É oficial: O Santos abriu mão da compra dos 10% dos direitos econômicos do meia Paulo Henrique Ganso que pertenciam ao atleta e permanece detentor de apenas 45% do total. Agora, a empresa DIS se tornou parte majoritária (55%) numa futura negociação do jogador do Santos, embora isso não signifique que uma possível transação acontecerá em breve, uma vez que os direitos federativos ainda são do campeão sul-americano.
De fato, não é surpresa a falta de interesse do clube da Baixada em adquirir um percentual maior de Ganso. Além de problemático, o jogador não tem propostas reais da Europa e passou boa parte dos últimos 18 meses no departamento médico. Mesmo assim, o presidente Luis Alvaro Ribeiro segue afirmando que não pretende negociá-lo e conta com seu futebol até fevereiro de 2015, mês que marca o término de seu contrato.
Tratado como “ave rara” no Brasil, Ganso é um dos últimos representantes dos quase extintos meias clássicos, tipo de jogador que ainda faz os olhos brilharem por aqui. O porte esguio, o passe refinado e a visão de jogo remetem aos antigos armadores que eram marca registrada das equipes do passado. Em forma, o camisa 10 seria o maestro da Seleção Brasileira na Copa de 2014. Para os saudosistas, não existe coisa melhor.
Particularmente, não o vejo assim. Até me surpreendo quando ouço alguém dizendo que ele é melhor do que Neymar. Lógico que Ganso é um bom jogador, extremamente técnico e inteligente com a bola nos pés, mas não é muito mais do que isso. Falta-lhe intensidade sem a bola e profundidade para chegar ao ataque com mais contundência. Atento a isso, o técnico Muricy Ramalho disse que vem orientando o meia a se aproximar mais da área, bater mais a gol, porém, ainda falta muito para que ele se torne o que muitos imaginam que ele já é.
Mal comparando, Ganso me lembra o argentino Riquelme que fracassou no Barcelona por necessitar de um esquema tático que lhe desse toda a liberdade para criar sem precisar marcar. Um tipo de luxo que nenhum grande clube pretende oferecer. Não por acaso, enquanto Real Madrid e Barcelona oferecem mundos e fundos ao habilidoso e goleador Neymar, as propostas de Milan, Inter e PSG por Ganso nunca se concretizaram.
O pouco interesse do mercado internacional se deve, sobretudo, a seu estilo anacrônico. Enquanto meias como Xavi e Iniesta são extremamente dinâmicos, o paraense é daqueles que acredita que um craque não precisa correr atrás de ninguém. Com essa convicção, não passou de um espectador na final do Mundial de Clubes contra o Barça. Ali, deve ter visto como os meio-campistas modernos devem atuar. Humilde, Neymar disse que aprendeu suas lições. Será que Ganso fez o mesmo?
Foto: Miguel Schincariol/Lancenet





















