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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Não há o que comemorar.

Salvo por torcedores alienados e os oportunistas de sempre, não restam mais dúvidas de que Ricardo Teixeira é um mal para o futebol brasileiro. Envolvido em inúmeras denúncias e, supostamente, com problemas de saúde, o presidente da CBF vem dando sinais de que pode deixar a entidade e se mudar para os Estados Unidos. Mesmo que tal hipótese seja oficialmente negada, tudo indica que alguma coisa está prestes a acontecer.
Ainda nesta semana, Bebeto foi confirmado como membro do COL.
Curiosamente, essa possibilidade está sendo vista como uma grande vitória da justiça e das pessoas de bem. Ok, é sempre positivo quando percebemos que nem tudo fica impune no Brasil. Talvez a simples ideia de não termos mais que conviver com a figura de Teixeira nos noticiários seja um alívio. Todavia, não há nada que mostre uma melhora no cenário futebolístico brasileiro em virtude desse possível afastamento.
Senão, vejamos: José Maria Marin, o primeiro na linha sucessória da CBF, é simplesmente o dirigente que embolsou uma medalha na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Mais simbólico impossível. Se houvesse uma eleição, o principal candidato provavelmente seria Andrés Sanches, ex-presidente do Corinthians e um dos maiores aliados de Teixeira. Além disso, todos os outros nomes especulados fazem parte da mesma estrutura, do mesmo esquema. Portanto, simplesmente não há o que comemorarmos diante da saída do ex-genro de João Havelange. Deste modo, é melhor guardarmos os fogos para o dia em que a desratização do esporte for mais ampla. Se é que veremos esse dia chegar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Pontos e Vírgulas.

Coluna destinada a comentar as opiniões emitidas pelo órgão responsável pela chegada de informações ao público aficionado por futebol: a imprensa esportiva. Afinal, bem ou mal, é através dela que tomamos conhecimento de (quase) tudo o que cerca o mundo da bola.
“Não se faz Copa do Mundo com hospital”
Não resta dúvida de que a frase dita por Ronaldo foi infeliz. Num país carente de um sistema de saúde mais digno, a colocação do ex-jogador soou fria e mal calculada. Novo homem forte do Comitê Organizador Local da Copa de 2014, o Fenômeno tentou justificar os gastos com o Mundial dizendo que é possível investir em várias frentes:
"Acho que se gasta em tudo. Está sendo gasto também muito dinheiro em saúde, segurança, mas vamos receber uma Copa. Sem estádio não se faz Copa. Não se faz Copa do Mundo com hospital. Tem que ver o que você quer, o que é melhor. Não faço parte do governo. Só tenho certeza que vou fazer o melhor para termos a melhor Copa do Mundo."
Agora, lendo a declaração completa, a única coisa que fica óbvia é que ela foi descontextualizada por uma parcela da imprensa que se posta incondicionalmente contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Do jeito que foi usada, fizeram parecer que Ronaldo desdenhou da importância de hospitais para o País, quando claramente o que ele quis dizer é que para se organizar uma Copa, o Brasil precisar erguer ou reformar seus estádios. E isso é verdade.
É importante dizer que não discuto aqui os gastos absurdos com reformas e construções de novas arenas e os prováveis desvios de recursos. Tudo isso pode e deve ser fiscalizado pelos órgãos públicos e também pela sociedade. Porém, descontextualizar uma frase com o intuito de colocar lenha mais na fogueira e instigar a revolta das pessoas não passa de desonestidade intelectual, algo que só serve para empobrecer o debate.
Crédito da imagem: AFP