Coluna destinada a comentar as opiniões emitidas pelo órgão responsável pela chegada de informações ao público aficionado por futebol: a imprensa esportiva. Afinal, bem ou mal, é através dela que tomamos conhecimento de (quase) tudo o que cerca o mundo da bola.
O que eu espero de um comentarista
O ex-jogador Paulo César Caju foi assunto neste blog há alguns dias. Na ocasião, seu entendimento sobre a importância da experiência do atleta na formação dos treinadores contrastava com a visão de quem entende que ter passagem pelos gramados não é essencial para o cargo. Desta vez, o polêmico colunista reaparece de uma forma bem menos nobre. Na última terça, Caju escreveu mais um texto sobre sua preocupação com o futebol praticado no Brasil, o defensivismo dos técnicos e o amadorismo dos cartolas. Porém, foi o último parágrafo que me chamou a atenção. De maneira completamente gratuita, classificou os jornalistas Paulo Vinícius Coelho, Paulo Calçade, Leonardo Bertozzi e outros como “analistas de computador”, arrogantes e ainda deu a entender que usa o controle remoto para mudar de canal e não ouvi-los.
A partir da mesma lógica que usa para dizer que só ex-jogadores deveriam ser treinadores, Paulo César provavelmente pensa que para comentar futebol também é preciso dominar a prática. Logicamente, ter sido um atleta ajuda a entender os meandros do jogo, o que os boleiros pensaram em determinados lances e suas reações no gramado. No entanto, ao contrário do que muitos podem pensar, ser comentarista é muito mais do que isso. É muito mais do que “falar sobre o que está vendo” como Romário definiu certa vez. Ser comentarista, ou analista, é trazer para o telespectador informações que enriqueçam a partida, conhecer os jogadores e suas características, conhecer a história do esporte e não menosprezar outras escolas, entender de tática e expor as alternativas dos técnicos, conhecer o passado dos clubes, das seleções e das competições. Enfim, é mostrar ao público que o futebol fica bem melhor quando se enxerga além das cores do próprio time.
Talvez pelo fato de terem atuado, ex-jogadores que se aventuram a comentar costumam pecar pela autossuficiência. A grande maioria – pelo menos no Brasil – não se prepara corretamente para seus compromissos, se equivoca com datas, competições e outros detalhes, comenta mais os lances isolados do que a partida como um todo e, com alguma frequência, demonstra um saudosismo que pouco ou nada acrescenta às transmissões. Particularmente, quando se trata de comentar um jogo, minha preferência é pelos “analistas de computador” que tanto irritam Caju. Até porque, para mim, o único lugar em que jogador me interessa é no campo.
Crédito da Imagem: Terceiro Tempo/UOL

