Este post está sendo escrito poucas horas antes de Flamengo e
Corinthians entrarem em campo pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro. Como
vivemos no país dos resultados, as ausências de Paolo Guerrero e Emerson pelo
lado rubro-negro terão o peso do que apontar o placar ao final da partida. Em
caso de derrota, o mais provável é que a culpa recaia sobre os ombros do presidente
Eduardo Bandeira de Mello que aceitou a solicitação dos representantes
corintianos para que os dois atacantes não participassem do confronto de hoje. Como
os detalhes da negociação não vieram a público, provavelmente nunca saberemos
em quais circunstâncias Bandeira acatou tais condições. Sendo assim, o melhor
julgamento não se viabiliza nesta questão.
Contudo, é possível dizer que, como um todo, o planejamento esportivo da
atual gestão do Flamengo deixa a desejar. E isso, que fique bem claro, não tem
a ver com a gestão financeira exemplar do clube, mas com a maneira como o
futebol vem sendo gerenciado. Antes de Cristóvão Borges e Rodrigo Caetano, nada
menos que seis treinadores e dois gerentes de futebol passaram pelo Flamengo em
dois anos e meio. Dentre eles, apenas Mano Menezes saiu por decisão própria. O
restante foi demitido sem conseguir concluir seus projetos. Em outras palavras,
não é preciso ser um gênio esportivo para perceber que alguma coisa está fora
da ordem na Gávea. Embora os dirigentes rubro-negros sejam profissionais de
sucesso em outras áreas, ainda são amadores em sua nova empreitada.
Pouco depois de deixar o Flamengo, Mano Menezes disse que os dirigentes
brasileiros não sabiam responder qual era o seu projeto esportivo. Questões
básicas como que tipo de futebol se almejava não encontravam eco. Não foi uma
crítica direta, mas era bastante cabível ao seu ex-clube. Sem a mesma
capacidade argumentativa do gaúcho, Vanderlei Luxemburgo, em sua entrevista coletiva
de despedida, foi mais direto ao dizer que a diretoria rubro-negra não entendia
nada de futebol. Lamentavelmente, os fatos têm dado razão ao novo técnico do
Cruzeiro.
Companheiros de Bandeira de Melo já disseram algumas vezes que “A bola
não entra por acaso” do espanhol Ferran Soriano é o livro de cabeceira do grupo.
Para quem não conhece, a obra conta como o Barcelona se reorganizou para brigar
num mercado globalizado e chegou ao topo. Todavia, os admiradores locais
parecem não ter notado que o êxito dos catalães se baseou tanto na gestão
financeira quanto no planejamento esportivo. No futebol, esses são pontos que
se entrelaçam a todo instante. Um não caminha bem sem o outro. E enquanto esse
entendimento não ocorrer, reportagens como a que saiu no “The New York Times”
serão o único motivo de orgulho.
Imagem: Lancenet
