalista afirma que para ele o único torcedor de verdade é aquele que “gira a catraca”, ou seja, que vai ao estádio ver seu time jogar, sofre, vibra e interage in loco. De quebra, desdenhou da torcida Arsenal Brasil, composta por brasileiros que de tão fanáticos pelos Gunners foram reconhecidos como torcida oficial.    
Em consequência ao texto, Márcio Donizete do blog Ortodoxo e Moderno escreveu este post defendendo a existência de verdadeiros torcedores de times estrangeiros no Brasil que, segundo o futuro jornalista, estão tomando o espaço dos clubes locais. Como resposta, um torcedor da Mancha Verde que se auto-intitula “Forza Palestra” manifestou em seu blog a concordância com Pessini e ainda classificou aqueles que torcem por clubes estrangeiros como componentes de uma “Geração Winning Eleven”. Não é preciso dizer que uma boa oportunidade para se debater o tema acabou se tornando apenas mais uma discussão na internet, culminado com esse post do também estudante de jornalismo – e torcedor do Lyon – Filipe Papini.
Antes de tudo, é preciso definir exatamente o que é torcer por um time. Para este blogueiro, significa amá-lo incondicionalmente, mesmo em fases ruins ou após a derrota mais terrível. Também representa um sentimento duradouro, para não dizer eterno, onde a troca por outra agremiação pode ser considerada uma verdadeira traição. Também significa acompanhá-lo esteja onde ele ou você estiver. No estádio, em casa ou até em outro país.
É inegável que de todos os tipos de torcedor,o único que pode interagir de maneira direta com o time é aquele presente ao estádio. Para o bem e para o mal. Só a torcida presente ao estádio pode empurrar a equipe para cima de um adversário e ser uma espécie de décimo segundo jogador. Por outro lado, essa massa também pode jogar contra, vaiando determinados jogadores, pedindo a cabeça do técnico ou mesmo ultrapassando seus limites e invadindo as dependências do clube. Aqui, falo especificamente das chamadas torcidas organizadas que muitas vezes se mostram entidades perigosas ao próprio esporte, quando se acham no direito de cobrar diretamente atletas e comissão técnica por maus resultados ou que graças a sua violência praticamente expulsa o “torcedor comum” dos jogos. Além, dos casos de brigas com outras facções, algo que transcende o futebol e se torna caso de polícia. 
O que o torcedor acima citado deveria entender é que seu time só se torna um dos grandes quando, além dos títulos, conquista a admiração de outras pessoas no país e até fora dele. E que é por causa desses “torcedores de sofá” que seu time pode arrecadar muito mais do que a relativamente baixa receita de bilheteria que, fosse essa uma fonte exclusiva de renda, transformaria os maiores clubes brasileiros em versões regionais do Santa Cruz citado por Pessini, sem a mínima condição de concorrer com qualquer mercado futebolístico.
Nesse raciocínio, os times europeus estão dezenas de passos à nossa frente, uma vez que entenderam o fenômeno da globalização e conquistaram fãs por todo o planeta. Uma torcida distante, é verdade, mas lucrativa quando pensamos em audiência e comércio de produtos ligados aos clubes. Sem falar no item mais importante quando o assunto é torcer: Amar um clube não importa a distância que ele esteja.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Aquela velha conversa de bar.

A participação do Internacional na recém-encerrada Audi Cup ressuscitou uma velha discussão: Os melhores clubes brasileiros são páreo para os grandes da Europa?
Como é natural nos debates futebolísticos por aqui, as respostas mais comuns manifestam opiniões extremas. Enquanto alguns acreditam que não há comparação, pois as equipes europeias são muito mais fortes, outros dizem que os brasileiros podem jogar de igual para igual.
O mais curioso nisso tudo é que ambos os lados frequentemente ignoram os jogos entre as equipes, único parâmetro disponível, e se agarram a conceitos forjados em elementos mais subjetivos como poderio financeiro, status dos atletas e interesse demonstrado nas competições.
Particularmente, prefiro observar os embates. Não como a Audi Cup, onde a própria fórmula de disputa impossibilita análises mais profundas, mas finais como o Mundial de Clubes e amistosos à vera. Nesses jogos, que acompanho desde o início dos anos 1990, foi possível perceber duas coisas:
- Até o surgimento da chamada Lei Bosman o equilíbrio imperava. Quase não havia muita diferença técnica entre as grandes equipes. Os duelos do São Paulo de Telê contra Barcelona (92) e Milan (93) são bons exemplos.
- Após a citada lei, as coisas mudaram de figura. Podendo contratar os melhores do mundo, os gigantes do Velho Continente se tornaram verdadeiras seleções, mas, ao mesmo tempo, concentraram os melhores jogadores numa elite cada vez menor. Um grupo seletíssimo, baseado em países como Inglaterra, Espanha e Itália, além do Bayern na Alemanha.
Mesmo sim, nas poucas oportunidades que o nosso calendário estrangulador permitiu, as partidas entre brasileiros e europeus apresentaram uma diferença – sobretudo nos placares – menor do que supõe o tamanho dos cofres e o glamour dos elencos.
Existem muitas explicações para isso, mas acredito que a principal se encontra no fato de que os times locais são, em sua maioria, formados por jovens jogadores que ainda não consolidaram suas carreiras no exterior. Quem viu Juninho Pernambucano entortando o lendário Fernando Redondo na final de 1998 não seria capaz de afirmar que ali estava o homem que mudaria para sempre o destino do Lyon. E quem via um impúbere Alexandre Pato no comando do ataque do Inter de 2006, talvez não imaginasse que ali estaria um titular do Milan e da Seleção Brasileira anos depois.
Infelizmente, são raras as oportunidades em que as forças locais se opõem aos multimilionários da bola. Todavia, nas poucas vezes em que isso aconteceu, as contas bancárias não estabeleceram o abismo que muitos supõem existir.         
Imagem: Reuters    

sábado, 14 de maio de 2011

Sequência de vitórias do Coritiba impressiona, mas não é a maior de todos os tempos.

A série de 24 vitórias consecutivas do Coritiba vem dando o que falar. Para o site “Coxanautas” trata-se de um recorde mundial e não apenas brasileiro. Clique aqui para ler a versão dos torcedores do Coxa.
Todavia, o intrépido Yuri Barros não perdeu tempo e realizou sua própria pesquisa. Para Yuri, a maior sequência pertence ao Sparta Praga com quase inacreditáveis 57 triunfos:
“O pessoal do Coxanautas proclama recorde de vitórias consecutivas do Coritiba (24 vitórias);

PVC vem analisando dados (até o momento o jornalista não encerrou sua pesquisa);

Já refutaram os 29 do Benfica e os 25 do Celtic, mas não refutaram os 28 do Dínamo Zagreb;
Desconfio que tal recorde seja do Sparta Praga, de 1919 a 1923.
No sitio da RSSSF já é destacado o fato de que o Sparta foi tetracampeão invicto entre 1920 e 1923, só com vitórias, totalizando mais de 51 vitórias consecutivas. Link: http://www.rsssf.com/miscellaneous/unbeaten.html


O QUE FAZ-ME COLOCAR ESSE COMO UM POSSÍVEL RECORDE?
A tradicional Copa Mitropa começou em 1927;

Não havia "copa da Tchecoslováquia", até os anos 1950;

Porém, poderia haver um joguinho aqui, outro ali, então fui conferir na Wikipédia eslovaca sobre esse período. Lá é dito que o Sparta, nesse período venceu 59 jogos, exceto um, "O SEGUNDO JOGO DO PRIMEIRO ANO", ou seja, o segundo jogo de 1919 (por isso os invictos vão de 1920 a 1923, não incluindo 19, a história bate!)
Portanto, se esse único tropeço foi na segunda rodada de 1919, o Sparta conseguiu 57 VITÓRIAS SEGUIDAS EM COMPETIÇÕES OFICIAIS, ESTABELECENDO ASSIM O RECORDE MUNDIAL.”
E agora? Terá o Sparta Praga a maior sequência de vitórias da história do futebol?

sábado, 7 de maio de 2011

O DNA de Muricy.

A semana dos clubes brasileiros na Copa Libertadores da América só não foi mais trágica porque o goleiro Rafael salvou o Santos da eliminação diante dos mexicanos do América. Não fosse a grande atuação do jovem arqueiro santista, o time de Muricy Ramalho estaria fazendo companhia a Cruzeiro, Internacional, Grêmio e Fluminense.
Curiosamente, a pressão que quase levou o América às quartas-de-final aumentou justamente após Muricy promover a mesma alteração que havia realizado no clássico diante do São Paulo: Saída do atacante Zé Eduardo para a entrada do zagueiro Bruno Aguiar. Na ocasião da semifinal, o técnico disse que muitos devem ter criticado a troca e que falar lá do ar condicionado das cabines (em alusão aos comentaristas esportivos) é fácil. Numa declaração que tinha como óbvia motivação a autoexaltação.  
Não foram poucos a cair na conversa do treinador. Para muitos, o futebol é um jogo entre técnicos e não uma disputa entre duas equipes organizadas por dois técnicos. O fato de Paulo César Carpegiani ter sido infeliz em suas alterações ao colocar em campo os pouco móveis Fernandão e Rivaldo acabou ficando em segundo plano. Isso sem falar que a partida foi decidida muito mais pelo talento de Paulo Henrique Ganso e Neymar do que por qualquer outra coisa.
Fico pensando no que diria Muricy se o Santos tivesse sido eliminado em Querétaro. Certamente não teria sido porque seu time perdeu quase toda profundidade sem a presença de um atacante que, além de tudo, já estava mal escalado aberto na ponta direita. Ou seja, sua responsabilidade.
Apesar das diversas conquistas recentes, penso que Muricy Ramalho é um representante do que há de mais ultrapassado na maneira como muitos técnicos de futebol no Brasil encaram o esporte. Enquanto o mundo se encaminha para a valorização da técnica e a variação de jogadas, seus times são cada vez mais “quadrados”, fixados no mantra “marcação, contra-ataque e bola aérea”. Esse tipo de pensamento pode até funcionar bem no Brasil, mas dificilmente funcionaria no cenário internacional.
No comando do Santos, Muricy deve confirmar os maiores temores daqueles que não o queriam na Seleção. Ou seja, esvaziar toda qualidade técnica de um time que encantou o País justamente pelo talento dos jovens valores que ali se alinham, quando, na verdade, a intenção de sua contratação era dar equilíbrio defensivo a um time que se mostrou vulnerável em diversos momentos. Tudo em nome de uma forma atrasada e mesquinha de ser enxergar futebol.
Crédito da Imagem: R7  

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Oportunismo, achismo e outros “ismos”.

Ao contrário do que muitos disseram nesta quarta-feira, o favoritismo dado aos clubes brasileiros na Copa Libertadores não veio por caso e não é, pelo menos no meu caso, fruto de achismo ou ufanismo. Uma análise do histórico dos times locais na competição mostra um percentual maior de aproveitamento tanto dentro quanto fora de casa e o retrospecto recente aponta para um desempenho médio maior do que o de qualquer outro país. Além disso, o poderio financeiro dos clubes brasileiros não só é maior como tende a sê-lo cada vez mais.
Então eu pergunto: Não é exatamente assim que se analisa o favoritismo na UEFA Champions League? Não é a partir do poderio financeiro que se evidencia a força dos clubes ingleses? Não é a receita absurdamente maior do que a da concorrência que transforma Barcelona e Real Madrid em alienígenas em La Liga? Ora, quem pode pagar mais tem maiores condições de contratar e manter os melhores elencos e treinadores.
A eliminação simultânea de quatro times brasileiros nesta quarta-feira foi, sem dúvida, um evento atípico. Como bem lembrou o jornalista Paulo Vinícius Coelho, desde 1991 sempre houve um brasileiro entre os semifinalistas e desde 1994 sempre tivemos mais de um time entre os quadrifinalistas da Libertadores. E, na temporada passada, quatro brasileiros estavam vivos nas quartas-de-final da competição.
Portanto, antes de se falar em arrogância é preciso falar de constatação. Negar o favoritismo seria, antes de tudo, não manifestar uma opinião por medo ou conservadorismo. O mesmo raciocínio me diz que colocar os quatro times eliminados num mesmo balaio é uma simplificação grosseira. Cada caso é um caso e precisa ser analisado individualmente.
No que tange o Internacional, além do resultado obtido no Uruguai, havia o entendimento de que o Peñarol era um adversário abordável, embora, logicamente, não estivesse eliminado de véspera. Dentro dessas circunstâncias, a derrota em pleno Beira Rio pode ser considerada, sim, um vexame. E quando se diz isso não significa menosprezo à história dos aurinegros, pentacampeões da Libertadores, mas uma constatação honesta diante do momento do time de Montevidéu e, por consequência, do futebol uruguaio. Mal comparando, é como o Ajax na Liga dos Campeões. Ninguém ignora o passado dos Godenzonen, porém, num confronto com o Chelsea, o favoritismo certamente penderia para o lado dos Blues que nunca conquistaram um título do torneio.
No caso do Fluminense ficou evidente que não houve arrogância. Talvez tenha sido o contrário. O Tricolor simplesmente abdicou de jogar no Paraguai, levando pressão o tempo todo. No entanto, a eliminação do Cruzeiro foi a que mais me chamou a atenção. Melhor campanha da Libertadores, futebol envolvente e entrosado, tudo indicava uma classificação tranquila após a vitória na Colômbia. Mas, em se tratando de uma equipe comandada por Cuca, tudo é possível.
Nesse contexto, nada mais lógico do que cada um retirar de sua eliminação a lição necessária para o futuro. Lamentavelmente, esse 4 de maio será lembrado por um bom tempo como o maior tombo coletivo do futebol brasileiro na história do torneio. Entretanto, apesar da queda em conjunto, as soluções são individuais. E enxergar essa data como uma crise do futebol brasileiro é o primeiro passo para não encontrá-las.
Crédito da Imagem: EFE

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O tiro que saiu pela culatra.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que a nota emitida pela ANAF (Associação Nacional dos Árbitros de Futebol) em defesa do árbitro Ricardo Marques é equivocada do início ao fim. Ao tentar atingir de forma covarde o Botafogo enquanto instituição e desviar o foco das reclamações do alvinegro carioca quando de sua eliminação da Copa do Brasil diante do Avaí, a associação deixou de marcar uma posição firme para se tornar a vidraça da vez.
No Brasil, não há figura mais desrespeitada que o árbitro. Baseados em imagens da TV, dirigentes, técnicos, jogadores, torcedores e jornalistas tratam os profissionais do apito que se eles fossem a escória da sociedade. Como se todos fossem vendidos e mal-intencionados e que por isso devem pagar para todo o sempre.
Não discuto aqui se a arbitragem brasileira é boa, regular ou péssima. Não discuto se os critérios adotados por nossos mediadores transformaram o futebol nacional em quase outro esporte. Discuto sim, a covardia dos outros profissionais que creditam todos os fracassos na conta dos árbitros.
Quantas vezes ouvimos alguém se referir a um árbitro de maneira muito mais dura do que a ANAF em sua nota? Quantas vezes ouvimos um juiz ser chamado de ladrão por marcações que dividem a opinião de todos? Inúmeras. Mas nunca ouvimos manifestações como a de hoje contra essas acusações quase sempre levianas.
Infelizmente, um dia que poderia ter ficado marcado como o início de um movimento contestador dos profissionais da arbitragem – que poderia até desembocar na profissionalização da classe – tornou-se apenas o dia em que uma nota equivocada deflagrou mais uma “polêmica da semana”. Lamentável.   
Crédito da Imagem: R7   

domingo, 10 de abril de 2011

Falcão não é o ideal.

Poucas coisas simbolizam tão bem o amadorismo de nossa cartolagem quanto a política demissionária que caracteriza o futebol brasileiro. A frequente troca de técnicos não só impede a realização de trabalhos visando o médio/longo prazo, como dá mostras que a diretoria não sabia o que procurava quando contratou determinado profissional.
No entanto, a demissão de Celso Roth do Internacional era algo não só inevitável como deveria ter acontecido logo após o Mundial de Clubes. Não havia mais clima para a permanência de Roth após a derrota para o Mazembe. A decisão de manter o técnico depois de um fracasso tão retumbante só serviu para prolongar o trauma da queda diante dos africanos. Naquele momento, o melhor era demitir o técnico, “zerar a contagem” e começar tudo de novo com outro profissional, preferencialmente, de outra mentalidade.
O problema é que Paulo Roberto Falcão não parece ser esse nome. Longe da função há mais de quinze anos e sem nenhum resultado relevante na carreira, considerá-lo para o cargo neste momento é mais ou menos o que o Flamengo fazia quando tentava Júnior no comando técnico do time principal.
Para ser justo, é preciso dizer que Falcão não teve grandes chances para mostrar seu trabalho. Na Seleção, foi incumbido da missão de reformular o grupo de 1990 sem utilizar jogadores “renegados” que atuavam no exterior. No Inter, pegou uma das piores fases do Colorado e o Japão ainda engatinhava no futebol.
A questão aqui é que o Inter não é um time para apostas. Trata-se de uma das maiores forças do futebol brasileiro, estabelecido num patamar em que não deveria haver margens para experiências. Qualquer equívoco na escolha de seu novo treinador pode significar uma temporada perdida. Um luxo que o atual campeão continental não deveria se dar.
Crédito da Imagem: Edu Rickes / Globoesporte.com

segunda-feira, 21 de março de 2011

Do passado para o futuro.

Rubens Minelli era um visionário. Na década de 1970, logo após o Brasil se tornar tricampeão mundial com um time baseado na técnica e na organização tática dos talentos, percebeu que o próximo passo evolutivo do futebol estava na marcação e na forte preparação física. Além disso, entre jogadores de nível técnico similar, costumava escolher o de maior estatura. O resultado dessa filosofia foi a conquista dos títulos brasileiros de 1975 e 1976 pelo Internacional, e do nacional de 1977 pelo São Paulo.
O tempo passou e hoje não são poucos os treinadores que se espelham em Minelli. Fã declarado, Muricy Ramalho frequentemente se refere ao treinador paulistano como o modelo que segue. Prático e trabalhador, Muricy sabe que para se dar bem no Brasil é preciso vencer sempre. Pouco importa a maneira, pois não há tempo para implantar qualquer filosofia que demande tempo. Mal comparando, é um Capello brasileiro. Ou seja, jogar bem é algo secundário.
Não por acaso, o agora ex-técnico do Fluminense disputou os últimos seis títulos nacionais, conquistando quatro deles. Por outro lado, o desempenho de seus times na Libertadores da América nunca é o mesmo, o que costumeiramente é interpretado como sendo resultado da dificuldade de Muricy em fazer seus comandados praticarem o desejado futebol organizado e de pegada no início de cada temporada. É só no decorrer do ano, com mais tempo para trabalhar, que seus times começam a engrenar.   
É exatamente pelos motivos acima citados que eu temia por sua ida à Seleção Brasileira. Se a maior parte das críticas a Dunga recaia sobre a maneira como o tetracampeão armava sua equipe e a outra parte sobre seu estilo rude, então havia pouco o que justificasse os pedidos por Muricy. Diferente dos clubes, é quase uma obrigação que o Brasil não só vença como jogue bem. Nesse aspecto, Mano Menezes era mesmo o nome mais indicado.
Curiosamente, essa circunstância é revivida agora no Santos. Em busca do futebol que encantou o País no primeiro semestre de 2010, a diretoria santista pensa em Muricy como o nome capaz de resgatar aquele jogo alegre e ofensivo. Ledo engano. Se a ideia fosse consertar a defesa instável do alvinegro, faria mais sentido. Muricy não se importaria em alterar o sistema tático para o anacrônico 3-5-2 se achasse que isso resolveria o problema da defesa. Mesmo que isso signifique sacrificar o criativo meio-campo do time. Agora, se o pensamento é resgatar o “DNA ofensivo” do Santos, trazer Muricy é perda de tempo. Não trará ofensividade, nem tentará favorecer o futebol espetáculo.
Mesmo sendo um vencedor como Rubens Minelli, Muricy não é um visionário como o seu mentor. Se o futebol da década de 1970 carecia de marcação e preparação física, o de hoje precisa de mais técnica, uma vez que em termos de preparação tudo se nivelou. A seleção da Espanha e o Barcelona mostram que é perfeitamente possível aliar marcação forte com técnica, posse de bola e fantasia. Itens desprezados por muitos treinadores brasileiros da atualidade, mas que pode muito bem ser a chave para o futuro do esporte.
Crédito da Imagem: Gazeta do Norte

domingo, 13 de março de 2011

Comparações.

A maior parte de nossas reflexões se baseia em comparações. Se hoje está quente ou frio, se alguém é mais alto, se uma distância é longa demais. Para isso, é comum o estabelecimento de parâmetros que se tornam elementos fundamentais no raciocínio comparativo.  
No futebol não é diferente. Sempre fazendo uso de comparações, estabelecemos nossos próprios conceitos acerca do velho esporte bretão. E a comparação entre jogadores e times são as mais comuns. Quando Ronaldo anunciou que estava pendurando as chuteiras, logo vieram as comparações com Romário e Zico na tentativa de estabelecer o Fenômeno como o melhor brasileiro desde Pelé. Se o assunto é o fantástico Barcelona, logo surgem as comparações com grandes times da história como o Real Madrid de Di Stéfano, o Milan de Sacchi ou o Santos de Pelé.
Porém, poucas comparações encontram tanta discordância quanto a avaliação do poderio do futebol brasileiro no cenário mundial. Obviamente, os extremos desse debate se encontram nos argumentos dos chamados “brasileirinhos” e “estrangeirinhos”, duas classes que foram tema de um post há alguns dias.
Para este blogueiro, a maior razão para opiniões tão distintas se encontra no pequeno campo de observações que dispomos neste momento. Graças, sobretudo ao nosso calendário, são raras as partidas envolvendo clubes brasileiros e europeus. Inclusive, uma das pouquíssimas chances de vermos esses embates é exatamente na final do Mundial Interclubes, algo que não ocorre com tanta frequência.
Nessas poucas ocasiões, não se viu o baile europeu que muitos costumam prever e muito menos um show de talento brasuca como crêem os ufanistas. No entanto, é possível dizer que a diferença de poderio econômico fica evidente quando as escalações das equipes se sobrepõem. Diferença ainda mais acentuada após a Lei Bosman, quando as estrelas do futebol mundial passaram a se concentrar cada vez mais em um número cada vez menor de equipes. 
Partindo desse cenário, é comum ouvirmos opiniões que, em sua maioria, se baseiam em atuações individuais dos mesmos jogadores nos dois continentes e no status internacional de cada um deles. Pouco, muito pouco para se tirar conclusões. E, curiosamente, nota-se que muitas vezes os argumentos levam em consideração apenas os fatos que reforçam as teses de cada lado.
Um exemplo disso se deu com o retorno de Ronaldo ao Brasil após o término de seu compromisso com o Milan. Mesmo muito acima do peso ideal de um futebolista, o Fenômeno conseguiu ser decisivo para o Corinthians em diversas oportunidades como nas finais do Paulistão 2009 e da Copa do Brasil do mesmo ano. Pronto. Esse era o argumento definitivo para medir o futebol nacional. O fato de Ronaldo ser um gênio contava pouco diante do “irrefutável” argumento de que um jogador muito acima do peso era importante aqui. Só não explicam como um Rivaldo magro e sem lesões não decidiu no Cruzeiro em 2004 e por que um disciplinado Ronaldinho não desequilibra no Flamengo como se esperava.
Do mesmo modo, o futebol razoável apresentado pelo Sporting Braga nas competições europeias também vem sendo usado como uma amostra de que até um time composto por jogadores brasileiros de terceira linha pode fazer algum barulho. No mesmo raciocínio, o Shakhtar Donetsk e sua trupe de jovens e talentosos brasileiros são usados como indicativo de que um bom time brasileiro pode fazer sucesso na UEFA Champions League.     
Na realidade não faltam exemplos de todos os tipos. Desde os atletas que atuavam em alto nível no Brasil e mantiveram a qualidade na Europa, assim como destaques nacionais que fracassaram no exterior. E o mesmo se aplica àqueles que regressam a sua terra natal. Muitos deles jogam bem e se tornam peças relevantes em seus times enquanto outros mostram que não tem muito a contribuir. Cada caso precisa ser analisado individualmente e não são suficientes para se basear uma conclusão. Embora, para muitas pessoas, esses exemplos funcionam como a ciência mais exata, desde que, claro, confirmem o que elas julgam ser a verdade.        
Crédito da Imagem: Globoesporte.com

segunda-feira, 7 de março de 2011

Top 10.

Infelizmente, restam na internet brasileira poucos espaços onde ainda é possível debater sobre futebol internacional sem sofrer agressões de toda ordem por pessoas que não são capazes de respeitar aqueles que pensam de maneira diferente.
Generalizando um pouco, é possível separar essas pessoas em dois grupos: Os brasileirinhos, ufanistas incapazes de enxergar qualidade em quem não é brasileiro, e os estrangeirinhos ou “pseudos”, corrente que surgiu para combater os pachecos, mas que acabou se transformando no outro extremo do pensamento.
Para identificá-los melhor, decidi dividir o Top 10 em dois e explicar em tópicos o comportamento de cada segmento...
Cinco dicas para se identificar um “brasileirinho”.
1 – Um brasileiro nunca pode fracassar na Europa por sua própria culpa. Será sempre por causa do técnico “que não gosta de brasileiros”, “saudade do feijão”, do frio, etc.;
2 – No melhor estilo Galvão Bueno, defende que, em Copas, o Brasil só perde para ele mesmo, independente se do outro lado estava uma grande seleção;
3 – Um brasileiro nunca deve se adaptar ao esquema de jogo do seu time, o time é que precisa se preparar para aproveitar melhor o talento brazuca;  
4 – O Brasileirão é o campeonato mais difícil do mundo, o mais disputado e equilibrado. Afinal, temos mais de uma dezena de times grandes e é daqui que saem os melhores jogadores do mundo;
5 – Europeus são, por natureza, pernas-de-pau e cintura-dura. Se em último caso o gringo for habilidoso, é porque parece brasileiro.  
Cinco dicas para se identificar um “estrangeirinho”.
1 – Se um brasileiro fracassar na Europa será sempre por sua própria incompetência. Se um europeu fracassar noutro país (como Bergkamp na Inter e Hagi no Real Madrid e Barcelona) a razão sempre será outra;
2 – Robinho é o alvo preferido. O fato de nunca ter se confirmado craque é festejado como um troféu;
3 – Apesar dos cinco títulos mundiais e do grande número de craques que produziu, a Seleção Brasileira será frequentemente redimensionada, sendo, no máximo, no mesmo nível das outras grandes;
4 – A torcida por outros selecionados é outro sintoma. Não precisa haver identificação por ser descendente ou algo assim. Porém, se essa seleção perde em alguma competição não há tristeza. O negócio é torcer contra o Brasil;
5 – O futebol brasileiro não pode ser melhor em nenhum aspecto. Vibração da torcida, medicina esportiva, prazer em jogar pela Seleção, nada disso é levado em conta. Até a arbitragem inglesa que permite entradas criminosas é celebrada. “Deixa o jogo correr”, dizem.
E então, leitor, conhece muitos torcedores que se encaixam nas descrições acima?
Crédito da imagem: UEFA

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Medo, inveja e outras babaquices.

Antes e após o anúncio de despedida de Ronaldo, sobraram comparações entre o Fenômeno e outros atletas. Tostão, um dos raros ex-jogadores brasileiros que não vivem de passado, reconheceu, embora esteja ciente de que foi bom, que o atacante foi melhor do que ele. Ex-companheiro de clube e amigo de Ronaldo, Zidane apontou-o como o melhor de sua geração. E, há alguns meses, quando perguntado pela revista Placar se o centroavante foi superior a ele, Zico confirmou que sim, sem nenhum tipo de constrangimento.
Mesmo havendo alguma dose de modéstia nos comentários acima, esses exemplos devem ser guardados por serem raros nesse meio. Geralmente, o que mais acontece é cada um exaltando os próprios feitos e, se possível, diminuindo os feitos alheios. A eterna guerra entre Pelé e Maradona talvez seja a maior prova disso. Pura briga de egos que acabou resultando numa inimizade desnecessária.
Romário é outro que não costuma elogiar ninguém. Sempre que pode, afirma que foi superior a Ronaldo e complementa dizendo que a única característica em que perdia era a força física. Quando o assunto é Zico, o Baixinho confirma que o Galinho foi o melhor que ele viu jogar... em clubes. O bom entendedor sabe que se trata de uma cutucada no ex-desafeto pelas derrotas em Mundiais.
Na última semana, quando perguntado pelo jornal Lance! se o Barcelona atual era mais time do que aquele que defendeu, o mesmo Romário preferiu não dar o braço a torcer e respondeu que cada um foi o melhor de seu tempo. Para completar, disse que Messi está longe de ser o fenômeno que a imprensa diz ser, mas é o melhor entre os que estão por aí. E que ainda falta ao argentino ganhar uma Copa antes de ser tão reverenciado como vem sendo.
Logicamente, todos têm direito a sua própria opinião, mas é impossível ler esse tipo de declaração de Romário sem notar uma ponta de ciúme ou, quem sabe, desdém. Quem acompanha a trajetória de Messi percebe que o argentino é muito melhor do que o brasileiro dá a entender. Talvez melhor até do que o ex-atacante foi. Afinal, Messi é tão genial quanto e ainda é um milhão de vezes mais participativo. Falta uma Copa do Mundo no currículo, porém, o hermano ainda é jovem o suficiente para tentar o título mais algumas vezes. Além disso, quem disse que a Copa é tudo?
Gérson, o Canhotinha de Ouro, e Rivellino são outros que não perdem a chance de criticar o futebol contemporâneo. No auge de Ronaldo, Gérson declarou que o Fenômeno não engraxaria a chuteira de treino do também atacante Reinaldo, ídolo e goleador do Atlético Mineiro nos anos 70 e 80. Convenhamos, há muito exagero nessa observação.
Acredito que esse tipo de comportamento dos ex-jogadores acontece por três fatores: Medo, inveja e babaquice. Medo de ser esquecido ou de que o surgimento de jogadores melhores possa deixá-los no ostracismo. Assim, alimentar uma suposta superioridade do futebol do passado é uma forma de manter eternamente a idolatria que os cerca. Inveja, por saber que a maioria dos atletas de hoje são muito mais bem remunerados do que eles eram, mesmo quando não são tão bons. E, por fim, babaquice, por se recusar a reconhecer o mérito alheio mesmo quando este é evidente.
Salvo raras exceções, o ser humano evita dizer ou fazer qualquer coisa que supostamente enfraqueça sua própria imagem. Jogador de futebol então é um narcisista nato. Saber que as pessoas admiram outros mais do que lhe admiraram costuma ser um golpe duro no ego. E se o bolso desse novo ídolo estiver mais recheado que o seu, a reação é ainda pior. Como costuma dizer Tostão, “as pessoas não são especiais, suas obras é que são”. Não poderia estar mais de acordo.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Top 10.

Dez perguntas para o futebol brasileiro em 2011.
Mais uma temporada de nosso futebol se inicia e com ela as infindáveis interrogações de sempre. Já que não é possível colocar todas neste espaço, separei as dez que julgo mais relevantes. Confira abaixo e sinta-se convidado a respondê-las...
10ª – Como será o último ano de Ronaldo no futebol? O Fenômeno já garantiu que encerra a carreira neste ano. Haverá fôlego para um último ato digno de sua história?
[Atualização: Fontes ligadas ao jogador dão conta de que ele pode encerrar a carreira nesta segunda-feira.]
9ª – Que Vasco veremos neste ano? Após um início preocupante, o Vasco já apresentou melhoras. Mas será o suficiente para impedir um trágico segundo rebaixamento?
8ª – Após a maior decepção de sua história, o Internacional conseguirá reagir? Depois da amarga derrota para o Mazembe, o Colorado precisa exorcizar seus fantasmas e buscar o tricampeonato continental e mais um título brasileiro.
7ª – O que esperar dos grandes nomes repatriados? Ronaldinho, Rivaldo, Liédson, Elano e outros voltaram ao Brasil para mostrar que ainda têm lenha para queimar. Em quem você aposta?
6ª – Depois de seguidos fracassos, o Corinthians vai se reerguer em 2011? Em seu turbulento centenário, o Timão foi eliminado da Libertadores por um desarrumado Flamengo e ainda deixou o título brasileiro escapar. Para piorar, só neste início de ano, foi eliminado na fase preliminar da competição continental, entrou em guerra com sua torcida e ainda viu o lateral Roberto Carlos deixar o clube pela porta dos fundos.  
5ª – O Santos encantará novamente? Com Elano, Ganso e Neymar, o alvinegro praiano pode reeditar o timaço que encantou o Brasil em 2010. No entanto, será difícil resistir ao assédio europeu na próxima janela de transferências.
4ª – A Copa Libertadores terá novamente um campeão brasileiro? Com Internacional, Cruzeiro, Santos, Fluminense e Grêmio, o futebol brasileiro estará bem representado nos gramados sul-americanos. Vem mais um título por aí?   
3ª – Os atrasos nas obras para a Copa 2014 vão continuar? Até o momento, quase tudo o que se lê sobre a Copa se refere a aumento de gastos e atrasos nas obras. Alguns estádios mal saíram do papel. Em 2011 a tônica também será essa?
2ª – O Rio de Janeiro conseguirá estabelecer uma hegemonia? Flamengo em 2009 e Fluminense em 2010 interromperam uma sequência de cinco títulos consecutivos do futebol paulista. Estará surgindo uma nova hegemonia no futebol brasileiro?
1ª – Mano Menezes se mostrará um técnico à altura da Seleção Brasileira? Após um início promissor, a Seleção Brasileira sofreu duas derrotas seguidas para Argentina e França. E no meio do ano tem Copa América justamente na casa dos hermanos. Mano Menezes será capaz de ultrapassar essa barreira?
Crédito da Imagem: Luiz Fernando/FolhaPress

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Impacto nem tão profundo.

É costume dizer que a abertura do mercado internacional de transferências na virada do ano não causa o mesmo dano ao cenário futebolístico brasileiro que a janela do meio do ano. Inclusive, este é um dos maiores argumentos dos que defendem a inversão de nosso calendário, igualando-o ao europeu.
Tentando responder a essa pergunta, este blogueiro selecionou apenas as transferências internacionais dos vinte clubes da primeira divisão e especulou quais agremiações saíram ganhando, perdendo ou ficaram na mesma. O resultado, você confere abaixo:
Saíram ganhando:
Avaí
Saíram: Rudnei (volante - Ventforet Kofu/JAP);
Chegaram: George Lucas (Lateral – Braga/POR), Estrada (Meio-campo – Milionarios/COL).
Botafogo
Saíram: Lúcio Flávio (Meio-campo – Atlas/MEX);
Chegaram: Everton (Meio-campo – Tigres/MEX), Arévalo (Volante – Peñarol/URU).
Cruzeiro
Saíram: Ninguém. 
Chegaram: André Dias (Atacante – Al Wasl/EAU), Ortigoza (Atacante – Ulsan Hyundai/RCO) e Victorino (Zagueiro - Universidad do Chile/CHI). 
Flamengo
Saíram: Cristian Borja (Atacante – Estrela Vermelha/SER),
Chegaram: Ronaldinho (Atacante – Milan/ITA), Thiago Neves (Meio-campo – Al-Hilal/ARA), Darío Botinelli (Meio-campo – Universidad Católica/CHI) e Felipe (Goleiro – Sporting Braga/POR).
Fluminense
Saíram: Ezequiel González (Meio-campo – LDU/EQU), Wellington Silva* (Atacante – Levante/ESP);
Chegaram: Araújo (Atacante – Al Gharafa/QAT), Diego Cavalieri (Goleiro – Cesena/ITA).
Santos**
Saíram: Roberto Brum (Volante – Alki Larnaca/CHP),
Chegaram: Diogo (Atacante – Olympiakos/GRE), Elano (Meio-campo – Galatasaray/TUR), Charles (Volante – Lokomotiv Moscou/RUS).


Ficaram na mesma:

Corinthians
Saíram: Elias (Volante – Atlético de Madrid/ESP), Bobadilla (Goleiro – Olímpia/PAR), Defederico (Meio-campo – Independiente/ARG);
Chegaram: Luis Ramírez (Meio-campo – Universitario/PER) e Liédson (Atacante - Sporting/POR). 
Internacional
Saíram: Giuliano (Meio-campo – Dnipro Dnipropetrovsk/UCR);
Chegaram: Cavenaghi (Atacante – Bordeaux/FRA).
Vasco
Saíram: Rodrigo Pimpão (Atacante – Cerezo Osaka/JAP);
Chegaram: Eduardo Costa (Volante – Mônaco/FRA).
América-MG, Atlético-GO, Bahia, Coritiba e Palmeiras* não negociaram jogadores com clubes do exterior nesta janela.

Saíram perdendo:
Atlético-MG
Saíram: Jairo Campos (Zagueiro – Deportivo Quito/EQU), Obina (Atacante – Shandong Luneng/China);
Chegaram: Mancini (Ala/atacante – Internazionale/ITA).
Atlético-PR
Saíram: Neto (Goleiro – Fiorentina/ITA), Olberdam (Volante – Marítimo/POR);
Chegaram: Lucas (Atacante – Gamba Osaka/JAP).
Ceará
Saíram: Reina (Meio-campo – Chunnam Dragons/RCO); 
Chegaram: Ninguém.
Figueirense
Saíram: Roberto Firmino (Meio-campo – Hoffenheim/ALE); 
Chegaram: Ninguém.
Grêmio
Saíram: Jonas (Atacante – Valencia/ESP), Ozéia (Zagueiro – Paços de Ferreira/POR);
Chegaram: Ninguém.
São Paulo**
Saíram: Jorge Wágner (Meio-campo – Kashiwa Reysol/JAP), Ricardo Oliveira (Atacante – Al Jazira/EAU),
Chegaram: Juninho (Meio-campo – Los Angeles Galaxy/EUA), Leonardo (Zagueiro – Los Angeles Galaxy/EUA).
Claro que se trata de uma avaliação subjetiva e ainda incompleta, uma vez que só a Europa encerrou seu período de contratações, mas, em minha opinião, o impacto negativo desta janela é relativamente pequeno. Observando o cenário como um todo, é impossível dizer que há certo equilíbrio entre as saídas e as chegadas de atletas.
Em meados de 2011 esse levantamento será refeito para calcular os danos da próxima abertura do mercado, tradicionalmente mais agressiva. No fim, teremos uma visão mais abrangente do que o vai-e-vem do mercado é capaz de causar a nossa divisão de elite.
Fonte: Globoesporte.com
Créditos da imagens: AFP (Ronaldinho), EFE (Jonas).
* Nota: O atacante Wellington Silva, ex-Fluminense, já estava negociado com o Arsenal, mas esteve à disposição do técnico Muricy Ramalho durante boa parte do Brasileirão. Agora, deixa definitivamente o Brasil para se juntar ao Levante.
** Nota: Os zagueiros Danilo (Palmeiras) e Miranda (São Paulo) e o atacante Zé Eduardo (Santos) já acertaram suas transferências para a Udinese, Atlético de Madrid e Genoa, mas ainda não figuram na lista de saídas, pois só se integrarão aos seus novos clubes na próxima temporada.