Para um fanático por futebol, Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações...
O que aproveitar dos amistosos contra a Argentina
Pensando no inchado calendário do futebol brasileiro, o melhor era que o chamado “Superclássico das Américas” não existisse. Além de Brasil e Argentina não poderem contar com jogadores que atuam na Europa, os dois amistosos são um risco desnecessário para um técnico tão contestado quanto Mano Menezes. Se a Seleção vencer, terá feito a obrigação por derrotar um adversário tão fragilizado. Se perder, terá sido para um rival que não pôde contar com seus principais destaques.
Isso posto, ainda é possível tirar algo proveitoso das partidas. A primeira delas está na defesa. Dedé é considerado por muitos o companheiro de zaga ideal para Thiago Silva. No entanto, até o momento, o vascaíno havia tido poucas oportunidades com a camisa amarela e sua pouca experiência internacional ainda é vista com reservas. Obter mais horas de voo é fundamental para um zagueiro de Seleção. Mais a frente, os entrosados Ralf e Paulinho mostram que podem ser aproveitados também no time principal. No caso do segundo, a titularidade parece cada vez mais próxima.
Enquanto isso, a garantia dada por Mano de quatro jogos para Lucas pode ser o que faltava para o meia-atacante do São Paulo finalmente deslanchar. Por sua vez, a escalação de Luis Fabiano indica que o técnico ainda não está convicto de que a camisa 9 pertence a Leandro Damião. Infelizmente, graças a mais uma lesão, o Fabuloso não estará na Argentina para o jogo de volta nesta quarta-feira. Por fim, as partidas também servem para observar atletas com pouco espaço em convocações regulares como Wellington Nem e Bernard, duas opções que atuam pelos lados do campo.
Não era o momento de Kaká
Este blogueiro sempre defendeu que a renovação da Seleção foi feita de maneira precipitada e que os maus resultados colhidos até o momento também eram fruto da baixa média de idade do grupo. E é justamente por essa falta de experiência - e também de uma referência - que Kaká voltou à lista de convocados. Carismático, o meia pode dividir os holofotes com Neymar e tirar do santista a obrigação de carregar o time. Porém, este não é o momento ideal. Sem atuar em nenhuma partida oficial nesta temporada, Kaká não tem ritmo de jogo para ser uma figura importante dentro de campo. E, ao que tudo indica, esse cenário não deve mudar enquanto ele permanecer no Real Madrid.
A convocação para os amistosos diante de Iraque (dia 11/10 em Malmö, Suécia) e Japão (dia 16/10 em Wroclaw, Polônia) também contou com outras polêmicas. O retorno de Giuliano levanta e velha desconfiança de que alguns chamados não obedecem apenas a critérios técnicos, parecendo mais uma versão da apelidada “quota Shakhtar”, onde jogadores em situação obscura são chamados visando futuras negociações. Logicamente, não há aqui a pretensão de se afirmar nada sem provas, mas é impossível não notar essa questão.
Outra situação desconfortável foi a convocação de diversos jogadores que atuam em times envolvidos na disputa da reta final do Brasileirão. Para evitar um impacto maior, Mano Menezes chamou apenas um jogador por clube. Aliás, no caso de Thiago Neves, a ideia pareceu muito mais incluir alguém do líder para evitar mais chiadeira do que propriamente acreditar na contribuição que um jogador assumidamente em má fase pode trazer para o selecionado.

Confira a seguir a lista completa:
Goleiros: Diego Alves (Valencia), Jefferson (Botafogo) e Victor (Atlético Mineiro);
Zagueiros: David Luiz (Chelsea), Dedé (Vasco da Gama), Leandro Castán (Roma) e Thiago Silva (PSG);
Laterais: Adriano (Barcelona), Alex Sandro (Porto), Daniel Alves (Barcelona) e Marcelo (Real Madrid);
Volantes: Fernando (Grêmio), Paulinho (Corinthians), Ramires (Chelsea) e Sandro (Tottenham);
Meias: Giuliano (Dnipro), Kaká (Real Madrid), Lucas Moura (São Paulo), Oscar (Chelsea) e Thiago Neves (Fluminense;
Atacantes: Hulk (Zenit), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Santos).
De olho na Copa
Para quem achou de gosto duvidoso a escolha de “Brazuca” como nome da bola que será utilizada na Copa do Mundo, o mês de setembro reservou outras surpresas. O mascote do próximo mundial, representado por um tatu-bola, terá sua alcunha definida através de votação do público no site da FIFA. Todavia, os nomes Amijubi (Amizade + Júbilo), Fuleco (Futebol + Ecologia) e Zuzeco (Azul + Ecologia) não caíram no gosto das pessoas. E como tudo que está ruim ainda pode piorar, a caxirola, instrumento que produz um som semelhante a um chocalho criado pelo músico Carlinhos Brown, promete ser a substituta da odiosa vuvuzela nos estádios brasileiros.
No último dia 27, a FIFA anunciou os horários dos jogos da Copa. A abertura, que terá a Seleção Brasileira, acontecerá na Arena Corinthians e terá início às 17 horas. As partidas da fase de grupos começarão às 13h, 17h, 18h, 19h e 21h, enquanto as oitavas-de-final e quartas-de-final acontecerão às 13h e 17h. As semifinais serão às 17h e a final será às 16h do dia 13 de julho de 2014 no Maracanã. As escolhas das datas e dos horários levaram em conta diversos critérios com o descanso equitativo dos selecionados, as temperaturas médias das sedes e o público internacional.
Confira abaixo, o andamento das obras nas doze sedes:
Dentro do previsto: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador;
Apresentando atrasos: Cuiabá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo;
Situação preocupante: Curitiba, Manaus e Natal.
Imagens: Yahoo Brasil, Reuters, Lance e FIFA.