Sempre após as competições, surgem as famosas seleções do campeonato. Normalmente, esses selecionados geram discussões acaloradas, onde um ou mais jogadores invariavelmente são injustiçados.
Como bom louco por futebol, costumo escalar mentalmente as mais diversas e estranhas seleções. Da melhor à pior. Aliás, esse é um bom passa-tempo para esperar o sono chegar.
Algumas delas faço questão de divulgar. Talvez rendam um bom debate ou boas risadas...
Amálgamas.
Continuando a série de desafios propostos pelo Thomas Carvalho, chegou a hora de escalar as seleções de todos os tempos compostas por dois diferentes selecionados.
Brasil – Argentina (por Michel Costa)
Ubaldo Fillol; Carlos Alberto Torres, Domingos da Guia, Daniel Passarella e Nilton Santos; Paulo Roberto Falcão e Didi; Mané Garrincha, Pelé e Diego Maradona; Alfredo Di Stéfano.
Não foi fácil listar meu onze ideal de Brasil e Argentina. O que não falta na história futebolística destas nações rivais é qualidade. No gol, Fillol, considerado por muitos o melhor arqueiro sul-americano do século XX, desbancou Gilmar, Carrizo e Taffarel. Na lateral direita, Carlos Alberto foi o escolhido quando comparado a Djalma Santos e Leandro. Na esquerda, apesar de muitos considerarem Roberto Carlos o melhor de todos os tempos, ainda prefiro a Enciclopédia Nilton Santos. No centro da defesa, Domingos da Guia e Passarella ficam com as honras. No meio, Redondo e Gérson entraram na pré-lista, mas o jogo moderno de Falcão e a elegância do Príncipe Etíope Didi, o melhor da Copa de 1958, não me permitiu outras escolhas. Mais adiante, um quarteto ofensivo de arrepiar: Garrincha, Pelé, Maradona e Di Stéfano juntos são covardia. França – Inglaterra (por Thomas Carvalho)
Gordon Banks; Thuram, Bobby Moore, Marcel Desailly; Jean Tigana, Michel Platini, Zinedine Zidane; Stanley Matthews, Bobby Charlton, Just Fontaine e Tom Finney.

Eis uma seleção forte na defesa, no meio e no ataque. No gol, Gordon Banks, um dos maiores arqueiros da história do futebol mundial. A defesa é formada por três jogadores "World Class": Thuram, tão eficiente na lateral-direita como na defesa central, Bobby Moore, um dos mais festejados zagueiros de todos os tempos, ao lado de Beckenbauer e Baresi, e Marcel Desailly, que tem qualidade para atuar pode tanto como zagueiro quanto como volante. O meio-campista defensivo não poderia ser outro senão Jean Tigana, o qual formou ao lado de Fernandez, Giresse e Platini o verdadeiro "Le Carré Magique" na década de 80. Por óbvio, Platini e Zidane, dois gênios do futebol, compõem o meio campo do selecionado em tela, auxiliados pelos excelentes pontas ingleses Stanley Matthews e Tom Finney. No ataque, Sir Bobby Charlton, ídolo dos Red Devis e da seleção inglesa campeã mundial em 1966. Na função de Striker, o matador galês Just Fontaine, autor de 13 gols numa única edição de Copa do Mundo (1958).
Espanha – Portugal (por Thomas Carvalho)
Ricardo Zamora; Fernando Hierro, Jacinto Quincoces, Jose Camacho; Xavi Hernandez, Mario Coluna e Luis Soares Miramontes; Luís Figo, Telmo Zarra, Eusébio e Francisco Gento.Que me perdoem os fãs de Casillas, mas a baliza do selecionado Espanha/Portugal pertence a Ricardo Zamora. "El Divino" é tido como um dos melhores goleiros do mundo no período anterior à II Guerra Mundial. Era famoso por usar uma camisa pólo branca e um jaquetão durante os jogos: segundo ele, para se proteger do sol e dos adversários. E não poderia ser diferente, vez que Zamora era um jogador corajoso, não fugia das divididas. A defesa é um setor delicado tanto para espanhóis quanto para portugueses. São poucas as opções, de modo que não há como fugir dos nomes de sempre: Fernando Hierro, tido como o melhor defensor espanhol de todos os tempos; Jacinto Quincoces, tido como o melhor zagueiro do mundo durante o período pré-Guerra e um dos pilares do Real Madrid e da Espanha nos anos 30; e Jose Camacho, capitão do Real Madrid e da Espanha durante os anos 80, o qual podia atuar tanto como lateral-esquerdo quanto como zagueiro. No meio, 5 jogadores: o volante Xavi Hernandez, do Barcelona, o português Mario Coluna, "O Monstro Sagrado", importantíssimo na década de 60 para o Benfica e na grande campanha portuguesa na Copa do Mundo de 1966, e o espanhol Luís Soares Miramontes, "O Arquiteto". Nas pontas, Luís Figo e Francisco Gento. O ataque, como não poderia deixar de ser, ficou à cargo do espanhol Telmo Zarra e do português Eusébio (menção honrosa para o também português Fernando Peyroteo, um dos maiores STRIKERS de todos os tempos, mas que, infelizmente, não pode concorrer com Eusébio). Só lembrando que jogadores míticos como José Santamaria, Alfredo Di Stefano, Puskas, apesar de terem jogado pela Espanha, não são espanhóis natos, razão pela qual não o escalei na seleção Espanha/Portugal.
Alemanha – Itália (por Thomas Carvalho)
Dino Zoff; Berti Vogts, Franz Beckenbauer, Franco Baresi e Paolo Maldini; Lothar Matthaus, Bruno Conti e Gianni Rivera; Roberto Baggio, Karl-Heinz Rummenigge e Gerd Muller.
Uma seleção difícil de montar, haja vista a quantidade e a qualidade de jogadores disponíveis. As dificuldades se fazem presente já na escolha do goleiro, entre Dino Zoff, Gianluigi Buffon e Sepp Maier. Optei por Zoff, considerado por muitos o segundo melhor goleiro da história, atrás apenas de Lev Yashin. Na defesa, mais dificuldades: afinal, como deixar de fora jogadores como Giacinto Facchetti, Gaetano Scirea e Karl-Heinz Schnellinger? Isso para não falarmos de Alessandro Nesta, Fábio Cannavaro, Jürgen Kohler e Andreas Brehme, entre outros. Mas alguém tinha que ficar de fora e eu não consigo imaginar uma defesa Alemanha - Itália sem Vogts, Beckenbauer, Baresi e Maldini. Meio de campo, mais dificuldades. Matthaus ou Breitner? E Marco Tardelli, o maior volante italiano já visto? Infelizmente, não havia espaço para os três, e Matthaus ficou com a vaga, em virtude da sua polivalência. Bruno Conti e Gianni Rivera me pareceram escolhas óbvias para as posições de meio-campistas ofensivos. No ataque, três monstros sagrados do futebol: Roberto Baggio, a nêmesis de Romário, "un vero fantasista", que deixou para trás ninguém menos do que Giuseppe Meazza; Karl-Heinz Rummenigge, um dos mais completos jogadores de futebol que o mundo já viu, sobre o qual recaiu minha escolha, ao invés de Fritz Walter. E o "Striker" da nossa seleção não poderia ser outro: Gerd Muller! Apesar da baixa estatura (1m76cm), "Der Bomber" era um pesadelo para as defesas adversárias, com seus potentes chutes de curta distância, excelente impulsão e jogo aéreo. Devido à sua baixa estatura, tinha um centro de gravidade incomum, que o permitia atuar com velocidade e sem perder o equilíbrio em espaços onde outros jogadores não podiam. Durante 7 temporadas, manteve uma média superior a um gol por partida. Que me perdoem Uwe Seeler e Luigi Riva, mas a vaga tinha que ser de Gerd Muller!
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