É oficial. Josep Guardiola não é mais técnico do Barcelona. Após quatro anos, treze títulos em dezoito possíveis, o ex-volante anunciou em coletiva que não comandará o time catalão na próxima temporada. Segundo palavras do presidente Sandro Rosell, foi uma decisão unilateral, uma vez que - apesar da eterna panela de pressão política que sempre caracterizou o clube - a direção blaugrana se mostrava satisfeita com seu trabalho. Na oportunidade, o nome do auxiliar Tito Vilanova foi anunciado como o novo técnico, dando um sentido de continuidade ao projeto que vem sendo desenvolvido.
Desconheço as razões da saída de Guardiola. No entanto, é impossível não encarar o anúncio como o fim de um ciclo. Em quatro temporadas, Pep reconstruiu uma equipe desacreditada e a transformou num esquadrão dos sonhos, praticante de um tipo de futebol nunca antes visto em tamanha plenitude. Coletiva e individualmente muito próximo a perfeição. Obviamente, nada impede que Tito Vilanova realize façanha semelhante. Porém, ainda é muito cedo para dizer se o auxiliar tem a inventividade, a coragem e até a parcela de loucura presente em Guardiola.
Como legado, este Barcelona deixa para o mundo da bola mensagens positivas como não ser necessário possuir atletas altos e fortes para ser competitivo, que ser ofensivo não significa ser defensivamente vulnerável, que os volantes podem marcar e também jogar e, sobretudo, que é possível vencer sem abdicar do futebol bem jogado. Difícil imaginar outro time que tenha deixado tantas lições e influenciado tanto.
Neste momento algumas perguntas se fazem obrigatórias. O destino do Barcelona é a primeira delas. A motivação e a ambição deste grupo continuarão as mesmas? Em diversos momentos, os jogadores culés relacionaram o fantástico momento que viviam a Guardiola. Como será com Vilanova no comando? Pelo lado do treinador, é impossível não especular sobre sua próxima equipe e se ele será tão bem sucedido numa agremiação que não lhe é tão familiar. Afinal, uma coisa é treinar um time “de casa”, onde se conhece do porteiro ao presidente. Outra, bem diferente, é comandar um grupo desconhecido, numa realidade desconhecida. Certamente, propostas não faltarão. Hoje, uma história chegou ao fim, mas outra começa a ser escrita a partir de agora. Feliz de quem viu esse time jogar.
Imagem: Reuters
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