Quando se
pensa em Seleção Brasileira, o ano de 2014 sempre será lembrado pela tragédia futebolística
ocorrida na Copa do Mundo. Daqui a 50 anos ainda encontraremos quem esteja
debatendo sobre os motivos que levaram o selecionado mais vitorioso da história
a ser massacrado dentro de sua própria casa. Todavia, como o “levanta, sacode a
poeira e dá volta por cima” é também um lema do povo brasileiro, nada mais
justo do que partir para a ótica da reconstrução da equipe.
Com a
saída de Scolari, Dunga não era o nome preferido de imprensa e torcida. A
Seleção que o ex-capitão comandou entre 2006 e 2010 era muito competitiva, mas
carecia de criatividade. É quase consenso entre os críticos que nosso futebol
deveria se inspirar nos exemplos de Espanha e Alemanha e construir um time
capaz de propor o jogo como um dia fomos capazes de fazer. Uma questão já
debatida neste espaço é se temos jogadores para tal missão. A resposta mais sensata
neste momento é não. Durante anos, formamos atletas de estilo vertical, baseando-nos
na tese de que os mais talentosos devem ficar mais próximos do gol adversário.
Com isso, o meio-campo se tornou uma área muito mais de destruição do que de
construção. Sobretudo, pela necessidade de cobertura de laterais apoiadores.
Passou
quase despercebida a viagem da comissão técnica pela Europa após os amistosos contra
Turquia e Áustria. Na Alemanha e na Inglaterra, Dunga se reuniu com Jürgen
Klopp e José Mourinho, técnicos conhecidos pelo estilo intenso e vertical ora
visto no Borussia Dortmund e no Chelsea. Alguém provavelmente vai pensar num
diálogo com Guardiola, porém, está bastante claro que o tipo de jogo que Dunga
enxerga como ideal para os seus comandados certamente não é o tiki-taka. E isso
não significa que ele está errado.

De
qualquer forma, é impossível negar que o saldo deste reinício é positivo. Mais
do que as seis vitórias, foi importante resgatar o moral do grupo. Vencer
sempre será o melhor remédio para se curar as feridas do futebol. Deste modo, a
Seleção encerra seus trabalhos em 2014 e se reúne novamente em março do ano que
vem. Embora a CBF não confirme, os rivais devem ser Nigéria e França. Aproveitando
a ocasião, este colunista também se despede temporariamente deste espaço e
promete retornar às atividades em 2015. Até lá!