Mostrando postagens com marcador Sao Paulo de Tele. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sao Paulo de Tele. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de outubro de 2013

Toda arrogância será castigada

As últimas 20 edições de La Liga tiveram Real Madrid ou Barcelona como campeões e vice-campeões. Nessas duas décadas, o título só não ficou com um dos dois gigantes em 1996, último título do Atlético de Madrid, 2000, primeira e única conquista do Deportivo La Coruña, 2002 e 2004, quando a primazia coube ao Valencia. Nesse período, a pior colocação da dupla foi o sexto lugar do Barcelona em 2003. Indubitavelmente, seus torcedores não têm grandes motivos para se queixarem da vida. No outro lado do oceano atlântico, mais precisamente no Brasil, as coisas não funcionam assim.
Talvez por (ainda) não haver um abismo financeiro como ocorre na Espanha, talvez pela atávica falta de planejamento dos cartolas locais ou, simplesmente, pela distribuição geográfica de nossos centros do futebol, o fato é que nenhum clube brasileiro consegue estabelecer uma supremacia que dure muitos anos. Do fantástico São Paulo de Telê Santana do início dos anos 1990 ao atual Corinthians de Tite, não houve uma equipe capaz de dominar o País por mais de três, quatro anos. Isso é, ao mesmo tempo, nossa maior virtude e maior fraqueza.
Virtude por apresentar um campeonato com alta dose de imprevisibilidade e emoção. O campeão de hoje pode lutar pelo rebaixamento amanhã, enquanto o rebaixado de ontem pode chegar ao topo pouco tempo depois. E fraqueza pela quase que total ausência de projetos esportivos consistentes que sejam capazes de se sustentar em longo prazo. No Brasil, quem carrega seu próprio projeto esportivo na bagagem é o técnico. É ele quem traz a filosofia de jogo que muitas vezes está “contaminada” pelo medo de perder seu cargo após três derrotas seguidas. Não são raros os casos de clubes que demitem um técnico de determinado estilo e contratam outro com ideias totalmente diferentes na sequência.

Nesse cenário, é curioso observar torcedores que outrora despejavam gozações sobre os rivais agora fazendo as contas para ver se o seu time foge da degola. O futebol brasileiro é cíclico em seu DNA. Exatamente por isso, os sacanas deste momento podem ser os zoados de amanhã. A arrogância de um instante pode ser punida pouco tempo depois. Para isso, basta que seus amigos tenham boa memória. 
Foto: Agência Estado