Coluna destinada a comentar as
opiniões emitidas pelo órgão responsável pela chegada de informações ao público
aficionado por futebol: a imprensa esportiva. Afinal, bem ou mal, é através
dela que tomamos conhecimento de (quase) tudo o que cerca o mundo da bola.
A coisa mais importante
dentre as menos importantes
O
assunto da semana na imprensa esportiva brasileira não nasceu dentro de campo. A demissão do jornalista Flávio Gomes doscanais ESPN após ofensas – em
tom de brincadeira – ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e à sua torcida
dominou os debates nas redes sociais durante os últimos dias e reabriu a
discussão sobre jornalistas que declaram sua paixão por um time. No caso de
Flávio, a Portuguesa, que teria sido prejudicada por erros de arbitragem na partida
em que foi derrotada pelo tricolor gaúcho pelo placar de 3 a 2 no último dia 7.
Como
já colocado neste blog há algum tempo, jornalista esportivo não é “filho de
chocadeira”. Todos têm seu clube de coração e conviver com isso dentro da
profissão que abraçaram é algo mais do que comum no meio. O problema está no modo
como externam esse sentimento. No mundo ideal, que talvez nem exista, um
jornalista consegue separar seu lado torcedor do seu lado profissional na
medida certa. Não protege seu time quando precisa criticá-lo e nem pesa demais
a mão só para mostrar isenção. Na prática, é a velha busca pelo equilíbrio que
os técnicos tanto gostam de arvorar.
Dizer
que a opção pela demissão segue a tendência do politicamente correto que domina
o mundo não é exagero. Contudo, respeitando
o direito de Flávio Gomes de pensar diferente, existem limites. Em seus tweets, o jornalista atacou a história
do Grêmio, sua torcida e até mesmo o povo gaúcho fazendo uso indireto de um
preconceito que não pode ser tolerado quando parte de um profissional cujas
palavras têm grande alcance. A decisão da direção da ESPN pela demissão foi
dura, mas não foi absurda. É comum o discurso da imprensa esportiva cobrando
seriedade e profissionalismo de quem trabalha com o futebol. O amadorismo da
cartolagem, um dia considerado um ato de devoção por uma agremiação, hoje é
visto com explicável desconfiança. Seguindo a mesma lógica, faz todo sentido
cobrar a mesma postura da mídia. Mesmo que nem todos entendam dessa maneira.
Crédito da Imagem: ESPN



